Herdeiros das Capelas Imperfeitas

Somos de pura raça lusitana,
Herdeiros de um incerto Viriato,
De um bastardo que foi prior do Crato,
Dos que foram além da Taprobana.

Vendemos lã para comprarmos “lana”,
(“Caprina”, que é negócio mais barato.)
E já produz mais fumo o nosso mato
Do que oxigénio a nossa mata emana.

Povo de heróis, de artistas e de santos,
(Líamos assim… sábios, outros tantos…),
Em seus brandos costumes ledo e manso.

Mas ter como morada este país,
E mesmo assim viver sempre feliz,
– Oh! meus amigos, só de santo ou tanso.

8 thoughts on “Herdeiros das Capelas Imperfeitas”

  1. Daniel,

    Excelente tirada.

    Suponho, mesmo, que somos bem as duas coisas: santos e tansos. Qualidades que, de resto, e segundo más línguas, não se guerreiam.

  2. as they say, boa malha, daniel.
    no masculino, a tua categorizac,ao. no’s somos xx, todas santas e tansas. no contexto podemos ser as virgens – assim como a Imaculada.

  3. É isso, um bom retrato da pátria iletrada que dava mais importância à D. Inocência Redol do que ao António Alves Redol. Mesmo gente de esquerda. Num país de analfabetos um escritor é sempre outra coisa…

  4. O Daniel devia publicar os seus poemas satíricos.
    Impecáveis do ponto de vista estético, nunca lhes falta verve.
    onésimo

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