Perderam uma aposta com o Portas?

Vamos ver se percebi isto bem: o PEC IV ganhou o selo de qualidade do FMI e é neste momento, espantosamente, a “parte boa” do acordo. Há uma parte má, ainda desconhecida, que será inevitavelmente colada ao PSD, os tais que chumbaram anteriormente, e agora louvam, a “parte boa”. Que antes da certificação por entidades internacionais era má.

E põem o Catroga, praticamente a babar-se de tanto desespero, a dizer agora que a “parte boa”, ou seja o PEC IV, é da autoria deles, enquanto rosna “O Engº Sócrates levou o pais à bancarrota repito…”.

No momento perfeito para a “mensagem de esperança” e o olhar confiante, enquanto o país suspira de alívio por não ter vindo o fim do mundo, não acham que devia ser o Passos Coelho a falar? Não é ele que quer ser primeiro-ministro? Quando é que fala, amanhã, depois de se conhecer a parte má?

Mas o que é que se passa com o PSD? Querem perder de propósito?

20 thoughts on “Perderam uma aposta com o Portas?”

  1. Ele neste momento já está está totalmente proibido de se mexer pelos médicos.
    Claro que não vai resistir e depois têm que o ligar às máquinas.

  2. Se a 5 de junho puserem esta espécie de homem como primeiro-ministro, desisto de acreditar que aos portugueses lhes resta um vestígio de bom-senso.Desisto de acreditar neste povo.

  3. Edie, não sejas como os outros, que querem mudar deste povo para um outro menos estúpido, um que mereça os seus méritos em lides de verdade e cenas assim. Aguardemos democraticamente ;)

  4. Não é a população que tem culpa, edie.

    A segurança da informação e o controlo do acesso à informação é já, não só um grande negócio, como a grande preocupação de todos os grandes investimentos e empreendimentos.

    A política sendo o maior investimento da sociedade não escapa a essa regra. Devia ser contra o controlo e manipulação da informação que o o palhaço do Cavaco Silva devia ter solicitado a indignação social.

    Ao badameco que teve oportunidade de entregar essa manipulação aos seus cães de fila, resta-lhe babar-se de esgana enquanto pelo meio vai alimentando quanto pode a confusão sobre o assunto.

  5. Ola,

    Que tal voltar às bases : o PEC IV é mau e não pode ser a “parte boa” do que quer que seja. Pode, quanto muito, ser apresentado como um mal menor, e foi de resto assim que o PS o apresentou na altura.

    A questão é saber se é mesmo o menor dos males, ou se não esta na altura de ver que a linha politica e economica em que ele se insere não nos conduz a mais desenvolvimento, mas antes a mais dependência,numa espiral de que ninguém vê como poderiamos sair, a não ser no dia em que a Alemanha, a rebentar pelas costuras, decidisse comprar isto e transforma-lo num Land turistico, numa espécie de Canarias alemãs.

    Ora bem, eu acho que existe alternativa ao PEC IV e que esta alternativa até esta na Europa. So que ela não vai ser alcançada por esse lado, fazendo o jogo do PSD.

    Porque tenho muita pena mas, pondo de lado a retorica eleitoralista, é o que se depreende deste post. PS e PSD estão plemanente de acordo no que respeita ao que se deve fazer e entretêm-nos apenas com uma triste telenovela em que a questão consiste em saber qual deles é que tem as “culpas” necessarias para fazer engolir ao povo as medidas de austeridade que se avizinham.

    Isto é indigno e é perigoso, porque é uma completa perversão da democracia.

    Se a questão é saber quem é mais ou menos aldrabão, e quem é mais ou menos competente, então criem um partido politico unico, sucursal da CDU alemã, e façam eleições para Secretario-geral.

    Eleições legislativas é outra coisa. Devia ser outra coisa.

    Admito perfeitamente que ganheo partido que defende que devemos ceder à Alemanha porque não temos outro remédio, e que isso até nos trara algumas vantagens, obrigando-nos a reformar profundamente o nosso sector publico. Que melhores dias virão e que o que é preciso é esperar, etc.

    Não concordo com isso, mas admito que esse programa seja escolhido pelo povo português, na medida em que corresponder à vontade da maioria dos cidadãos.

    Mas assim não. Os Portugueses não se vão pronunciar sobre esta questão nas proximas eleições de Junho. Estamos a fazer de contas. 40 anos depois do 25 de abril, continuamos completamente alienados e com medo de encarar a realidade.

    Ja sei que vais dizer que a “culpa” é dos partidos de esquerda, que são irresponsaveis e etc. e tal.

    Sera. Estou-me cagando para as culpas. Elas estão em nos todos, em mim também.

    Que tal deixar esta merda desse assunto e falar de outras coisas. De politica por exemplo ?

    Que reformas é que o PS se propõe levar a cabo para modernizar a amdinistração e pôr o sector publico a funcionar decentemente, com os beneficios que se podem racionalmente esperar desta função (ou seja com uma efectiva valorização dos Portugueses e do seu trabalho), que ele não tenha ja tentado fazer, sem conseguir, mercê de uma conjuntura economica que ele admite, e aceita, desde ja, que vai continuar a ser catastrofica até Nossa Senhora de Fatima pegar no assunto ?

    Se a situação de dependência em que estamos nos sujeita ao PEC IV, porque raio é que haviamos de continuar no mesmo caminho ?

    Boas !

  6. Vega, muito bem. Pensei o mesmo que tu quando vi o Catroga na televisão a “reagir”.

    Não precisas, mas ajudo-te a perceber: é apenas a diferença entre ter um líder inteligente, com ideias próprias, um rumo claro e argúcia política e um líder (o Cavaco não lhe roubou a pasta?) como Passos Coelho, que nem qualifico porque o contraste se encarrega de o fazer.

    Quanto à reivindicação da autoria das “boas medidas”, é, de facto, anedótica, já que, tanto quanto sei, o PSD reuniu com a troika uma hora e tal logo no início do processo, suponho que para se apresentarem, dizendo o nome, profissão, estado civil e partido que representam, e ontem ao princípio da tarde PPC ainda dizia que aguardava a chamada para a reunião, tendo pelo meio enviado 5 cartas a Pedro Silva Pereira.

  7. Este acordo constitui a devolução ao remetente das miseráveis cartas que apenas insinuavam que a troika se devia pôr a pau que o Teixeira dos Santoas ainda os enganava…
    Uma estratégia miserável e própria de bufos e de putos da escola…

  8. Penélope, nem mais. E tendo em conta que um grande partido da oposição é absolutamente essencial para o funcionamento da democracia, é algo que lamento. Se calhar, temos de começar a pensar em criar a figura de gestão danosa de partido político. Porque é o que isto é.
    ___
    joão viegas, se eu ignorar tudo o que se passou no mundo, tendo a concordar contigo. Mas não posso. É que a politica é muitas vezes a arte de saber escolher o mal menor. E a situação é esta: há duas soluções, ou aceitamos a ajuda externa com as condições que conseguirmos negociar – a posição do PS, PSD e CDS, independentemente das estratégias individuais – e tentamos trabalhar a partir daí, ou então resolvemos as coisas sozinhos, preservando a nossa autonomia politica e soberana – a posição do PC e BE. Mas esta ultima solução, que há primeira vista parece a mais óbvia e justa, tem uma condição terrível – teríamos que contar apenas com nós mesmos, o que na prática tem como efeito imediato a redução de um défice de 9.1 para zero em mais ou menos um mês. Para começar.

    Por isso, e é de escolhas que falamos, qual é a solução menos dolorosa para os cidadãos?

    (E sim, a culpa é da “esquerda” – assim, entre aspas – irresponsável e tal)
    ___
    shark, acho que no caso do PSD, vai ainda mais fundo. Estão futebolizados, escolhem o presidente que promete essencialmente “um PSD à PSD” e campeonatos imediatos. E depois culpam o árbitro, e “o sistema”. Uma pobreza.

  9. A explicação para ter sido Catroga a Falar no lugar do Passos é simples e é perfeitamente aceite:
    Passos não quis ficar longe do telefone porque alguém da troika poderia ligar (pediu até que lhe levassem uma “sandes” de presunto igual à que fazem no café da D. Maria, lá em Massamá, e uma meia de leite). Relvas estava, como habitualmente agitado e suado, de “prevenção” junto ao fax…

  10. Caro Vega9000,

    Discordo. Não do necessario “realismo”, mas do diagnostico apocaliptico que se esquece de um pormenor importante : NOS somos também parte do “Mundo”, e os lucros que as economias europeias fizeram à conta da nossa integração também devem ser colocados na balança.

    Ninguém defende que devemos deitar tudo a perder e decidir ja amanhã abandonar definitivamente o espaço europeu, arcando sos com a divida.

    As coisas não se colocam nesses termos. Se temos um problema de competitividade com os outros Estados no espaço europeu em que estamos inseridos, devemos poder proteger-nos temporariamente. Se as regras europeias não o permitem, isso significa que so temos a perder com essas regras e que a sua aplicação so vai piorar a situação. Temos que saber dizer isto nas instâncias europeias, que são (relativamente embora, pelas estupidas razões que sabemos e que interessam sobretudo à direita) representativas dos povos da Europa. Não somos os unicos com problemas e não temos que vestir sem protestar as vestes do cabula. Afinal, o déficit das nossas contas publicas é assim tão diverso do de outros paises ?

    Mais coisa menos coisa, na medida do possivel, o esforço para conter a divida publica foi feito. Num contexto de recessão, nem o PSD, nem o CDS, nem ninguém tem uma solução milagrosa a esse respeito. O que se diz por ai, que é tudos uma questão de competência, ou de acabar com Al Capones imaginarios que teriam tomado conta do aparelho do Estado é um (mau) filme de série B.

    Alias, ainda que se aceite como necessarios mais cortes drasticos, a questão permanece inteira : para voltarmos a ter gastos publicos que verdadeiramente se traduzam por uma valorização do trabalho dos Portugueses ? Ou para gastar com mais automoveis importados, com mais obras publicas realizadas, directa ou indirectamente, por empresas estrangeiras e com beneficios que vão imediatamente partir para fora ?

    Escolha implica haver duas alternativas. Onde esta a segunda ? Quem propõe sériamente, com contas feitas, uma politica alternativa ?

    Devia ser o PS (repara que a sigla corresponde a DUAS palavras).

    E se não existe alternativa, se ninguém diz que é possivel fazer outra politica, então estamos a negociar exactamente o quê ? Rigorosamente nada ! Estamos so à espera de receber ordens…

    Assim sendo, e esta é a doutrina vigente, a tal do PSD e do CDS a que o PS subscreve, não temos absolutamente nada a fazer senão diminuir drasticamente e a mando os dinheiros publicos – ou seja a redistribuição dos resultados do esforço feito pelos trabalhadores portugueses (lembro que no PIB, não ha so o “interno” e o “bruto”) – na esperança de que o Estado acabe um dia, por obra e graça de Nossa Senhora de Fatima, por gastar menos do que aquilo que custa… aos Alemães e aos Franceses !

    Se o problema é mesmo o endividamento do Estado (sera ?), como é que ele pode ser resolvido com novos empréstimos ? Se o problema é a chuva, vamos comprar um guarda chuva (vendendo se calhar uma peça de roupa), ou vamos comprar mais uma camisola à (pessoa digna e imensamente respeitavel de etnia) cigana que nos garante que a chuva vai parar e que a seguir vem o frio ? E se o problema não é a chuva, porque é que os responsaveis do PS insistem em atemorizar-nos com quadros medonhos sobre o diluvio ?

    A campanha do PS consiste em dizer que vai continuar a fazer a mesma politica e que, se fôr minoritario, vai aliar-se com o CDS ou com o PSD.

    Ou seja, o PS não acredita numa alternativa politica que aposte no fortalecimento do Estado, na sua reforma eficaz e nas virtudes da redistribuição.

    O PS que se apresenta às eleições esta profundamente convencido de que a unica politica a fazer à a da direita. Apenas acha que ele é mais competente do que os partidos de direita para levar a cabo esta politica…

    Que péssimo serviço à democracia é este ?!

  11. Excelente, “Vega9000”; magnífico, “tra.quinas” (e outros comentadores)!

    Já quanto ao João Viegas, penso que tem toda a razão, mas não nesta discussão, noutra mais funda e que também é necessária, mas não tão urgente. Nesta discussão as suas preocupações soam deslocadas, no mínimo.

    Nessa outra discussão, eu dir-lhe-ia que não é só NEM ESPECIALMENTE o Estado que gasta o dinheiro dos Estados europeus, é o Povo. Não tenho tempo para os devidos “links” (um dia talvez consiga), mas tente procurá-los, pois em todo o lado se sabe (excepto nas televisões mercantis, nos tablóides e gratuitos e nas rádios de piratas) que a dívida externa portuguesa é muito mais privada do que pública (a dívida pública externa de Portugal é comparável às da maioria dos Países da U. E.), ou seja, os tais excessos de consumo que desequilibram a nossa balança de pagamentos, pelo lado do excesso de importações (também há a carência de exportações, que é outro problema), são resultado sobretudo das aquisições dos agentes Particulares.

    Coisa que, embora possa ser combatido com medidas políticas, não é um problema exclusivo do foro da Política, mas antes um grave e profundo problema mental e cultural de toda a Sociedade. Diria mesmo da Nova Sociedade que, desde meados dos anos oitenta, foi proliferando em Portugal, sobre a decadência e depois o estertor da Velha Sociedade.

    Alterar este estado de coisas NÃO é, do todo, uma questão relevante para o período pré-eleitoral que atravessamos. É matéria que nos deve começar a preocupar, sériamente, a partir de, vá lá, 7 de Junho (haja um dia para contidos e humildes festejos, para quem os merecer…).

  12. Caro Marco Alberto Alves,

    Olhe que não, olhe que não. A questão decisiva, talvez a unica, nestas eleições, é saber quais vão ser as alianças politicas para governar a partir de Junho proximo. Se o PS ganhar, vai governar aliando-se com o PSD, ou procurando apoio à esquerda, responsabilizando os partidos que pretendem salvar o Estado social ?

    Não me serve dizer-se que a esquerda que temos hoje (PC e BE) é irresponsavel. Cabe a um partido de esquerda, como devia ser o PS, criar espaço para que uma politica responsavel, de esquerda, que passe por exemplo por diminuir as importações sem ser atravês de medidas cegas que atingem o poder de compra dos mais pobres e não resolvem a questão estrutural. Se ninguém abrir essa porta, então continuaremos a ter os habituais Che Guevaras da treta a dar o lamiré nos partidos da esquerda radical. O jogo da responsabilização implica concessões mutuas.

    Se o PS percebe perfeitamente isto, e declara-se mesmo disposto a aplica-lo para com o PSD, à sua direita, porque raiso não se ha de afirmar disposto a fazer o mesmo à sua esquerda ?

    Portanto a verdadeira questão – bom digamos mais modestamente a questão que eu levanto para decidir em quem vou votar – é saber se o PS se apresenta como um partido que vai ajudar o pais endividado pondo-se do lado dos bancos, e contribuindo para que estes ditem as regras mesmo se isto significa sugar os pobres diabos até ao tutano, ou se pretende fazê-lo ouvindo as associações de consumidores e procurando salvaguadar o interesse publico.

    E esta questão é, na sua substância, a mesma que eu referi em relação à Europa. Queremos um governo que aceita à partida que a Europa é uma associação de empresarios que aspiram a que os alemães vendam melhor na Asia, ou queremos uma Europa dos povos que aposta no desenvolimento de uma união economica e social em que todos têm lugar ?

    Boas.

  13. Tem razão, o “olhe que não” saiu mal, devia ter sido “olhe que sim”, a questão é pertinente neste periodo pré-eleitoral (bom, a não ser que por isso você entenda que ainda não é tempo de falar no que esta em causa nas proximas eleições).

    Boas

  14. Aproveitar uma situação de resgate financeiro para virar as políticas à esquerda?

    Depois admiraste que te chamem de ingénuo, joão viegas.

    E de facto, ingénuo é pouco.

  15. Isso mesmo, caro tra.quinas, e se estamos numa situação de resgate, isso deve-se a que tipo de politicas ? Aos planos quinquenais e à reforma agraria impostos à força por Fidel Socrates ? Ou às tais politicas do “apertem o cinto e comam la mais um bocadinho do nosso milho que não tarda nada vocês estão ai a conquistar partes substanciais do mercado chinês, onde nunca ninguém ouviu falar de computadores individuais” ?

    Portanto esta certo. Como o banco esta a subir os juros, resta-nos apenas dizer que sim e pedir mais empréstimos, mandando talvez a criança mais nova da familia fazer limpezas no escritorio do director, que pode ser que nos venha a dar jeito.

    E depois eu é que sou ingénuo !

    Mas ja sei, a “culpa” foi da crise e, como sabemos, isso não tem rigorosamente nada a ver com as politicas que temos seguido.

    Este pais não tem solução. Tenho pena, mas não tem mesmo !

  16. Isso mesmo não, joão viegas. Deves estar a gozar comigo.

    Ninguém te empresta dinheiro para tu melhorares o estado social e, pela ordem natural das coisas, a conversa terminaria aqui.

    O PC e o BE até serem recebidos pela troika recusaram e tu agora queres que o PS, que viabilizou o acordo, o mande às urtigas para ir negociar entendimentos à esquerda.

    A tua argumentação é totalmente deslocada. Eventualmente poderá enquadrar-se numa discussão sobre as razões que nos trouxeram aqui. E mesmo aí discordo.

    A solução passa por mais economia para que os recursos afectos ao estado social sejam menores. Isto suscita-te alguma dúvida ou tu preferes comer os milhos todos que te dão sem a mínima preocupação de saber se eles te dão todos os nutrientes de que precisas?

    Qual é a expressão do estado social na China? E mesmo assim, é dos países com maior índice de poupança. Pensa nisso. Ou então assume que és contra a globalização. Coragem. É esse o único cavalo de batalha do PC e do BE. E escondido.

    A questão cultural e da mentalidade dos portugueses, podemos discutir mais tarde.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.