O portador da tocha

Há já um consenso bastante alargado, até na direita, que o ministro Álvaro é a peça mais fraca deste governo. Embora haja outros candidatos, tenho que concordar pela importância crucial do seu ministério. O que não concordo é que seja tratado como uma anomalia, uma má escolha. O Álvaro não tem obviamente a mínima ideia do que quer fazer, da realidade do país em que vive, já para não falar da Europa e do resto do mundo. Por isso, atira cá para fora com todas as ideias que lhe ocorrem, ideias essas claramente fruto de uma mente que deixou de reconhecer o país algures nos anos 80. São de uma banalidade atroz, não têm o mínimo de pensamento estratégico, de inovação, de originalidade, repetem chavões de jornal regional, são muitas vezes ofensivas – já todos percebemos o que é que esta personagem pensa dos portugueses e das suas capacidades. E creio que se podem tirar duas conclusões: primeiro, que ele próprio já se apercebeu que isto é nitidamente areia de mais para tão fraca camioneta. Segundo, mesmo tendo essa consciência, não desiste e prefere tentar a fuga para a frente, aumentar o nível de bullshit uns valentes pontos, convencido como está que somos todos um bando de estúpidos que comem qualquer coisa desde que seja dita “com convicção” e que os planos soem a grandiosos. Daí as expressões “aventura”, “marca Portugal” e “revolução”.

Portanto, incompetência, aventureirismo, banalidade, bullshit, falta de ideias na exacta proporção de “convicções firmes”, grandes promessas a esconder um ainda maior vazio de qualquer coisa que sequer cheire a estratégia, a óbvia satisfação de “mamã, sou ministro”, um ar simpático com um sorriso pronto para as câmaras. Eis o Álvaro. Como símbolo deste governo e de tudo o que representa, é realmente perfeito.

21 thoughts on “O portador da tocha”

  1. Vega 9000

    No estilo mais parece o Valupi, mas muito bem observado.

    Só que o Álvaro é o melhor ministro deste governo, é um ponto de vista sem mais.

  2. A base de uma conversação desta natureza tem de ser factual.

    Quem disse que o Alvarinho é o melhor ministro deste governo, tem necessariamente de dizer porquê, caso contrario contrario entramos no caminho da discussão medíocre, e disso já estamos todos muito cansados, certo ???

  3. O RAMALHO É QUE TOCOU NA MOUCHE: ESTE É O MELHOR MINISTRO DESTE GOVERNO. PERANTE TAL NULIDADE SE VÊ O QUE VAI DENTRO DA CARROÇA. NÃO PASSAM TODOS DE AUTÊNTICOS INCOMPETENTES, A COMEÇAR PELO 1º MINISTRO. INCOMPETENTES E IRRESPONSÁVEIS. POR ESTE ANDAR NÃO SEI ONDE É QUE ESTE PAÍS VAI PARAR.

  4. Obrigado José não diria melhor.

    Mas a/o Carmim não deve criar a norma de banimento para os outros, disso também estamos todos fartos. Não confundir um pedido de clarificação de um ponto de vista pessoal com uma teoria que deve abarcar a prova da sua factualidade.

    De qualquer forma lhe dou um paralelismo com que pode fabricar um modelo de analise.

    Para acabar com o comunismo tinha que existir um Gorbachev, para o descrédito deste governo e desta política temos o Alvarinho que carregou mais areia do que alguma vez alguém poderia transportar.

    Aqui tem uma tese. Agora elabore. Se quiser, haja liberdade.

  5. Até ver só me livrava mesmo é do Relvas.

    Um dia ainda avaliaremos os governantes pelo que fazem e pelo resultado das sua medidas em vez deste vício de os avaliar pela performance mediática ou pelo aspecto ou impressão que dão quando falam em público.

    Eu do Álvaro só sei que é Beirão, prático e poupado, continua a almoçar na tasca, teve uma boa carreira académica e experiência de vida em países cujo desenvolvimento nos devia inspirar (e espero que o tenham inspirado a ele), que cortou mais despesa e tachos no seu ministério do que qualquer dos outros, que não acredita no Estado como motor da Economia, que diz que vêm aí alguns investimentos estrangeiros relevantes um dia destes e que prefere um comboio para transportar mercadorias em boa velocidade para a europa do que para transportar madrilenos a altissima velocidade para a praia de Madrid.

    Ao fim de 100 dias não tenho nada contra e como ele soa, parece ou aparece é-me perfeitamente igual ao litro. Ele ou qualquer outro.

  6. Eu parece-me que o Alvarinho daqui para a frente não vai só dizer o que disse nestes 100 dias: Estou a preparar as medidas, já tenho algumas, como a marca Portugal (o outro era a marca Allgarve), põe-se uma bandeirinha em tudo o que é alheira ou chouriço e vá de exportar.
    Não! Ele no futuro já tem a solução para a crise. E onde é que se fez luz no cérebro deste bébé (mamã, estou aqui) com 100 quilos? Foi no último prós e contras.
    Quando aquele rapazola falou e disse que uns choram, outros vendem os lenços, aí o Alvarinho apanhou esta frase no ar riu-se como um alarve (ou uma criança) e percebeu o objetivo daquele conceito. Tanto assim que pouco depois ele afirmou para quem o quis ouvir: – Eu estou do lado dos que vendem os lenços.
    Está encontrada a solução. O Alvarinho vai para a FEIRA VENDER LENÇOS!

  7. Buíça:
    Entre a tua estória da carochinha e o texto do Vega, que simplesmente refere o que involuntariamente transparece nesta Comunicação Social (apesar de vir embalando o Governo e o PR no seu regaço), prefiro acreditar nas evidências.
    No fundo, apenas depreendo no teu texto que… só sabes que nada sabes.
    Por isso, sugiro que voltes a ler a posta inicial com mais atenção.
    Baidauei, podias ter aplicado a mesma regra ao Sócras, não?
    Volta Sócrates. Perdoa-nos, foi um engano, lol.

  8. Buíça, se de repente começássemos a avaliar os governantes exclusivamente pelos resultados das suas politicas, deixava de ser necessária a politica. Funcionava assim: um tipo era eleito, fechava-se no gabinete durante 4 anos sem dar cavaco a ninguém, e no final avaliava-se os resultados. Não acredito que sejas assim tão ingénuo, portanto deixa-te de tretas.
    A aposta dos governos de Sócrates para a economia era clara: ciência, inovação e tecnologia, sendo que os outros sectores, por exemplo a educação e o ensino superior, seguiram as orientações gerais desta. Foi assim desde o primeiro dia, e todos sabiam e o anunciavam. A isto chama-se estratégia. Passados 100 dias deste governo, diz lá, a estratégia para a economia é qual? Tens conhecimento de alguma, ou ficas sentado à espera dos “resultados”?

    (e ainda não me respondeste à pergunta que te fiz no outro post)

  9. Vega,

    Parabéns pelo retrato muito bem focado e em tons de sépia. Nem eu poderia imaginar-te o homem menos capaz de encontrar um gajo incompetente na colónia inimiga da mesma família de lacraus. Isso seria ir contra às leis mais básicas da reacção para um regresso quanto antes do socialismo pink ao poder. Pela minha parte, que isso aconteça antes do Natal ou pelo menos antes do Gadafi voltar a Tripoli.

    Ó anohnimoh,

    Cala-te! Ou então não digas nada, micróbio… Vá lá, não usaste o vocativo “Oh”. Saíste-me cá um alvarinho dos antónios…

  10. Caro Vega9000 (descobri agora que é do género masculino): gostei, mais uma vez, do seu post. É um estilo perfeito para um blogue político e de política. Não compreendo como elogiam o Valupi, com o seu estilo azeiteiro e desproporcionalmente histriónico, ou a Isabel Moreira, sempre tão “constitucional”… É assim que se fala de política: com limpeza e sinceridade. A questão dos “ministros académicos” não me parece leve: para o PSD, ter muitos nomes num nome, ou muitos graus atrás de um nome, torna uma pessoa capaz, distinta, especial (e ainda elogiam o defunto Carneiro pela “gran caca”), da mesma forma que, para o PS, ter um estilo ligeiramente popularucho, grosseirito, simplório, também ajuda à marca de água da esquerda. Mesmo assim odeio mais os primeiros, claro. Voltando à questão dos ministros académicos: o Vítor Gaspar é o exemplo clássico, e desde o primeiro momento em que o ouvi falar, que tive a certeza de que ele soçobraria. É o destino de um básico convencido que é superior por ser marrão. Não é uma inteligência superior, não é um erudito, e muito menos um cientista: publicações em periódicos internacionais (é aí, e não noutro lado, que se vêem os resultados de investigação) – zero. Este Álvaro sempre viveu fora da realidade, e por isso, até dá um certo humor vê-lo opinar num contexto de discurso(?): “ah e tal o futebol… ah e tal, o contexto da economia… ah e tal, questões a serem estudadas…”. Eu disse um “certo” humor; os palhaços nunca me conseguem fazer rir durante muito tempo.

  11. “que cortou mais despesa e tachos no seu ministério do que qualquer dos outros”

    Presumo que o leitor Buiça não leia o diário da republica? Aliás, pergunto-me se sabe sequer o que é? É que só assim se justifica a sua ingenuidade…

  12. Manteigas, a Marca Portugal já estava criada pelo anterior governo e AICEP (entretanto paralizado). Agora, a proposta é pôr uma etiqueta nos sapatos e t-shirts a dizer “é tao bom qe não parece português”, em várias línguas. Qualquer pessoa percebe que isto é marketing do melhor. Não tem é ideia de como manter o nível extraordinário de exportações que o anterior governo promoveu. Mas isso também não é assim tão relevante, por que temos impostos não cobrados para cobrir o buraco. Tranquilos, portanto.

  13. Vega, topaste bem o gajo. Esse vendedor de banha da cobra não tem nível absolutamente nenhum. É o resultado de se idolatrarem os currículos dos imbecis que andaram pela América. Os americanos são estúpidos pra caralho. Em Portugal sabe-se mais matemática, já nem digo geografia, do que na América.

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