Um pote de diferença

Assim como um médico que está a tratar do seu paciente se não põe com lamúrias à sua frente, compreendendo o seu sofrimento, sabe que o melhor que pode fazer por ele é tratá-lo, assim todos aqueles que trabalham no seu dia-a-dia por vencer esta crise usam à sua maneira essa medicina para colectivamente permitir que o País ultrapasse essas dificuldades.

Não vale a pena estarmos a lamuriar das dificuldades e dessas circunstâncias que defrontamos.

Quando sabemos, como soubemos ainda hoje, que as exportações durante os primeiros sete meses do ano, e já lá vai mais de metade do ano, foram das que mais cresceram na União Europeia, lembramo-nos do que tem sido mês após mês lutar contra o derrotismo, e contra a ideia daqueles que dizem “que assim não vamos lá”, e “que assim não podemos vencer”, e “que assim só conduzimos o País à desgraça”.

Passos, 7 de Setembro – com vídeo

__

Indiscutível: os governantes são empossados para manterem o Estado a funcionar e resolverem problemas aos cidadãos, não para se queixarem da vidinha e da má sorte. Daí decorre um dever de optimismo que se confunde com a própria essência da liderança. O líder espalha confiança na possibilidade do sucesso, e essa confiança aumenta a probabilidade do sucesso. É simples, é ancestral. Passos, pois, está no seu papel ao tentar motivar a comunidade para uma concentração de energias na procura de soluções para os nossos problemas. Só que há aqui uma coisinha estranha.

Este político é o mesmo que, quando na oposição, desgastou o Governo e o País até ao ponto em que não havia qualquer saída que não fosse a capitulação nas piores circunstâncias possíveis para o interesse nacional. E ainda pior. Este é o político que mentiu sistematicamente, tendo enganado até o seu eleitorado mais cegamente fiel. E para cúmulo, este é o político que após ter sido eleito passou a justificar a traição cometida com uma retórica odiosa onde os portugueses apareciam como culpados de vícios morais e desgraças económicas, pelo que agora deviam comer e calar ou fugir. E isso é notável, confessando-me perplexo face ao fenómeno. Não que me surpreenda o calibre de um sem-vergonha como Passos, mas espanta-me como ele pode continuar a achincalhar milhões de pessoas sem que alguém se mostre ofendido.

Passos não quer lamúrias, não quer pieguices. Passos excita-se é com a visão de corpos macerados e sanguinolentos, aguentando num estoicismo sobre-humano o peso de décadas de erros que estamos finalmente a pagar graças à sua coragem e visão. E não há a mínima dúvida neste homem, não há vestígios de qualquer peso na consciência face às consequências devastadoras das suas escolhas, por isso se anima, ri, enfrenta a turbamulta com o entusiasmo de quem está disposto a tudo para atingir o único fim que nos está destinado por uma força superior.

Daí a necessidade de recordar. A memória foi sempre um reduto de liberdade contra os tiranetes alucinados que conseguem enganar meio mundo. Lembremos a extraordinária vocação do laranjal para a lamúria que nos afundou:

O líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, acusou o primeiro-ministro, José Sócrates, de mentir sobre a situação orçamental e económica do país e alegou que o seu Governo perdeu a confiança da maioria dos portugueses.

Na abertura das jornadas parlamentares do PSD, em Braga, Miguel Macedo respondeu às palavras de José Sócrates no último debate quinzenal no Parlamento, acusando-o de ter recorrido à «mentira na sua concepção mais sofisticada».

«Vivemos um tempo político muito exigente. O país está numa encruzilhada. O Governo perdeu a confiança da maioria dos portugueses e os cidadãos começaram a ver no PSD uma alternativa de esperança, de verdade e com sentido de responsabilidade. Não podemos desiludir», afirmou.

De acordo com o líder parlamentar do PSD, existe também uma «desconfiança dos mercados, dos investidores e dos financiadores em relação ao Governo português e à sua retórica oca e inconsequente», que se manifesta através da «tendência insustentável dos juros da dívida pública».

Segundo Miguel Macedo, ao contrário do que José Sócrates reclamou na sexta-feira no Parlamento, «em 2010 não houve, do ponto de vista estrutural, nenhuma consolidação orçamental», mas sim uma «redução conjuntural do défice à custa de mais impostos e de novas receitas extraordinárias», sem redução da despesa.

Quanto ao crescimento da economia portuguesa, Miguel Macedo qualificou-o de «medíocre», acrescentando que Portugal registou «o sexto ano consecutivo de divergência em relação à União Europeia» e que as exportações cresceram por mérito das empresas e em consequência da conjuntura externa. «Tudo o resto é propaganda, ilusionismo e mentira», afirmou.

O líder parlamentar do PSD descreveu Portugal como um país com um «desemprego brutal que alastra», com um «investimento que cai», um «poder de compra que baixa» e «impostos que crescem».

«Sobre isto o primeiro-ministro não fala, porque tudo isto viola e mata o seu bacoco triunfalismo político», apontou.

Janeiro de 2011

3 thoughts on “Um pote de diferença”

  1. Toda a gente conhece estes calhordas; Passos vigarista e aldrabão ainda antes das eleições, Miguel Macedo um aldrabão sem classificação, um traste da pior espécie ainda quando era parlamentar e dizia mal de tudo embora agora façam 100 vezes pior, este até fica com a responsabilidade da morte de bombeiros pois criticava o governo anterior por não tomar as medidas necessárias para combater os incêndios e agora ele toma-as como deve ser de tal modo que ardeu mais neste ano do que em anos anteriores, morreram mais pessoas do que antes e por isso este calhordas só engana quem quer deixar-se enganar. O Portas é o vigarista que todos conhecemos desde os tempos do Independente em que dizia que um amigo seu que fosse para o lamaçal da política deixaria de ser seu amigo, pois é o aldrabão há mais tempo na política e política medíocre desde andar aos beijinhos às peixeiras nas praças até à aldrabice de dizer que a sua demissão era irrevogável, passando pela compra dos submarinos que tanta falta nos faziam. Bom seria que ele se metesse num deles fosse para o fundo do mar e por lá ficasse por bons anos para não nos chatear. Mais teríamos a dizer do restante pessoal mas essa arraia miúda o que quer é ir ao pote e está tudo dito.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.