Todo um programa

Há muitas frases extraordinárias no Programa do PSD, e nem precisamos de chegar ao fim da mensagem inicial da Manela. Eis três favoritas:

Em contraste com a prática política seguida pelos actuais governantes socialistas, tenho procurado sempre – e em particular desde que assumi a presidência do PSD – orientar-me por valores que considero fundamentais na vida e na acção política.

Esta merda foi mesmo escrita por alguma cabeça e revista por várias. E conseguiu sair à rua. Corolários: os governantes socialistas não se orientam por valores considerados fundamentais na vida e na acção política, e a própria Manela, antes de assumir a presidência do PSD, não se orientava tanto como agora por esses valores considerados fundamentais na vida e na acção política. Estamos na segunda frase.

Durante meses, ouvimos os Portugueses, analisámos os problemas, fizemos propostas.

Eis um dos problemas do PSD: ouviram os portugueses apenas durante uns meses (quantos, já agora?), e, para piorar, a Presidente do partido fartou-se de vocalizar que o Programa não traria nada que ela não andasse a dizer há um ano, ou mais. Quem for votar nesta tonteira, que se aguente à bomboca.

E queremos um Programa Eleitoral para ser lido, e, portanto, breve.

O supremo critério que regeu a feitura do Programa do PSD diz respeito à duração da sua leitura. Depreende-se que o PSD não acredita que o eleitorado tenha interesse em ler o seu Programa se este ultrapassar os limites do que alguém no partido considere ser capaz de proporcionar leitura breve. Esta é, aposto 1000 ou mesmo 2000 caracteres, a concepção mais decadente que é possível imaginar para a feitura de um documento que define as principais propostas para umas eleições Legislativas, e logo estas: a redução da política à psicologia consumista de origem preconceituosa e estereotipada. De facto, o PSD tem falta de fôlego democrático.

24 thoughts on “Todo um programa”

  1. Ouvimos diariamente dizer que se deve poupar em quase tudo. Quando vemos a líder do PSD a anunciar o seu programa todos dizemos:
    São poucas as palavras e o caderno eleitoral parece uma agenda de bolso.
    Parece impossível haver portugueses tão ingratos. Se estamos em tempo de economizar. O que queriam? Um calhamaço. Santa ignorância.

  2. Sinhã. o que é feito do teu sentido de humor?
    Temos políticos tão imaginativos. Devias ver a casa de banho do Dias Loureiro.:)

  3. Então, Valupi?! A única coisa que nos tens para dizer àcerca do programa do PSD é isso? Não te fiques pelas frases introdutórias e de circunstância. Faz lá uma critica ao programa, aos aspectos essenciais deste. Mas tem cuidado com essas eventuais criticas, pois à primeira vista confirma-se que não há grandes diferenças entre os programas dos partidos dupond e dupont, como seria de esperar – a não ser a questão relativa aos professores, como seria de esperar também, pois estão em causa 150000 eleitores, ou mesmo 300000 se não nos esquecermos dos maridos ou das esposas daqueles. Cuidado portanto com o efeito boomerang…
    E faço-te este aviso, porque o efeito boomerang já se manifesta neste teu post. Repara. Quando a Manela diz que se orienta por valores, está a querer dizer que é sempre a mesma, esteja na oposição, esteja no poder, não mudando o seu discurso e a sua actuação política em função do lugar que ocupa. Ora, a verdade é que nisto não se distingue em nada do mentiroso e impostor, que quando estava na oposição também dizia que o importante eram as pessoas, os valores, e não a obsessão com o défice, para depois mudar de discurso e de práxis politica.
    Quando ela diz que ouviu os portugueses durante meses está a querer marcar a diferença em relação ao Pinto de Sousa que sempre foi surdo aos protestos desses mesmos portugueses, e que seguiu uma política anti-sindicatos e anti-funcionários públicos. Portanto, se o que te incomoda nessas auscultações é terem durado «apenas» uns meses, tens de reconhecer que ela não precisava de dizer muito mais para parecer que é diferente do impostor, cujos ouvidos surdos estão mais atentos ao Coelhone e outros que tais.
    Finalmente, quando dizes que ela reduz a política à «psicologia consumista», não te podes esquecer que ela ainda tem de comer muita papinha Maizena para atingir o nível e o estatuto alcançado pelo Pinto de Sousa nesse mesmo dominio, pois se o politico pepsodent merece ser elogiado nalguma coisa é nas suas capacidades para transformar a política num mundo de anúncios e de publicidade, e para substituir a discussão de princípios ideológicos pela discussão de práticas de marketing.

  4. Muito bom, Valupi… De facto, ouvir ou ler MFL ou o PSD nos correm que correm é uma espécie de “descubra as diferenças” entre o que seria previsível que dissessem e o que é realmente dito… penso que nunca encontrara um protagonismo político-partidário que cometesse tantos erros lógicos… e como o que se diz e escreve reflecte o que se pensa, continuamos, a cada passo a constatar que tudo o que dizem não vai além de frases que supostamente acreditam próximas do que o populismo requer… o significado real de toda a campanha e toda a retórica protagonizada por Manuela Ferreira Leite é, pura e simplesmente, nulo porque nem eles acreditam ou sequer, sabem o que dizem.
    Um Abraço :)

  5. Não sei, Sinhã, deus me livre.:)
    Foram lá umas pessoas e parece que descobriram uns papéis que emitiam uma luz estranha. Ele já nem se devia lembrar deles.:)

  6. então, se o erro diminuir – o que significa um desvio-padrão em baixa -, a haver nascimento, a probabilidade de nascer alguma coisa, ainda que a choro, aumenta. vivá fertilidade!.:-)

  7. Queres dizer que nenhum dos candidatos é fértil? Não concordo. São todos muito férteis, cada um à sua maneira.:)

  8. Viva a Sinhã e a guida, “abaixo” o DS, do bloco qualquer coisa, que anda por aqui a fazer um frete aos trastes desavergonhados como a MFL e seus comparsas cavaquistas. Gostava de escrever como o Valupi e desmascarar, assim, toda a pandilha unida contra a reconstrução da sociedade mais justa (a possível no sistema) que o PSD enquanto governo sempre se encarregou de destruir a favor dos seus pares abastados que agora deram em banqueiros criminosos!
    Continua Valupi!

  9. Interessante a questão de o programa ser sintético com o objectivo de ser lido.
    Torna-o imediatamente limitativo.
    Porque não fizeram um programa completo e depois apresentariam um resumo do mesmo para os eleitores ?
    mmm… I wonder…

  10. Não notas porque não lhes prestas atenção, Sinhã.:)

    Bastava dares uma voltinha pela blogosfera política, para perceberes o que eu disse. Há candidatos que não estão a despertar grande paixão, nem mesmo nos seus apoiantes tradicionais, ao contrário de outro.:)

  11. Dear Valupi, sorry to bother you again (saí agora da aula de inglês dada por um senhor que é doutor), mas o “pugama” da D. Manuela faz-me lembrar a casa pombalina da D. Rosa, minha coleguinha aqui no convívio da Junta e no ponto de Arraiolos, tresanda a mijo de gato.
    Agora tentando fazer humor, é de uma patética banalidade. Retoma, aprofundando, todos os paradigmas que estiveram na origem da crise que o Dr. Borges, quase erigido em Nobel da economia pelos “cumentidores” cá da aldeia, dizia ser passageira. O “pugama” não tem o sentido da História, é um paradoxo. Os imbecis rejubilam com o material que lhes veio parar ás mãos para alimentar a sua indústria do bota-abaixo e comparam-no ao do PS, não lhe notando diferenças. Os ranhosecos ruminam invejas por não ser de sua autoria tão importante documento.
    É a vida.

  12. O programa da MFL o que traz de novo é acabar com as reformas já iniciadas, seguindo o caminho fácil da demogagia.
    Isto vai curtinho, para ver se é lido…

  13. Querem mais? “O PSD estudará a introdução de medidas destinadas a que a pensão de reforma possa ser encarada[…] como uma responsabilidade individual” in daliteratura. Está aqui todo um “pugama” que não é métrico mas tétrico. Se eu não tivesse recebido esmerada educação na antiga escola 151 do bairro de Alvalade diria:- D. Manuela largue o vinho! Expressão tão do agrado do nosso querido amigo Moulay Ibn Erriq (Moulay é tratamento respeitoso). Como diz o ponto preto, citando outrem ” Apolítica é autónoma da ética e a ética é autónoma da política”. Eh pá, é uma frase digna do bacano do Maquiavel.

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