So SICk

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Correia de Campos pediu a demissão por causa das declarações do Presidente da República no discurso de Ano Novo. Essa atitude é rara, e é a que se espera de quem entende a política como serviço aos concidadãos. Sócrates recusou a demissão, e é a atitude que se espera de quem entende a política como combate pelo maior bem. As forças da reacção concentraram esforços, à direita e à esquerda, até no PS, e apontaram para a zona mais frágil, e fracturante, da reforma: as Urgências. Isso levou a uma maior exposição do ministro nas televisões, ao longo do mês de Janeiro, onde repetiu ideias, objectivos, factos e evidências. E talvez se tivesse aguentado no cargo não fora a diabólica exibição da conversa entre uma operadora do CODU e os bombeiros do concelho de Alijó. Nada mais havia a fazer ou a dizer, a divulgação dessas interacções tornava impossível a sua continuidade no Governo. Mas porquê?


A audição da conversa obrigou todos os espectadores a confrontarem-se com a realidade, com o concreto. Mas o concreto é sempre individual. O que estávamos a ouvir era uma singularidade: havia um morto, aquele, uma operadora, aquela, bombeiros, aqueles. Apesar do episódio se apresentar excepcional (a vítima do acidente/doença foi dada como morta por familiares no local e a operadora do CODU reagiu com espanto às situações que os bombeiros lhe comunicavam) não havia forma de negar ou iludir as evidências: a conversa relatava uma disfuncionalidade grave no sistema de emergência médica. Ainda no dia anterior o Ministério tinha repetido a bondade do encerramento das Urgências na localidade, e ali estava a fulgurância do concreto a desmentir as palavras. Foi uma cegueira instantânea, rapto luciferino, que abstraia por indução a culpa de Correia de Campos. Era ele o responsável pela falta de preparação dos bombeiros, pelas opções e locuções escolhidas pela telefonista e até pela morte em causa, não sendo de descartar a hipótese de Correia de Campos ter empurrado pelas escadas abaixo aquele homem de Castedo. Para o espectador, o País todo, a questão estava mais fechada do que a Urgência de Alijó. E o ministro da Saúde acabava cremado por dois bombeiros.

Não há ciência do individual, ensina Aristóteles. Ou seja, o que se define pela sua singularidade escapa ao conceito, ao discurso, pois não admite relações de correspondência e diferenciação. Quando se quer pensar, tem de se recorrer a abstracções. E quando se quer gerir, tem de se pensar. Isto é assim desde o paleolítico, pelo menos, quando os homens saíam para caçar e as mulheres ficavam a colher vegetais e a cuidar das crianças (ao que dizem, pois não me lembro bem e deixei lá ficar as fotografias). A própria linguagem humana é um sistema de abstracções, signos, sem as quais não poderíamos comunicar conceptual e verbalmente. Logo, o gestor que melhor conseguir abstrair será aquele que melhor conseguirá pensar. Dúvidas? Perguntem ao Einstein como é que chegou a conhecimentos que tiveram de esperar décadas até existirem instrumentos capazes de os confirmar directamente. Àqueles a quem interessa o curto-circuito entre a realidade das pessoas envolvidas naquele momento e a realidade de um Plano ministerial para toda e qualquer situação, convém acusá-los de traição: traição à inteligência própria.

Entre Correia de Campos e Einstein cabem algumas galáxias, senão mesmo um universo ou dois, mas isso não tem de ser demérito para o primeiro. Acontece que o problema do ministro da Saúde em Portugal não é relativo à Teoria da Relatividade Geral mas à execução da orçamentação restrita. Vários eram os sectores e os profissionais de saúde a compreender e concordar com a reforma em curso, apesar de tudo. Porque compreendiam que não existe crescimento sem conflito, nem conflito sem erros. No caso, a batalha consistia em educar a população, mostrando que o perigo maior não está na distância até ao médico, antes na distância entre o médico e as condições suficientes para diagnósticos e intervenções eficientes e eficazes. Mas quando os inimigos montam o cavalo do mais patológico populismo, como é o caso de Manuel Alegre, a demagogia pode causar a imbecil destruição. Porque caralho não se fazem hospitais em todos os quarteirões e não se contratam os melhores médicos e enfermeiros do planeta? Se é só uma questão de dinheiro, porque se espera? Não é óbvio que na Saúde temos de gastar todo o dinheiro que houver? Esta foi a pergunta que alguns fizeram, ou calaram, com o argumento de que nas temáticas da saúde não se deve nunca poupar, nem sequer tentar racionalizar. Logo, se Correia de Campos decidia fechar serviços que até aí tinham estado abertos, era porque o homem queria o mal das populações. Muita gente que devia ter vergonha na cara pensou assim, com a irresponsabilidade de uma criança de 7 anos.

Para este conjunto de cínicos, o ministro Correia de Campos teria descoberto, algures no tempo, que o melhor para o Governo, o PS e o seu próprio futuro na política era começar a prejudicar, mesmo matar, cidadãos. Pensou, pensou, pensou, e chegou lá: Já sei, vou fechar todas as urgências que puder! E, de caminho, vou dar cabo do sistema de coordenação do auxílio de emergência! Agora é que eles vão ver! Correia, és o maior! Um delírio deste calibre oferece refúgio contra os perigos do pensamento. Pois o pensamento obriga a crescer, e isso eles não queriam. Não queriam ter de olhar para a magnitude e sentido da reforma, em todas as suas áreas, viciados como estão na preguiça intelectual tão típica do português (é a minha hipótese). Eis o comportamento do ignorante: rejeitar o que não entende sem admitir que o problema possa estar em si. Neste caso, os críticos de Correia de Campos não entendiam o diagnóstico que tinha levado ao plano em execução. E não o entendiam porque nem sequer o tentaram entender. A prova estava em que nenhum dos algozes anunciava um plano concorrente. Se não tinham tocado no assunto, se não tinham queimado as pestanas a olhar para a complexidade da gestão do Ministério da Saúde, se lhes era indiferente a realidade económica do País, como poderiam gerar críticas válidas? Pois nem sequer as fizeram com um mínimo de racionalidade ou de boa-fé. Por isso, quando o Governador Civil de Vila Real reuniu com as direcções e comandantes das associações de bombeiros de Alijó, os representantes da Liga dos Bombeiros Portugueses e da Federação de Bombeiros de Vila Real e o Presidente da Câmara de Alijó, ninguém disse nada. No entanto, dessa reunião, causada pelo episódio, saiu a decisão de resolver o problema que deu origem ao patético, caricato e vergonhoso registo telefónico. Só que muito mais vergonhoso é não querer ver que Correia de Campos não merecia ser afastado por causa de um povinho que não se sabe governar; que não age, só reage.

O nosso amigo Rui Vasco Neto, dotado como está para a escrita desopilante, aproveitou a ocasião para fazer uma charla muito engraçada. Gostei de ler, até porque é uma voz que se apresenta galharda na negra situação, mas é um texto que nunca assinaria. Nem que o Rui estivesse na Guarda e eu na Covilhã.

103 thoughts on “So SICk”

  1. muito bem. em todo o processo o ministro se comportou com uma dignidade exemplar e demonstrou espírito de missão.

    ao assistir à conversa em referência ainda mais se fica sem compreender como pode alguém atribuir a responsabilidade às novas políticas de saúde no caso do tal episódio. é impressionante e gritante a desorganização dos bombeiros e utentes, sendo a única interveniente a mostrar capacidade de resolução de problemas a operadora do inem, precisamente.

    quanto ás sociedades caçador/recolectora, well, parece que talvez não fosse bem assim. por um lado tens a probabilidade de cruzamentos de fêmeas neandertais com homo-sapiens nas nossas origens mestiças, como veio mostrar o z em link, recentemente. ora as neandertais eram galhardas caçadoras, facto que pode até ter tido influência na extinção da espécie. por outro lado, mesmo na generalidade das sociedades do paleolítico superior parece que as atribuições não eram tão sexistas como se tornaram com a evolução. ao que parece, machos e fêmeas caçavam juntos, até porque a caça nem sempre era assim tão grossa. também li algures (não consigo situar) que quem ficava a tomar conta das crianças eram os elementos mais debéis, fisicamente, da comunidade, por idade, constituição ou gravidez. o resto, se havia caça, juntava-se atrás do(s) bichos(s), pois os recursos humanos eram escassos e todos úteis. nos intervalos todos apanhavam raízes e tal. aqui ficam uns links, talvez não extensivos…

    http://dsc.discovery.com/news/2007/12/13/ancient-toolkit.html

    http://www.boston.com/news/science/articles/2007/11/10/stone_age_feminism/?page=2

    http://discovermagazine.com/1998/apr/newwomenoftheice1430/?searchterm=paleolithic

  2. Toda a ciência deste caso está no individual, atrevo-me a peitar o Ari. Porque é o indivíduo a partícula que dá sentido (ou não) a este todo molecular sobre o qual fazes e aplicas a tua científica análise da ciência política. Queres riscar ‘exemplo’ do dicionário desta ocasião? Porquê não chegas a dizer que me convença. «Ali estava a fulgurância do concreto a desmentir as palavras. Foi uma cegueira instantânea, rapto luciferino, que abstraia por indução a culpa de Correia de Campos», estamos de acordo. Mas que «o ministro da Saúde acabava cremado por dois bombeiros» é figura do exagero típico do meu escrever, não tua por hábito de rigor.

    Admites tu que aplicando «relações de correspondência e diferenciação» a este tratamento da urgência provinciana em concreto, o que ele define pela sua singularidade escaparia ao conceito da nossa realidade interior? Só ao discurso, talvez, do nosso demitido. Conhecerás a realidade do tal ‘portugal profundo dos aventais das campanhas, acha-la distinta no essencial que aconteceu aqui? Em Vila Pouca, Curtuzelo, Gavião, Mija a Burra, Quelfes, Ardeira de baixo, seria diferente? Porquê?!

    Perdoa a dissonância, meu lúcido amigo, mas as mortes e os sofrimentos no entretanto do binómio acerto/asneira não são ‘instrumentos que possam esperar décadas até existirem conhecimentos capazes de os confirmar directamente’. São reais e vitalmente decisivos para os próprios, só são e devem ser números para os que usam, com proveito público, o luxo de conseguir pensar. Não o deveriam ser para os que abusam desse luxo com desperdício geral de vidas e dinheiro. Mas estou contigo, convicto, nesta opinião:«Aos que interessa o curto-circuito entre a realidade das pessoas envolvidas naquele momento e a realidade de um plano para toda e qualquer situação, convém acusá-los de traição: traição à inteligência própria.» Sem hesitar.

    Julgo perceber o teu ponto e estou-te na peugada neste particular: CC será um bom técnico, não é favor reconhecê-lo. Será um gestor iluminado das parcelas de um relatório&contas. Será até um homem capaz de vingar no second life como ministro da saúde, quiçá primeiro de todos os engenheiros. No second life, querido amigo. Isso faz dele burro, como não fez na tua comparação com Einstein? Não, tal como lá, também nesta first&only life de cada um, CC é de outro universo. ‘Acontece que o problema do ministro da Saúde em Portugal não é relativo à Teoria da Relatividade Geral mas à execução da orçamentação restrita’ como dizes, bem mil vezes. Uma orçamentação restrita dispensa uma execução absurda. Tão absurda que, mal espreitou o absurdo em Alijó, toda a gente lhe reconheceu a cara e decalcou sem erro, mesmo injustamente como defendes de forma tão brilhante.

    Homem, cumprimento-te!

  3. senhores,
    só vi agora, não posso deixar passar: onde se lê «é figura do exagero típico do meu escrever», deve ler-se «é figura do exagero típica do meu escrever». Pode até não parecer, mas para mim faz toda a diferença do mundo. Foi lapso, desculpem (e não se aproveitem).

  4. Valupi.

    Li agora e assino por baixo.
    É fácil, muito fácil, pôr uns milhares de pessoas a verem o que se quer que vejam – Goebbels, Fátima, o PSD, os chapelinhos da campanha do Freitas há muitos anos atrás e o Benfica de Vale e Azevedo são bons exemplos disso.
    Vai ver isto que escrevi ontem
    http://cabradeservico.blogspot.com/2008/01/ns-que-queremos-ser-os-presidentes.html,
    Esta guerra é com o Ministério da Educação, mas a merda é a mesma.

  5. Valupi & Rui,

    O país real é o mais exacto terceiro mundo. Dos familiares pataratas ao iluminado e rotundo poeta.

    O que se pôde ler (foi referenciado algures aqui, linkado mesmo) acerca da vertiginosa diferença de qualidade entre os serviços de saúde dos territórios vizinhos (e demograficamente comparáveis) Trás-os-Montes e Ourense, isso nos dá a medida da firmeza que seria precisa.

    Vocês, um e outro, o fazem patente, até ao arrepio. Mas haverá algum serviço de urgências para arrepios?

  6. Tem muita razão, camarada Valupi

    No lugar desse ministro eu faria muito melhor. Fechava os hospitais todos e punha os médicos no cu da rua e mandava-os trabalhar nas obras a ganharem o salário mínimo das 8 às cinco, única madeira de proteger o povinho que não se sabe governar. Logo veriam quantas vidas que se salvariam. E mais. Proibia toda a gente de viver num raio de trinta kilómetros do posto médico mais próximo, para evitar tentações.

    E só há 130 mil pessoas a sofrerem da doença de Alzheimer em Portugal? E eu que pensava que isso aí era só um rincãozito on as pessoas não ligavam aos vegetais…

  7. Fernando,

    E o que é o país real?
    Temos uma assustadora taxa de analfabetismo na população envelhecida e de abandono escolar em quem devia andar a aprender as primeiras letras.
    As ruas estão cheias de lixo e caca de cães, os carros continuam estacionados em segunda fila, mas com os quatro piscas ligados, vou ali e venho já e se quiserem toquem a buzina.
    Sabemos reclamar, mas não sabemos fazer e não deixamos que outros façam. E achamos sempre que há alguém, que não nós, mesmo ali ao lado, que se pode mexer quando a nós não nos apetece.
    Sempre achei que a ” Crónica de uma morte anunciada” foi escrita pelo Marquez depois de conhecer os portugueses. Toda a gente sabe. Toda a gente fala. Mas, se todos sabem, alguém que não nós há-de fazer alguma coisa.
    Tenho para mim que quanto menos fazemos mais alto falamos.O SNS está moribundo? Vamo-nos ao ministro, mas a Segurança Social outros que paguem, que nós já fazemos muito porque reclamamos. O Sócrates é um imbecil? Pois, mas a reunião do condomínio é amanhã e eu vou é para a praia…
    Há uns anos atrás acompanhei uma família inglesa que se ia mudar para Portugal. Tinham filhos pequenos e antes de comprarem casa andaram a ver escolas e centros de saúde. Fiz o negócio todo e, no fim, disse-lhes que tinhamos de ir às Finanças pedir a isenção da, na altura, contribuição autárquica. Por dez anos não tinham de pagar. Ficaram indignados. Queriam pagar. Tinham boas escolas, bons centros de saúde, boas estradas e queriam também contribuir para isso. Expliquei que era normal, era um benefício fiscal e não uma fuga aos impostos. Recusaram. Se tinham escolhido Portugal para viver queriam contribuir para o bem público de que iriam usufruir e só se iriam sentir residentes se pagassem todos os impostos.
    País real? Quantos têm a noção que o Estado somos nós e que cuspir na rua é o mesmo que cuspir em casa?

  8. Só que muito mais vergonhoso é não querer ver que Correia de Campos não merecia ser afastado por causa de um povinho que não se sabe governar; que não age, só reage.

    Demita-se o povinho. Obviamente!
    E já nem seria preciso SNA para nada.

  9. Nestas coisas, o meu raciocínio, ou a falta dele, é sempre o mesmo. A Saúde e a Educação não são para ganhar dinheiro. Nem sequer para poupá-lo. São para salvar um país e garantir o seu futuro.

  10. ora Ernesta, sim senhor, essa de cuspir na rua igual a cuspir em casa vale aleph.

    susanita, tens aqui uma citação interessante, está num livro que eu tinha emprestado a um amigo e só agora recuperei:

    «Even with a modicum of trade in Neanderthals, humans overcame them. Their model proves that humans survived because of the availability of meat consumption was greater due to the division of labour. Horan et al. (2005) conclude that: ” A crucial issue remains unresolved: it is an open question why the early humans first realized the competitive edge from trade. Some attribute the edge to differences in cognition or language abilities or both, but the jury is still out.”», Angel Alonso-Cortés, From signals to symbols: grounding language origins in communication games, in Game Theory and Linguistic Meaning (ed. Ahti-Veikko Pietarinen), Elsevier, 2007

    e para o pézinhos quentinhos também

    ————

    eu acrescentaria: a menos de umas manobras de bastidores sagradas e secretas com as quais seguramos isto tudo

  11. quanto ao ministro: votos de umas férias muita boas não sei onde, com tudo o que goste e muita risada.

    Ele fez uma coisa difícil em Portugal embora trivial, mostrar que uma urgência que funcione na hora a 30 Km de dustência é melhor que uma que não funcione a 5 Km que só serve paraa empatar, enervar e perder tempo. Agora lá se foi tudo bem pensado não sei, também não me pagam para saber isso, mas espero que umas tantas muitas coisas sim,

    está certo: deixou a casa mais arrumada para agora vir uma médica ver como funcemina

    pode ir descansado

  12. Os portugueses deviam interrogar-se sobre as razões, certamente pouco confessáveis, que levam certos jornais, todos eles mais ou menos ligados ao sistema PS/PSD,
    a porem bruscamente a descoberto a enormidade da corrupção que lavra
    Portugal nas suas profundezas, (desde há quando?). Quem vai, (uma vez mais), ganhar senão esse mesmo sistema de compadrio? A “mise à mort” do primeiro-ministro, sejam quais forem as suas
    responsabilidades, servirá em quê a democracia? Um Portugal mais justo e igualitário, um Portugal mais salubre, virá ao de cima? Será que essa gentinha é tão chocha que para eles
    um “28 de Maio” (revisto e corrigido à moda actual) é impossível? A menos que “os interessados” o estejam já promovendo? Sob a forma de um Berlusconi à portuguesa?

    PS.Uivar com os lobos porquê e para quê?

  13. z, curta, não grosseira. que a seguir vem 159 e o resto já não sei, mas até aos finalmente nunca ninguém foi. candidátas-te?

    (mas tenho uma canja transcendente com ovinhos, feita e pronta a servir….)

  14. Que j’aime à faire apprendre un nombre utile aux sages.
    Ernesta, a cada letra faz corresponder um algarismo, e tens aí os primeiros onze. Mas a aproximação 3,1416 serve até para calcular o diâmetro dos motores de aviões a jacto. E com aqueles onze, o cálculo do raio de uma circunferência que seja a distância média da Terra ao Sol, só falha mais ou menos no equivalente à grossura de um cabelo.

  15. susana, é isso que é fascinante na ciência, nunca está acabada. No entanto, a ser verdade que as mulheres também participavam nas caçadas (e não pode ser assim, pelo menos em quantidade de ocasiões), lá se vai a machista (ou não…) teoria que afirma ser o centro neuronal da fala maior no cérebro feminino por causa da evolução resultante das mulheres não caçarem. Enquanto os homens teriam de passar longo tempo em silêncio, desenvolvendo com isso um pensamento estratégico, as mulheres ficavam com as crianças e na recolha de vegetais, o que as levava a falarem o tempo todo e a desenvolverem o afecto.
    __

    Rui, o que Correia de Campos conseguiu fazer no Ministério da Saúde é, a qualquer título, excepcional. E não tenhas a menor das ilusões: tudo o que diz respeito à governação diz respeito a números. É por isso que esse ministro está de parabéns, visto ter conseguido uma redução nas despesas que vai permitir benefícios nunca antes vistos em Portugal para os mais pobres, como os cheques-dentista, por exemplo. O que acontece é que há coisas que ninguém – mas ninguém! – muda em 3 anos; e uma delas é a cultura de um povo. Por isso, tens razão em apontar outros potenciais casos no interior, mas não a tens se responsabilizas Correia de Campos pela inércia de milhares de outros directos responsáveis por este país fora.
    __

    Ernesta, é tal e qual como escreves.
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    Fernando, temos muito a aprender (ou a relembrar) com os nossos irmãos galegos.
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    CHICO, larga o vinho.
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    Ana, o povo já foi demitido faz tempo.
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    Daniel, certo. Mas não chega. Essa intenção não chega, não resolve. A realidade da governação, convirás, é um bocadinho mais complexa.

  16. 3.141692653589…..

    daniel, sempre me fascinou a matemática, mas o tal de pi era algo tão perfeito que não podia existir, apesar de ser só o quoficiente entre o perimetro e o diametro. sempre certo, sempre o mesmo, sempre perfeito.
    há coisas assim, que não consigo perceber.

  17. Largar o vinho, camarada Valupi?

    Nem pense nisso! Nem a brincar, meu caro! E nunca para trocar o Bordeaux por um australiano roxo duvidoso que contem três vezes mais potássio e um terço do magnésio! Além disso, não vou agora deixar de beber para tornar-me numa pessoa como você: sóbria, fria, tabacófoba, asséptica mas raramente céptica, clínica, pura. Deixo essa imitação de si para os terapeutas políticos verbosos que se vêem por aí a postularem sem defeito, a baterem pandeiretas contra tenares doridos. Injustiças de demissões de ministros, meu amigo, são só borbulhas de conversa. O que interessa é apontar o carnicão, denunciá-lo e esperar que alguém o extirpe com a ajuda do estado de direito e bisturi.

    A saúde, meu caro Valupi, na parte onde anda a ser mais atacada, que é que a parte que mais dinheiros (dinheiros dos povinhos que não se sabem governar, não esqueçamos) e mortes envolve, depende da prevenção e não do tratamento. Prevenir sempre foi melhor que remediar, mas hoje ninguém liga a isso, dado o carcanhol envolvido. E, neste caso, a prevenção não é para brincadeiras porque envolve política da forte à escala de nobres e cavaleiros, e tem raizes conspiratoriais velhas. E não consiste em evitar gorduras ou corantes, ou em não beber tanto vinho como eu. O grande filho da puta e escandaloso problema é que nenhum governo neste mundo (não é só em Portugal) está interessado em pescar o peixe grosso que anda a causar as misérias e desgraças nos supermercados da saúde, tão absorto, ou fingidamente preocupado, anda com sardinha ou arenque. E numa situação destas não há nada que os administradores ou ministros responsáveis pela saúde (de qualquer partido, em qualquer país) possam fazer para tornarem os serviços melhores, isto é, a contento e para conveniência da gente enferma. Há certamente diferenças entre paises ricos e países pobres na pressa com que se acode a um doente, sim senhor, e dentro deles entre clínicas e hospitais. Nos USA, por exemplo, “curam-se” mais cancros proporcionalmente que em Portugal, mas como ainda não produzimos, ou os que no-las vendem não produzem, o mesmo número de toneladas de batatas por hectare, vamos tendo, sempre proporcionalmente, menos cancros e uma carrada doutras doenças degenerativas ou relacionadas. De modo que as coisas equilibram-se, por enquanto a nosso favor, mas com tempo lá chegaremos, igualando os americanos daqui a uns anos se entretanto não optarmos por trocar a batata por couscous norte-africano (a área do mundo com as taxas mais baixas de cancro) ou a comer mais pão de milho, ou a comer do mesmo de sempre mas puramente orgânico, numa pequena contribuição, à la lusa, para acabarmos com a indústria dos 50 bilhões de dólares anuais de estercos artificiais.

    E não serão as triplicações das verbas orçamentais para a Saúde ou a introdução de ambulâncias Lamborghini muito rápidas que irão salvar-nos desta desgraça. Por enquanto, não estamos muito mal, considerando a tragédia que por aí vai. Mas é sempre a subir, e antes de agarrarmos os canadianos, os maiores devoradores per capita de sumo concentrado de laranja, temos que passar pela Alemanha (grandes inventores do esterco artificial) e pela Holanda (campiões do uso mais elevado do mesmo esterco) ou Suécia (campiões da chucha leiteira) cabeças do campeonato europeu do cancro e doutras coisas más. Por isso, e porque é sempre a subirmos na tabela da classificação geral, por mais voltas que os nossos ministros dêem às cabecinhas, por mais que eles ponham os serviços de emergência ao voltar da esquina, o mal continuará – irradicável, incurável e inatacável – por tanto tempo quanto as nossas comidas estiverem sujeitas aos podres da indústria potássica, superfosfática e hipersulfúrica.

    Um conselho, camarada Valupi: quer viver mais anos e não correr o risco de morrer a caminho do hospital depois do Sporting ter perdido? Coma comida orgânica, com muita caca e muito mijo de gado que lhe tivesse servido de húmus e que não tenha andado a pastar em terrenos adubados. Mas não se fie muito quando paga mais pelo produto. Nunca confiar nesse gajos. Nas leis que regem essas culturas em alguns países já há parágrafos instituindo excepções que admitem a aplicação de adubos artificiais quando os terrenos “exigem”. O poder desta gente não tem limites. Seria surpresa se os tivesse. E da esperteza que aperfeiçoaram em 150 anos de actividade nem se fala. Ficaria banzado se o meu amigo conseguir encontrar preocupações similares às que aqui afloro num programa, eleitoral ou não, de partido politico na nossa terra ou em qualquer outra terra, a todo o comprimento da democracia, dos comunistas aos neo-fachos. É que, não sei porquê, ando com a impressão de que são burros demais para terem pensado nisso. Todos eles.

    PS Fez mal em ter deixado de fumar, meu caro. Conhece algum fumador com a doença de Alzheimer? Poucos? Eu logo vi. É certo que o epónimo morreu novo e fumava charutos como um animal, mas do que ele não morreu de certeza foi da doença a que deram o seu nome. Passe bem de saúde.

  18. (ainda bem que como o meu queijo de Nisa com casca, porque não resisto, é logo a parte que gosto mais, tem colorau ou pimentão)

  19. chic,
    Nada verbosa, esta sua terapia postulada de estaca. Mais borbulhas para a conversa deste sarampo da saúde. E borbulhas a espremer com tempo, uma por uma, que várias avermelham pontos de superior interesse ao raciocínio geral. Mas sem querer aprofundar os seus números da merda, artificial ou não, ou os da chucha leiteira cujo interesse registo, escapa-me o vislumbre das suas soluções neste bem redigido e estruturado estendal de críticas. Com a maioria das quais eu adoraria não concordar, proeza que falho.

    val,
    a parte de comer caca eu cá ainda ponderava, agora reservar para si o Bordeaux e aconselhar-te mijo de vaca é de pulha. Mas relaxa, é carnaval.

  20. CHICO, peço desculpa. Não devia ter-te dado tão imbecil conselho. Afinal, o vinho só faz é bem. E li com toda a atenção o excelente texto. Tenho de me render à tua lógica da batata: adubos de merda!

  21. Valupi, para perceber a justeza da demissão do Correia de Campos nada como ler a entrevista com a então ainda futura ministra da saúde à Visão, há umas semanas. Está lá muito. E essa coisa de o ministro, lá no Olimpo do seu gabinete, não poder ser responsabilizado pelo que fazem os pobres mortais vagamente seus subordinados cá em baixo, enfim… faz-me lembrar uma certa coisa que se passou com a Ministra da Cultura há uns tempos. Valupi, os ministros são directamente responsáveis pelo dia a dia das pessoas, não lhes cabe somente definir (ou ajudar a definir) os altos desígnios e princípios filosóficos da Nação. Num país decente, um ministro da saúde arrisca-se a cair por coisas “simples” como morrer um cidadão do país, seja por atraso de ambulância, seja por uma falha eléctrica num hospital. Aqui, a coisa fica-se pela esfefra morninha dos processos disciplinares. A saúde de um gajo é coisa pouca na contabilidade. Pelo menos um masacrezinho, para dar dignidade à coisa.
    A verdade é que é cada vez mais dificil ter saúde neste país. Vamos reponsabilizar quem? O bombeiro de serviço de Alijó? O “sistema”? As tradições atávicas do Povo Português?

  22. António, não se deve respeitar a tua argumentação (já tu como argumentador, sim, esclareço rápido). Porque utilizas referentes que estão vazios. Por exemplo, é óbvio que um ministro é responsável, mas apenas pela sua política. Se o fosse pelos actos dos cidadãos, toda e qualquer execução política seria inviável. O que se prova com a reunião que resolveu o problema que deu origem ao caso de Alijó, a qual reuniu outros decisores que nada tinham a ver com o Ministério da Saúde. Ou será o ministro da Saúde responsável pelos bombeiros?…

    Que história é essa do “país decente”? O que é um “país decente”?! Seja lá o que imagines, é absurda a ligação entre as falhas inevitáveis num qualquer sistema público (como a tal hipotética falha de electricidade, por exemplo, a qual pode ter mil razões que em nada comprometem seja que ministro for) e a demissão de responsáveis políticos ou administrativos.

    A verdade é a de que nunca como com este ministro a Saúde estava a melhorar em Portugal. E o tempo vai mostrá-lo cada vez melhor. A totalidade dos protestos populares é pura ignorância.

  23. val,
    Vejo que saltas na resposta ao antónio a referência à entrevista de Ana Jorge à Visão, o que é pena. Fico curioso como estaria o sapatinho brilhante do teu argumento se tivesses pisado aquela poça. Afinal, incluir aquele protesto da actual ministra na tal «totalidade dos protestos populares é pura ignorância» seria uma houdinisse que adorava ver-te fazer, mas pronto. Deixa lá.

  24. Rui, as declarações da Ana Jorge não entram no lote dos protestos populares. Ela estava, ao tempo, intoxicada pela demagogia do Manuel Triste, o qual aproveitou a oportunidade para ferrar o Correia de Campos e se sonhar fazedor de revoluções e condutor da Humanidade. Por isso, falou toldada pelas emoções, e foi buscar à inveja o ponto de vista da análise.

    Que isto seja assim, prova-o o facto de ter aceitado ser ministra obrigada a continuar a política que duas semanas antes abominava.

  25. Valupi, é óbvio que a responsabilidade do ministro é politica. That goes without saying, como dizem os outros. Mas repara que essa coisa da responsabilidade politica não é coisa pouca. A censura (politica) que recai sobre um governante que não trata convenientemente dos interesses dos seus governados, não é de menosprezar. E quando por causa disso morrem pessoas, ou se potencia esse risco…
    Quanto ao caso em concreto, o que se revelou não foi uma simples falha humana no sistema, como pareces dar a entender. Não se tratou de “actos dos cidadãos”. Quais cidadãos? O bombeiro? A gaja do INEM? O que se passou foi simplesmente a prova pública de que o sistema de socorro urgente aos cidadãos é deficiente. E de que (e isto é o mais importante) andava o ministro a fazer reformas sem que previamente se tivesse assegurado que o sistema (seja o da saúde, seja o dos bombeiros, o que for) funcionava. Insisto contigo: toma atenção ao que dizia a minstra da saúde há uns tempos atrás, e toma atenção ao que diz ainda agora a associação de médicos de urgência (qualquer coisa assim).
    Quanto à electricidade, eu sei que há mil e uma razões. Eu referia-me, obviamente, àquela que deve motivar a responsabilização do ministro da tutela: deficiente construção, deficiente manutenção por parte dos serviços do ministério, etc. E não me referia, é óbvio, às falhas que são inevitáveis (seja lá o que isso for). Se são inevitáveis, a coisa está explicada e desculpada por natureza. Manda-se a factura ao divino espírito santo ;)
    E reparo que a palavra decente te feriu os ouvidos. Tudo bem, admito que a palavra é foleira, de facto.

    Pronto, o que eu tenho reparado, é que o ministro, a pouco e pouco, vai fazendo o seu trajecto no processo de martirização. É O Gajo Que Estava a Fazer A Reforma E Que Foi Sacrificado Por Isso Pelo Povo Ingrato

  26. Rui, estás críptico. Perdem os teus leitores.
    _

    António, estás a trazer hipóteses que são indiscutíveis: claro que quando a responsabilidade pode ser assacada ao ministro, ela o deve ser. Mas, no caso ilustrado pelo telefonema de Alijó, não é evidente que a situação devesse levar à demissão do ministro. Isto porque nos falta o contexto nacional e o histórico local.

    Repara: que há uma falha grave é incontestável. Mas, atenção, também é incontestável que a operadora se revela espantada com as declarações do bombeiro. Isto significa, sem margem para qualquer dúvida, que a operadora estava perante uma situação completamente anómala e completamente excepcional. Ora, é de mero bom-senso reconhecer que a operadora representa na situação o lado estatístico do sistema. Não eram frequentes – mas nem lá perto! – quadros de disfuncionalidade como aquele que a conversa regista. E por isso assistimos ao desespero da senhora à procura de uma solução.

    Que se deveria ter feito? Abrir inquérito e identificar os responsáveis. Se fosse o ministro o responsável mor (mas porque raio seria?! qual o seu interesse em comprometer a sua política com desleixos grosseiros e assassinos como esses que a situação permite caricaturar?!…), então, sim: demissão. Se não fosse – como não foi! – então, outra coisa. E foi a outra coisa que aconteceu: sem abertura de qualquer inquérito, dias depois os responsáveis locais resolveram a questão em poucas horas.

    Só não vê quem não quiser.

  27. Valupi, eu quanto ao que pensou a operadora não sei. Sei que parte do sistema está nas mãos de amadores como aquele pobre bombeiro voluntário desesperado e bem intencionado. O que se passou foi apenas um sintoma. “Completamente anómalo e excepcional”, my ass. Eu sei, não me perguntes como e porquê, que de facto a porcaria do socorro de urgência funciona muito mal, e que o INEM e os bombeiros não se entendem, patati patata, cada um com as suas capelinhas e feudos, patata patati. Já o sabia antes de começarem a… como é… “racionalizar” o sistema. A questão é: o sistema funciona muito mal. Mesmo. E por mais que insistas em ignorá-los, existem afirmações de técnicos e de futuras ministras a confirmá-lo. É ralhar com eles.
    E que questão é que os “responsáveis locais resolveram”? “ò comandante, veja lá se para a próxima estão lá no córtel mais um ou dois gajos, pá” Pois tá bem

  28. valupi,
    Insisto em que conheças o meu cão, um destes dias. É um bom companheiro, fiel, honesto e garboso no dia a dia da nossa convivência. Pelo carinho que lhe tenho, suporto-lhe bizarrias várias, nada de grave. E, apesar de as condenar em abstracto, compreendo-lhas no concreto. E acabo invariavelmente a desculpá-lo aos olhos alheios.
    És um ser inteligente e, como sempre friso, lúcido, para mim a maior qualidade da tua escrita habitual. Mas até te ver o indicador luminoso a apontar o céu e te ouvir ‘ET phone home’, para mim serás humano, com tudo o que a definição acarreta. Tanta conversa para quê, perguntarás?

    Há um olhar de mãe enlevada nessa tua visão do universo socrático, não me fodas, querido amigo! Tenham os teus garantida a tolerância e compreensão que vens mostrando para com os tropeços desta pandilha e um mundo de felicidade e harmonia lhes fica prometido à tua beira. Tenhas tu a fé na bondade das convicções que em mim apenas suspeitas, e as acções que elas originarem serão por ti comentadas com o sorriso terno de avô que vê longe nas limitações da espécie. E por isso as entende e explica, compreensivo e convincente.

    Perdoarás que te diga que as mesmas acções e medidas, exactamente as mesmas tomadas por CC, se com assinatura de Menezes, Santana, Telmo Correia ou Paulo Portas, num absurdo de imaginação e só para citar exemplos (e o do telmo foi um dos tais meus exageros, reconheço, só avacalha a conversa, pronto, desculpa lá essa), mereceriam da tua pena uma opus de escrita corrosiva e arrasadora dos seus actos, pensamentos e omissões. Escancharias na cambada. Fora outro que não um fragilizado Sócrates (e escuso-me a chover no molhado, sabes que estamos de acordo na inoportunidade/dupla intenção da coisa) o atingido pelo massacre do Fernandes e outro galo poderia cantar no teu cócórócócó de analista. Se estou enganado, se não é assim, explica-me por favor: como é que o mesmo punho que redige um libelo factual 98 em cada 100 vezes, se atira ao bofe das conjecturas com um ronronar tão lá de casa, como aqui: «Rui, as declarações da Ana Jorge não entram no lote dos protestos populares. Ela estava, ao tempo, intoxicada pela demagogia do Manuel Triste, o qual aproveitou a oportunidade para ferrar o Correia de Campos e se sonhar fazedor de revoluções e condutor da Humanidade. Por isso, falou toldada pelas emoções, e foi buscar à inveja o ponto de vista da análise.» Humano, apenas humano.

    Tudo isto não é fado, meu amigo: é Fé, Fé da pura, Fé na aspirina, Fé da Bayer. A mesma fé que te faz ainda olhar para a cadeira do Campos como o mundo olha para a árvorezinha onde Nossa Senhora terá pousado em Fátima com o país a duvidar. E também Ela com um plano para Portugal, ao que dizem. Mas sem orçamentação restrita, convenhamos.

  29. António, o sistema funciona mal porque ninguém, até ao Correia de Campos, teve túbaros para o tentar reformar. O homem não pode ser responsabilizado pelos 30 anos anteriores, muito menos pelas inércias e entropias que, apesar da vontade política, permanecem e só passam com a mudança de responsáveis intermédios, mais e melhor formação e o tempo para os ajustes e novas aprendizagens solidificarem. Ora, estás contente com o facto de o político que mais tentou melhorar o sistema ter sido corrido. Não faz sentido com a suposta intenção do teu discurso.

    Tal como não faz sentido diminuires a solução, a qual diz respeito à situação. Se os bombeiros contactados não estivessem sozinhos, não teríamos tido acesso à gravação da conversa. Por isso, a solução passa por garantir que nunca mais uma equipa de bombeiros terá só um homem durante a noite. Foi isso ou não foi o que causou o escândalo?

  30. Rui, cantas bem mas não me manuel-alegras. Entras no campo da literatura fantástica, pois a minha admiração pelo Sócrates (entenda-se, o seu Governo) é muito anterior às filhas-de-putice do Zé Manel.

  31. Ai ele tentou melhorar o sistema? Pronto, não sabia, e sendo assim não estou nada contente por ele ter saído, não senhor.
    Valupi, o problema não é tanto o número de voluntários que está no quartel, mas sim o número de profissionais qualificados que lá está e o seu rápido acesso às vítimas. Do mal o menos, que o ideal seria não transferir o SNS para as ambulâncias, como dizia o Medeiros Ferreira.

  32. António, mas é disso mesmo que se trata, por isso foi decidido criar-se uma central coordenadora dos recursos necessários para haver sempre uma equipa pronta a responder. Tal como se decidiu dar cursos de formação aos bombeiros, entre outras alterações que já poderiam estar feitas não fosse a típica inércia do português. Quando Correia de Campos demonstrou que as populações estavam erradamente satisfeitas com pseudo-serviços de urgência, e que as soluções de transporte inerentes a uma reorganização do sistema eram viáveis quanto à logística e segurança, a ignorância reagiu como reage desde a pré-história: com medo de mudar.

    É que ninguém ainda fez contas aos prejuízos, em dinheiro e sofrimento, mesmo vidas, de existirem pardieiros com um médico a fingir que são urgências com equipamentos e equipas capazes.

  33. Valupi, a questão é de dinheiro, vamos lá ser claros. Os pseudo serviços de urgência são pseudo, porque o estado não investe nelas. Grande parte dos centros de saúde não tem sequer um simples aparelho de raio x. São pardieiros sim senhor. O que me irrita no Correia da Campos (irritava) é a treta da “racionalização”. O tanas! Vamos falar claro. Falta dinheiro para fazer um decente SNS? Então, tá. Também falta dinheiro em muitos países africanos para comprar ligaduras. Não me venham é com a treta da “reorganização” “racionalização” e outras pérolas da novilíngua. É que irrita ser enganado. E quem é que estava satisfeito com o sistema que tinha? Ó Valupi, alguma vez foste a um centro de saúde? É o que há, e mesmo isso vai desaparecendo aos poucos. Resumindo: falta dinheiro para fazer uma coisa decente? Pronto, paciência, a gente da raia vai a Espanha e o resto aguenta.
    E então as alterações não foram feitas por causa da inércia do português? Desculpa lá insistir: mas afinal o ministro andava a fazer o quê? Quem é esse tal “português”. Não há uma escuta telefónica para a gente ouvir o gajo?

  34. val,
    Insisto e vou-te aos calcanhares com dentada directa a pedir resposta igual: há ou não uma influência de simpatia pessoal na tua análise à governação socrática? Não é crime, caraças, nem defeito. Mas é ou não feitio?

    (Alho porro? Pffff.)

  35. António, a questão é de gestão, vamos lá a ser rigorosos. Porque o dinheiro é limitado, é sempre pouco, e tu não queres deixar de pagar reformas, pensões, salários a professores, polícias, militares e o resto. Por isso, aquilo a que chamas a treta da reorganização era a tentativa de melhorar o sistema com o pouco que há. Maior o mérito de Correia de Campos, que conseguiu reduzir o aumento das despesas de 9,2 para 2,9, feito a todos os títulos incrível se pensares que, de caminho, baixou o preço dos medicamentos em 4%, criou os cheques-dentista (ou seja, pela primeira vez na História de Portugal o Estado vai pagar cuidados dentários aos portugueses!), garantiu a vacinação gratuita para o cancro do colo do útero, provou que ninguém perde a identidade pátria por ir nascer em Espanha, e sei lá que mais.

    Não sei quem é que te enganou, mas não foi o ex-ministro da Saúde. Se calhar foi esse tal português que queres ouvir ao telefone.
    __

    Mas simpatia pessoal por quem, Rui? Eu não votei PS, nem votarei. O que há é uma simpatia pelo exercício capaz da governação. Até parece que ninguém sabe como estava Portugal quando Sampaio convoca eleições e acaba com a loucura do Santana…

  36. v,
    Eu disse pessoal, não necessariamente partidária, hipótese que não só não alvitrei como não me interessa ao raciocínio. Contento-me com a resposta na parte do ‘exercício capaz da governação’. Quanto ao estado da Nação na demissão santanista, não é relevância total neste ponto exacto da conversa saúde, embora não descurável, claro. Mas diz-me: e antes e antes e antes e antes? Concordamos na hiper-urgência de uma reforma na saúde, na necessidade de uma redistribuição dos meios físicos, técnicos e humanos que havia (porque não financeiros, também? porque raio pões tu a fasquia tão baixo no estabelecido no OGE? e te babas só com o cheque dentista, a que eu bato palmas de pé, e pouco mais?) e uma gestão criteriosa, competente e apertada dos meios a criar. Concordamos em que CC será um técnico de eleição, que o seu plano teria pormenores de eficácia que um dia viríamos todos a louvar, todos nós a quem nos escapa esse encanto que ele terá que te fascina. O que porra não consigo entender, por mais que te pique do rabo à língua, é esse teu louvar de uma estratégia de batalha que visará até ganhar a guerra, (duvido mas seja) mas que vai fazendo incontáveis baixas reais, mortos morridos matados, feridos morridos adiados e candidatos a mortos todos os dias, enquanto a bússula da governação apontar a norte e a agulha dos cuidados médicos – básicos, continuados ou de emergência – teimar em mostrar que anda tudo a leste da realidade nacional. Isso é que eu não entendo em ti, que esgrimes números e termos de comparação que estão correctos e são lúcidos, mira o adjectivo. Tão lúcidos que não faz sentido tentar encaixá-los assim redondos num país que, lá por ser rectangular, não tem que ser quadrado, caramba! Seremos todos burros? Ou todos mal intencionados?

  37. Valupi, não é melhorar o sistema. Lá estás tu. Já o Correia de Campos dizia “agora é que é, os portugueses vão ficar melhor”. Valupi, uma verdade lapalissiana: fechar serviços, não torna as coisas melhor; torna pior. Manter os serviços abertos e apretrechá-los, isso sim, torna-os melhor. Estou a pensar bem? Ou estou a ser burro? Estou a pensar bem, acho eu. Corta-se nas despesas porque não há dinheiro. A questão é essa. Assuma-se de vez. E distribui-se o dinheiro o melhor que se sabe. Nada de tretas. Não é a cortar despesas que vamos ficar melhor. Quanto ao resto: o estado vai pagar os tratamentos dentários aos portugueses? É verdade? Vamos a ver. Tenho consulta marcada para uma porra de uma cárie e logo aí vão ciquenta euros. Quer dizer que os vou poupar? E quando eu quiser um implante?… bem, bem, cuidado com a propaganda. Vacina gratuita para o colo do útero? Já a Grécia tinha decidido isso há meses. Aqui, foi arrancado a ferros, como sabes. Boa medida. Baixou o preço dos medicamentos? A sério? Não notei nada, antes pelo contrário. E vou dia sim dia não à farmácia. Ninguém perde a idenbtidade pátria por ir nascer a Espanha? Pois não. E também ninguém perde a identidade pátria por emigrar, que é uma coisa que os portugueses fazem cada vez mais.

  38. Rui, todos burros, não. Se tens lido jornais e visto a TV, encontraste muitos, e bons, a louvar o trabalho de Correia de Campos e a lamentar as condições infelizes em que sai. Infelizes, para o País, atente-se, que perde um óbvio valor na governação.

    O problema está em ti. Tu fazes perguntas, mas não tens respostas. Aliás, tu nem tens factos. Onde estão os teus números comparativos para mostrar que o plano do Governo está a ser pernicioso? De que baixas falas? Como exemplo, foi elucidativo constatar que todos os opositores da política de Saúde andaram em Dezembro a bradar aos céus por ter saído mais uma notícia de um nascimento em ambulância. Era mais uma prova do flagelo que Correia de Campos estava a infligir à populaça. Depois, em Janeiro, o ministro tranquilamente mostrou os números: os nascimentos em ambulância estavam a diminuir nos últimos 3 anos, e nunca tinham sido tão baixos como em 2007, prevendo-se descida para 2008. Foi desta demagogia, desta burrice, que se fez o protesto popular, atiçado por populistas do PS, os piores na situação. Alegre e Ana Jorge, mas muitos outros, onde até entra o Cavaco, são todos responsáveis por um blackout da inteligência nacional.

  39. expliquem-me uma coisa: o morto de castedo, havendo centro de saúde, teria lá chegado como? a meu ver este é um exemplo castiço, pois precisamente a comprovação de que não foi o sistema de saúde que falhou, mas o transporte, feito pelos bombeiros. ou a ideia seria haver uma ambulância perfeitamente apetrechada em cada centro de saúde que se deslocasse a casa de cada doente para salvá-lo in loco? uma? e se fossem vários? e se fossem dez? ou cem, numa epidemia? e a contabilização dos mortos que fazes, rvn, dispões de algum termo de comparação para os números anteriores ás reformas?

    o que se recusam a ver é que os centros de saúde davam apenas uma ilusão de cuidados. invariavelmente, se havia uma urgência de facto os doentes eram remetidos para o hospital mais próximo e todo o processo só atrasava a intervenção. só eram ministrados cuidados úteis quando a situação era uma que poderia perfeitamente esperar pela consulta do dia seguinte, ou resolúvel com uma chamadita para uma das muitas linhas de apoio.

    o que já é mais difícil de compreender é o fecho das urgências em alguns hospitais. e seria também recomendável a criação, por exemplo, de um reembolso do taxi em casos em que o doente seja transportável por esse meio e se verifique que se tratava de facto de uma situação urgente (uma perna partida, por exemplo). isto permitiria libertar ambulâncias equipadas para os casos que efectivamente as exijam.

  40. referes ana jorge. infelizmente não há auditorias propriamente ditas à acção governativa. havendo, suspeito que daqui a a algum tempo se chegaria à conclusão de que o estado entretanto mais deficitário da saúde, relativamente ao actual (que é o que vai acontecer, não tenhamos ilusões), seria da responsabilidade desta ministra. não havendo, vai acontecer que mais tarde vão todos acusar o correia de campos pela incapacidade desta vira-casaca. como vai ela gerir uma reforma em que não acredita? mal… e, aqui, a responsabilidade é de sócrates, que quis agradar os troianos.

  41. valupi,
    Tens toda a razão no que dizes dos factos, respostas e números comparativos que eu não tenho. Não, não os tenho. Eles não são meus, estão aí para serem vistos por todos e assim medidos na escala da eficácia governativa com os olhos de que os vive, não de quem os sonha em teoria. É certo que há quem, como tu na circunstância, faça deles uma Selecção Magnum, só baunilha e chocolhate, deixando a amêndoa para quem nela parte os dentes todos os dias. Contigo é fôfo e seguro viajar num plano de saúde. E tem paisagem, uma ilusão de competência. Guarda o teu exemplo (fraco, pobre, anos-luz das tuas melhores marcas) dos nascimentos em ambulâncias, que eu venho da terra onde parir num helicóptero é proeza que a mesma mulher das Flores já conseguiu três vezes, duas com o mesmo tripulante/parteiro. Uma debaixo de tempestade. Ela é que os teve, mas eu também não me assusto com essa fraca amostra de eventual demagogia e burrice, atiçada ou não, não o contesto. Pedes-me (e tu também, susanus) números, contas, parcelas, equiparados, balanços, relatórios e algarismos, e só não se atreve nenhum dos dois a exigir as décimas porque a gente estica inteirinha quando morre, senão era vê-los de lápis em punho e lupa no milímetro a ver se eu sou campos que chegue para esta correada. Nada demagogo, altamente pragmático.

    Mas vamos lá tentar de outra maneira, a testar a vaselina: imagina um cenário de reforma, de mudança profunda, de alteração estrutural de fundo, edifícios, pessoal, tecnologia, políticas e orçamentos. Tínhamos uma realidade, certo? Má, certo? Péssima, aceitemos sem esforço. Que durava há décadas antes de mudar pontual e inconsequentemente para um mapa caótico em que nada era rentabilizado, seja em números seja em vidas e cuidados de saúde, face ao país que somos. Por ser a Saúde o que é na saúde de um povo, esse povo habituou-se a viver com os recursos que tinha (os tais maus, péssimos) e sobre eles construiu a sua cultura de sobrevivência (errada ao chamar a ambulância para não pagar táxi, ao ir à urgência em vez de marcar consulta, etc..) Mas construiu a sua ilusão de segurança, que o faz pagar impostos e ser cidadão a achar que faz tudo parte, em cima desses conceitos, desses males até. Certo até aqui?

    Ora, fazer uma reforma, uma mudança revolucionária como a que era necessária e que dizes estar CC a lançar bases para fazer, sem introduzir dotações orçamentais específicas para o período de adaptação dos uns aos outros não me parece sensato. Sem salvaguardar a emergência ou a mera continuidade dos cuidados básicos com reforço de meios ou anexação pontual dos meios extra essenciais para não mexer nessa tal ilusão de segurança que nos evita a todos o pânico de estar vivo (nem que fosse com tendas de campanha e voluntariado por seis meses), lançar todo um plano orçado, pensado, delineado e acordado entre todos os intervenientes (o que este não foi) e não pôr em marcha um plano de apoio à convulsão social que seria inevitável (nota que não disse ‘à contestação’, gestor que é gestor não vai por aí nem tem que ir), não me parece que seja pôr os interesses do povo eleito à frente do show off da governação. E fazer tudo isto agravando e onerando uma situação de pré-rutura com as próprias bases que necessita para sobreviver e deixar sobreviver o país, é ser um mau ministro. Fazê-lo de forma arrogante e iluminada é ser Correia de Campos.

    (Pelo amor de Deus, se rsponderes não confundas mais o facto: eu não tiro mérito ao CC, tiro-lhe estofo, ou melhor, tento, que para mim ele não o tem)

  42. rvn, eu só te perguntei sobre os números porque tu avançaste primeiro com o exemplo dos casos…

    outra coisa: uma «ilusão de segurança» não salva ninguém.

  43. Rui, não tens dados, números, factos, porque eles não existem. Os protestos não nasceram de se ter constatado que havia moribundos em cada esquina sem ambulâncias para os acudir. Tudo resultou de protestos organizados localmente e atiçados politicamente para conseguir derrubar o ministro e, num segundo objectivo, diminuir Sócrates. Isso porque se deu uma reunião de interesses: o de uma minoria de caciques locais (estando a grande maioria, senão quase totalidade, das câmaras já com protocolos assinados com o ministério), o de uma minoria de políticos caducos do PS (que pela primeira vez se sentiram seguros para criticar Sócrates, aproveitando o melindre do tema e o barulho da multidão) e o da oposição, sempre à coca para destruir seja lá o que for que venha do Governo. O reaccionarismo endémico dos portugueses fez o resto.

    Eu diria, Rui, que não estás em boa companhia.

  44. susana,
    Bela chalaça, é sinal que tens saúde para a fazer. Do coração dois votos: que esse teu deus barateiro (e tantas vezes distraído) ta conserve e que, em caso de falha divina, tenhas dinheiro para pagar privado aquilo que o Estado em que nasceste te deve público e bom por direito de berço. Digest, reader: rir é o melhor remédio. E um beijo meu, sentido.

    val,
    Casei quatro vezes com menos conversa, devo dizer-te. Foi mais coiso e pumba, mas pronto. Aceitemos que é como dizes o que foi, e que não foi como eu digo o que não devia ser mas é. Sobra o essencial, a conversa que de facto importa no pós-facto consumado. Como vai ser Ana Jorge, na tua opinião? E agora, José? Que saúde, que plano, que reforma real para este Portugal ingrato na sua viuvez CC? Les jeux son faits e nem por isso a aposta me parece acarretar risco de bancarrota, a julgar pela limpeza como a pediatra (sim, eu sei, tu e os pediatras..) sacudiu as suas próprias palavras de há dias apenas. Sem intenção de chicana, (goes without saying), o que te parece que vai acontecer a ela, à política, aos lobbies (que não se terão eclipsado, por certo), aos números, aos médicos e a nós todos, enfim, já agora?

  45. Ainda aqui está alguém? Valupi, a única “reforma” que o CC fez foi o encerramento de urgências. O resto de que falas, cheque-dentista e diminuição de preços é treta. Isso não é reforma nenhuma, além de ser treta. Quanto aos dentistas, verdadeira reforma seria dotar os centros de saúde com dentistas, por exemplo. Quanto ao segundo, o preço dos medicamentos, reforma mesmo seria criar as unidoses. Redução de 4% por cento, dizes tu? Queres que te mostre preços de medicamentos? Olha que sou perito nisso. Valupi, eu não tenho números, tenho experiência pessoal. Vivo numa pequena cidade com pouco mais do que dez mil pessoas. Até há pouco tempo, quando o meu filho tinha um problema de noite, bastava deslocar-me com ele duzentos metros. No Centro de saúde, o médico de serviço à urgência fazia a triagem. Se fosse preciso ir para Coimbra, ia-se para Coimbra. Agora, tenho eu de levar o puto a 40 quilómetros, ou esperar que haja ambulância para isso, para depois esperar uma porrada de tempo, e finalmente, vir de Coimbra com receita para antibiótico. Estava muito mal habituado, é o que é. Mas percebes agora ? Queres números disto? Olha, estou lixado porque não tenho. O que sei é que o custo da saúde das pessoas em portugal desceu para o Estado. Iupi. Parebéns senhor ministro. Responde agora lá a isto: Que prémio é que lhe dás? O da Saúde ou o da Redução das Despesas para o Estado?
    Finalmente, porque não quertes responder directamente às objecções da Ana Jorge, uma gaja que talvez perceba um pouco mais do que tu? A não ser que a consideres logo à partida uma força de bloqueio a desacreditar…
    Vamos lá assentar uma coisa antes de responderes (se quiseres): O Ministro Correia de Campos reduziu fortementer as despesas do Estado. Passemos então para o resto: a saúde dos portugueses, propriamente dita. Racionalizemos, então: estamos ou não estamos melhor? Quanto à saúde, digo eu.

  46. António, não me compete responder às objecções da Ana Jorge, pois ela dirigiu-se ao ex-ministro, à sua política. Eu teria de ter conhecimentos dos processos que, obviamente, não tenho nem terei.

    Quanto ao que dizes, faz todo o sentido. Tu sabes-te prejudicado. E quanto a isso nada te levará a aceitar o prejuízo. Só tenho a dizer que Portugal não se esgota nos teus problemas, e que a política se faz para o todo da comunidade.

    A redução no preço dos medicamentos não chegou ao consumidor final directamente, chegou indirectamente através do saneamento financeiro que fazia parte de um plano. Para mim, já chega pois é mais do que todos os governos anteriores fizeram e provava a capacidade de gestão do ministro, no caso no diálogo com as farmacêuticas.

    Quanto à saúde dos portugueses, ela só melhora com reformas que garantam cada vez mais dinheiro, pois a Saúde exige sempre mais dinheiro, quer se mude alguma coisa ou não. Correia de Campos queria mudar qualitativamente a saúde, de um ponto de vista nacional. Como ignoras o que estava em causa, e tendo toda a informação à disposição, vais continuar a olhar para o teu caso. Ou seja, vais continuar a colocar-te do lado de fora da comunidade.

  47. Valupi, deves estar a gozar comigo, só pode. Vamos por pontos:

    1 – Não te “compete” responder às competências da Ana Jorge? Queres uma delegação de competências? E de que diabo é que estás a falar quando falas no “conhecimento dos processos”. Quais processos? O que é que sabes disto, afinal?
    2 – É que me parece óbvio que estás muito mais habilitado para falar disto do que eu, um tipo que apenas é consumidor de saúde, sem habilidade nem representatividade suficiente para falar destas merdas (esta foi a melhor). Valupi, pensares que o meu caso é atípico, “fora da comunidade”, como dizes, só mostra que de facto tens de ter rapidamente acesso ao tal “processo”.
    1 – O que é isso de o preço do medicamento não ter chegado ao consumidor final directamente? Mas afinal o preço dos comprimidos desceu ou não desceu? Continuamos a pagar um balúrdio por comprimidos que acabamos por não precisar, ou não?
    2 – Quanto à “capacidade de gestão do ministro” e ao “diálogo com as farmacêuticas”, quer-me parecer que são as farmacêuticas que devem levar o prémio Nobel da gestão. Nada como elas para gerir os seus interesses.

  48. António, as respostas à Ana Jorge estão dadas. Se tens lido o que escrevi, não sei o que mais esperas encontrar.

    Se não percebes que a baixa de preços nos medicamentos (alguns) leva a que o Estado (que compra medicamentos para os hospitais e centros de saúde) pague menos, então nem sequer percebes o que é um Estado e um Governo.

    A tua opinião das farmacêuticas revela a tua incapacidade de análise. Nunca serias convidado para ministro da saúde, ou de outra coisa qualquer. Para nossa sorte, claro.

  49. Ó valupi, então andaste aqui a responder à Ana Jorge sem ter competência para a função? Ná, ainda vais ter sarilhos ;)

    Mas enfim, valupi, não percebo nada, como tu dizes. Sou um gajo rasteirinho, tu cá, tu lá com as bactérias, sujeito a doenças e achaques rascas, e que por isso não alcança os grandes desígnios nacionais e até quiçá cósmicos em matéria de politica de saúde. As dificuldades que descrevi são um teste divino à minha paciência. Em passando o último nível, alcanço o nirvana. Um dia hei-de ver as coisas com mais clareza e integrar-me na tal comunidade de que falas e de que agora ando afastado. Por acaso, na hora do almoço falei com um vizinho meu que passou pelas minhas dúvidas, e agora sempre que tem algum problema de saúde, é levado de imediato por teletransporte, num nanosegundo, para umas urgências decentes e altamente equipadas.

    Mas, reparo agora, queres tu dizer que a minha má opinião das farmacêuticas impede-me de ser convidado para ministro da saúde? Tá engraçada, essa.

  50. António, eu não duvido do teu interesse em me veres a responder à Ana Jorge. Mais, não duvido do interesse da própria em que eu lhe responda. Mas vais ter de esperar que seja eu o ministro da saúde. Não está para breve, aviso já.

    Concordo contigo: não percebes nada. Mas tens razão. O que só prova que todos podem ter razão, embora apenas alguns tenham a razão toda.

  51. Mas é que não percebo mesmo nada. Em primeiros, dizias que não respondias à Anita, ósdepois, que já tinhas respondido, e finalmente, que responderás quando fores ministro… tou a precisar de uma consulta nem sei em quê… ou eu ó tu, convenhamos. Não, a sério, deixa lá isso. Não quero que respondas à gaja. Aliás, não quero que penses mais neste assunto.

  52. Pois é isso, António. A tua ansiedade em que eu responda à Ana Jorge leva para um sortido de respostas. Podes escolher a que mais te agradar. Entretanto, compreendo que isto de a Ana fazer críticas a Correia de Campos e eu não lhe responder te deixe baralhado e preocupado. Mas vais ter de aguentar.

  53. considero-me abusivamente citado, rvn, eu só faço ‘hum’ de cada vez, nunca prolongado. Mas agradeço-lhe a contribuição para o ‘está quase’.

  54. tem piada, desta vez pensei que não tinha capikuado, mas se calhar capikuei, ou o mostrador está gatado. Capicuas espectrais é do carago, jocas no maldacena!

  55. eu nbem me parecia que nadavam aqui a despertar tentações capikuadeiras! se fores como eu ficas gamado, pá! beijoca susana, mas acho que o contador também anda a ficar despassarado

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