Serás tu um dos que andou a viver como se não fosse pobre?

Numa entrevista ao semanário Sol, que será hoje publicada e a que a Lusa teve acesso, o primeiro-ministro nega que o empobrecimento seja a receita aplicada por este Governo.

“Pobres já nós estamos. Há é pessoas que ainda não se deram conta disso e continuaram a viver como se não fossem pobres. Viveram não daquilo que tinham mas daquilo que lhes emprestaram”, refere Pedro Passos Coelho.

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Ora, então, deixa cá ver. Estamos pobres. Logo, não podemos empobrecer, porque para empobrecer é indispensável não estar pobre. Trata-se de uma dedução infalível. Donde, este Governo não está apostado no empobrecimento, apesar do que o próprio Primeiro-Ministro já disse com todas as letras e em múltiplas ocasiões. Naturalmente, terão sido afirmações nascidas da sua pobreza de espírito, pelo que estão de acordo com o postulado inicial. Que se passa, pois? Passa-se que há para aí uns distraídos que por distracção têm-se distraído a fingir que não estamos pobres. E como é que esses foliões conseguiram fugir da paupérima realidade? Através de empréstimos. Tão simples quanto isto, e tão ou mais viciante do que uma droga dura, daquelas em pó. Portanto, não fossem os malignos empréstimos e essas tais pessoas – que até poderão ser à volta de 20 ou 100 indivíduos, não se avançou um número – teriam sido obrigadas a viver como pobres que são, e que somos, e, consequentemente, não se andaria agora a dizer que o Governo quer aplicar a receita do empobrecimento.

Não querendo este Governo que empobreçamos por evidente impossibilidade lógica, que quer este Governo afinal? Acabar com os empréstimos, a fonte de todos os males. Em coerência, em nome da sua verdade, Passos Coelho deveria agora proibir a actividade bancária, mesmo que isso causasse algumas dores de privação às tais pessoas (mil? menos? mais?) que continuaram a viver como se não fossem pobres, as desgraçadas.

8 thoughts on “Serás tu um dos que andou a viver como se não fosse pobre?”

  1. Bom dia Val,
    Um governo de deduções infaliveis e de atentados à nossa inteligência.
    Sei que sou parvo mas não tanto como estes patetas pensam.
    E estão a levar o insulto a um extremo que nem se dão conta que é por aí que a corda vai rebentar.
    Abraço

  2. Passos Coelho até tem razão num ponto: o maior pobre de todos é ele, um paupérrimo de espírito que há anos vive muito acima das suas possibilidades políticas, apenas à custa de empréstimos tóxicos de “credibilidade” por parte de certos lóbis mafiosos do cavaquistão, comandados por conhecidos e velhacos figurões de Governos anteriores (enterrados na lixeira da História) e obedecidos pelos gananciosos patifes do empresariado e da comunicação social e pelos manhosos dos carreiristas políticos sem rosto nem cor, todos secundados bovinamente pelos autómatos das corporações e pelos sabujos dos instalados capitães dos Sindicatos e dos eternos e repetentes cábulas dos revolucionários amadores.

    Quanto ao resto, não se salva nem um til no discurso do pPC. (pobre Passos Coelho).

  3. pedro passos coelho prova mais uma vez que de cada vez que abre a boca sai asneira.E que não aprede com os erros passados.

  4. Isso aí, caro Gato Vadio, é uma questão de solidariedade lá com o chefe-mor da cambada dele, o dileto e amado exmo. sr. prof. dr. Aníbal Cavaco da Silva, que quando bota faladura, se não lhe põem a minuta debaixo do nariz só sai asneira da grossa.

  5. é impressionante como o capitalismo financeiro no seu estádio actual tomou conta de tudo e mandou os valores da revolução francesa para o lixo. Virá aí revolução por certo, não iniciada em Portugal porque anda tudo com o rabo entre as pernas, aliás as pessoas estão-se nas tintas para os outros desde que não lhes toque. Também, verdade se diga, este mundo de valores é lixo: demagogia, hipocrisia, dissimulação e traição, são quem mais ordena, na esteira darwinista do elogio primal da sobrevivência e da luta pela existência e não da vida como simbiose.

    Imbecis somos todos nós.

  6. Se bem conheço aqui o cantinho sociológico, vão ser estas imoralidades, insensibilidades, indiferenças, arrogâncias e ofensas no discurso, mais do que nas medidas, que vão dar merda. Os tomates de alguns vão voar, se continuam com estas tiradas jocosas à conta da dignidade das pessoas.

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