Segredos das pirâmides

Conheces de ginjeira a pirâmide de Maslow (se não conheces, cala-te e finge). Tem sido abundantemente divulgada desde meados do século passado, tendo invadido tudo o que é manual de psicologia, relações públicas, marketing, publicidade. Para além de corresponder a um marco histórico na Psicologia – sendo uma das principais fontes da corrente humanista que centrou a abordagem terapêutica na compreensão do sujeito enquanto sujeito – o escalonamento que se dirige para a auto-realização individual, esse zénite e ómega do humano, estava de acordo com o zeitgeist existencialista e fenomenológico de um mundo em profunda transformação económica, política, científica e tecnológica. As ciências, naturais e humanas, ligam-se aos movimentos filosóficos e literários, culturais e sociais – e vice-versa – gerando a dinâmica criativa que explica a sucessão de inovações e divergências teóricas que constituem a civilização ocidental secular. Assim, nada mais lógico do que ver a Psicologia a validar um mundo fragmentado e atomizado, no qual Deus tinha morrido, Marx estava moribundo e Freud muito combalido. Que restava? A heróica realização pessoal, a terra prometida da eterna liberdade, e imarcescível maná, nos espaços interiores de cada ser humano.

(sim, este parágrafo é um mimo de simplismo e indulgência, segura lá o cavalo)

60 anos depois, muita Psicologia Cognitiva, muita neurologia e muita genética passadas debaixo da ponte, a vedeta é a Psicologia Evolucionista. Os humanistas estão completamente esquecidos, reinam Darwin, as teorias da informação e a biologia (e outras coisas bem diferentes já a despontar, claro, claro). Mais uma vez, constatamos as sintonias entre os diferentes ramos do saber, correspondendo aos extraordinários avanços no conhecimento dos sistemas neuronais e moleculares uma proposta de síntese para o comportamento psicológico e social. Ora, é aqui que entra o nosso amigo Douglas Kenrick, descendente e irmão de criminosos que estiverem presos em Sing Sing, mais a sua proposta para umas obras de melhoramento à pirâmide de Maslow, desenvolvida em colaboração com outros psicólogos evolucionistas: uma nova hierarquia de necessidades. As principais diferenças dizem respeito aos níveis superiores da pirâmide, trocando-se a auto-actualização e realização individual pela posse de um parceiro sexual, procriação e dedicação à prole. Ser mãe e pai, cuidar dos filhos, essa seria a meta suprema para qualquer animal humano, de acordo com o adaptado modelo da motivação.

Esta conclusão tem a vantagem de poder ser facilmente justificada por torrenciais factos empíricos e estatísticos, mas não escapa a uma inevitável polémica ideológica. O conceito de família tem estado sempre no centro de disputas religiosas, políticas e morais, sendo associada ao melhor e ao pior da experiência humana. Colocá-la no vértice superior da pirâmide de Maslow é uma provocação útil e passível de gerar um acrescento de inteligência num território carecido de visões descontaminadas pela História.

Que pensas da questão?

40 thoughts on “Segredos das pirâmides”

  1. Mas como explica a nova pirâmide que os indivíduos, chegados ao topo de realização das mais profundas necessidades – a constituição da família – tantas vezes retrocedam, se divorciem, comecem do “0”?

  2. Teríamos de ver por grupo e individualmente. Quantos se divorciam? Que fazem a seguir, ficam solteiros ou voltam a constituir família e a procriar? Em que altura do desenvolvimento dos filhos se divorciam? Quem é que procura mais o divórcio, quem já teve filhos ou quem nunca os teve?

    A questão não se resume ao lado anedótico, os casos deste e daquele, mas estatístico.

  3. É curiosa a provocação!
    Mas sendo que é talvez a vocação mais comum: procurar um parceiro, constituir família…e creio que é uma das melhores formas de desenvolvimento e realização pessoal, não, não a colocaria no topo da pirâmide. Aliás, não creio em pirâmides.

    E o “segredo” não é andar a satisfazer necessidades. Embora passemos a vida nisso. É mesmo aprender a viver para além delas.

    O sr Maslow teve/tem a sua importância, mas há mais vida para além…

  4. mc, poderás ter toda a razão, mas precisas de mostrar serviço. Que é isso de “aprender a viver com as necessidades”? Por exemplo, quanto tens sede, bebes água (ou vinho). Não aprendes a viver com essa necessidade, dás é cabo dela, fazes com que ela desapareça por ter sido satisfeita. Se tiveres sede e, no entretanto, te faltar o ar, deixas de pensar na sede, tratas é de resolver a necessidade que se tornou mais urgente, a dos pulmões. Só depois de matares a sede é que pensas em comer, e nunca o inverso. E por aí fora. É isto a pirâmide de Maslow, algo evidente na sua estruturação mais básica. É nos níveis superiores, da suprema complexidade e especificidade da natureza humana, que aparecem os berbicachos com a sua teoria.

    Venham daí as tuas explicações!

  5. Val,

    se a satisfação da necessidade “de topo” for simplesmente fixar parceiro, procriar e educar a prole, e se mais necessidades “subtis” não existissem para lá ou acima dessa, após a constituição do agregado, não haveria necessidade de desfazer/refazer o processo, sobretudo nos casos em que este ciclo ficasse completo.

    O que parece é que o indivíduo procura satisfazer outras necessidades para além dessas, designadamente algumas que estvam nos dois níveis superiores da pirâmide original de Maslow e que curiosamente desaparecem do novo modelo. Será que a família se substitui a elas ou que é suficiente par as satisfazer? Mesmo com base nas estatísticas, é questionável.

  6. “mas precisas de mostrar serviço” eheheheh, certo, senhor!

    Eu não desvalorizei totalmente a pirâmide de Maslow (que desde que foi anunciada teve contestação). Ninguém vive sem alimento. Assim como é impossível a vida sem Amor. Ou sem cultura, educação, tempos de ócio. Mas estamos a falar de dimensões/necessidades diferentes da nossa vida.

    O que eu digo e fundamento-me no cristianismo: é que satisfazer estas necessidades não nos dá realização pessoal. Até porque nunca estão satisfeitas. Acabamos a digestão e já estamos com fome. Construímos uma família e de um momento para o outro podemos estar sozinhos.
    Há dois mil anos e fruto da sua experiência como judeu, Jesus de Nazaré disse: “Não vos preocupeis com o que comer ou vestir…” (Mt 12, 22-31). E noutros momentos/texto sobre as nossas relações de afectividade.

    O que nos pode trazer realização pessoal (atenção não estou a desvalorizar nenhuma das necessidades referidas) é descobrirmos quem realmente somos (e agora entra o Jung um bocadinho) avançarmos para além do nosso ego. Descobrirmos a verdadeira identidade do nosso Ser. O que nos realiza, então, não é o que temos mas o que somos.

    E isso é tão fácil de verificar nas nossas relações afectivas: somos amigos (por exemplo) porque temos necessidade daquela pessoa ou porque queremos ser para ela?

  7. Val,
    A necessidade básica, fundamental e a colocar no topo de qualquer sistema de necessidades, é o da subsitência: preservar existência própria é a primordial necessidade do homem. Em última análise, será sempre pela preservação de sí próprio que o homen lutará.
    Procurar um parceiro sexual para procriar, ter filhos e constituir família é uma imposição por preconceito económico-social: não é. nem muito ou pouco uma necessidade de primeira linha. Na organização das sociedades primitivas não sequer havia conceito de família(coisa recente históricamente), e não foi por isso que o homen deixou de multiplicar-se.
    Aliás a natureza ao criar-nos com o imprisionável instinto sexual já está a colaborar, de forma urgente e imparável, no sentido da preservação e manutenção da espécie e, deste modo, a preservação do indivíduo procriador.
    Também procurar matar a fome, a sede, respirar um ar adequado são necessidades básicas imprescindíveis, mas são sempre necessidades subsidiárias da existência.

  8. (se não conheces, cala-te e finge). Val fizes-te-me dar umas risas. Eu que sou cego nesto da psicoloxía, embora o Maslow ( que tem nome de dianteiro centro), ten-me perseguido en varios relatorios e aulas recevidas, assim que tenho-o como da familia.
    sob o fundo ainda não tenho opinião.

  9. MC,

    Sem mais!Quanto ao descobrirmos o que realmente somos e avançar, esse é o verdadeiro objectivo de cada um de nós que não se concretiza nesta dimensão – a terrena.
    Materialmente, sem dúvida que no topo das necessidades está preservar a nossa própria existência, de acordo com o Interesse. Como a história e natureza humanas o provam.

    Balupi, como não respondeu à minha questão, porque não me fala, mas eu falo-lhe, não desenvolvo mais o tema.

    Me quedo por aqui, com aos neurónios cansados de ter já escrito tanto.
    Ciao bello ( ka fizeste aos cumentarios da Claudia, pá? Tu curreste cum ela?)

  10. eu acho que não há incompatibilidade alguma entre “auto-actualização e realização individual ” e a partilha da cama ou de uma família , desde que os parceiros sigam o excelente conselho : dai de comer do vosso pão um ao outro ; jamais comais do mesmo bocado.
    (e o tantra ? até é um bom exercicio para a realização individual , assim a modos como que em sintonia com o cosmos… nestas coisas de sexo , gosto da visão indiana : o todo , fusão do masculino com o feminino )
    a posse de um parceiro ? jesus , POSSE !!! possuir seres é assim um bocado fatela e dá sempre mau resultado.
    e como diisse não sei quem ( não me lembro , um escritor qualquer ): à medida que envelheço , amo mais quem primeiro amei . isto por causa da família.

  11. e tb acho que os que desenvolveram essas teorias alternativas à piramide , deviam ver mais programas do National Geographic e terem umas aulinhas de etologia , talvez de antropologia tb , podiam ler o Edgar Morin já agora….para não confundirem biologia com psicologia , nem cultura ( e necessidades de defesa/ampliação do território – mutos filhinhos para pegar em arcos e flechas -e uma femea para cada macho , mesmo para os fraquinhos ,) com psicologia pura e dura.

  12. «possuir seres é assim um bocado fatela e dá sempre mau resultado».
    Cum catano, nunca tinha oubido uma destase. Fatela? Ataõe cumo é ka faze.
    ´Confucio aspirinicu anda cá esplicare ka pussuire seres pode sere muita barile pá, já bistes?

    Arroba ponto come, toma lá um pensamentoe profundu pra tie:
    Um homem é como um soalho flutuante:
    Se for bem montado pode ser pisado durante mais de 30 anos.

    Olha toma lá outro:o amor é cumo a gripe, apanha-se na rua, e rasolve-se na cama!

    Oube lá, tu andastes foi a fuckar de maije e agoura dises issu. O excesso de sexo proboca amnésia e outras merdas que agora não ta lembras, tás a bere?

    Num ma digas kapanhastes cum cornus. Oube meue, os cornus não ezistem, tás a bere? issi é merda ka ta puseram na caveça.

    bê lá satinas pá. Tantra, porra, gastaba os orgasmus tudos logo na primeira hora só com impassiênciae. Ele á cada tioria.

  13. mc

    precisamente, o que Maslow definia como a procura do topo da pirâmide era a realização da própria natureza do ser. Portanto, no fundo, concorda com ele, certo?
    Para mim, difícil de resumir à constituição de família – que me parece mais um objectivo do super-organismo social, assimilado pelo indivíduo.

    Por outro lado, Maslow nunca disse que a satisfação dessas necessidades básicas dava realização pessoal, ao contrário do que afirma.

  14. reis,

    agora é que vi as tuas risas :))

    Eu ri-me com esta parte:

    “(sim, este parágrafo é um mimo de simplismo e indulgência, segura lá o cavalo)”

  15. Quando o homem “despertou” para a auto-consciência, depois do longo sono da sua “pura animalidade”, nascer, comer, comunicar, procriar e morrer nunca mais foram suficientes para definir o ser humano. A consciência acrescentou a alegria e a tragédia à normalidade de um dia depois do outro. Quando o homem se pensou a si próprio e soube que o fazia, nunca mais se identificou com o que «já era». Desatou a procurar o que «nunca fora» e agora deseja ser. Nunca foi imortal e sabe disso. Mas agora sonha com a imortalidade…
    Já viram onde quero chegar.
    Quando A Contreiras fala em «preservar a existencia», o MC em «descobrir o que realmente somos» ou Maslow «na realização da própria natureza do ser», eu pergunto: preservar o quê? descobrir o quê? realizar o quê?
    O que realmente provoca o actual desconforto generalizado que experimentamos é constatar a falência ou a insuficiência de todas as ciência humanas. E, naturalmente, de todos os valores antes considerados “sagrados”.
    O conceito de familia é uma das vítimas e começou a ruir, nas estruturas da sociedade, quando se fez a separação entre «fazer sexo-fazer amor» e fazer procriação.
    A aceitação da ideia do casamento homossexual é o sinal dos novos tempos. Sobrepõe-se a dimensão «espiritual» do homem, nascida da sua consciência, à dimensão biológica e natural.
    Bem podem espernear teólogos, filósofos e “naturalistas”. bem podem os bispos continuar a falar da «complementaridade» feminino-masculino (D.Manuel Clemente). Porque pela sua consciência e pelo seu génio o homem foi mais além do que nunca antes «foi».
    Neste sentido eu contradisse A Contreiras e os outros. De facto, o homem de que falo não existe para ser preservado ou descoberto mas para ser, literalmente, criado.
    Não «ex nikil», evidentemente, mas a partir da imensa e longa História que nos pariu.

  16. This is what’s all about, init, Valupi? And, as usual, your learned critics did not spot the difference, ie the way the World turns around.

    From your new hero. He doesn’t munch much his words, no sir:

    “But there I go again, letting those damned biases slip in, and still feeling that the world would be a better place if we controlled overpopulation using means other than wars and if we quit destroying the environment. And I find it difficult to fathom that anyone believes that with a world population of 6.5 billion and growing, and incessant news stories about overharvested fish species going extinct, or about people in places like Bangladesh and Pakistan who can’t find clean water to drink or food to eat, or about environmental disasters like the recent oil spill in the Gulf of Mexico, it would be a BAD thing to use try to use psychological principles to stem population control and help us conserve resources”.

    So what is the bloody pyramid for? Population control, thats what.Nice colours, though. Psychology? No make me do laugh pah!

  17. A teoria hierárquica (sequencial) de Maslow está longe de «corresponder a um marco histórico na Psicologia» pelo menos ao nível científico. Os (poucos) psicologistas que a referenciaram não encontraram qualquer validação empírica. Acontece que era (é) ‘boa moeda’ para a sociedade e cultura americanas, uma sociedade que, na linha calvinista, valoriza o esforço individual e a ‘auto-realização’. É curioso que os comentários apontem o exemplo do casamento e da família que, no fundo, resultam de necessidades ‘primárias’ podendo ser um acto de sublimação elevá-las à categoria de ‘auto’. A simplicidade da teoria e a ‘conveniência’ dos pressupostos ditou a sua divulgação. Foi um ‘produto’ de marketing bem explorado, mas qualquer Manual de Psicologia científica não lhe dedica mais que algumas páginas. É muito discutível se existe uma ‘natureza humana’ ou se esta se constrói num permanente exercício de relação.

  18. natureza de cada ser, aix, não natureza humana

    se a escolha do caminho não é individual, é o quê?

    nenhum dos comentários aponta a família para a categoria de auto, mas de primária e, portanto, não houve nenhum acto de sublimação…

  19. Mário,

    “Desatou a procurar o que «nunca fora» e agora deseja ser” – mas não é isso mesmo o topo inatingível da pirâmide?

  20. «nenhum dos comentários aponta a família para a categoria de auto, mas de primária e, portanto, não houve nenhum acto de sublimação…» [edie]

    «Mas como explica a nova pirâmide que os indivíduos, chegados ao topo de realização das mais profundas necessidades – a constituição da família…»[edie]

  21. aix, tens que ler o resto da frase:
    “Mas como explica a nova pirâmide que os indivíduos, chegados ao topo de realização das mais profundas necessidades – a constituição da família – tantas vezes retrocedam, se divorciem, comecem do “0″?2

    Explico: estava a questionar a validade desta nova pirâmide a que o Val faz referência, quanto ao facto de pôr a constituição de família no topo das necessidades…Ficou claro?

  22. tou ta ber….não era possuir nesse sentido… esse está bem . era aquela cena : tu es meu/minha e de mais ninguém e pum , sai um tiro ! propriedade , topas ? não consumição ( consumição existe? de consumir , né ?) no acto. fora dele é que não.
    não me consumas o juizo , gaita.

  23. Arroba,ponto, come,

    Tá bem meue, já parssabie a cousa. Num prazizas da fikare assie cumigo, pá.

    tense da perssavere que segundo um tal daniel soue um inacpacitadu mentale, pá, dá-me lá o desconto.

    GIROFLÉ,

    like always, brilliant. Just damn brilliant. I am definetly your fan number one.
    Give me five dude.

  24. Edie,

    Em textos apressados podemos não exprimir correctamente o pensamento. Fique claro que não vislumbro um objectivo último, «topo inatingível da pirâmide», que o homem persiga. O desconforto actual de que falo reside precisamente no facto de não nos apercebermos de um «objectivo» a atingir e no qual nos possamos sentir realizados. O «topo» de uma hipotética pirâmide não existe enquanto não for construido. E o problema é que não conhecemos a «planta» do edificio a construir. Vamos tendo umas pistas, e é um pau! Costuma dizer-se que fazemos o percurso da vida «às apalpadelas». Parecemo-nos com os físicos teóricos a tentar descobrir como é o «tecido do cosmos». E, honestamente, não sei se avançaremos muito na construção da nossa individualidade ou colectividade, enquanto não soubermos das linhas com que foi costurado o tapete sobre o qual representamos a tragicomédia da nossa vida.

    Quanto ao facto de saber se «a escolha do caminho» é ou não individual tenho uma posição firmada: o nosso caminho não é individual. Nunca o foi. Sei que vou dizer uma barbaridade: o meu mundo não começa em mim nem acaba em mim; portanto, em boa verdade, nunca poderei falar no «meu mundo», porque simplesmente tal não existe. Estamos ligados uns aos outros e ao palco onde se desenrola a existencia, como o feto à mãe que o gera e alimenta. Quem defende, como eu defendo, a unidade intrinseca do ser humano, recusando o dualismo matéria-espirito, terá de admitir que depemos dos outros para ser corpo tanto quanto dependemos dos outros para ser alma. Eu «sou convosco».
    E será esta “comunhão” ou “familia” que imagino no «topo da pirâmide».
    Mas como tudo isto é dito apalpando o caminho, só vale mesmo como palpite.
    É a eterna sina do filósofo: saber que nada sabe. Mas vai fazendo caminho, consciente de que «todos» é que «são mesmo». «Eu» nada sou. Nem sequer a minha pretensa solidão, que só existe quando grita «por ti».

  25. Existe um número de casais, crescente, coomprovado estatisticamente, que decide pura e simplesmente não ter filhos, o raio da pirâmide onde encaixa esses suicidas da espécie ?

  26. O topo da pirâmide só pode ser ocupada por uma coisa, quêm não vê isso é cego. DINHEIRO/MONEY/ARGENT/DINERO.

  27. Só para dizer que em Psicologia existem outras teorias sobre as necessidades humanas mais desenvolvidas e bem mais representativas do que a Pirâmide do Maslow. Está só voltou a estar na moda porque era simples de aplicar e simples de entender. No entanto, muitos autores como Herzberg, Mclelland e McGregor (p. ex.) desenvolveram as suas teorias motivacionais pondo em causa a do Maslow.

    Hoje elabora-se motivação a partir da situação e ou contexto em que o sujeito está envolvido.

    Assim, o Maslow está para a Psicologia, como o Quim Barreiros está para a musica popular portuguesa.

  28. Mário,

    Quanto ao não sermos sem os outros, concordo totalmente.
    Mas…lá vem a interrogaçãozinha… mas o sentido individual, a consciência individual: para quê a sua existência se bastava haver um meta-ser sem cisões, que não precisaria de andar às apalpadelas para encontrar o caminho? Não seria tão mais simples que houvesse apenas um caminho para toda a gente que, aliás, não seria toda a gente, porque seria só 1?

  29. edie, em relação a isto que escreveste:

    “se a satisfação da necessidade “de topo” for simplesmente fixar parceiro, procriar e educar a prole, e se mais necessidades “subtis” não existissem para lá ou acima dessa, após a constituição do agregado, não haveria necessidade de desfazer/refazer o processo, sobretudo nos casos em que este ciclo ficasse completo.”

    Repito que a questão não é relativa aos casos individuais, mas à raça humana, à História. Individualmente, encontras de tudo, desde quem não queira ter filhos a quem não se importe de doar esperma ou óvulos sem que tal implique uma futura relação com os filhos, acabando nos que vendem filhos ou interrompem a gravidez pelos mais diversos motivos não clínicos. Destes não diríamos que a sua pirâmide de realização contempla a família e a prole, obviamente – ou diríamos que ainda não tinham lá chegado, ao topo, que ainda andavam a tentar satisfazer necessidades mais básicas…

    Assim, o que está em casa nestas pirâmides não é um conjunto de leis, à maneira da Física, mas antes uma proposta de interpretação da experiência humana. Nem podia ser de outro modo, pois somos sempre seres livres, ao arrepio do que as ciências sociais e humanas vão produzindo como teorias e conhecimento.

    Também lembro que o próprio Maslow dizia que apenas 2% da Humanidade estaria no topo da sua pirâmide, no tal estado de auto-actualização. Essa ponderação do próprio autor mostra à evidência que se está a falar de uma sequência onde o número dos indivíduos em causa se vai reduzindo à medida que subimos no nível da exigência. Se aplicássemos esse critério à nova pirâmide aqui em discussão, concluiríamos que o número daqueles para quem cuidar da prole corresponde ao objectivo máximo da vida seria mínimo. No entanto, tal não poria em causa a lógica que organizou a escala em causa.
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    mc, claro que a pirâmide de Maslow teve contestação, isso seria inevitável. E não temos de a defender sequer, até porque ela não precisa. Estava era curioso em relação aos fundamentos do teu primeiro comentário. No segundo, acabas a falar da descoberta pessoal como sentido último da existência. Bom, foi isso, exactamente, o que Maslow afirmou com a sua pirâmide. Aliás, se conheces as proposta dele na fase posterior da sua vida, sabes que avançou para os planos da transcendência, tal e qual como apontas no teu comentário.
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    Adolfo Contreiras, viraste a pirâmide de pernas para o ar. Repara: que a subsistência é a primeira necessidade é o que lá está afirmado, sem comeres nem sequer terás energia para te defender, sem respirares nem sequer conseguirás comer. Sem o primeiro nível, sem a base, não há pirâmide porra nenhuma. Só depois, mas logo a seguir, vem a segurança, e por aí fora. Isso quer dizer que o topo da pirâmide é o que estará em último lugar na sequência de realização. Para lá chegar, tem de se passar primeiro pelos outros níveis (isto, num certo entendimento ortodoxo da pirâmide, mas há outras interpretações possíveis, claro). Mas o sentido do esquema é descrever os níveis da realização integral de um ser humano, o máximo que ele pode atingir, as suas possibilidades.

    Ao limite, segundo o psicólogo Maslow, o máximo é cada um de nós na sua individualidade auto-realizante.
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    reis, não me pareces nada cego em psicologia, bem pelo contrário… Acho que andas a tentar enganar os teus irmãos portugueses…
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    #@#, posse é ter, manter, guardar, cuidar, proteger, ser responsável por, ter um compromisso com. Não possuis família ou amigos?
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    Mário, essa tua perspectiva também poderia ser subscrita por Maslow, num certo e fundamental sentido.
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    GiróFlé, sabes fazer copy/paste. És o maior, ó pá.
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    aix, o que é um marco histórico é a chamada Psicologia Humanista, da qual Maslow é um dos principais representantes. A sua pirâmide representa, iconicamente, isso mesmo.

    Sim, parece tudo muito simples, e sim, foi aproveitado pelo marketing. Mas, chega cá, tens noção de quantas escolas, teorias e conceitos da psicologia, e de tantas outras ciências,
    foram aproveitas pelo marketing? E a simplicidade é anti-científica? Ao contrário, a ciência prefere sempre a explicação mais simples à mais complexa, quando as duas permitem obter os mesmos resultados teóricos e experimentais. Mas, acima de tudo, não há nada de simples no que aconteceu em meados do século XX com estas propostas, as quais chocavam com um empirismo estéril. É o novo enfoque na interioridade do humano que aparece como uma espectacular novidade, a qual será uma fortíssima influência cultural no Ocidente até aos anos 70, mantendo-se como poderosa fonte literária.

    Dizeres que a pirâmide carece de validação empírica expõe a tua dificuldade: não percebes o que está em causa na corrente humanista, onde não há validações empíricas dado se tomar o sujeito na sua radicalidade existencial e ontológica.

    Obviamente, a Psicologia Humanista não é uma religião nem uma matemática, por isso teve o seu tempo e desapareceu do mapa das vanguardas na disciplina. Outras abordagens apareceram, com outros paradigmas científicos. E ainda bem!
    __

    José Gil, mas evidentemente. A ciência é isso mesmo, a contínua batalha de ideias. Quanto ao que dizes de Maslow, só revela a tua ignorância da sua obra.

  30. “GiróFlé, sabes fazer copy/paste. És o maior, ó pá”.

    Valupi, drop dead, but…

    Thank you so much for allowing me to be philosophical: I copy/paste the WORDS, and you, clever dick, copy/paste the IDEAS.

    Do not copy that, it will cost you MONEY.

    Yours, etc. etc.

  31. bem , do que se lê por aqui , diria que Maquiavel é que a sabia toda , e que o ser humano quer é TER.
    o quê , varia com os tempos e modas , mas a natureza humana parece que é imutável : ávida sempre por mais , como dizia ele.

  32. Valupi,

    afirmas: “As principais diferenças dizem respeito aos níveis superiores da pirâmide, trocando-se a auto-actualização e realização individual pela posse de um parceiro sexual, procriação e dedicação à prole. Ser mãe e pai, cuidar dos filhos, essa seria a meta suprema para qualquer animal humano, de acordo com o adaptado modelo da motivação.”

    Eu, Daniel Sousa e Silva, penso o seguinte e falo como leigo: a pirâmide de Maslow, a sua criação entenda-se, faz parte de um conjunto de teorias da psicologia que devem ser contextualizadas, especialmente no que toca ao período histórico em que foi produzida, não esquecendo os contextos social, económico e cultural. Pode ser colocada na mesma prateleira de, por exemplo, a teoria da salivação de Pavlov [offtopic, toute a ber, mensagem para ti no final do comentário]. Ou seja, continuam a ser interessantes de ser analisadas, mas, no fundo, devem ser vistas como um artigo de museu e não uma teoria com operacionalidade possível de ser aplicada pela ciência da psique de hoje.

    A natureza humana, creio, é por demais complexa para ser compartimentada numa pirâmide ou outro objecto geométrico. Vejo-a como demasiado inconstante e singular para que os teóricos da psicologia tenham fôlego para acompanhar o animal-Homem.
    Daí que a discussão toda não tenha grande sentido, né?

    Os melhores cumprimentos,
    Daniel Sousa e Silva

    #@#, concordo contigo, em vez de uma pirâmide devia haver uma espiral tendendo para o infinito

    Adolfo Contreiras, que explicação nice :)

    Mário, in my opinion, their not worth the bother, but, hell, curti o que escreveste

    Giróflé, tinha boa impressão de si, o que lhe aconteceu?

    toute a ber, mais um osso para ti, na caixa de comentário do post “Na Veia”. Vai, busca!

  33. daniel pinto,

    ão, ão, boneface, já lebaste a resposta. Mandei-te umas ribbs e umas spicy wings, com um cheesecake ( new York style). Cuida-te, olha que eu mordo. Olha keu num ma bacinu contra a raiba pá. Bai até lá.

    Valupi, meu querido valupi, você não me liga nada. Que posso fazer para o pôr aos meus pés? Bai um avraçu?

    Adorei como sempre o Giroflé. GRANDE GIROFLÉ. PORRA, já passa da meia – noite e ainda me estou a rir com o que ele escreveu. Valupi, aguenta-te à bronca. o Giroflé é o Máximo.
    Desculpa lá Giroflé, mas pá, caíste-me no goto. Tás a bere?
    Ciao bello

  34. Val se calhar tenho mais conhecimento sobre a matéria do que tu, pois sou Psicólogo Social. Tentei resumir o que os Psicólogos Sociais consideram sobre o Maslow.

    Se fores analisar bem, nem é das teorias mais importantes sobre as necessidades e motivação. No entanto, tal como já tinha dito no comentário anterior, devido a ser uma teoria simples, ganhou expressão fora da Psicologia.

    Desta vez és tu Val que está desinformado. Convém que leias mais sobre esse assunto, pois ele é mais extenso do que julgas e o Maslow bem menos importante do que o crédito que lhe dão.

    Cumprimentos

  35. GiróFlé, larga o vinho.
    __

    #@#, não queres ter saúde, dinheiro, conforto, prazer, direitos, desejos, vontade? Se não, tem lá cuidado contigo, ao menos.
    __

    Daniel Sousa e Silva, tens razão quanto ao enquadramento histórico seja de que conhecimento for, e não fazer dele um imperativo, por maioria de razão no campo das ciências sociais e humanas, mas tal não é o que se está aqui a propor. Bem pelo contrário, o que nos interessa é a possibilidade de acrescentarmos inteligência aos nossos dias, por isso estamos a usar como exemplo uma reconfiguração actual de uma teorização passada.
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    José Gil, não precisas de ser psicólogo social para saberes mais do que eu nesta matéria. Até um padeiro pode saber mais do que eu sem se esforçar muito. O que se passa é que tu não estás a dar mostras do teu conhecimento. Dizeres que Maslow não é importante na História da Psicologia é, pura e simplesmente, um erro crasso. Dizeres que a corrente humanista está desactualizada, recebeu muitas críticas e é inútil para o teu campo de actuação, será uma banalidade. E dizeres que a pirâmide de Maslow tornou-se popular por ser simples, é uma falácia, pois o critério da popularidade não decorre da simplicidade, mas sim da relevância. Por exemplo, a psicanálise tornou-se incrivelmente popular, muitíssimo mais do que Maslow e sua pirâmide, e ela é das construções teóricas mais complexas na área da psicologia. A mera apreensão dos conceitos psicanalíticos é difícil, quanto mais as suas inter-relações e variáveis teóricas.

    Finalmente, em lado nenhum se disse que a sua teoria era das “mais importantes” sobre as necessidade e motivação, excluindo, neste suposto sentido, outras teorias que seriam menos importantes por comparação. Não faria sentido dizer isso num texto que situa no tempo a corrente humanista, afirmando que ela há muito deixou de estar na vanguarda das investigações em psicologia. Aliás, esta mesma notícia que coloquei como questão afirma isso mesmo: estamos no tempo dos evolucionistas (e dos cognitivistas, claro), alguns dos quais pegaram em Maslow para o corrigir.

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