Quo vadis, PS?

O PS vai sobreviver a Seguro. E depois virá António Costa, o qual terá condições para voltar a reunir as melhores inteligências no partido. O que fará com esse capital vai depender da sua vontade e das circunstâncias políticas na altura, absolutamente imprevistas agora. O PS é o único partido que aguenta o regime, infelizmente, cercado como está pelo niilismo da esquerda e pela infantilidade da direita. Mas o PS não vive a sua melhor hora, por exclusiva responsabilidade do actual secretário-geral.

Militantes e simpatizantes conformam-se às lógicas tribais inerentes à vivência partidária, sacrificando eventuais dúvidas e reprovações no altar da unidade. Tanto é assim que nem sequer há uma oposição a Seguro. Não tem mal. Mas igualmente não tem bem. Já o cidadão independente pode ser implacável. Deve. Deve denunciar a estratégia do silêncio que Seguro assumiu antes e depois de ter chegado ao poder máximo no partido. Antes, contribuiu para o desgaste do Governo PS à custa da sua promoção pessoal. Depois, diminuiu drasticamente o escopo da oposição ao Governo PSD-CDS e validou as campanhas difamatórias que tinham sido e continuaram a ser feitas contra a governação passada e seus responsáveis. Há algo de inconcebível nisto de um partido mudar de líder e, concomitantemente, mudar de história por um apagamento sem direito a explicação. É que Seguro, o profeta da transparência, é radicalmente opaco quanto às razões pelas quais se opôs a Sócrates e abomina o seu legado. Ao calar a crítica, defende-se do contraditório e foge às responsabilidades. Pior, a sua negatividade é transferida e prolongada em actos.

Foi assim que passámos por um episódio que revela à saciedade o psicologismo anal que rege Seguro. Ao convidar Carrilho para a direcção do Laboratório de Ideias fez uma ostensiva provocação a Sócrates e a todos os que com Sócrates serviram o PS e Portugal. Foi a forma de utilizar um terceiro para expressar o rancor que lhe vai na alma. Isto porque Carrilho, para além da inépcia política e vulgaridade intelectual, é um animal corroído pelo ódio. Promovê-lo a mentor ideológico foi a forma asquerosamente sonsa que Seguro encontrou para repetir estas ideias:

Sócrates era um homem profundamente impreparado para a função.

Sócrates negou a crise com uma orientação completamente suicida.

Sócrates retomou no essencial mais uma inspiração cavaquista do que guterrista.

Sócrates foi determinado na asneira.

Sócrates nunca teve convicções socialistas.

Sócrates fez aldrabices na licenciatura na Universidade Independente.

Sócrates vive deslumbrado com o capitalismo financeiro, as novas tecnologias e os malabarismos da comunicação.

Sócrates deixou um longo rasto de oportunidades perdidas, de casos estranhos, de histórias mal contadas e de encenações inúteis.

Carrilho não está apenas a despejar o seu ilimitado fel para cima de um homem que persegue obsessivamente, igualmente pretende atingir os seus próximos, os militantes que o reelegeram secretário-geral com 93% de votos em 2011 e o milhão e meio de eleitores que votou PS em Junho. Foi a esta alucinada figura que Seguro enviou um convite para vir doutrinar as bases e aparecer nas televisões a botar sentenças em seu nome. Inacreditável.

No dia da demissão de Sócrates era tal o frenesim de cobiça que Seguro chegou a enganar os jornalistas no tempo que demorou a subir e descer num elevador. E acabou a noite a lembrar que tinha 31 anos de serviços ao partido – ou seja, que já tinha esperado tempo mais do que o suficiente.

Que move este ser? Talvez rigorosamente nada, e o seu comportamento não passe do enésimo caso em que o narcisismo e o ressabiamento são a fonte da vitalidade no organismo. O modo iníquo como o grande amigo de Passos e Relvas foi conivente com o actual poder, e chegou ele próprio ao poder dentro do PS, inscreve-se numa forma de fazer política que ofende o cidadão apaixonado pela Cidade.

26 thoughts on “Quo vadis, PS?”

  1. Este post do Valupetas é um dos melhores posts dele que eu já li. Porque o cinismo e a hipocrisia com que a prostituta intelectual nos costuma brindar atingem neste post a sua máxima expressão.
    O Valupetas começa por dizer que o PS está cercado por uma esquerda niilista e uma direita infantil. Convém esclarecer o significado de niilismo que a Valupeta, ou Valupega, tem em mente. Esta sua classificação é feita a partir de uma perspectiva nietzscheana, ou de uma perspectiva fundamentada em valores de esquerda?
    È que se estamos a falar do primeiro caso, a Valupega tem razão: a esquerda é niilista, pois defende a transformação da realidade e recusa-se a aceitar um qualquer eterno retorno do mesmo, ou «amor fati». E não sendo a Valupega uma niilista neste sentido, podemos dizer que ela é, de facto, o exemplo de uma super-prostituta que diz sim à realidade e vida presente, à realidade como ela é, e consequentemente ao neoliberalismo dominante. A Valupega não é niilista, é apenas uma nietzscheana barata que se vê a si mesma como estando para além do bem e do mal, ou para além das ideologias, e que por isso nem se apercebe de como é um carneiro do sistema.
    Se estamos a falar do segundo caso, então a Valupega só está a ser a cinica e hipócrita do costume. A esquerda tem uma história, identifica-se com determinados valores e principios que desde a sua origem consistiram numa oposição aos valores e principios do liberalismo. Só os ignorantes desconhecem essa história. A «esquerda» niilista é, portanto, a «esquerda» que rejeitou esses valores e principios fundantes e que abraçou e fez sua a cartilha de sempre da direita, e segundo a qual o mercado é soberano. Este processo de destruição dos valores de esquerda culminou na chega ao governo de tipos como o Senhor Pinto de Sousa, politicos de plástico, aldrabões e vendedores da banha da cobra, que ao mesmo tempo que anunciavam o nascimento de uma nova «esquerda», ou «esquerda» moderna, iam aplicando e seguindo as directrizes neoliberais, no que diz respeito ao trabalho, à Saúde ou à Educação. Neste segundo caso, a Valupega é, portanto, uma niilista, mas que continua a ser uma nietzscheana barata pois é anti-socialista; e continua a ser um carneiro do sistema, mas agora de forma assumida, e daí o seu cinismo.
    É por isso que não deixa de ter piada ver a Valupega revoltar-se contra o comportamento do Seguro, que acusa de cortar com o passado recente do PS, com a linha seguida pelo Senhor Pinto de Sousa, não saíndo em sua defesa contra os ataques de «ranhosos» e «imbecis», e por convidar o Carrilho para «doutrinador das bases». De certa forma, a Valupega está revoltada por o Seguro querer criar uma esquerda nova, ou uma nova «esquerda moderna». Isto é, uma esquerda nova que rompa com a esquerda nova do tipo que o antecedeu. A Valupega está revoltada com o Seguro porque este está a seguir o exemplo do Senhor Pinto de Sousa que fez tábua rasa dos valores de esquerda velha e do passado. Irónico…
    O que será essa «nova esquerda nova» não se sabe, mas uma coisa é certa: o novo «doutrinador das bases» não é tão idiota como os papagaios do neoliberalismo e especialistas em publicidade enganosa que o antecederam, e que criaram essa nova categoria politica que são os socretinos. Porque um tipo que diz que o Pinto de Sousa nunca teve convicções socialistas, que é um mero aldrabão e um idiota que vivia deslumbrado com o mundo capitalista e mediático, só está a constatar o óbvio. Só está a constatar aquilo que os «adiantados mentais» (como o outro maluquinho) não conseguiram, não conseguem, nem conseguirão ver. São casos perdidos…

  2. Perdoe-se-me a audácia de responder à questão. Para mim , este Seguro, de tão inseguro, está à espera de ver este Governo cair de pôdre e ,a seguir, ser chamado pelo Sr. Silva- (pessoa que ele venera)-a juntar-se a um ‘governo’ de salvação nacional.

  3. Val, ouve.Ali na barra da direita estão pelo menos 10 comentários não publicados…Que pretendes fazer quanto a isto? Eu eliminava a barra da direita, que é como os cronómetros dos autocarros da carris: só engana.

  4. «Valupetas, desculpa, mas a mim, se alguém apresentasse o único inteligentíssimo argumento de me chamar esquizofrénico ou parvo, das duas uma, ou levava um estalo na cara ou noutro síto qualquer, ou não sendo possível, fechava-lhe a bocarra e mandava-o ir ter diarreias para a sanita lá de casa»

    Ehehehehheheheheh
    Estes socretinos são o máximo!

  5. ou netão é o homem que diz as verdades, e estas por sua vez doem.Portanto, tratem mazé de besuntarem-se com vaselina

  6. falo dos que aparecem na barra, mas quando se clica não vão dar a comentário algum, a não se que se espere e espere e espere…

  7. por exemplo, a resposta do ds é a uma resposta a um comentário meu que nem sequer aparece. Perde o sentido, vês?(não que os comentários dele tenahm sentido em qualquer alinhamento imaginável)

  8. edie, todos os comentários que aparecem na barra só lá estão porque foram publicados. Quanto a esse tempo de espera, creio que se trata da tal chatice resultante de termos passado a usar o proxy.

  9. Se te referes ao comentário do ds, nesta página, com a hora 0:00, ele está a citar o que escreveste noutra caixa, daí não encontrares o teu original aqui.

  10. Estou a ficar com pena destes dois, ao assistir à dessincronia cognitiva entre eles.
    Não se conseguem entender um ao outro, e por isso as suas respostas tornam-se cómicas…
    Fuck them.
    eheheheheheheheh

  11. fuck is a nice thing when made between nice people..not your case, ds, so you’re completly out of this conversation…sad that you didn’t get it…but not surprising.

  12. Sintetizas com lucidez o que vai na cabeça de muita gente, Valupi, e daí o incómodo que provocas em dois ou três dejectos teimosos que para aqui vêm com masochista militância tentar desencorajar-te. O que os excrementos não explicam é a vantagem da substituição do demoníaco Sócrates pela quadrilha Passos/Relvas, em que empenharam com denodo a mão esquerda, o pé esquerdo, o corno esquerdo e a metade esquerda da pentelheira. É claro que em tão heróica missão se apoiaram na lamentável “solidez” das patas anterior e posterior direita, coadjuvadas pelo chifre direito e pela metade pentelhosa do mesmo lado, mas isso são pormenores. O que para eles importa é a maravilhosa bênção do empalamento colectivo em curso, para o qual contribuíram com invejável eficácia.

  13. (não sobre os comentários tresloucados):

    Eis mais um Artigo bastante lúcido e de leitura obrigatória e urgente por parte de todos os militantes socialistas bem-intencionados e válidos.

    Deixando de parte o sub-assunto “Carrilho”, que não passa aqui de um acessório face ao fundamental, que detém muito maior importância, diria que este lamentável espetáculo, deprimente e degradante, da “liderança Tó-Zé” (fulaninho que, de seguro, não tem rigorosamente nada!) é talvez o episódio mais preocupante de toda a história do P. S. e afeta-nos e deve preocupar-nos sobretudo porque este Partido, como se sabe e no Artigo se repete uma vez mais, é o mais fiável garante da natureza do regime democrático instaurado a 25 de Abril e estabilizado a 25 de Novembro, isto é, o P. S. tem históricamente “levado o nosso Estado de Direito às costas”.

    Por esse motivo, a minha principal preocupação não é tanto com este sujeito irrelevante e invisível (pelo menos sê-lo-á aos olhos da História), que no Presente lidera o Partido Socialista, mas mais com o Partido em si, na causa para já não digo a escolha (errar é humano) mas na manutenção e no suportar de uma nulidade política como esta em Secretário-Geral.

    A manutenção do Tó-Zé à frente do P. S. por mais alguns meses, para além de poder causar danos irreversíveis à implantação eleitoral do P. S. entre as camadas mais politizadas da população – e claro que esta perspetiva entusiasma a concorrência, mas isso é normal -, poderá conduzir o Partido a um estado de desnorte e de destruição de identidade tal que, ao contrário do que se vaticina neste texto, impeça mesmo a concretização da sua primeira e tão arriscada frase: “o PS vai sobreviver a Seguro”! Não sei, não.

    Ou melhor, não sei que P. S. irá sobreviver a Seguro e, pior do que isso, não vislumbro que outras forças partidárias ou eminentes políticos possam vir a reclamar, com justiça, a herança política e moral do P. S. de Raúl Rego, Mário Soares, Salgado Zenha, Mário Sottomayor Cardia, Vasco da Gama Fernandes, Ant.º Arnaut, Veiga Simão, Ferro Rodrigues, Vítor Constâncio, Correia de Campos e José Sócrates, entre muitos outros.

    Se perdermos esta matriz, o Povo português ficará de novo à mercê de todo e qualquer aventureiro e arrivista e à espera que a conjuntura e a sorte forjem de novo uma geração de heróis como a dos homens que inventaram Abril. O que está em jogo é demasiado valioso para não ser devidamente tido em conta pelas pessoas de bem que ainda possuem alguma influência no Partido Socialista. A Nação, não apenas a militância (e até os que, como eu, nunca pertenceram a nenhum Partido), está de olhos postos em vós. Não nos desiludam!

    Marco Alberto Alves.

  14. Val, estando o PS nesta amargura de não ter um SG à altura da tragédia nacional, não se percebe como é que os socialistas estão tão “sossegados”!
    Eu posso falar do meu caso como exemplo: ainda não me refiz do choque ao verificar que em Março de 2011 houve uma votação esmagadora em José Sócrates e depois das eleições, com o partido já na oposição, quase metade desses militantes foram eleger o representante sonso da linha interna de oposição a Sócrates…São os insondáveis designios da alma…!
    Mas, visto que o sonsinho cada vez se desmascara mais na navegação à vista, julgo que mesmo esses militantes seus apoiantes começam a perceber o buraco para onde atiraram o PS, e irão juntar-se aos que não desistem de voltar a dar a Portugal uma politica QUE CORRIJA AS INJUSTIÇAS, QUE GARANTA A EQUIDADE SOCIAL, QUE , ENFIM, TORNE REALIDADE UMA SOCIEDADE SOCIALISTA, REFORMISTA E DEMOCRATA. É no que eu acredito.
    Como nota final, tenho vindo a notar que os comentários que actualmente mais abundam no seu blogue são LIXO, LIXO, LIXO. Admiro-lhe a paciência de ainda tentar levá-los a raciocinar um pouco que seja!?! Já não perco tempo a ler!

  15. Estes socretinos insistem em apresentar «argumentos inteligentissimos» (como diz a outra ediota) que me custam rebater. Este último camacho, caburro, camula (ou seja lá o que for), escreveu um comentário em que a única coisa aproveitável são as palavras «excremento» e «dejecto» com que me classificou (a mim e a mais dois desconhecidos que não comentaram este post). Como o resto do seu comentário é uma valente merda que não merece qualquer atenção, eu sirvo-me das palavras aproveitáveis do caburro para lhe dizer que, enquanto excremento, sinto-me ofendido por ele me considerar igual à sua produção mental ou obra intelectual.

  16. oh ds para maiores de 21 e injecção electrónica atrás da orelha!
    é essa a educação que te dão lá na catequese do gerómino? cadê o verniz? deve ser patine de surro comuna que escorre à primeira mangueirada.
    topa-se que ficaste fã das contracções, agora vê lá se consegues parir alguma de jeito.

  17. M.G.P.Mendes, a liberdade dos comentários é uma característica que atrai quem se sirva dela como se fosse iniciativa e posse sua. Isso acontece em todo o lado, até na via pública, e leva muitos blogues a optarem pela aprovação prévia, assim limpando o ambiente do que considerem sujidade. Mas é preferível saltar por cima daquilo que não nos interessa do que estar a impor uma censura. É nisso que acredito.

    Depois, há aqui um fenómeno curioso, rico de potencialidades. Que levará alguém a gastar o seu tempo e energias junto daqueles que diz odiar ou se esforça por desprezar? Quando começamos a olhar para eles desse ponto de vista, vemos pessoas (de quem tudo desconhecemos a não ser o que escrevem) a lutar interiormente com um qualquer desespero. Se assim não fosse, teriam muito mais e melhor para fazer do que estas figuras patéticas. Creio que, no mínimo, dar-lhes a possibilidade de gritar nestas catacumbas pode, misteriosamente, ajudá-las.

  18. é uma visão salvífica da coisa, enquanto escrevem aqui não dão porrada na mulher e dão umas folgas ao ministério público.

  19. Lá anda a prostituta intelectual a fazer as suas análises psicológicas da treta assentes na tese das «migalhas de atenção». Coitadinha, a sua cabecinha não dá para mais… Mas «prontos» se com isso se convence (ou convence os outros) de alguma coisa, e se isso a faz feliz, também eu estou aqui para a apoiar. De ajudas reciprocas e de solidariedade é do que todos estamos a precisar.
    De qualquer forma, convém dizer que o tempo que eu gasto com a prostituta intelectual, é o mesmo tempo que ela gasta com os imbecis de esquerda. Afinal porque gasta ela tanto tempo com quem despreza? Que luta interior a desespera? É um mistério…
    Felizmente que existem blogues como este para as Valupegas se confessarem e para exporem os seus sentimentos. Ah… E também para fazerem figuras patéticas, como a que eu acabei por fazer ao subscrever e aplicar a teoria da valupega.

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