Preto no branco

Um estudo mostrou como a variedade na pigmentação pode conduzir a decisões mais correctas em casos tão complexos como os das deliberações judiciais. A surpresa dos resultados (ou a falta dela) suscita outras reflexões que ultrapassam o contexto forense. Em particular, permite perguntar: que andamos a fazer com os povos que estão em Portugal?

Cada pessoa é um povo, e seria por aqui que tudo deveria começar. Um angolano tem mais diferenças face a um guineense do que um cabo-verdiano face a um português. Não há nesta observação nenhuma hierarquia, apenas o enfoque na estrutura cultural onde a personalidade se forma. A lupa pode mostrar mais: um angolano de Cabinda tem (ou pode ter) mais diferenças face a um angolano do Moxico do que um moçambicano face a um tanzaniano. Claro que tudo isto é discutível, e ainda bem.

O que não merece discussão é a constatação da inércia lusitana no processo de acolhimento do estrangeiro. Seja loiro ou moreno, escuro ou claro, tratamos as outras nacionalidades em figura de gente com uma desconfiança que se consuma em desprezo. Há causas antropológicas evidentes, pulsionais, que só se transformam com o poder evolutivo do pensamento; mas a nossa sociedade não está servida de um escol que queira alterar a situação. As escolas e os meios de comunicação não levam a que sejamos amorosos daquilo que no outro é diferente. Ficamo-nos pela curiosidade circense e manipuladora. A consequência trágica é que desse modo também nos impedimos de descobrir o que há no outro de semelhante — e até de nosso, por ser exactamente o mesmo em todos.

Os responsáveis principais pelo marasmo são os partidos políticos. Seja porque é aos partidos que é dada a responsabilidade da governação e legislação, seja porque os partidos — sem excepção — cultivam o oportunismo como estratégia de poder. O espectáculo das excursões aos bairros da miséria e marginalidade, em período eleitoral, é uma vergonha a pedir vaias, ovos podres e até uns sopapos. Visitem-se as montras online do PCP e do Bloco, insuspeitos defensores parlamentares dos direitos e condição de vida dos imigrantes, e leia-se o que eles têm para dizer: informação em circuito fechado para cumprir agenda editorial. Não há uma única iniciativa ou ideia relevante para com ela se fazer cultura. No caso do PCP, chega a ser escandaloso descobrir que a notícia mais recente trata de um texto de Jerónimo de Sousa datado de 21 de Dezembro de 2005, aquando de uma visita à Comissão de Moradores da Cova da Moura para tentar sacar uns votos. O Bloco é mais prudente, não datando a maior parte das suas parcas notícias, mas revelando igual falência política e cívica.

Explicar aos infantes que Portugal é uma misturada de heranças, algumas das quais ainda vivas na sua origem — e que por isso um berbere, um árabe e um judeu contemporâneos são nossos antepassados, são família — seria o começo de uma educação verdadeiramente superior.

91 thoughts on “Preto no branco”

  1. “Os responsáveis principais pelo marasmo são os partidos políticos. Seja porque é aos partidos que é dada a responsabilidade da governação e legislação, seja porque os partidos — sem excepção — cultivam o oportunismo como estratégia de poder. O espectáculo das visitas aos bairros da miséria e marginalidade, em período eleitoral, é uma vergonha a pedir vaias, ovos podres e até uns sopapos. Visitem-se as montras online do PCP e do Bloco, insuspeitos defensores parlamentares dos direitos e condição de vida dos imigrantes, e leia-se o que eles têm para dizer: informação em circuito fechado para cumprir agenda editorial. Não há uma única iniciativa ou ideia relevante para com ela se fazer cultura. No caso do PCP, chega a ser escandaloso descobrir que a notícia mais recente trata de um texto de Jerónimo de Sousa datado de 21 de Dezembro de 2005, aquando de uma visita à Comissão de Moradores da Cova da Moura para tentar sacar uns votos. O Bloco é mais prudente, não datando a maior parte das suas parcas notícias, mas revelando igual falência política e cívica.”

    Se assim não fosse não só os “bairros problemáticos” faziam parte dos périplos eleitorais, com os cidadãos das mais variadas origens estariam representados nas listas dos partidos. Isto foi também o que aconteceu com as mulheres; primeiro deu-se-lhes o direito de voto (porque os políticos queriam o voto delas), (muito) depois foi-se convergindo para uma verdadeira representatividade nas listas eleitorais, processo que em Portugal está longe de estar concluido.

    “Explicar aos nossos meninos que Portugal é uma misturada de heranças, algumas das quais ainda vivas na sua origem, e que por isso um árabe e um judeu contemporâneos são culturalmente nossos antepassados, seria o começo de uma educação verdadeiramente superior.”

    Nos semitérios das cidades da Alemanha, onde as populações de origem judia são muito pequenas por razões que não é necessário relembrar, nas lápides imperam nomes como Silva, Coelho e Ribeiro. Porque será? O que teremos nós feito para merecer isto?

    E os relatos da edionda escravocracia portuguesa, porque é que não são ensinados nas escolas? Não me refiro a ensinar que no sítio X e Y Portugal estava envolvido no mercado de escravos fazendo chorudos lucros à custa disso, refiro-me ao relato da forma como os escravos eram tratados nos navios negreiros (para quem tiver estômago para esse e outros relatos).

  2. Devias-te informar melhor quer sobre o trabalho quer do BE quer do PCP na matéria. Não chega ler páginas de net e mandar umas postas de pescada. Há imensa propostas de legislação produzidas pelos dois partidos, várias conferências organizadas – a última do BE sobre o tema foi há poucos meses, na Torre do Tombo, e teve participantes de toda a Europa. Imensos textos produzidos (o BE tem um grupo de trabalho só sobre esse tema). Há, aliás, vários membros de associações de imigrantes na Mesa Nacional d BE que costumam dar a cara pelas posições do partido e, segundo sei, o PCP também tem uma relação estreita com várias associações.

    Bem sei que “a culpa é dos partidos” é das coisas mais fáceis e populares de se dizer. Mas informa-te antes de avançares. Posso dar-te dezenas e dezenas e dezenas de textos partidários sobre o assunto.

    Legislação, três exemplos apenas do ano: Lei da Nacionalidade, Lei da Imigração e Relatório aprovado pelo Parlamento Europeu sobre ensino para imigrantes, tudo do BE.

    Acontece que se tu só olhas para o trbalho dos partidos nas campanhas eleitorais ficas com a ideia de que os partidos só aparecem nas campanhas eleitorais. A democracia pede algum esforço, também dos cidadãos.

  3. Ora, ora… Então vocês lá vão para as conferências, produzem os usuais quilos de papelada, arregimentam membros das associações para compor o cenário e dormem o sono dos justos a seguir. E depois ainda são os cidadãos que passam por calões…

    Que a política partidária é uma indústria, como a religião e o espectáculo, com os seus códigos, processos e cultura próprios, não está em discussão. Que a ilusão é tão poderosa que se chega a acreditar na eficácia pragmática das encenações, também não. Que nada de culturalmente relevante nasce dos partidos, eis o tema do texto.

    Quando eu te vir na Cova da Moura (ou no Restelo) a dar o coiro pela causa, sem ser em período eleitoral, irei lá ter contigo. Quero ser testemunha desse tipo de labor partidário que, bizarramente, nem nas vossas publicações oficiais aparece.

  4. Valupi,
    És saudavelmente preguiçoso.
    É pena que tenhas sido apanhado a dormir na forma, a tentar despachar o teu post diário. Mas sobre este assunto, nem toda a tua habilidade de publicitário te safa.
    Para Publicações Oficiais, basta leres o Esquerda nº7 e nº6, para veres tudo isso e mais umas botas…
    Eu pessoalmente, já estive em todos esses bairros, em iniciativas do Bloco, fora da campanha eleitoral.

  5. Que sanha absurda tem este postador contra os partidos de esquerda! Depois de concluir que “a culpa é dos partidos” (o que é cá duma profundidade!…), aponta o dedo ao PC e ao BE porquê? O CDS, o PSD e o PS têm feito mais e melhor pelos imigrantes? Ou o grau de exigência é diferente?

  6. Francisco,

    Aqui tem um descendente de berberes. Atravessámos (pacificamente, juro-lhe) o Estreito por volta do ano 800, e ainda hoje povoamos o Alentejo. Em tempos recentes, votámos PCP e agora namoramos o PS. Sempre à espera de melhor.

  7. Unreconstructed: Parece que é a sua missão neste blogue …

    É um gajo que “nem é de esquerda nem de direita, felizmente”, mas que aponta as armas sempre para o mesmo lado, aponta …

    Os seus posts mais alongados fazem lembrar um jogo de tabuleiro chamado Nexus: começa-se por qualquer assunto mas tem sempre que se acabar por concluir da “falência dos partidos da esquerda”.

    veja-se este exemplo:

    Acerca da denúncia de corrupção por José Sá Fernandes:

    https://aspirinab.weblog.com.pt/2006/02/1_obra_publica_de_jose_sa_fern.html

    “Aliás, espanta-me (porque sou ingénuo) a falência dos partidos de Esquerda com representação parlamentar (pelo menos, destes) naquela que deveria ser uma das tarefas mais urgentes no seu ofício: a denúncia da corrupção. […] Se fosse eu a mandar no BE, […] acabava com esta tentação: o culto de personalidade à figura do Francisco Louçã. O menino tem apetência para tal […] ”

    Nas ultimas semanas, analisou a dificuldade da esquerda para :

    -comunicar com o povo: https://aspirinab.weblog.com.pt/2006/03/sinistra.html
    (mas a esquerda não teve 70% de votos na últimas legislativas?)

    -combater a corrupção:
    https://aspirinab.weblog.com.pt/2006/02/1_obra_publica_de_jose_sa_fern.html
    (pegando no exemplo de um vereador eleito com o apoio de um partido de esquerda)

    -comunicar/integrar os imigrantes.

    Não é de espantar (é até de louvar) que toque nestes pontos, mas não deixa de ser suspeito que apenas responsabilize “a esquerda” por problemas que a direita também terá (que são de todos?).

    Serão problemas exclusivos da esquerda o distanciamento do cidadão comum da participação cívica e política, a normalização da corrupção, a insensibilidade pelos imigrantes? A direita lida melhor com estes problemas?
    Quem leia os textos do Valupi achará que sim, já que é poupada às suas críticas.

    Ah mas já me esquecia. para Valupi isso de esquerda/direita não tem significado. O poder é uma construção vertical, não é?

  8. Fernando: Se atravessaram o Estreito no ano 800, então é descendente de Berberes desse tempo. Não dos berberes contemporâneos :)
    Quando muito será primo destes últimos. Como eu.

  9. O grande problema da integração é a do emprego.
    Os meus filhos convivem na escola com crianças imigrantes ou portugueses de segunda ou terceira geração. Essas crianças convivem umas com as outras não respeitando as diferenças mas sim nem se apercebendo que elas existem. Comigo também foi assim até ter entrado no ensino superior onde as pessoas de etnia diferente da minha passaram a ser excepção.
    Hoje, e desde há dezena e meia de anos, trabalho numa empresa pública com cerca de 2000 trabalhadores. Assim de memória recordo-me de dois colegas de origem indiana, três de origem africana continental, dois cabo-verdeanos e um ucraniano mais um brasileiro. Curiosamente, ou talvez não, quase todos têm um curso superior incluindo o ucraniano apesar de trabalhar como electricista.
    Oe seja, á medida que envelheci, deixei de conviver lado a lado com pessoas de origem diferentes da minha e que ajudaria a conhecê-los melhor. A ignorancia é a mãe de todos os racismos.
    Mas os partidos portugueses, incluíndo o BE que é aquele com que mais me identifico, preocupam-se por exemplo com paridade ao nível do sexo no parlamento, mas não se preocupam com a inexistência (quase) de políticos que não portugueses caucasianos.
    E olhem que aí, e ao nível do funcionalismo público e empresas públicas, existir quotas para certas etnias teria um muito maior impacto e importância do que a questão meramente sexista.

  10. Fernando,
    eu não disse que não há descendentes de berberes entre os portugueses contemporâneos. disse, isso sim, que é difícil um berbere coetâneo ser nosso antepassado. Há uma ligeira diferença. E foi só isso que eu apontei, o paradoxo no sentido da frase. Abraço

  11. E para aprender um pouco mais sobre todas estas coisas (e mais outras), vão, espreitar, a partir de hoje, e até sábado, esta peça do “Ninho de Víboras”, no Auditório Carlos Paredes:

    http://dom-mysterio.blogspot.com/

    Não custa nada, e, por dois ou três euros, assistem a um espectáculo de teatro, com música e uma história interessante. Já agora, tragam os amigos também!

  12. Mas trabalho a sério no terreno existe?
    Os partidos têm pessoal a fazer alfabetização de imigrantes, por exemplo?

    Não me parece. Os imigrantes só lhes interessam como potencial eleitor.

  13. Diz o comentador:

    “Os responsáveis principais pelo marasmo são os partidos políticos. Seja porque é aos partidos que é dada a responsabilidade da governação e legislação…”

    Responsabilidade?
    E desde quando o PCP e o Bloco foram partidos de poder?
    Só por má fé, alguém pode fazer um raciocínio tão incongruente.Mas fica a intenção.

  14. A turma de português ainda está à espera da opinião abalizada do Fernando Venâncio sobre as nuances de “contemporâneo”. A minha é a de que em três prosápias diferentes podemos encontrar descendentes de berberes, arabes ou judeus que podiam muito bem ter-se cruzado na via publica há cem ou mil anos.

    Contemoporâneos, portanto.

    Homo Contemporalis

  15. Eu já não tenho idade para responder a provocações, especialmente quando não partem de bloquistas!

  16. Caros amigos

    Isso de contemporâneos poderem ser antepassados também me estimula o juízo. Ao ponto de ter feito um oxímoro. Como a bondade montou tenda nos vossos corações, eu sei, far-me-ão a graça de o reconhecer intencional. O donaire literário pretende dar ênfase a uma ideia cujo alcance vossas excelências conseguem avaliar melhor do que eu: os portugueses (mas não só, mas para o que aqui importa) são herdeiros de tradições plurais, algumas delas ainda dentro do prazo de validade. Assim, várias características da cultura berbere, árabe e judaica estão presentes no composto onde nascemos, falamos e imaginamos. O que significa, em retroversão, que há algo de Portugal em qualquer pessoa actualmente nascida e vivida nas culturas berbere, árabe e judaica. Agrada-me esta liberdade poética, e recomendo a todos que obedeçam à lógica só no caso manifesto de já não conseguirem pensar o que sentem e estando munidos do devido atestado médico para o efeito.

    Já agora, pareceu-me que o Luís Oliveira, inaugurando os comentários e citando uma versão anterior da frase, captou na perfeição o espírito da coisa.

    __

    Caro Nuno

    Sou manso. Vai daí, fui a correr ler as ditas publicações recomendadas. Como junto à mansidão a obsessão de uma mula, li, reli e re-reli; mas não encontrei nenhuma notícia cujo conteúdo remetesse para os imigrantes em Portugal. Nem uma. E isso tem mal? Não.

    O que me parece mauzinho é o cinismo, mesquinhez e azedume da vossa reacção, tua e do Daniel. Até agora, só têm papelada para exibir. Venha dos congressos, do parlamento, das reuniões com as variegadas associações ou das reportagens que fazem em países de excelente culinária, não passa de letra morta. Não me leves a mal, as letras mortas podem ser adubo de ideias vivas. Apenas te confundes se pensas que faço confusão entre o mérito do Bloco, enquanto organização política habitada por indivíduos de boa vontade e honestidade intelectual (vai sem discussão), e a insuficiência do Bloco, que se limita (aparentemente) a reproduzir fórmulas estéreis de fazer política.

    Dizes que estiveste nos bairros todos e em iniciativas do Bloco fora do período eleitoral. Gostei muito que o tivesses partilhado. É que me dás a oportunidade de te fazer uma pergunta que não tem uma única caloria de cinismo, é pura curiosidade interessada: que foste lá fazer?

    __

    Unreconstructed

    O grau de exigência é diferente, acertaste. Mas não só. Neste blogue temos a sorte de poder discutir com dois notáveis representantes do Bloco: o Nuno e o Daniel. Isto, se eles estiverem para cá virados, claro. Para mim, que sou um anónimo, é um prazer e uma honra. Para alguns dos que nos lêem (a grande maioria, aposto), também. Logo, se eles aparecerem mais e se envolverem nas discussões, ficaremos todos a ganhar. É simples.

    __

    Pedro Farinha

    Nem mais.

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    Cam

    Espero que os nossos bloquistas favoritos te respondam. Porque é disso, exactamente, de que falo.

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    Sérgio Lima

    Só por má-fé me estás a mutilar o raciocínio. Fica a intenção?

  17. “Unreconstructed

    O grau de exigência é diferente, acertaste.”

    Tem piada que quando eu li o post, no meu infinito cínismo, pensei que a diferença no grau de exigência fosse pura provocação, mas talvez não …

  18. Sr. Silva:

    Não me parece que o Valupi seja um demagogo. Não conheço bem os textos do ortónimo, mas do pouco que conheço parece-me que a orientação política do ortónimo é diferente da orientação política do Valupi. Quer isso dizer que o Valupi é um demago? Não, quer dizer que consegue compreender duas ideias aparentemente contraditórias, o que é (no meu entender) um sinal de inteligência. Aliás a diferença no grau de exigência a que o Unreconstructed se refere é no meu entender consequência da orientação política do ortónimo e não da do heterónimo, o que é no meu entender uma vitude.

    (Valupi, espero não estar a meter água, se estiver peço desculpa.)

  19. Sr. Silva

    Confirmo a tua última frase.

    D. João

    Se estás a meter água, é da boa. Resta saber se quem te está agora a escrever é o ortónimo, o heterónimo ou o pseudónimo.

  20. Valupi,
    Valerá a pena responder?
    O teu post era mau, preguiçoso e sem nenhum conteúdo, tirando o ranço salazarista contra os partidos.
    Naqueles jornais, que tu garantes ter lido, estavam propostas apresentadas e aprovadas no Parlamento Europeu, sobre o ensino de imigrantes, denúncias sobre o despejo do bairro das Marianas, uma conferência Internacional com especialistas, militantes, ONGs, Organizações Internacionais e o ACIM sobre integração, democracia e cidadania, e reportagens sobre os acontecimentos em Melilla.
    O Bloco não é governo, no entanto participa nestas políticas sobre os imigrantes de duas formas: pensando e propondo, e apoiando iniciativas dos movimentos sociais.
    Sobre a tua pergunta, sobre o que é que eu fui fazer a esses bairros? É fácil, fui ver se te encontrava. Tu falas com tantas certezas sobre tudo, que deves ser omnisciente, omnipresente e omnipotente. Posso chamar-te Deus?

  21. Valupi, as verdades custam muito a ouvir e muito mais a engolir. O Valupi com preguiça ou sem preguiça expressou uma opinião, que como qualquer outra pode ser contestada ou mais ou menos subscrita. Quem a contestou é que foi de uma enorme preguiça e quando feita a pergunta fulcral, então é que nem levantou o rabo do tijolo. Argumentos para convencer os mais cépticos é que nem um. Trabalha-se muito para a fotografia e sem película não há filme. Filme já visto e nada de novo.

  22. Nuno

    The plot thickens. Continuas a preferir a redundância e o argumentário “ad hominem” às novidades. Que o Bloco e o PCP, para ficar pelos partidos citados no post, produzem propostas e participam em iniciativas não está em causa. Aliás, como poderia estar se são factos? Mas do que se fala é de outra coisa.

    As vossas páginas online, onde incluo a revista que editas, não têm uma única ideia que saia da esfera partidária para a sociedade (isto é, que seja social e culturalmente transformadora, entusiasmante, pedagógica, até só generosa) ou que remeta para uma actividade sem retórica propagandista. Uma única ideia, repito. E desafio-te a mostrares-me como estou errado (coisa que não te deve custar nada a fazer, pois estás a lidar com um preguiçoso destituído de conteúdos).

    Entretanto, não descartes já a pergunta: que foste (vais?) fazer aos bairros?

  23. Valupi,
    Vê lá se percebes: é suposto que as nossas publicações e as nossas acções tenham que ver com as nossas ideias. Só na tua cabeça é que as ideias dos outros são uma coisa menor e não contribuem para a vida de todos. Pretendias, provavelmente, que fossemos propor a politica musculada do viril PP?
    Respondendo à tua pergunta (retórica): o último bairro que estive foi na Belavista em Setúbal (bairro onde há algum tempo a polícia matou um jovem). Ai co-organizei uma exibição de um filme e um debate sobre a violência nos bairros, com a exibição do filme “Ódio” e a participação na discussão de membros da polícia, de moradores, autarcas e políticos.
    Muitas vezes fui a esses bairros falar com as pessoas que ai habitam, para saber a sua opinião. Tudo naturalmente actividades inúteis, na tua opinião.
    Sobre as citadas publicações serem estimulantes ou inteligentes, sou parcial, acho que um bom artigo de opinião ou uma boa reportagem são interessantes, independentemente do ideário que defendem. Mas tu, na laboriosa leitura que fizeste do “Esquerda”, achas que é tudo mau, quem sou eu para te contrariar…

  24. Nuno

    São as vossas ideias, a falta delas, o que está aqui em causa. Tenta tu perceber que o Bloco ainda não encontrou a panaceia para os males do Mundo. Que vocês tenham um conjunto de princípios e objectivos que moldam a vossa acção, pois parabéns à prima. Que haja muito de aproveitável nos vossos projectos, publicações e actividade, acredito. Mas que o Bloco não passa de mais um partido conservador, embora camuflado, eis a minha tese.

    Tomemos o exemplo que dás da exibição de um filme na Belavista. Em si mesmo, o evento é inatacável. Porém, quais foram as consequências dele? Tu dirás que foi participado, que houve interacção, que algo de bom ficou, etc., e que isso basta para ter valido a pena. Eu direi que vocês não sabem, nem querem saber, do real efeito dessa acção. E donde me vem esta omnisciência já por ti detectada? Do singelo facto de vocês não mostrarem que sabem.

    Não sei há quanto tempo estiveste na Belavista, quantas vezes já foste falar com as pessoas, com que pessoas, sobre o quê, para quê. Não sei quantos militantes do Bloco fizeram ou fazem o mesmo, algo similar ou diverso. Sei é que na vossa página online, área da imigração, não se dá conta dessa actividade. Do que lá se fala é apenas da organização Bloco, tal e qual como se fosse uma empresa a vender um produto e a fazer branding. (foste tu que apelaste ao meu lado publicitário?…)

    Se te sentiste na necessidade de responder a uma provocação que fiz ao Daniel com o relato de parte da tua biografia política, estarás em condições de entender que esse tipo de acção por ti invocada fica muito aquém daquela que assistentes sociais e variados credos religiosos também promovem nesses bairros. Nem chega a existir competição, vocês ficam desclassificados à partida na corrida do envolvimento com o drama humano que todos os dias está ali a putrificar. É neste particular aspecto da questão que me concentro, pois fazer um requerimento a um ministro ou apresentar um projecto de Lei condenado ao insucesso tem o seu mérito, mas não puxa carroça. Ora, talvez concordes com este raciocínio: os partidos deveriam, antes de tudo o mais, apresentar ideias que estimulassem a participação dos cidadãos na vida política e cívica. Se os cidadãos não estão a participar, não será por falta de ocasião para conhecerem as ideias dos partidos, há-de ser por outra razão qualquer. Ficámos a saber que tu e Daniel se pensam rodeados de preguiçosos que nem se dão ao trabalho de ler os vossos inúmeros textos. Pela minha parte, deixo um conselho amigo: pensem mais um bocadinho no assunto…

    O “Esquerda” é estimulante e inteligente. Mas está a falar para crentes, não para agnósticos. Se querem que o rebanho cresça, o Bloco não está a ser estimulante nem inteligente. É tudo relativo, como diria o Einstein.

  25. O “parabéns à prima” está dum gajo (ou gaja) se partir. Vamos lá a ver qual será a reacção dos carapaus ofendidos. Fishy, no doubt!

    DonaE

  26. Mas, “É tudo relativo, como diria o Einstein.” também não é nada de se deitar fora.

    Agora vou voltar ao meu Schopenhauer.

  27. Volupi,

    Ia entrar no debate mas desisto. Começaste por dizer que o BE e o PCP se estavam nas tintas e não escreviam sobre o assunto. Depois disseste que escreviam mas não iam lá fora de campanha. Depois disseste que iam lá mas não tinham soluções. Escolheste mal os partidos e o exemplo para os partidos que escolheste.

  28. Daniel

    A que debate te referes? Ao que remete para as informações online, e demais informações públicas, concernentes às ideias e actividade do Bloco e do PCP? Ou ao debate relativo às interpretações que cada um escolhe fazer sobre o que está escrito no post?

  29. João,

    Esta notícia da nossa morte vem, ela também, um tanto exagerada. Mas, a haver uma necrologia, diga você como teria sido o corpo a seu gosto.

  30. Valupi,

    Não vale a pena gastar o latim com pessoas que não admitem a crítica.
    Mais uma coisa, o NRA é director e não simplesmente editor. Cuidado para ele não ter de puxar dos galões.
    Quanto ao facto do NRA ir muitas vezes aos bairros, nem vale a pena discutir, pois nem ele tem forma de o demonstrar nem outros de o contrariar. Fica a imagem de preocupação pelos coitadinhos que fica sempre bem aparentar.
    Quanto a isso limito-me a dizer ao grande benfeitor que as boas acções e procupações sinceras praticam-se e não se divulgam para não perderem sentido nem passarem por meras produções propagandísticas.
    Mas será que alguém acredita verdadeiramente que o bloco ou o pcp se preocupa genuinamente com os problemas dos desgraçados que vivem naqueles bairros!?
    Não passam de meios para atingirem os fins de alguns hipócritas que por aí andam.
    Valupi: continua a escrever bem.

  31. Como é o corpo devem vocês sabê-lo melhor do que eu…
    Pois continuam a carregar com o caixão em festa como se ainda vivo estivesse o defunto…

    mas basta ver quem por cá passa e quantos passam para verificar que já só falta enterrar…

    eu por mim já cá não passarei, começa a cheirar mal…

  32. Rui

    Eu sabia que o Nuno é director, mas usei o verbo “editar” por ser mais descritivo do acto de seleccionar e organizar a informação.

    João

    Fazes muito bem. O que não falta por aí são blogues interessantes e mais animados do que este (e tudo à borla!).

    Não te fiques é só pelos blogues, antes sai de casa, anda a pé, respira fundo. O que verdadeiramente importa não nos acontece em frente de um monitor.

  33. Valupi,
    Custa-me mas tenho de concordar com o óbvio do Daniel: começaste por deplorar uma coisa, saltaste para outro barco a meio da excursão e depois para outro e outro… até te veres empoleirado num pequeno rochedo solitário, mas sempre soberbo como um Napoleão no desterro. Não te metas nestas cavalgadas bem para além do gabarito da tua passada.
    E que cotejes as obras dos partidos, que confessamente desconheces, com as de “assistentes sociais e variados credos religiosos” de que igualmente deves saber coisa nenhuma, só mostra desespero de argumentação e um pé a descambar para a demagogia rasteira e foleira.
    Pensa nisto: se tens o comentador mais debilóide deste blogue, o Castro, do teu lado, isso deveria ser causa de funda preocupação…

  34. James

    Obrigado pelo comentário. Parece-me, no entanto, que sofres do mesmo mal que afecta esta discussão desde o início. É que não há nada para discutir quanto à imagem de marasmo que os sites apontados apresentam. Por essa razão, tanto o Daniel como o Nuno remeteram para actividades que não estavam em causa (a parte parlamentar ou jornalística) ou sobre as quais não se encontram informações (a tal acção na Belavista, o único exemplo concreto aqui dado, mas sem enquadramento respectivo). De resto, o post lamentava a ausência de “ideias” que “fizessem cultura”. Continuamos, mesmo depois da intervenção de dois notáveis militantes do Bloco, sem as conhecer.

    A frase “insuspeitos defensores parlamentares dos direitos e condição de vida dos imigrantes” foi acrescentada por zelo. A sua eficácia revelou-se nula, embora pretendesse colocar a problemática fora da esfera retórica (no bom sentido) da actividade política. Ser mais simples e directo do que isto arrisca ofender a inteligência do leitor.

    Posto isto, devolvo-te a oferta: estás a exercer o teu direito à argumentação desesperada, envolta numa demagogia rasteira e foleira. Caso não estejas, irás deixar aqui o que sabes da actividade dos partidos, assistentes sociais e demais credos religiosos. Iremos depois conferir a relevância dos teus conhecimentos, a sua credibilidade e acutilância para a questão em debate.

    Vai ser um momento extraordinário, James.

  35. Então, só posso depreender que a crítica do Valupi é aos sites, não…? Isso já levanta um outro debate, a falta de qualidade da presença das instituições na internet, a informação datada e incompleta, o não aproveitamento do potencial das novas tecnologias, blábláblá… Não quero acreditar que se toma a qualidade da informação de um site pela totalidade do que se faz numa organização. Voltamos à preguiça.

  36. O James sofre do síndrome do Rainha, do Oliveira e do Almeida: “ou estás comigo ou estás contra mim e, neste caso, és um profundo idiota.”
    Quanto ao “debilóide” confesso que apreciei. Nunca me tinham elogiado com tão sublime adjectivo!
    Estranha forma de democracia essa que arrasa a crítica e ofende os críticos.
    Quanto ao valupi, que não conheço e cujo pensamento estará nos antípodas do meu, limito-me a dar-lhe os parabéns por dizer o que pensa e não alinhar na carneirada.
    Cumprimentos debilóides a todos os meus fãs, em especial ao idiota (por ter boas ideias!) do James que me proporcionou este momento tão bonito.

  37. Inaudito. Depositas aqui um ataque injustificado e absurdo que, afinal, se resume apenas aos reflexos nos sites de partidos das suas acções no terreno. Depois deste feio “show of ignorant bliss”, ainda é ao comentador que cabe ser desafiado para vir aqui depositar o que sabe ou não sobre o tema.
    O acusador que soube atirar ao bloco e ao pcp o insulto de usarem o “oportunismo como estratégia de poder”, agarrado, como sempre, à estafada e ignorante treta das “excursões aos bairros da miséria e marginalidade, em período eleitoral”, vem agora convencer-nos de que afinal não estava em causa a intervenção concreta daqueles partidos.
    Afinal, bastam sites não muito actualizados ou completos para se poder declarar de cátedra que dois partidos estão em “falência política e cívica”.

    Um bocadito de vergonha não ficava mal, pois não?

    Quanto ao Castro, recomenda-se uma curta visita ao seu blog para se ter ideia da profundidade da burrice da criatura.

  38. James e Zohia

    Noto progressos. Estamos agora todos de acordo que os sites dão uma imagem de marasmo. Como um site é o canal mais fácil e rápido de veicular informações, podemos ficar com a interrogação: será falta de tempo? de recursos humanos? de eventos? ou de ideias?

    Ora, todos nós, que aqui estamos a fingir que dialogamos, somos leitores de jornais, revistas, ouvimos rádio, vemos televisão. Pois bem, onde estão as notícias relativas à frenética actividade dos partidos citados? É dizerem-me, que irei a correr consumi-las e farei um célere acto de contrição.

    O que aparece como evidente, no entretanto, é que ninguém (o Nuno, o Daniel, o “James” que é também sabedor da coisa) está a apresentar dados. Porque será?

    Será pelo tal bocadito de vergonha invocado? E onde estão as ideias que fazem cultura? No circuito fechado do parlamento e dos encontros de comités disto e daquilo? Por que não estão os cidadãos envolvidos na causa? Por que razão não há uma transformação de mentalidades?

    Talvez estes pontos, para os emocionais James desta blogosfera, sejam menos relevantes do que a defesa (ridícula e de má-fé) do território.

  39. A falta de recursos ou de actualização de sites só agora passou a ser o tema do teu texto. Onde antes falavas de “falência política e cívica” e de sinistros oportunismos eleitorais, está agora uma preocupação tocante com labor dos webmasters partidários.
    E continuas a tomar a tua ignorância por um retrato da realidade. Não é.
    Nem, por impensável que isso te possa parecer, a mudez da Imprensa significa inexistência de acções. Investiga, que não adivinho aqui ninguém para te fazer a papinha. Mas deixo-te uma pista: existem bastantes associações, formalmente desligadas dos partidos mas deles simbióticas, que andam por aí nesse trabalho que adivinhas entregue em exclusivo a ratos de sacristia.
    Procura e ser-te-á revelado.

  40. Argumentar com certo tipo de pessoas, como este tal de James, é o mesmo que dar pérolas a porcos.
    Limita-se a papaguear o que os outros dizem, querendo fazer crer que o que diz se tratam de verdades absolutas.
    Imagino-o em casa, vestido com o seu pijama aos quadrados, de charro na boca e a coçar a tomatada, sempre à coca à espera do seu subsídio de desemprego. O seu maior sonho é um dia termos em Portugal as manifestações que ocorreram há dias em França para mostrar toda a sua virilidade, reprimida actualmente por uma democracia que o desmotiva.
    Ó homem trate-se!

  41. Oh James, tens toda a razão! Tu és espertíssimo e os que não concordam contigo são burros… desculpa lá qualquer coisinha. Não te ofendas com o Mundo. Não passa de um conjunto de asnos … por isso não votam no pc ou no be. Mas isso passa. Não se deve ser idiota para sempre.

  42. Ah, “James”, adivinho-te conhecedor de meandros cívicos onde se tentam esconder dos olhos públicos as grandiosas acções de “bastantes associações”. E fico contente por ti, que dormirás mais tranquilo. Mas nem o teu usual temperamento sanguíneo consegue apagar as evidências: não há nesta discussão qualquer informação relevante para desfazer a percepção de oportunismo eleitoral e falência política.

    É por isso que entraste a pés juntos no registo patético. O que não condiz com a tua figura e historial, como sabemos.

  43. licor,
    Enganas-te; não é pela discórdia dos meus pobres argumentos que o Castro é burro. Asno seria mesmo que remetido à mais sábia mudez, lá no seu alvo palácio onde ninguém sabe o que é um charro nem tem a tal “tomatada” no sítio.
    Por falar nisso, põe os olhitos no último comentário dele, deslumbra-te com o seu domínio dos chavões mais batidos, rejubila com a elegância do pensamento e da escrita.
    É ou não é criatura capaz de dar mau nome à digna espécie dos jericos?

  44. E se te deixasse aqui duas palavritas apenas para te dar uma primeira pista? Experimenta procurar pelo “Olho Vivo”.

  45. James,
    Calma rapazinho. Até parece que foste enrabado por aquele a quem chamas de burro.
    Em verdade te digo, todos aqueles que te atacam e discordam de ti muito te amam pois te corrijem.
    Aguenta firme e não chora.

  46. O James tem a doença normalmente acometida ao Professor Anacleto e a todos os seus seguidores quando se depara com o contraditório: uma arrogância e uma ordinarice sem fim!
    Recomendam-se umas férias em Cuba ou na Coreia do Norte para retemperar forças e renovar a cassete dos pobrezinhos e oprimidos.
    A verdade é que James está convicto da acção social e cultural que o bloco e o pc fazem nos bairros degradados.
    É deixá-lo pensar que assim é.
    Também o que seria do circo sem estes palhacitos que nos fazem rir!?

  47. James,
    Lamento desapontar-te mas aqui o jeitoso não tem dúvidas acerca da sua sexualidade.
    Mas não desanimes pois lá no teu estaminé tens muitos que te explicam de bom grado qual a sensação.
    Entretanto, vê lá se vais tratar do jantar.

  48. Eheh.
    Cá estão os ingredientes ainda em falta na pouco potável mistela do Castro: a “cassete”, as férias na Coreia do Nortem, o “Anacleto”. Que faltará agora ao jovem jerico? Pode sempre falar nos “desmandos do PREC”, na “descolonização da vergonha”, no Muro de Berlim, sei lá. A burrice costuma ter bolsos fundos onde guardar carradas de ignorância.
    E de lata, também: depois de me imaginar de pijama a coçar as íntimas hortaliças e à espera do subsídio de desemprego, vem agora erguer o dedo contra a minha “arrogância” e “ordinarice”. É burro mas ousado, o bicho.

  49. Já do bom Ernesto não se consegue dizer muito de abonatório. Como discípulo aplicado, já absorveu a qualidade essencial do enublado mestre Castro — a burrice — mas ainda titubeia na dialéctica, hesitando até no tratamento a conceder ao adversário.

  50. Já espreitaram o blog do Castro? Não diria que é jerico, mas é … radical.

    James, o Castro pode fazer apelo a chavões batidos, mas esses chavões são os que respondem a proverbiais presunções de que até os mais espertos são vítimas…

  51. Valupi,
    Se não fosse o Fernando, eu perdia esta fascinante discussão. Volto a repetir, o teu post estava errado, era mais fácil reconhecê-lo do que fazer contorcionismo.
    E é preciso descaramento, para limitar a acção do Bloco: “a tal acção na Belavista, o único exemplo concreto aqui dado, mas sem enquadramento respectivo”, mesmo aqui no Aspirina, há mais informação: se o Valupi recuar até ao mês de Novembro, verá o tal colóquio internacional sobre imigração e cidadania…

  52. Nunca ouço falar nos indianos que vendem flores a pedir casas e apoio social. O que me parece eh que existe uma grande fatia especifica de minorias etnicas que nao quer trabalhar, apenas viver ah custa dos outros e dos seus pais que se matam em multiplos empregos.
    O que me parece eh que acolhemos bem toda a gente, o grande exemplo disso eh a gigante comunidade chinesa, que supostamente arruina o comercia tradicional com as suas superstores, no entanto ai estao eles acolhidos por tudo e por todos, sem nos exigir nada do que toca a dinheiros e habitaçoes.
    Como medidas, o BE podia ensinar os jovens estrageiros, emigrantes ou filhos de emigrantes a saberem comportar-se socialmente, estudando e convivendo com as pessoas que os rodeiam.

    Este post carece de acentos e afins, as cedilhas sao mais ALT 0231 o resto eh teclado ingles.

  53. Nuno

    Não é desse tipo de actividade política que o post trata. Muito menos de exemplos como o do sugerido “Olho Vivo”. Primeiro, porque em lugar nenhum do texto (pelo contrário) está em causa que há um conjunto de acções do Bloco e do PCP que versam sobre essas matérias. Segundo, porque no campo da intervenção social há um número vasto e heteróclito de instituições, associações e indivíduos que trabalham no terreno sem precisarem de invocar uma qualquer doutrina política para nortear a sua acção.

    Agora, descaramento é o que existe do vosso lado para ainda não terem conseguido explicar o que fazem. Porque o tal colóquio internacional (mais uma informação avulsa, e deslocada da questão do post…) pode ter sido um sucesso segundo os vossos critérios, mas o seu efeito cultural foi nulo. E o que é isso do efeito cultural? É o fenómeno de se alterarem as mentalidades.

    Estou perplexo com o vosso discurso do “fazemos, só que não mostramos”. Acho lunático. Seja como for, a concepção de um partido que se agarra às suas liturgias e descura a elaboração e comunicação de ideias é, precisamente, o que define uma estrutura politicamente conservadora.

    E é o que vocês mostram ser, afinal: conservadores. Por aí se entende a facilidade com que caem no registo “ad hominem”, deturpam textos e não debatem ideias — quando bastaria apresentar factos.

    Ou seria um contorcionismo impossível de aguentar, esse de, candidamente, mostrar a realidade?

  54. Quem me confunde com um poeta e ainda por cima me descobre ademanes e desembaraço de bom artista, além de burro será por certo pitosga em ultimíssimo grau.

  55. Valupi,
    Ao contrário de ti e do professor Cavaco que estão convencidos que pessoas com informação igual chegam às mesmas conclusões, há no mundo gente que pensa que é possível ter ideias diferentes sobre a realidade. A função do Bloco, e dos outros partidos políticos, é defender um conjunto de ideias que acham importantes para melhorar a sociedade. Por muito que te custe entender, o Bloco defende propostas diferentes para imigração do que CDS/PP. As iniciativas como o Colóquio Internacional, para ti “sem contexto”, a exemplo do relatório aprovado no Parlamento Europeu ou das propostas legislativas sobre a imigração e a nacionalidade, servem para fazer este caminho.
    Nesta matéria, ao contrário de outras áreas, o Bloco e os seus activistas têm muita actividade e, de alguma maneira, as suas ideias que só há integração com cidadania, têm-se tornado presentes na discussão democrática e na formação de novas maiorias sociais.
    Tu não mostras realidade nenhuma, apenas teimas em remendar um post com uma perna de pau e outra amputada.
    Eu acho que toda a gente percebeu que apesar das más companhias do Aspirina, tu não és, nunca foste, e nunca serás do Bloco ou de Esquerda. Mas não teria sido mais fácil publicar um anúncio no Diário de Notícias a garantir ao Sr. Prior que nada tinhas a ver com gente pecadora?

    Nota: eu que não tenho nada que ver com organizações de imigração, já estive em reuniões com associações, iniciativas e diálogos com a população no Vale da Amoreira, na Azinhaga dos Bezouros, na Arrentela, na Cova da Moura, no Bairro do Fim do Mundo, para além da Bela Vista… vê lá tu, a quantidade de trabalho que militantes do Bloco que participam, por exemplo, na Solidariedade Imigrante e em outras organizações já fizeram…

  56. Estou farto desta merda. Vocês bem que podiam ir mas é levar todos no rabinho pois esta conversa toda acerca de partidos que se preocupam com os pobrezinhos e que vão a muitos bairros degradados já começa a meter nojo!

  57. “James”,
    Ora é o Castro que é burro ora o Valupi que é demagógico.
    Já para não falar do facto de usares um nome falso quando despejas a tua diarreia mental.
    Tenho uma explicação – foste apanhado a cócoras a agarrar o sabonete e desde então nunca mais foste o mesmo!
    Relaxa, recosta-te na cadeira, respira fundo e repete 100 vezes: “Sou estúpido que nem uma porta mas tenho a mania que sou o maior”
    Um dia ainda te vais poder sentar à mesa sem cuspir na sopa do vizinho nem arrotar no fim das refeições (ainda que no sítio de onde vens isso seja sinal de boa educação!).

  58. Nuno

    Não estás de boa-fé nesta conversa (coisa que não me preocupa, esclareço, mas também não me diverte) e por isso estás a perder tempo. Se preferes fazer alusões ao Cavaco, ao CDS, ao Aspirina ou à Virgem Maria, em vez de apresentares factos e informações relativos ao assunto, não pagas mais por isso. Há fantasmas de estimação, compreende-se.

    Nunca pensei que a prestação de um trio de luxo — tu, o Daniel e o “James” — se ficasse pela inanidade de reagirem emocionalmente num campo onde detêm tanta informação. O Daniel foi buscar a produção legislativa, tu puxaste da biografia e o “James” disse-me para contratar um detective. Mas nenhum foi capaz de indicar um qualquer meio para aferir, constatar, avaliar, ponderar, simplesmente conhecer o plano de actividades (já nem falo dos objectivos) do Bloco nas áreas em causa. Esse silêncio começa a ganhar estatuto de mistério.

    Onde vocês se mostram muito descontraídos é na hermenêutica de posts e consequentes comentários. Pelos vistos, estão preocupados com a integridade do texto, não admitem qualquer desvio. Fica-vos bem esse cuidado e ofereço-me para vos ajudar.

    Reparem que o parágrafo em causa começa com uma tese genérica: os partidos são os maiores responsáveis pelo marasmo social no que respeita à relação que temos com os nossos imigrantes. É uma tese não académica, confirmo. Mas permitiu dar dois exemplos: PCP e Bloco. O que eu fiz, todos o podem fazer; e daí tirar conclusões. Se os sites não são actualizados por causa de qualquer situação anómala ou porque nem sequer é um canal que mereça atenção, é problema que não me diz respeito. Fica que, como cidadão, não encontro em lado algum (nem nos veículos informativos oficiais!) a informação que procuro. Acham questão de somenos? Acham que é preguiça? Essas magníficas respostas, aqui em cima gravadas, dizem muito do autismo partidário.

    Mas porquê dar como exemplo o PCP e o Bloco? Para o Daniel, eu não poderia ter escolhido pior; e não é que o homem acertou?… Realmente, algo de muito mau se passa em Portugal quando as duas forças políticas com maior protagonismo na defesa dos imigrantes são, ao mesmo tempo, exemplos de desleixo e inércia. Desleixo na comunicação e inércia no pensamento, eis o que está à vista no que apresentam e no que escondem. Porque se a actividade parlamentar e mediática, o trabalho com associações e populações, é uma constante, também constante é a tibieza desses resultados. De resto, seria inconcebível que organizações partidárias profissionalizadas, com orçamentos para gastos vários, pagando salários, tendo voluntários à disposição, não ocupassem as temáticas e tecidos sociais onde viabilizam a sua existência. Não há surpresa nenhuma, nem sequer merece frouxo aplauso, o facto de o Bloco e o PCP terem militantes e apaniguados seus metidos nas associações disto e daquilo, produzirem documentos ou organizarem colóquios. O que se discute é a eficácia dessas intervenções.

    Para quem participa na vossa vida partidária, a revolução está de saúde. Há coisas a acontecer. Há papéis para mostrar. Há sítios para visitar. Há reuniões para comparecer. Há textos para escrever. Há fotos para mostrar. Há tempos de antena para preencher. Há eventos para encenar. Há pessoas com quem falar. A existência faz sentido, é uma questão de tempo até todos se convencerem das vossas verdades.

    Entretanto, no mundo dos que apenas trabalham e vão para casa dormir, os dias passam sem se tropeçar nos partidos. A imigração cresce e as pessoas acomodam-se, mas não se aproveita a diversidade cultural para com ela fazer cultura. Esta a tese de todo o post, que abre com uma experiência no campo das ciências sociais. Por razões várias, Portugal poderia ser uma escola de solidariedade entre povos diferentes. Temos bagagem e lastro para tal, apenas nos falta a cabecinha. Dá-se é o caso dos partidos apenas se fazerem mediaticamente ouvir nessas matérias em períodos eleitorais. Mas ainda muito pior: os partidos não apresentam ideias do foro cultural, limitam-se a utilizar a temática para efeitos de combate político circunstancial. Os partidos não pensam, nem fazem pensar — são conúbios narcísicos.

    Aborrece repetir o que já se repetiu: as propostas de lei, as participações em acções, a veiculação informativa (como no “Esquerda”, por exemplo) não estão em causa no post enquanto actividades formalmente meritórias. Para vocês, é o bastante. Para mim, não chega. Porque o modelo que reproduzem é o de uma organização fechada, cópia de associações de cariz religioso onde há um contentamento bovino com as virtudes próprias e uma acusação viperina na ponta da língua para exorcizar suspeitas alheias.

    Que a coisa marchava assim, já o sabia. Depois desta discussão, fico assustado.

  59. Neste contexto, a utilização de”james” e de “inanidade”, não é senão pleonasmo.

    É o mesmo comentário, desta vez sem o excrescente “n”. O “n” aqui sobrava e pode fazer falta para outras ocasiões. É o “n” de nhurro.

  60. No post o Valupi limitou-se a constatar uma realidade indesmentível: o aproveitamento eleitoral que os partidos políticos fazem das excursões a bairros degradados por ocasião das eleições. E fazem-no todos os partidos, à esquerda e à direita.
    É evidente que o Valupi especificou o pc e o be pois são partidos que frequentemente trazem para a praça pública a discussão acerca dos emigrantes, assumindo-se como os grandes justiceiros nestas matérias.
    Cá para mim, entendi o post como a constatação de que os partidos podem e devem legislar (ou propor medidas legislativas) nesta matéria mas devem escusar-se a fazer aproveitamento político da mesma.
    Em resposta, o Oliveira, o Almeida e o Rainha (presumo que seja o James pela sua boa e ofensiva escrita) indignaram-se com o que sabem ser verdadeiro.
    O que confunde é a violência da sua reacção e arrogância dos seus princípios: uns são burros (eu, por exemplo) e os outros não sabem do que falam (Valupi).
    A verdade é que nenhum foi capaz de dar exemplos concretos de acções dos citados partidos nos bairros em causa, não obstante o Almeida ter conseguido arranjar uma lista com os nomes de alguns desses mesmos bairros (até deu para corrigir o nome de Belavista para Bela Vista).
    Não precisavam de o fazer, pois esse não é o trabalho nem o fim dos partidos políticos. Não venham é com ar sério e grave dizer que são os únicos que se preocupam com os desgraçadinhos.

  61. Lamento, mas não é meu o comentário lá em cima nem tive o gosto de assinar por interposto anglófilo as ofensas que assinala o Rui Castro (embora com alguma perversa mágoa).

    Quanto à discussão, diria que a razão se divide por duas aldeias: é certo que os partidos têm mais que fazer do que andar quotidianamente em peregrinação pelos bairros problemáticos. Mas não é menos correcto que muitas organizações mais ou menos activas no terreno — como o SOS Racismo, só por fraco exemplo — circulam na órbita dos partidos e alimentam-se de militantes e recursos seus. Depois, discutir “a eficácia dessas intervenções” é tema para os dentes de sociólogos que conheçam essas realidades, não para analistas de sofá como nós; proclamar a sua “tibieza” assim sem mais nem menos é o mesmo que nada.
    Mas, havendo ou não resultados fabulosos, julgo inegável a existência de esforços valorosos e pouco reconhecidos.

    Parece-me algo delirante é a ideia de que os partidos podem apresentar propostas legislativas relativas à imigração mas não as devem divulgar…

  62. LR,
    Podem e devem, como é óbvio, divulgar as propostas legislativas. Quando falei em aproveitamento queria referir-me às excursões partidárias aos locais ondem esses emigrantes habitam.

  63. Rui Castro,
    Não deves muito à inteligência.
    Vou-te escrever isto simples, para ver se tu percebes:
    1- Os partidos fazem actividade política.
    2- Política significa, entre outras coisas, falar com as pessoas, ouvi-las e trabalhar com elas.
    3- Os partidos concorrem às eleições.
    4- É normal que os partidos queiram ser avaliados pela sua actividade.
    5- É natural que a divulguem.
    6- Os partidos que têm mais votos, têm mais possibilidades de cumprir o seu programa e o seu ideário.

    Naturalmente que isso de eleições, partidos e democracia faz-te uma certa confusão, até porque tu comungas dos ensinamentos do professor Oliveira Salazar quando ele garantia que o parlamento e os partidos era um disparate e que para ele bastava o seu conselho de ministros….mas faz um esforço, estou convencido que, um dia, conseguirás soletrar a palavra “democracia”, sem que a mãozinha te fuja para uma saudação romana.

  64. Almeida,
    O que me falta em inteligência sobra-te em convencimento e ordinarice.
    Quanto à comunhão com o outro senhor lamento desapontar-te mas acertaste ao lado.
    Já as lições de democracia vindas de um democrata como tu, não te iludas pois o espaço político em que estás enfiado está bastante mais afastado do sistema político que invocaste do que imaginas. Basta ver aqueles a quem prestas vassalagem e os que invocas no debate político para perceber a cartilha pela qual te reges.
    Por fim, deixa-me que te diga que estás a confundir actividade política com acção social. Mas isso talvez seja demais para a tua cabecinha compartimentada e cheia de pré-conceitos.
    Quanto à saudação romana deixa-me que te diga que nunca baixarei os braços…
    Por fim, um conselho: pela amostra, como Director de jornal não terás um futuro brilhante, mas olha que com esse último nome como apelido até me ocorre uma profissão a que te podes dedicar com afinco e na qual terás certamente sucesso!

  65. Rui Castro,
    És, de facto, fino e inteligente.
    Essa tua ideia que a actividade social não é política, é hilariante.

  66. Almeida,
    Obrigado pelo elogio. Devo em grande medida ao meu pediatra.
    Pena em que “em casa de ferreiro espeto de pau”.
    Actividade social? Quem falou em actividade social? Lê com mais atenção.

  67. Rui Castro,
    Peço desculpa mas não tenho mais tempo a perder com as suas parvoices.
    Eu não o citei, entre aspas, o que lhe disse é que você insiste em pensar que os partidos e os seus militantes não fazem parte da sociedade.Devem estar no ciberespaço?
    Outro aspecto que você parece desconhecer: é que a actividade social ou acção social é política. Percebe?
    Sobre os seus insultos, queria deixar uma nota final: o facto da sua estimada mãe não ter lavado a boca, com sabão, ao seu estrumoso rebento, não me obriga a ter que o ler.

  68. Almeida,
    Se não tens tempo não o gastes há dizê-lo.
    Pela boca morre o peixe:
    “O facto da sua estimada mãe não lhe ter lavado a boca com sabão, não me obriga a ter que o ler”?
    Trata-te rapaz.

  69. Rui Castro, sugiro-te um exercício simples: lê com muita atenção 3 ou 4 vezes os comentários que escreveste. Talvez te apercebas que aquilo que, quando acabado de escrever, te parecia pérolas de argumentação não passam de bitaques mal amanhados.

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