Precisamos é de ajuda interna

Não há nenhum mal em pedir ajuda externa, o mal é não corrigir aquilo que nos conduziu ao pedido de ajuda externa.

(minutos ou segundos depois)

A imagem de Portugal foi abalada pelo facto de ter recorrido à ajuda externa. Isso é inabalável. Quando se pede ajuda externa, a primeira confissão que se faz é que alguma coisa correu realmente mal e não conseguimos dominar o problema sozinhos.

Passos, teórico da ajuda externa

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Uma das mais comuns características nos manipuladores, tanto em casos de violência doméstica como num qualquer grupo onde tal se exerça, é a duplicidade do discurso, as repetidas contradições, o paradoxo como lógica ao serviço do manipulador. Neste exemplo, Passos Coelho, o principal responsável ao nível parlamentar pelas condições que tornaram inevitável o resgate financeiro, começa por dizer que a ajuda externa é algo neutro e o seu pedido normal ou até bondoso. Está a falar de si, do seu partido e do seu Governo. Logo depois, afirma que a ajuda externa aumentou gravemente os problemas de Portugal, equivalendo a uma declaração de falência política, sendo algo moralmente vergonhoso, uma tragédia para a Pátria. Agora, está a falar de Sócrates, do anterior Governo e do PS. Desta forma, utiliza a mesma situação para se ilibar de responsabilidades e para castigar os adversários, não fazendo qualquer referência ao contexto onde foi um protagonista decisivo e intencional. Podia ter evitado o pedido de ajuda externa? Podia, mas não era a mesma coisa…

A retórica da direita partidária actual é básica e é para básicos. A realidade educativa e cultural do País dá-lhes toda a razão em manterem essa estratégia, pois o português adora a sarjeta do Correio da Manhã e tem em Cavaco o seu mais alto magistrado. Reduzir a política a uma farsa moralista debochada inclusive permite chegar às audiências da esquerda imbecil, aliadas no tiro ao xuxa e mantidas num estado de democracia vegetativa. Para PSD e CDS, a degradação cívica, a apatia moral, o afastamento da política – enfim, o suporte psicossociológico do populismo – são factores que protegem os seus interesses por levarem a uma redução do debate e do escrutínio, restando-lhes só continuarem a diabolizar Sócrates e quem com ele esteve, até ao limite do possível. Nesse propósito, qualquer processo que se consiga abrir no Ministério Público e nos tribunais é garantia de meses e anos de ataques venenosos contra a credibilidade, o bom nome e a honra dos envolvidos. Que depois acabem todos inocentes será o que menos importa, pois o trabalhinho estará feito e o povo já selou a sentença.

A tentativa de criminalização de políticos não vem dos direitolas por acaso. Velhos hábitos tarde ou nunca desaparecem nos velhacos.

11 thoughts on “Precisamos é de ajuda interna”

  1. é capaz.”são todos iguais”. são mesmo.
    (agora que as caracteristicas da manipulação tb assentam que nem uma luva à retórica que usas.. atão a desconversar com comentadores para os quais não tens argumentos como com um que sabe muito de direito , não me alembra o nome , pois assentam )

  2. Estás a ver Valupi. Estavas a falar em calhordas e o primeiro comentador é precisamente um calhorda que se viu atingido pelas tuas palavras por ter votado na escumalha do PPD e portanto pertencer ele também a ela. O PP já reconheceu o erro. Também não era preciso tanto tempo. E agora, na Quadratura do Círculo parece o maior opositor a este governo. Mas há gentalha que gosta de levar na peida até que doa e mesmo assim continuam gritando: quero mais, quero mais. São os masoquistas!

  3. oh poeta , peço desculpa , mas eu não gosto de nenhum partido. se puder , leia uma entrevista a um filósofo Cristo ( sério ) qualquer coisa grego , hoje ,no Público , que lá está o que eu penso da monopolização da política pelos partidos de feios porcos e maus , que são já só os que existem.

  4. :)) acho estranha a sua posição de ser contra os partidos. É que sabe, sem partidos, não há democracia. Se o sr. anda à procura da perfeição, então, desiluda-se que nunca a encontrará. Nem Deus foi perfeito. Daí que chamar aos partidos feios porcos e maus é realmente de quem odeia a democracia e o sr. está a envolver toda a gente nessa sua apreciação. Se calhar todos são maus exceto o ser. ou então as pessoas dos partidos são más e as que não estão em partidos são boas. É isso? Se é claro que está errado porque eu conheço muito filho da p. que é “independente” (como se se pudesse ser independente). Quer o sr. dizer que quando eu estive inscrito num partido era um sacana e quando saí deixei de ser.-
    Como vê o sr. está completamente errado daí o meu comentário. Mas explique melhor o quis dizer ao Valupi que poderei responder-lhe melhor (como aquela do comentador que não me alembra o nome).

  5. poeta da treta, não é que me orgulhe do facto mas é uma “senhora” (comas intended), é que já anda aqui há muito tempo a mudar de nome, mas a gramática e discurso, enfin…

  6. A génese dessa hiper cagança aristocrático-imbecil que te (t)molda a visão sobre as realidades caseiras, banais e superficiais onde te rebolas como um bácoro, não sei?

    Agora: o que se esconde nessa esquizofrénica moralidade arrogante, onde habita a tua real politik conceptual, não deixa de ser reveladora da pobreza de espírito que a suporta.

    Soas a um pateta alegre, órfão de pervertidos e não consumados concubinatos.

    Paris, Paris … quel joie de vivre :-))))

  7. hoje é de facto um dia triste e de revolta para alguns…agora que isto ía tão bem.
    Respeitemos a dor. (pffffff….desculpe)

  8. ” senhora” é a senhora sua tia , viscosa e desagradável varejeira edie , apesar da gramática taralhouca , sou “madame” , que é muito mais finesse .

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