Pele de Marta

Vítor Constâncio negou ter conhecimento da enigmática reunião entre António Marta e Dias Loureiro. E, aqui entre nós que ninguém nos lê, das duas uma: ou Constâncio mente ou o Governador do Banco de Portugal mente. Em qualquer das versões publicadas, é inevitável que o Vice-Governador desse conta da ocorrência: fosse para relatar uma tentativa de pressão contra a supervisão ao BPN, fosse para relatar uma suspeita de eventuais irregularidades no BPN. Vejamos: é impossível a Marta justificar o cenário em que a conversa com Dias Loureiro, e logo naquele contexto ao tempo, tivesse sido mantida em segredo. Isso faria de Marta um profissional que teria falhado grosseiramente em matéria de deontologia, ética e lealdade. Pelo menos. Será o caso? Segundo Vítor Constâncio, e em total contradição com o que disse do seu ex-Vice-Governador, tem de ser.

A tentativa de anular a questão da reunião só pode vir do desespero. Dizer que ela não se relaciona com os problemas detectados é estar a gozar com quem lhe paga o salário: nós. Os problemas detectados, para o Banco de Portugal, são técnicos, pois sim. Mas os problemas detectados, para os cidadãos, são políticos. Talvez Constâncio esteja há tempo demasiado a lidar com banqueiros em salas faustosas e daí se ter esquecido de que a sua função também é política para além de ser técnica. E sendo política pode, e deve, ser discutida pelo povo. O povo é o teu supervisor, ó pá.

Se Dias Loureiro foi ter com António Marta para o convencer a deixar em paz a sua boa gente, naquela que aparece como a versão mais verosímil, até lógica, isso compromete todas as suas outras declarações. E, a partir do dia 25 de Novembro de 2008, compromete o Presidente da República. E compromete o PSD, o qual tem em Dias Loureiro um dos seus barões, um dos mais poderosos no partido.

Constâncio abandonou Marta à sua pele, e esta vale um regime.

30 thoughts on “Pele de Marta”

  1. No meio disto tudo, o mais intrigante é o Zé Francisco ainda não ter feito um poema super entediante acerca do BPN.
    A comissão parlamentar devia averiguar por que razão ainda não surgiu uma Balada para um Conselho de Administração que não existia, ou uma Balada para um Presidente da República que é Amigalhaço deles todos mas não tem nada a ver com o Caso, ou uma Balada para um Homem que “fez o que fez” mas foi por boas intenções e até é um moiro de trabalho, ou até uma Balada para um Tipo que só lá ia de vez em quando e não sabia nada a não ser o que ouvia dizer.
    O que está a esconder de nós todos, Sr. Do Carmo Francisco??

  2. Valupi

    O seu raciocínio tem toda a lógica, mas não esgota as “variáveis” todas para aquele acontecimento. Dando o benefício da dúvida, poderíamos ainda considerar que o assunto do «aperto» ao BPN já fosse assunto há muito tratado entre o Governador e o responsável A.Marta, e não havia maneira de se mudar fosse o que fosse só por o Dias Loureiro se queixava da “mesma” perseguição. Muito naturalmente Marta desvalorizou a questão, sem faltar aos seus deveres de lealdade e cumprimento do dever. Podemos ainda considerar, continuando a dar o beneficio da dúvida, que talvez, antes do Dias Loureiro, personalidades “bem mais acima ” teriam manifestado incómodo com o «aperto», e levaram nega.
    Eu não condenaria, já, nem Victor, nem Marta. Mas, sempre, Loureiro e agora Cavaco. Penso que terá cometido o seu maior erro político de sempre ao solidarizar-se com alguém que violou e viu violar e calou, as leis que regulam o funcionamento de um conselho de Administração. Temo que este «atirar-se para a frente» seja bem mais do que aquilo que parece. Precisávamos de tudo, neste momento de crise, menos de turbulência ao mais alto nível do Estado. Oxalá eu esteja redondamente enganado.

  3. Quando no século passado alguns de nós tiveram o desplante de dizer que o impante cavaquismo iria criar todo um conjunto de monstros, fomos logo chamados, pelos patetas do optimismo militante, de Velhos do Restelo. Infelizmente tínhamos razão! Os casos BCP, BPN, e outros em estado larvar, são a prova disso. Mais do que uma crise financeira é de uma crise de regime que se trata.Soluções? Sinceramente não vejo nenhuma. Certezas? Apenas uma.O Presidente da República não pode olhar para o lado e assobiar como se não fosse nada com ele, fingindo que continua a ser a reseva moral da República QUE NÃO É! A propósito sabem onde para o Pacheco Pereira? Continua Valupi!

  4. não se vê nenhuma solução? sério?
    existem três teorias de poder em confronto: 1 o neoconservadorismo (o abolutismo monárquico das oligarquias) 2 o Liberalismo (um up-grade da falida social democracia) e 3 a constelação Marxista (democratizada pela falência do “comunismo” burocrático de Estado)
    porquê não optar pela alternativa nunca experimentada?, a participação dos trabalhadores nas empresas, a defesa da função social das empresas, o voto a qualquer momento para resolução de todas as questões de governo made-easy by internet, o controlo democrático das populações por essa via elegendo e destituindo de imediato os corruptos do sistema, etc.
    era giro

  5. Vamos lá ver se entendo isto, embora o entenda, numa determinada perspectiva, pois as bicadas em Constâncio parecem ter cotação em alta. E parece que vale tudo, mesmo á conta da seriedade.
    Então o Vice-Governador, com o pelouro da supervisão, teria mesmo que dar conta de um encontro com alguém que nem sequer integrava a administração do BPN e fosse para ser pressionado, fosse para pedir que a supervisão apertasse ainda mais o banco? Bastará escrever que Marta “teria falhado grosseiramente em matéria de deontologia, ética e lealdade” sem mais? Sem qq justificação para o que se afirma? Que valem então a deontologia e a ética, quando nos ficamos por acusações sem provas, ou explicações adequadas?
    Depois, se Loureiro se limitou a dizer que foi pedir que a supervisão actuasse com mais insistência, se ele mesmo afirmou que não conhecia irregularidades no BPN, porque se escrever aqui “fosse para relatar uma suspeita de eventuais irregularidades”?
    Francamente.

  6. Estou de acordo com A. Moura Pinto.
    Mais, qualquer pessoa que tem cargos de Direcção ou Administração, sabe que em qulaquer organizada, quando se tem um pelouro, somos responsáveis por ele. Mesmo nas médias empresas isso acontece. E certamente no Banco de Portugal, o Presidente tem mais que fazer do que conhecer tudo o que passa nos pelouros dos outros Administradores. Estamos a falar de cargos superiores de Direcção com pessoas responsáveis, qualificadas e com poder de decisão. Por outro lado, será muito fácil, hoje, ter uma visão da dimensão da borrasca. Agora insinuar que em 2002 se teve falta de “ética e de deontologia” em não informar uma assunto que só agora se conheceu a gravidade, é no mínimo má-fé. Aliás, isso não interessa para o assunto relevante que são as fraudes do BPN, que tarde ou cedo detectadas, estão a ser investigadas para que os responsáveissejam punidos. Assim se espera.

  7. Mario, a. moura pinto e Gomesdaselva, vocês estão com a memória curta:

    http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=342442

    Acaso uma reunião com uma pessoa com a importância e perfil de Dias Loureiro, tanto na política como no seio da SLN, sobre um banco alvo de gravíssimas suspeitas já denunciadas na imprensa um mês antes, pode deixar de ser comunicada ao Governador do Banco de Portugal pelo Vice-Governador, para mais tendo este o pelouro da supervisão e – acima de tudo! – por se ter tratado de uma reunião a sós?…

  8. Vê-se bem que nunca andou pelo interior da banca e muito menos do BdP.

    Têm-se conversas, aqui e ali que não são transmitidas, porque são corriqueiras, e não basta ser um Dias Loureiro para a sua queixinha no BdP passar a ter a importância que alguns lhe atribuem.

    Loureiro é só mais um, dos muitos pedintes que vão ao BdP solicitar a atenção das pessoas que por lá mandam.

    Um vice-governador, não é um chefe de sector que anda a correr atrás do chefe imediato para lhe dar recadinhos a todas as horas e a todos os momentos. Há muito trabalho a fazer, pessoas a dirigir, medidas a tomar, os assuntos são muitos e variados e o tempo urge.

    Quando a um banco chega um pedido do BdP, esse pedido é analizado em todas as suas vertentes, desde as legais, às processuais, a exigência no rigor é decuplicada, e o BdP sabe disso, pois é a norma herdada pelos banqueiros e pelos bancários, quem disser o contrário, ou mente, ou não sabe do que fala.

    Por isso, é que este texto não tem ponta por onde se lhe pegue, è apenas mais uma critica sem sentido, movida apenas pela vontade de criticar – não quero, nem devo ir mais longe, por não conhecer o seu autor – ou então é simples desconhecimento do ‘modus operandi’ do sistema bancário.

  9. teofilo m., estás a dizer que ter Dias Loureiro a contactar Miguel Beleza para este lhe arranjar uma reunião a sós com António Marta é um assunto corriqueiro. Estás a dizer que ter o responsável pela supervisão do Banco de Portugal a ouvir de Dias Loureiro suspeitas de anomalias, ou protestos contra a supervisão, é um assunto corriqueiro. Estás a dizer que a publicação de um artigo na EXAME onde se dava conta da existência de graves problemas no BPN é um assunto corriqueiro. Estás a dizer que Dias Loureiro é apenas um de muitos pedintes a entrar no Banco de Portugal e a conseguir reunir a sós com o Vice-Governador. Estás a dizer que o responsável pela supervisão não tem tempo para informar o Governador do Banco de Portugal de uma ocorrência com a importância da que está em causa na reunião. Enfim, se andaste pela banca e dela recolheste estes ensinamentos, fico ainda mais assustado.

  10. Não Marco, não ficou, é que eu tive oportunidade de conhecer o António Marta, e saber até que ponto ele entende que é autónomo, e por isso sei do que estou a falar.

    Quanto ao Dias Loureiro ter contactado com o Miguel Beleza, são dois pratos do mesmo serviço, e não vejo o Miguel Beleza a informar o VC;

    Os protestos contra a supervisão são de agora e não do tempo em que os assuntos se passaram;

    A revista Exame não levantou lebre nenhuma, apenas transmitiu que o BdP tinha passado um cartão amarelo ao BPN, podes ver aqui:

    Março de 2001. A revista “Exame”, que na altura dirigia, dizia na capa que o Banco de Portugal tinha passado um cartão amarelo ao BPN. Dias depois recebi um telefonema de Pinto Balsemão. Assunto: Dias Loureiro tinha-lhe telefonado por causa do artigo e, na sequência dessa conversa, queria falar comigo. Acedi prontamente. – Isti é dito pelo Camilo Lourenço, e eu acredito nele.

    Já tive o privilégio de ter sido recebido no BdP por um vice-governador, a sós, e sou muito mais pedinte que o Dias Loureiro, não era conhecido nem familiar do mesmo, nem pertenço ou pertencia a nenhuma confraria política;

    A ocorrência em causa, foi queixar-se de que o BPN andava a ser perseguido pelos serviços que o Dr. António Marta dirigia (segundo diz o próprio) pelo que não vejo a necessidade da conversa ter de ser transmitida a terceiros, dir-te-ía o contrário se a conversa tivesse tido o teor que o Dias Loureiro diz ter tido;

    Não confundas as coisas.

    Uma é um senhor que vai junto de outro queixar-se que anda a ser perseguido pelos seus directos colaboradores.

    Outra, é se o mesmo senhor foi ter com um vice-governador queixar-se que o Banco onde era administrador tinha escaninhos secretos.

    A ser verdade a última, porque é que o Dias Loureiro não o transmitiu logo ao Miguel Beleza, ao PGR, aos auditores, aos accionistas e optou por falar com quem não conhecia? Porque não se dirigiu ele ao Governador?

    Ou será, que quando fores a uma esquadra falar com o chefe a queixares-te de que os polícias lá da esquadra te passam muitas multas, ele vá a correr transmitir o teu pedido ao chefe de divisão, e que este o retransmita ao comando geral?

  11. Valupi

    Posso fazer uma pergunta? Parece que sim.

    Então aí vai: Porque é que me responde com a opinião de Camilo Lourenço? Por ser diferente da minha ou por ser melhor que a minha? Se é assim, se Camilo é que é, porque não se limita a transcrevê-lo, ainda que acrescentado “eis a verdade”? De facto, parece que para si Camilo é um ungido do Senhor, a revelação em pessoa. Outras opiniões deverão passar pelo seu crivo, como condição para que os outros opinadores não passem por pessoas de memória curta. E mesmo que não tenha razão, este argumento de “memória curta” é muito curto, mesmo básico.

  12. teofilo, vai para aí grande confusão. Citas uma parte do testemunho de Camilo Lourenço que eu fui buscar. Ora, eu fui buscá-lo precisamente para realçar a evidência: depois do artigo da EXAME, o assunto BPN estava nas bocas do mundo e era quentíssimo. Ter Dias Loureiro no Banco de Portugal, um mês depois, a discutir assuntos secretos com o responsável da supervisão será algo diferente, se me permites a ousadia, do que aconteceu na tua reunião lá pelas mesmas bandas e ao mesmo nível.

    Quanto aos teus considerandos, são os meus: tudo aponta para que a versão do Marta seja a verdadeira. Mas o que eu discuti no postal foi a posição de Constâncio; no pressuposto (que pode estar errado, claro) de que ele foi informado da ocorrência e teor da reunião.
    __

    moura pinto, terás dificuldade em entender que o BPN fazia parte do Grupo SLN? Terás dificuldade em entender que a versão de Dias Loureiro reforça as razões para a supervisão estar ainda mais preocupada posto que, segundo contou Dias Loureiro, um administrador da SLN foi denunciar um quadro interno de irregularidades? Francamente.

  13. Valupi

    Escreves

    “moura pinto, terás dificuldade em entender que o BPN fazia parte do Grupo SLN? Terás dificuldade em entender que a versão de Dias Loureiro reforça as razões para a supervisão estar ainda mais preocupada posto que, segundo contou Dias Loureiro, um administrador da SLN foi denunciar um quadro interno de irregularidades?”

    e eu respondo:

    Sei, por isso entendo, que o BPN integra / va a SLN.

    Quanto ao que foi a substância da conversa de DL com um vice-governador do BdP, temos duas versões. Se aceitarmos que a verdadeira é a de DL, então o BdP deveria carregar mais na supervisão. Se a verdade está com Marta, então o BdP estaria a proceder como lhe competia, como era seu dever.

    Mas tu tens como mais verosímil a versão de Marta ao escreveres “Se Dias Loureiro foi ter com António Marta para o convencer a deixar em paz a sua boa gente, naquela que aparece como a versão mais verosímil, até lógica, isso compromete todas as suas outras declarações.”

    Em que ficamos? Qual a versão verosímil para ti agora? Depende do que se quer contra-argumentar?

  14. Valupi, a tua intuição está muito certa, apesar de nunca teres sido recebido no BdP. Depois de ler o Camilo Lourenço, não tenho dúvidas de que:

    1. Dias Loureiro está a mentir, porque está à rasca e quer salvar a pele

    2. que o BPN, fundado em 1993, durante os anos do guterrismo (1995-2002), se transformou aí por 1998* num banco “inovador” (mafioso), com a cumplicidade de vários políticos e ex-políticos do PSD, não sei se também do PS, e a cumplicidade pela incompetência de dirigentes distraídos e cobardes do BdP. Poucos anos depois já as luzes vermelhas piscavam no BdP. Nada fizeram, porque são muito bem pagos para isso e porque são cobardes.

    Não me parece possível que o Marta tenha omitido ao governador assunto tão melindroso como o da conversa com o Dias Loureiro, o tal Marta que andava em cima do BPN e precisava de todo o apoio da direcção do BdP para o fazer, dadas as pressões constantes do Oliveira e Costa sobre o governador. É elementar.

    Constâncio e o governador do BdP estão ambos a mentir.

    * Nota – 1998: “nova orientação estratégica do BPN, passando pelo desenvolvimento de plataformas inovadoras” (história do BPN, site respectivo)

  15. moura pinto, em que ficamos? Mas quem? Tu e eu? Tomo como certo que leste o que escrevi, portanto não precisarias que te repetisse: a versão de Dias Loureiro tresanda a bacoca mentira. No entanto, esta conversa não passa de uma especulação baseada no que veio a público. Daí o interesse na posição de Constâncio, pois lhe bastaria afirmar ter tido conhecimento da reunião, e seu teor, para arrumar de vez com Dias Loureiro. Isso seria particularmente importante, como se está a ver pelo crescente protagonismo de Cavaco. Porém, Constâncio lavou as mãos, e isso prolonga a dúvida face a duas versões antagónicas.

    Quando te questionei a partir da versão do Loureiro, estava em diálogo com o teu argumento primeiro que defendia a irrelevância, ou inconsequência, da reunião. Esse seria o contexto para que o Governador do Banco de Portugal nem sequer viesse a saber do que tinha sido dito, defendeste. Ora, isso parece-me altamente improvável, e daí a referência à versão em que um administrador da SLN, número 2 de Oliveira e Costa, vai informar o supervisor de que algo de “estranho” se passa num Grupo que até andava sob apertada inspecção e tinha aparecido na imprensa com referências nada abonatórias. Tu achas que António Marta não teria ocasião de contar a Vítor Constâncio um episódio que até meteu o Miguel Beleza como intermediário. Enfim, tens uma peculiar concepção da responsabilidade de um vice-governador com o pelouro da supervisão, nesse caso.

  16. Val, o Constâncio está a jogar xadrez no nosso coirão.

    O que ele diz e o que ele omite, e a maneira como ele diz e a maneira como ele omite, é tudo calculado em função de lances que vão ser feitos daqui a 37 jogadas. Está-se a cagar para o povo, porque o povo não o elege nem ele presta contas ao povo. E também porque gosta, tem essa perversão.

  17. Nik, as coisas vão nesse sentido. Se a estratégia passar por abafar a polémica da reunião – e, para tal, basta que ninguém pergunte ao Marta se falou a Constâncio no assunto – isso indicará que Dias Loureiro tem muita gente de topo na mão, incluindo Constâncio e Cavaco. Quer-se dizer, teremos algo verdadeiramente watergateano em Portugal.

    Para já, António Marta saiu de cena. Mas é esperar. O encanto da especulação também está na possibilidade de construir os mais delirantes cenários.

  18. Valupi

    Então eu respondo: é em que ficas tu, qual a versão que tens como verosímil.

    Porque tanto tens como verosímil a versão de DL (que terá falado em irregularidades e, por isso, o BdP deveria actuar, logo Marta e Constâncio foram, pelo menos, incompetentes) como a de Marta (que afirma que DL se foi queixar do excesso de supervisão e, sendo assim, a supervisão existia e até incomodava muito).

    Porque no texto dás a versão de Marta como a mais verosímil, mas num comentário argumentas que o BdP deveria ter procedido em conformidade com a versão de DL que foi ao BdP informar irregularidades.

    Então isto não se percebe?

  19. moura pinto, no comentário usei a versão de Dias Loureiro apenas para frisar que até nessa eventualidade se teria de comunicar a Constâncio a ocorrência. Obviamente, eu não sei qual dos dois tem razão, mas sei que um dos dois está a mentir. Isso é inquestionável, e espero que seja também incontornável, pois o interesse público – diria que até a Justiça – o exige.

    Veremos o que vai acontecer com o inquérito parlamentar.

  20. Valupi

    Agora e que (não) entendi.

    Mas é melhor como dizes: aguardemos pelo que sair da comissão de inquérito.

  21. Valupi, foste directo ao cerne da questão: a pele é o mais profundo do fundo (Deleuze), amanhã venho cá farejar.

    Obviamente estão a tentar branquear, a retórica da atenuação também eu a propus em 2003 como pharmakon, já lá vai, estamos em revolução.

    O loureiro tem obviamente muita gente na mão: o BPN, que não deixaram falir, já vai em mais de mil milhões de buraco, a serpe,

    «A estátua deste monstro era de prata em vulto de homem agigantado, de vinte e sete palmos em alto, tinha os cabelos de cafre, e as ventas dos narizes muito disformes, e os beiços grossos, e toda a fisionomia do rosto tristonha e mal assombrada. Tinha na mão uma bisarma a modo de segur de tanoeiro, mas c’o cabo muito mais comprido, com o qual diziam os Sacerdotes ao povo que a noite passada matara a serpe tragadora da côncava funda da casa do fumo, por querer roubar a cinza dos sacrificados;»

    Peregrinação, Fernão Mendes Pinto

    amanhã estou cá

  22. Esta cena do BPN envolve altas cavalarias…Penso que a estratégia dos que estão envolvidos passa por queimar Oliveira Costa e atirar ao Constâncio como manobra de diversão; não podem correr o risco de se aprofundar a matéria e sabem que contam com a reserva de outros – e não estou a referir-me ao Governador do BdP – que, não entrando neste filme, já protagonizaram outras fitas.
    Afinal, o país é pequeno, todos se conhecem e são todos primos e primas..e o problema não é só do cavaquismo, é de uma classe emergente que usou a democracia para ganhar dinheiro e poder, que descobriu na actividade política o acesso à influência e aos negócios, pessoal que não perde uma oportunidade de sacar umas massas, em prejuízo do bem comum.
    É conhecido o “grupo de Coimbra”, formado por solidariedades construídas na Universidade que, integrando elementos de diversos partidos, se entreajuda sempre que necessário – basta a alguns restaurantes na cidade ou na periferia, e estar com alguém da terra que nos diga quem é quem nas mesas, para se ter uma ideia de como as amizades funcionam…
    Quem se lembra do prédio de Coimbra que foi comprado de manhã e vendido à tarde, aos CTT, com milhões de euros de diferença, entre um e outro momento ?
    E alguém recorda outro nome, para além do de Horta e Costa (que já estava afastado dos CTT..) que tenha sido referido no ” negócio ” ?

    J. Coelho

    P.S. Valupi, estou à espera de análise sua aos momentos finais do julgamento da Casa Pia. Uma espécie de ponto da situação, s.f.f.

  23. j. coelho, pois é, tudo – neste momento – aponta para um desfecho resolvido no segredo da “família”. Mas vamos ver, porque também podem acontecer surpresas.

    Quanto ao julgamento Casa Pia, não queres ser tu a fazer essa análise? Seria um prazer.

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