Os verdadeiros socráticos

Sócrates, o anticristo do laranjal

Quando falamos da reacção da direita portuguesa a Sócrates temos de começar por manter aprioristicamente presentes estes três factos:

– A direita portuguesa deixa-se representar ideológica e moralmente pelo Correio da Manhã.

– A direita portuguesa não se perturba quando um Presidente da República é cúmplice, se é que não foi mentor, de uma conspiração para perverter dois actos eleitorais. E não se perturba porque esse Presidente da República foi eleito pela direita portuguesa, o que permite concluir que a direita portuguesa apenas lamenta que esse Presidente da República não tenha alcançado pleno sucesso.

– A direita portuguesa educou, instruiu e preparou o casal Passos-Relvas para fazer exactamente aquilo que esse casal fez e faz.

A partir destas evidências é mais fácil de entender a grave perturbação que Sócrates provoca na já gravemente perturbada direita portuguesa. Nunca antes tinham encontrado um adversário que lhes tivesse tão pouco respeito, precisamente por conhecer de ginjeira a direita portuguesa. E foi necessário que o mundo se afundasse na maior crise económica dos últimos 80 anos, a que se seguiu de imediato a maior crise da Zona Euro, para que a direita portuguesa tivesse finalmente um programa político de interesse para o povoléu: diabolizar Sócrates.

Convenhamos que não se trata de uma originalidade, pois é algo que se faz desde que há humanos a disputar através do uso da palavra o poder num grupo, algures no neolítico. Mas resulta. Caluniar o adversário, macular o seu nome, assassinar-lhe o carácter é um ímpeto cujas raízes são biológicas, nasce do instinto de sobrevivência e é um exacto substituto da agressão física. O que se pretende é a morte simbólica do adversário através da sua ostracização. Foi neste quadro antropológico que Sócrates se tornou o alvo de campanhas de ódio que não têm paralelo na democracia em Portugal.

Que diria a direita portuguesa se Sócrates fosse um dos seus? Diria que as perseguições de que é vítima ficam na História como a prova provada da sua importância, da sua coragem, da sua excepcional capacidade de liderança que estaria a incomodar os maiores interesses instalados. Aliás, a direita portuguesa o que mais adoraria era poder contratar Sócrates, como se viu aquando das últimas eleições para o PSD. Vários militantes soltaram esse desejo, dizendo que o partido devia abandonar de vez o serôdio cavaquismo de Ferreira Leite, e sua réplica nos baronetes Paulo Rangel e Aguiar-Branco, e entregar-se à juventude desempoeirada de Passos Coelho, o Sócrates do laranjal. Azarinho, ó pás, essa laranja estava demasiado podre.

Mas Sócrates não pertence à direita portuguesa. Circunstância que nos permite observar – mutatis mutandis – um fenómeno de alienação colectiva congénere das grandes perseguições históricas da Inquisição, das Bruxas de Salém, do Ku Klux Klan, do Macartismo. Trata-se de um processo de deturpação cognitiva a uma escala colectiva. No caso de Sócrates, o plano passou por retirar do debate político o contexto internacional que influenciava a situação nacional de modo a hipertrofiar até ao absurdo a responsabilidade do Governo socialista na evolução das contas públicas. Em simultâneo, lançaram-se campanhas negras e planos de espionagem ao mais alto nível, envolvendo magistrados e polícias, de modo a capturar material para continuar a alimentar as campanhas negras e, com sorte, reunir documentos capazes de levar Sócrates a tribunal fosse lá pelo que fosse e desse no que desse. Daqui resulta que existe um número indeterminado de indivíduos, que se calhar até atinge a fasquia dos milhões, a terem como certo que Sócrates roubou uma quantidade estapafúrdia de dinheiro, que esse dinheiro foi colocado em offshores, que é desse saque que ele vive luxuosamente em Paris e que as autoridades nada fazem para o apanhar apesar de toda a gente saber o que aconteceu porque… ele é o Sócrates – quer dizer, porque ele tem poderes sobrenaturais, ele não é humano, ele é um monstro.

A direita portuguesa, a direita do Correio da Manhã, mas também a direita do Pacheco Pereira que andou a jurar que Sócrates tinha um gabinete onde se utilizavam técnicas dos serviços secretos para assim controlar não se sabe bem o quê ou quem que ele essa parte já não explicou por manifesta falta de tempo, e a direita da Manela que chegou a verbalizar o seu pavor caso Sócrates derrotado em Junho de 2011 continuasse como deputado, e a direita do Cavaco que não descansou até o derrubar e depois ainda o continuou a maldizer, e a direita dos direitolas dirigentes e arraia-miúda que escrevem, gritam e cantam mil vezes ao dia o estribilho “Sócrates levou-nos à bancarrota”, toda esta gente seríssima e competentíssima vive fascinada, obcecada e desvairada com Sócrates. Sãos eles os verdadeiros socráticos, coitaditos.

34 thoughts on “Os verdadeiros socráticos”

  1. que bela descrição do instinto de sobrevivência, Valrido, que tem por base o medo. repare-se bem na espuma e no vapor da boca, dentes agulhados para matar, e dos cornos enrolados a preceito, do diabócrates. e olha o brilho do mal que carrega nos olhos. e a cor, olha a cor, é de um vermelho sangue de boi.

  2. está a deixá-los doentes, de facto. Noutro dia ouvia alguém desabafar que já não dorme bem há duas noites, com insónias e irritação só de pensar que o homem vai falar na rtp, a nossa televisão, a de nós todos, a mesma em que se estavam a cagar se o Relvas vendia ou não nas suas habituais negociatas obscuras….Eu é que já estou enjoada com tanta hipocrisia e tantos ditadores em ponto pequeno.

  3. mais uma vez os meus parabens.tenho pena de não poder escrever assim, mas no meu tempo,as escolas secundarias ficavam nas capitais de distrito e no meu caso a mais de 90 km de comboio.as universidades ainda mais longe eram só para filho unico de pais remediados ou de pai rico . para completar “o retrato” nem preservativo havia!hoje o pais está diferente felizmente.nem quero pensar o que seria portugal se não tivesse havido abril. sou feliz, dei aos meus filhos aquilo que nao tive e o que a mim não foi sequer permitido ambicionar .repito sou feliz e por isso ando no aspirina,para poder ajudar os humilhados e ofendidos deste pais.

  4. Penso que está tudo dito: “Que diria a direita portuguesa se Sócrates fosse um dos seus? Diria que as perseguições de que é vítima ficam na História como a prova provada da sua importância, da sua coragem, da sua excepcional capacidade de liderança que estaria a incomodar os maiores interesses instalados.”
    Obrigado.

  5. Teria o maior interesse organizar e publicar uma compilação das calúnias dirigidas a Sócrates e à sua família, nos jornais, nas televisões, em declarações pontuais de dirigentes e comentadores políticos etc..

    O fenómeno em si, considerando o calibre da nuvem de acusações ridículas, imprecisas ou comprovadamente falsas, infindavelmente repetidas e recicladas, é sem precedentes. A melhor maneira de o fazer sentir e de incentivar interpretações seria reunir os esparsos.

  6. É muito revelador notar o sentimento de insegurança e culpa (?) que — apesar de todas as proclamações públicas formatadas — a consciência do dilúvio de calúnias desperta naqueles que nele participam de uma ou outra forma, mas de certo modo se devem ressentir da sua existência e do papel que os obriga a desempenhar.

    Os de mais fino trato optam pelo eufemismo: o comentador político, que por acaso também é político comentador, Bagão Felix, por exemplo, disse ontem na RTP que não ia ver a entrevista (Jesú, Maria, que ideia temerária mais pecaminosa!) porque «Sócrates tem uma relação difícil com a verdade». Traduzindo do dialecto de salão para outro mais apropriado: não vou ouvir, vou amuar porque Sócrates é mentiroso, nhã, nhã, nhã…

    Ora tenho para mim que Sócrates, descontos feitos à latitude de erro tolerável entre o que se diz e prevê poder fazer no momento das promessas, e o que de facto se faz no momento das realizações, depois de todas as possíveis alterações circunstânciais, foi talvez o político português que menos faltou à verdade durante as últimas décadas. Isto nada tem a ver com os seus (e de muitos outros) erros, mas apenas com a sua «relação com a verdade».

    E a pergunta que me ocorre é esta: como diabo é que Bagão Felix consegue lobrigar a malta do seu partido e o seu governo no poder?

  7. Valupi,

    Muito bem escrito e com humor. O que deve ter sido bastante difícil, tendo em conta tratar-se de um comentador de esquerda (just kidding!) e uma temática chata como a potassa – em todo caso eu fartei-me de rir…

    Agora, tenho muita pena, mas este texto não é uma análise política (séria), é mais uma declaração de amor ou um pedido de casamento…

    Se substituir-mos o herói do filme, Sócrates, por Salazar, veremos que mutatis mutandis o efeito desejado é o mesmo…

    P.S. Atenção, não estou a comparar Sócrates com Salazar, o Sócrates foi pior……….. bem, apenas em certas coisas, detalhes. UUUUUF.

  8. Val, UUUAAAUUHHH! É MESMO ISSO!

    tadinhos, tadinhos dos escorreitos, dos virgens da verdade, como eles estão completamente fodidos com este golpe de mestres, com esta ideia “sanguinária para a direita” e que a RTP arriscou levar por diante…!

    Amanhã veremos!

  9. nós ja sabiamos que os comunas até passaram a gostar do salazar,depois de ele libertar o social fascista alvaro cunhal,do forte de peniche,por achar que ele era menos perigoso solto do que preso.rosa reconhecer a benovolencia do ditador salazar fica-te muito bem!

  10. Val,
    gostei do texto, mas o “coitaditos” do fim já não me agradou tanto, pois a cambada que se pela por poder dar uma ferradela nas canelas do Sócrates pode ser tudo e mais alguma coisa, mas “coitaditos” é que não, pois a velocidade a que destilam ódio e inventam malfeitorias é própria de gente sem ética, honestidade, justiça, integridade, responsabilidade, respeito ou democracia.

    Já não falo nos “católicos” de trazer por casa do tipo Bagão Félix, dos apólogos da verdade do tipo cavacóide, dos missionários filosóficos do tipo Pacheco Pereira, dos cronistas independentes do tipo Zé Fernandes, dos políticos verdadeiramente especialistas do tipo Catroga, dos comentadores especialistas do tipo João Duque, dos jornalistas especialistas do tipo Camilo Lourenço, das pitonisas de serviço do tipo Marques Mendes, dos criadores de factos do tipo Marcelo, do ex-primeiros ministros colunáveis do tipo Santana Lopes, dos blogueiros jornalistas do tipo Helena Matos, etc., etc., etc..

    Por muitos erros que o Sócrates tenha cometido, relembrar alguns episódios plantados pela corja que hoje se atira a ele, seria suficiente para que, hoje em dia, e depois da devassa à sua vida privada, sem resultados que se possam apresentar algum deles, pelo menos, assumisse publicamente – do mesmo modo que tantas vezes o fizeram – o seu mea culpa; mas não, mesmo depois de tudo isso, arreganham os dentes, salivam, espargem o seu ódio vusceral por tudo o que é lado, levantando de novo tanta da lama que já a justiça se encarregou de lavar em várias decisões que a pasquinada teima em não trazer à luz do dia.

    Por essas e por outras é que os “coitaditos” me parece demasiado, talve um “nojentitos” tivesse ficado melhor.

  11. PARÁBOLA DA COBRA E DO SANTO:
    “Havia, em um campo, uma grande e venenosa cobra. Ninguém se atrevia a passar por ali, pois ela mordia a todos. Um dia, um santo passou por aquele caminho e a cobra preparou –se para mordê-lo. Porém, quando se aproximou do santo, perdeu toda a sua ferocidade e foi dominada pela doçura e suavidade do Yogue. Vendo-a, o sábio lhe disse: “Bem, minha amiga, pensas em morder-me? Envergonhada, a cobra nada replicou. Então, o sábio prosseguiu:” Ouça, amiga: não tornes a fazer mal a ninguém para o futuro”. E o sábio seguiu seu caminho e a cobra concordou com suas palavras e passou a viver sem morder e sem molestar a ninguém.
    Com o tempo, todas as pessoas da vizinhança chegaram à conclusão de que a cobra perdera seu veneno e de que já não era perigosa; e assim começaram a maltratá-la. Jogavam pedras nela, puxavam seu rabo sem piedade; estava quase morta e seu sofrimento não tinha fim.
    Felizmente, tornou a passar o sábio pelo mesmo caminho, e vendo a triste condição da serpente, tão maltratada, ficou muito comovido e lhe perguntou a causa deste sofrimento.
    “Santo Mestre—respondeu a cobra— isto é devido a que não faço mal a ninguém, desde que me deste vosso conselho. Mas, ai! as pessoas são tão cruéis!”
    O sábio, então lhe disse: “Minha amiga, eu simplesmente te aconselhei que não mordesses a ninguém; porém não te disse que não os assustásseis. Mesmo que não devas morder a nenhuma criatura, contudo deves se defender e manter as pessoas à distância, atemorizando-as com teus silvos!”
    A cobra seguiu as instruções do santo e compreendeu que é importante se defender. Quando alguém passava, levantava a cabeça e silvava; evidentemente, ninguém se aproximava e as crianças e os adultos pararam de perturbá-la e a cobra recuperou a saúde e a paz.
    É importante que nos defendamos com uma atitude de não-violência, pois se constantemente suportamos a violência dos outros, estas pessoas serão sempre violentas e não teremos paz de espírito.”
    Emilce Shrividya Starling

  12. É ridícula a ideia de que José Sócrates é responsável pela dívida. A trajectória de crescimento exponencial da mesma vem dos governos de Cavaco Silva. E pode-se imaginar o que teria sido tentar travar esse crescimento no auge da crise do subprime: seria desastroso. De qualquer maneira, os nossos parceiros da UE não o teriam, na altura, permitido…

    Já aqui discuti as causas do crescimento da dívida, que são económicas e motivadas pela adesão mal negociada à CEE, pelo erro que foi a nossa adesão à Zona Euro, e pelos acordos de comércio livre que nos lixaram a indústria textil. Quanto a mim, Sócrates só é culpado por não nos ter tirado da Zona Euro, numa altura em que o custo disso era ainda comportável. No entanto, isso era-lhe politicamente impossível: uma enorme maioria do povo português deu o seu voto a programas eleitorais favoráveis à moeda única.

    A tendência de crescimento exponencial da dívida pública (em conjunto com um geral endividamente externo do país como um todo) manteve-se imparável desde Cavaco Silva, com pequenas oscilações provocadas pelos ciclos económicos. Pode-se não concordar com algumas opções políticas do governo de José Sócrates (e estou a falar de discussão política leal) mas que, como acima disse, derivam do programa eleitoral do PS de Sócrates, sufragado em eleições. Mas as campanhas desleais, de ataque pessoal infundado, que servem depois de arma de arremesso contra as ideias socialistas, são próprias de quem não tem argumentos para esgrimir. E não os tem pois aquilo que oferece é altamente impopular. Por isso o PSD têm que se refugiar numa populismo desbragado, reminiscente dos bodes expiatórios, para (tentar) remar contra a vontade popular. Pois tendo Passos Coelho sido eleito com base em promessas eleitorais contra a austeridade do PEC 4, mal se viu no poleiro executou o exacto oposto daquilo que prometeu.

  13. francisco,

    Eu fiz um gráfico logarítmico da evolução da dívida pública desde 1995, e deu praticamente linear. Os gráficos logaritmicos transformam curvas exponenciais em rectas, permitindo-nos assim fazer o estudo de uma variável que depende exponencialmente de outra.

    A prevalência dos crescimentos exponenciais na economia é bem conhecida, e tem a ver com a capitalização (dos juros, do capital investido, das mais-valias, da inflação, etc).

    Sobre curvas exponenciais e juros, eu não conseguiria explicar melhor que Rogério Martins:

    http://www.youtube.com/watch?v=PUvKt3zR6D0

  14. resposta do rodrigues à última do joapft:

    Estás a falar de quê?

    E espeta-lhe com um totó ou com uma notícia desactualizada ou mal enjorcada…

  15. Joaopft

    Mas esse gráfico logaritmico, para ser coerente com as tuas afirmações, deveria ter sido feito com base na evolução da dívida pública desde 1985. Metes o Cavaco no mesmo saco, mas não tens analise técnica que comprove a tua teoria.
    Pois é, o gráfico logarítmico só não consegue representar é como chegámos à “bancarrota”

    João cai na real!

  16. Ignatz

    Quando as notícias não te agradam, elas são desatualizadas ou mal enjorcadas!

    Deixa de te fazer de mula óh tótó!

  17. Como já tinha dito antes de ter ido ver o futebol, o texto de Valupi está muito bem escrito e com humor. Mas atenção, quando digo humor, não me refiro ao conteúdo, que é maçador e uma pessoa fica orada com as constantes alusões a direitas e esquerdas. O humor reside na técnica retórica da comparação pelo absurdo aqui utilizada, e o absurdo, quando bem escrito, faz rir…

    Valupi começa por nos dizer (avisar!) que para poder compreender o texto temos que ter aprioristicamente (esta palavra não está colocada por acaso) presentes três factos…

    Os três factos, ou apriorismos, são, logo a seguir a terem sido mencionados, imediatamente promovidos a evidências! e ainda a procissão vai no adro, ainda não foi dada qualquer tipo de explicação!!!

    É evidente que se nós aceitarmos os apriorismos que logo a seguir são factos, e que sem argumentos passaram a evidências, o resto vai ser engolido como cana doce! Nem é preciso pomada…

    Facto 1. A direita portuguesa deixa-se representar ideológica e moralmente pelo Correio da Manhã.

    A primeira ‘evidência’ é imediatamente fulminante, uma lógica de ferro: se o Correio da Manhã representa ideologicamente a direita, e se a direita é uma coisa má, logicamente o jornal é mau – contra isto batatas!!!

    Mas há aqui um pequeno problema no que diz respeito à moral.

    Disseram-me que quando um gajo quer ir às putas ou arranjar uma call-girl à pressa em Lisboa, o Correio da Manhã é o jornal indicado! E realmente, anúncios de sexo para todos os gostos é mato. Isto poderia significar que entretanto a moral sexual da direita portuguesa mudou. Tornou-se uma moral mais europeia, mais prá frentex, uma moral que o novo Papa condena rigorosamente.

    Será que a esquerda virou puritana e se deixa representar ideológica e moralmente por este novo Papa que apoiou tacitamente o regime de Videla? Será que um gajo já nem pode ir às putas sem ser apontado do dedo como fascista?

    Bom, as outras duas evidências ficam para amanhã, por hoje já chega de perguntas sem resposta. Mas vou beber um caneco à saúde do Valupi que o rir dá sede…

  18. a lógica da batata pavoneia o seu esplendor com a vela encharcada em laureano clássico. se os holandeses lerem isto ainda te devolvem às origens e com esses problemas morais vai ser difícil voltar enfiar-te no buraco de onde não deverias ter saído.

  19. francisco,

    O gráfico do crescimento exponencial da dívida desde 1995 serve para demonstrar que a culpa não é de José Sócrates. A “explosão final” é um fenómeno matemático, que tem o nome rigoroso de “crescimento exponencial”. Todos poderemos mais facilmente chegar a soluções reais para o nosso problema se acabarmos com esta ficção de que Sócrates tem, sozinho, a culpa de tudo.

  20. “Mas Sócrates não pertence à direita portuguesa.”

    Terceira via de Tony Blair é o quê?
    PECs 1, 2,3,4 e memorandum da troika sao de esquerda?
    Tratado de Lisboa? de esquerda?
    Privatizações? de esquerda?
    Legislação laboral? de esquerda

    Bardamerda!

  21. Joaopft

    João eu nunca disse que a culpa era só do Sócrates. Mais ainda, já tive a oportunidade de dizer que o Tonéca Guterres é o principal responsável pela choldra em que o país mergulhou. Culpo o Sócrates só por não ter tomado medidas mais cedo, logo desde 2005, uma vez que tinha maioria absoluta, usando os PECs, para evitar a derrocada do país. Claro que vires aqui explicar a evolução da dívida, tendo só como pressuposto, a história dos juros compostos e a forma como eles exponenciam as dívidas soberanas, é muito redutor. Houve, efetivamente, um aumento real do endividamento do Estado, durante o legado de Sócrates. Mais ainda, o facto de ele insistir no paradigma de criação de emprego e crescimento, com base no endividamento, levou-nos até aqui. Isto não podes negar.

    abraço,

  22. “Mas Sócrates não pertence à direita portuguesa.”

    claro que o socras é o chefe da direita e é por isso que a verdadeira esquerda unida (cds+pcp+be) votaram ontém no parlamento o seu silêncio num quadro patriótico de esquerda e na defesa do inalianábel direito de expresson.

  23. francisco,dizer que socrates não tomou medidas é uma mentira monstruosa.as manifestaçoes desde a direita à extrema esquerda juntos foram por causa do quê ? o que veio a seguir todos sabem quem foram os responsaveis.olha para a europa e memsmo para a propria alemanha e encontrarás a resposta.nesta materia ao contrario do que se pensa os economistas não estão bem na fotografia.quanto a antonio guterres,vê se tens um pouco de respeito por uma pessoa respeitavel a nivel internacional.saiu quando viu a direita e a extrema esquerda a querer levar o pais para o pantano.não teve pachorra para aturar fdp.

  24. Depois de uma tão facciosa defesa de Sócrates, fica à espera que escreva uma tese semelhante para o Vale e Azevedo. Só alguém com falta de isenção consegue escrever algo deste teor. Sim, Sócrates é melhor político do que todos os que estão em cena nesta altura. Sim, é também um líder. Mas no seu reinado foram cometidos atentados à pluralidade e ao controlo dos media que fazem de Relvas um aprendiz. Para pessoas esclarecidas e com uma visão equidistante, com sentido crítico à esquerda e à direita, a entrevista foi vergonhosa e mentirosa — alguem que se queixa de que criaram uma “narrativa” para o culpabilizar mas que está empenhado em arranjar uma “narrativa” que o isente das graves culpas que teve no cartório e que tentou esconder do povo português, muitas vezes contra os seus próprios ministros (que foram ostracizados, obviamente).

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