Pato sem laranja

Hoje às 17h 30, parado num semáforo, estive a observar um pato de pescoço verde, vindo provavelmente da Gulbenkian, a atravessar paulatinamente as faixas de rodagem da Praça de Espanha. Pelo seu pé, sem pressa, com aquela bonomia olímpica dos patos andantes. Escolheu o momento e o local certo para não ser esmagado pelos muitos carros que ali passam a acelerar àquela hora. Não foi pela faixa dos peões, porque os primatas não lhe inspiram confiança. Tinha em alternativa a locomoção aérea, sem gasto de pitrol, mas optou pela travessia à pata. Ou à pato, que não lhe lobriguei o sexo. Estaria ferido? Não parecia nada. Quando chegou a meio do percurso perigoso, subiu para o lancil do separador e estacou, como quem diz: “Metade já está!” Bateu as asas, lançando um nuvem de gotinhas à sua volta, porque estava a cair uma chuva miudinha. O equipamento de voo também estava operacional, por consequência. Depois olhou calmamente em volta, talvez para verificar as luzes dos semáforos, mas é hipótese que não posso confirmar. Uma buzinadela atrás de mim impediu-me de continuar ali a admirar o génio tranquilo de um pato sem laranja, mas com tomates.

24 thoughts on “Pato sem laranja”

  1. A propósito, ainda agora venho de uma cabina telefónica perto do Público onde vesti a minha famosa identidade secreta de «Ratatão Fuínha» para enviar o comentário seguinte (que não apareceu nem provavelmente vai aparecer):

    «Esther Mucznick preocupada com o destino dos impostos dos portugueses é assustador para o futuro do complexo turístico de seis estrelas de Belmonte. Acho que vou fazer queixa àquele senhor das dentaduras da Fundação Wiesenthal que já cá veio há alguns anos»

    … às considerações da cronista mundana Esther Mucznick, não contra a liberdade alheia de falar e ouvir — longe disso! — mas antes contra a… hem, hum… total imoralidade:

    *********
    HITLER NA ESCOLA por Esther Mucznik

    […]

    «Exagero? Talvez, mas é com este encolher de ombros, em nome do “contraditório” (?!), do “Estado de direito e democrático” ou citando de peito cheio a famosa frase “Não concordo com o que diz, mas defenderei até à morte o seu direito de o dizer” que se defende a contratação do engenheiro Sócrates pela televisão pública portuguesa, sem se perceber que o que está em causa não é “o que ele diz”, mas a total imoralidade quer do convite, quer da sua aceitação. O ex-chefe do Governo de Portugal que durante seis anos nos conduziu de vitória em vitória até à situação actual, que fugiu para França e das responsabilidades que nunca reconheceu, e cujo único comentário que exprimiu a propósito do Memorando – que ele próprio assinou – foi que as dívidas não são para pagar, esse homem não merece um espaço de autopromoção numa televisão que é paga com o dinheiro dos contribuintes. No momento difícil que o país atravessa, esta contratação é escarnecer dos portugueses. Se não se percebe que ela nada tem a ver com a liberdade de expressão, é porque não se entende nada nem de ética, nem de princípios, e muito menos de liberdade».
    *********

    Que grande e horrivel frustração deve ser esta de querer proibir e não poder! Já lá diz o provérbio: diz-me com quem andas…

  2. E despontam mais algumas notícias interessantes nesta primavera que começa. Ora vejam só as últimas da invasão dos pedófilos em curso:

    Estão inocentes os acusados dos crimes da Casa de Elvas relatados pelas desinteressadas testemunhas dos crimes da avenida das Forças Armadas, mas estão culpados os acusados dos crimes da avenida das Forças Armadas relatados pelas desinteresadas testemunhas dos crimes da Casa de Elvas.

    Terminado o processo (multi) secular, aguarda-se agora a sua continuação no Supremo Constitucional da Jurisdição do Último Recurso. Consta que a balança fatal já se avariou outra vez, o arcanjo S. Miguel está aflito dos calos e o Dragão dos rins (assim como eu, de tanto rir com a miséria nacional, mas que se há-de fazer? que se pode fazer?).

  3. Caro Júlio,
    apesar de tudo nunca pensei que a propósito de se comentarem as vicissitudes deambulatórias de um palmípede, ainda teria de ler uma destemperada crítica a Sócrates vindo de alguém que nem sequer sabe escrever sobre a história do seu povo, mas que consegue ainda publicar um livrito…

    Os ódios de estimação cultivam-se, não é verdade.

    Belo texto. O seu, claro!

  4. Júlio, permita-me discordar do seu inuendo onde julgo detectar uma pontinha de anti-globalismo: «nem sequer sabe escrever sobre a história do seu povo»?! A Esther Mucznick pode ser acusada de muitas coisas, mas que eu saiba nunca escreveu nada sobre o seu povo. O escolhido, como é evidente, uma vez que voltou gostosamente das terras ocupadas das suas deambulações albano-israelitas para o seu amoroso Portugal.

  5. Escrevi «Júlio, permita-me discordar (…)», mas peço desculpa pelo engano. Era ao Teofilo que me estava a dirigir.

  6. “Uma buzinadela atrás de mim impediu-me de continuar ali a admirar o génio tranquilo de um pato sem laranja, mas com tomates.”

    o problema da esquerda é ser sensível a buzinadelas e contemplar patos. arranja outro animal que não seja comestível ou ainda vais para ao forno em cama de arroz.

  7. olha que bom é ler sobre coisas simples, Júlio: nas coisas simples fazem-se pensamentos e reflexões. e soltam-se risos. :-)

    (já agora, eu gostava que o pato se chamasse neves – isto porque a sua calma denuncia que, sim – não tenho dúvidas -, trazia tomates leves.) :-)

  8. Preservação da falta de memória, em directo da Patolândia, aqui), aos 02:49:45, através da imortal mensagem do Grilo sábio aos patolas: «Foi para eles que nós organizámos esta conferência, não foi propriamente para nos auto-excitarmos uns aos outros em matéria de investigação». E arranca o fungagá baratóide: cuá-cuá, gri-gri, mé-mé…

  9. Nunca te foram ao cu,
    nem nas perninhas, aposto!
    Mas um homem como tu,
    lavadinho, todo nu, gosto!

    Sem ter pentelho nenhum,
    com certeza, não desgosto,
    até gosto!
    Mas… gosto mais de fedelhos.
    Vou-lhes ao cu
    dou-lhes conselhos,
    enfim… gosto!

    tóino rotto por sugestão da câmara municipal do nuno

  10. oh gata chalupa!

    greve!!! negação!!! onde? a que horas?? quanto custa???

    comparar socras a pato de tomatada revela mau gosto.

  11. Caro Ratatão,

    permita-me o tratamento pelo primeiro nome, pois usar o nome de família poderia parecer indicativo menos lisongeiro. Sobre a “amiga” Esther bastaria falar da sua (dela) ideia de nação judaica vinda desde os tempos imemoriais, a omissão do anti-semitismo ocidental com a acentuação do mesmo de leste, falar do sionismo como se o mesmo fosse abraçado inicialmente por todos os judeus, a confusão oque pretende fazer entre a fuga da europa a todo o custo com a migração para o futuro estado de Israel, o apelidar de “estado de direito exemplar” ao regime atual israelita como se o direito de matar crianças, mulheres, velhos e demais inocentes coubesse nesse direito exemplar de que fala!

    Como judia, pode dizer o que quiser e quando quiser sobre o que pensa, mas tentar esconder-se por baixo do título investigadora para afinal ser apenas mais uma propagandista como aliás tantos o fazem não me instiga a tê-la em conta de exemplo para definir a isenção. Por outro lado, a sua aversão a Sócrates já vem de longa data e espraiada em diversas ocasiões sem um único fundamento para além da sua própria opinião, a que tem direito, mas que geralmente aproveita da facilidade de acesso aos media por força da sua posição na comunidade judaica.

    A mulher que quer rever os manuais de história para os utilizar para transmitir a sua verdade sobre os judeus é indecorosa q.b. para se pronunciar seja sobre o que for em termos de opinião.

  12. Sim, Teofilo, a aversão mukznikiana ao malvado Sócrates é forte, mas felizmente não é extensível a todos os políticos sem excepção. Se der uma espreitadela ao Facebook da dita poderá obvervar que o único Favorito político não-kasher que substitui no seu coração o muito querido Enver Hoxha é aquele que até o bem educado António Costa da Quadratura classificou (em off, mas acidentalmente posto no ar) de «queque malcriado».

  13. Júlio, fico contente por reparares nessas coisas e bardamerda para os idiotas para quem isso não passa de excentricidade.

    Quanto à nazionista Esther Mucznick, bardamerda para ela, tão indigna da memória dos milhões de judeus assassinados pelos nazis como os restantes nazionistas do povo eleito que, em terra ocupada, continuam a roubar invocando as vítimas cuja memória desonram.

  14. Sim, esse. Está lá no Facebook e não está mais nenhum ídolo político não-judeu, nem sequer o Hoxha, cuja pátria tão bem a recebeu na sua juventude, antes da sua partida para a Palestina, que ainda hoje continua a ocupar nos intervalos das lições de tolerância, mas à distância que é mais prudente.

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