Os socráticos, uma história de sucesso

O País tem de eliminar os desequilíbrios macroeconómicos que comprometem o seu crescimento e dificultam o seu acesso às fontes de financiamento externo. Tal exige um forte ajustamento orçamental e a prossecução de reformas estruturais indispensáveis ao futuro crescimento do País. Um e outro impõem sacrifícios significativos aos portugueses.

O que nos está a ser exigido é um ajustamento sem precedentes. A crise provocou novo desequilíbrio nas nossas contas públicas e tornou claro que o facto de estarmos na zona euro já não chega para reduzir a percepção de risco da nossa dívida externa. Foi iniciado um tempo em que o endividamento fácil e o crédito barato acabaram.

A mensagem, clara, que os mercados nos transmitem é a de que não podemos continuar a gastar mais 8%, 9% ou 10% do que aquilo que produzimos. Alertam-nos para o facto de que não há prosperidade sustentável assente no endividamento e para o facto de que o País não pode manter o nível de despesa, de consumo, que tem mantido à custa do crédito alheio, até agora fácil.

Temos de poupar, temos de consumir menos! Sim, o rescaldo da crise iniciada em 2007 confronta-nos, a todos, com esta exigência incontornável: gastar menos!

Teixeira dos Santos, 23 de Março de 2011, Assembleia da República

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Não existe nenhuma figura pública que defenda o regresso de Sócrates à política partidária ou como candidato presidencial. Não existe sequer quem gaste o seu tempo a elaborar alguma síntese programática do seu percurso e legado. Mas existem socráticos. São aqueles que não o largam. E têm em comum serem o que de mais boçal, fanático e decadente existe na actual direita triunfante.

Há lógica no procedimento, porém. A constante diabolização de Sócrates e culpabilização dos socialistas, actividade diária, revelou-se uma táctica acertada. Enquanto esse recurso permite ter respostas mecanizadas e padronizadas para qualquer debate com a oposição a respeito do que Governo, PSD e CDS fizeram ou deixaram por fazer, inclusive para os seus erros e mentiras, um outro ganho está em não gerar qualquer penalização eleitoral ou popular. Reina uma apatia generalizada que é efectiva cumplicidade para esta manutenção do mesmo bode expiatório ao longo já de 5 anos. E ainda mais caricato e vexante: há militantes e simpatizantes do PS que alinham no linchamento, passando a atacar quem insista em desmontar o estratagema calunioso. Foi Seguro quem ofereceu à direita este vil e absurdo conforto de não ter de se responsabilizar por ter afundado Portugal num ciclo de destruição económica e social desmiolada – naquela que será uma das páginas mais negras do Partido Socialista.

As palavras de Teixeira dos Santos em Março de 2011 davam conta de uma inevitabilidade: teríamos de nos sujeitar à União Europeia se a ideia fosse a de lá permanecer. A Europa queria austeridade, portanto o País iria por esse caminho a bem ou a mal. O Governo socialista oferecia-se para liderar esse processo, usando as suas competências e perfil ideológico para que ele causasse o mínimo retrocesso e impacto negativo possíveis. Toda a oposição, ao boicotar essa solução, alegou que não se devia impor mais sacrifícios aos portugueses. E hoje, os vencedores dessa golpada não se cansam de berrar que eram os socialistas quem queria continuar a gastar à doida. Aqueles que aclamaram o resgate, que festejaram a derrota de Portugal, que lançaram a maior campanha de aldrabices de que há registo na história da democracia, andam por aí a encher a boca com ofensas à inteligência, memória e patriotismo de quem não desistiu de pensar. Como estas:

23 thoughts on “Os socráticos, uma história de sucesso”

  1. Pois foi precisamente com este discurso que o homem ganhou as eleições e derrotou, no frente a frente, perante eleitores “impreparados”, Sócrates, Teixeira dos Santos e os socialistas. Os de Soares, em 1983, e os de Sócrates, em 2011. Os militantes socialistas elegeram o “inimigo PS” número 1, Seguro, para substituir Sócrates na liderança do partido. E a coligaçâo vencedora de 2011 percebeu muito bem que podia continuar a fazer do PS-Sócrates o bombo da festa, porque agora até estavam todos do mesmo lado: Seguro, a direita e a esquerda genuína. Se o PS, enquanto partido, não colapsar agora, quase garantia que vai ter ainda anos de vida. Pessoalmente, não acredito que sobreviva à subversão de Seguro e dos “invertebrados” militantes que o alçaram ao poder. Vai perder a democracia. Tornar-se, como já podemos constatar, numa caricatura.

  2. podias, Val, fazer um texto sobre o eventual regresso do Sócrates à política partidária ou como candidato presidencial – como só tu, minha figura pública preferida, sabes fazer. :-)

  3. Maria Abril,
    “Pessoalmente, não acredito que (o PS)sobreviva à subversão de Seguro e dos “invertebrados” militantes que o alçaram ao poder”.
    Então é um Seguro que vai acabar com o PS, cuja história é a história da construção da democracia e do estado de direito em Portugal? Quero ter mais fé…nas pessoas.

  4. Espanta, de facto, a bovina calma dos portugueses perante a revolução em curso que visa enriquecer a minoria às custas da esmagadora maioria. Espanta a falta de reacção perante a os corte de financiamento, o aumento de nº de alunos por turma, a redução dos horários extra curriculares na escola pública e o aumento do financiamento público às escolas privadas ( ainda que no memorando da troika se imponha o contrário). Espanta a falta de indignação e reacção por parte dos sindicatos dos professores, sobretudo dos comunistas, aos maciços despedimentos colectivos de professores. Espanta a degradação da saúde pública, apenas com algumas vozes críticas da ordem dos médicos. Espanta a falta de reacção contundente dos sindicatos da função pública à destruição da Administração Pública e ao despedimento sem justa causa. Espanta que o PS não desmonte a teoria do crescimento do PIB no 2 º trimestre e do pseudo crescimento do emprego, quando todos os indicadores económicos, divida, défice, desemprego,juros da dívida a 10 anos,competitividade, serem muito piores que o previsto. Estranha que as sondagens das autárquicas prevejam vitórias da direita mesmo em concelhos onde concorre dividida ( Porto, Gaia,Sintra..).
    Tudo isto é estranho, tudo isto é fado.
    Tal como os judeus no holocausto caminhamos, sem regresso, para o abismo da miséria colectiva ( moral e material), mas com toda a tranquilidade, como diz o estratega Paulo Bento.
    E ninguém nos ajuda, ninguém lidera o protesto e a oposição aos crimes em curso, ninguém mobiliza os que sofrem( na defesa dos seus interesses), contra a maior transferência de riqueza, de milhões de portugueses para centenas de ricos, jamais vista em Portugal.
    Curiosamente, Pacheco Pereira e Manuela Ferreira Leite são os grande lideres da oposição.
    Está tudo dito!
    Valha-nos os domingos à noite na RTP para ouvir José Sócrates, agora incluído no Telejornal e sem espaço próprio. Pelo sabemos quem nos poderia defender, se o chamássemos de volta.

  5. “Valha-nos os domingos à noite na RTP para ouvir José Sócrates, agora incluído no Telejornal e sem espaço próprio.”

    já começou a encolher em cenário e tempo, a entrevistadeira interrompe mais do que devia, mete a colher onde não deve e debita opiniões a mais, quantidade e tempo. ontém pediram-lhe para comentar “o país pergunta” e na semana passada anunciaram que a piggy ia ser colega do socras. a seguir às eleições é corrido ou tornam aquela merda humilhante para que o gajo bata com a porta. quando o socras fala o cavaco desmaia, a velha diz que não dorme descansada, o rangel atrofia-se, o pacheco espuma-se, o portas tem sonhos húmidos, a loura da cruz quer prendê-lo mas ainda não alterou a lei, o aguiar branco diz que a culpa é do socras, o crato ainda anda a analisar a licenciatura para o exorcisar das assombrações que o perseguem, o pires dos tremoços diz que o programa serve para branquear o passado governativo do socras, o maduro que se andava a sofisticar lá fora no tempo da governação socras diz que vai entregar o controlo do desaforo a uma entidade independente, o macedo diz que ardia mais no tempo do sócras, a cricas quando subiu ao poleiro deixou de ter opiniões, a marilú não diz grande coisa com medo que descubram o que andou a fazer 1,5 governos atrás e o passos vai dizendo o que lhe escorre debaixo do penteado, portanto aquilo vai acabar depois das autárquicas para não dar muito nas vistas.

  6. Seguro disse que ganhar as autárquicas é ter mais um voto que o PSD. Menos dois tenho eu a certeza que lhe serão descontados….Não voto em minhocas ( mesmo que seja para as autárquicas!)…

  7. Pois, nem sei que escrever, porque o pensamento corre-me muito mais veloz que a minha capacidade de articular a escrita, mas vamos lá tentar:
    O artigo do Valupi, sem sombra de pecado e genial, como sempre. Eu só acrescentaria “como foi possível um imbecil destes chegar a PM? e como é possível que por lá se mantenha?”. Tenho 64 anos, já vi muita coisa na vida, mas se isto é democracia, não sei que prefira. Pelo menos com “o outro, que caiu da cadeira” eu sabia com o que contava, com estes imbecis, nem isso.
    Quanto ao PS, é uma tragédia este ponto a que chegámos. Ouvir e ver, num ciclo infernal bem urdido, a obra do Sócrates e do seu Governo, vilipendiada e distorcida, usada pelos cretinos que estão no Governo, contra o próprio Ps, sem que no PS (salvo dois dos ministros de Sócrates) nenhuma voz se levante, nenhuma estratégia de combate se vislumbre, nenhum dirigente se comprometa.
    Ou alguém competente no partido lhe toma as rédeas para o colocar em melhor caminho, ou o futuro irá ser mesmo muito negro.

  8. sacrificar socrates,para suceder ao seu fiel”amigo” cavaco,é altamente penalizador para o ps e para o pais.porque não pensarmos nele para a liderança do ps depois das autarquicas, caso os resultados negativos se confirmem?

  9. soares,não seja maldoso! vota no teu autarca e deixa-te de confusões ! eu voto no pizarro, para derrotar o homem que quer fazer do porto uma barcelona! para começar, vai passar a praia da foz a ser frequentada por paneleiros e gays para turista ver? já começa o despesismo!o grande lider no porto foi fernando gomes do ps.o que se passou a seguir foi alcatroar ruas,pôr um armazem para tenis dentro do parque da cidade, sitiar a cidade com o rali e acabar a obra que ficou a meio, do porto capital da cultura (recuperaçao de ruas e parques de estacionamento) mais a casa da musica e o metro.para o seu amigo economista (estou farto deles…) deixou o bolhão e palacio de cristal para ele ter alguma coisa para fazer, caso seja eleito.votar pizarro é votar num homem solidario, serio e competente como medico, e secretario de estado da saude do governo de josé socrates. não podemos apoiar quem esteve tres mandatos numa autarquia,mas a pensar vir para a do vizinho.razaõ pelo qual não se entendiam!

  10. Ganhar o poder é fácil. Arranja-se um tipo muito bem penteadinho, com boa figura, que não tenha problemas de consciência de na campanha eleitoral prometer “o bacalhau a pataco”. Os media amigos e serviçais fazem o resto. Passados tantos anos após o 25 de Abril, a esmagadora maioria do eleitorado sofre de uma doença crónica, iliteracia politica, é um povo amorfo e com pouca capacidade de critica. precisa de ser mais amarrotado, espoliado, para que aos poucos vá brindo os olhos. Nessa altura talvez, volte a ser o tempo do “volta Sócrates estás perdoado”
    Com o inseguro o PS não vai a lado algum. Corre um sério risco de se tornar num partido residual.

    so reage

  11. A solução para o País terá que passar por uma mudança de regime, até para
    salvaguarda da própria Democracia e do Estado de Direito algo que, começa
    a ser um sentimento muito forte em vastas camadas populares!
    Deve ser adoptado um regime presidencial, acabar com a exclusividade da
    partidocracia na A.R. ( 150 deputados), criação de um Senado ( 25 senadores,
    eleitos uninominalmente), este um princípio para se começar a fazer a verda-
    deira reforma do Estado que, não seja só cortes na função pública e nos refor-
    mados! Suspender, até novas eleições, as privatizações em curso sem uma
    reavaliação dos valores em causa e condições em que se estão a fazer!
    Perante um quadro como o acima descrito, sería importante contar com a dis-
    ponibilidade dos políticos que deram boas provas no seu desempenho e, por
    isso bastante atacados pelos “mamões” incompetentes da corte dos estarolas
    alaparados no Pote!!!

  12. Eu já não percebo népia! mas este grupo é simpatizante do Engº Sócrates, ou o contrário?
    É que estou a ver tantos comentários parvos, que estou em parelesia cerebral, O Sr. terá alguns defeitos como todos nós, mas ninguém não pode, dizer que o mesmo não pertence a um partido que se chama SOCIALISMO, que quer dizer muita coisa, que à muitos que não percebem , ou não querem perceber!
    Na minha opinião, enquanto esteve no Governo, trouxe muito progresso e ideias novas para Portugal.
    Quanto ao estar inocente ou culpado, ainda estamos a aguardar.Eu acredito na sua Inocência!
    Quanto à chamada crise financeira de 2007/2008, não foi ele o culpado! pois ela foi crise financeira Internacional, ou não sabem ler os jornais? Essa tb atingiu Portugal!
    Agora vem outro a seguir, que é tirar!, tirar! tirar! até deixar o povo à beira da miséria, esse sim foi um desastre Nacional.
    Actualmente e muito bem, já estamos melhor , devido ao actual governo, onde destaco a governação do P.S e restantes partidos de esquerda, e até do respectivo Sr. Presidente da República, que tem uma postura correcta, isenta, e próxima de toda a gente, que é o que um Lider deve ter sempre…EMPATIA! que é o oposto de ANTIPATIA!
    Não é memórias do passado, de 2, ou 3ª feiras. de à anos atrás. O Estado deve ser transparente! e mais não digo, que estou cansada…

  13. uh…uh…uh..desculpe minha senhora…senhora Ana Santos… o progresso que imputa ao ex-primeiro ministro José Sócrates e bem assim ao atual ministro aritmético Costalha de s. bento…esqueceu-se de ensinar os portugueses a diferenciar entre verbos e preposições. È uma paixão esquerdalhista, sendo certo, claro, que ensinaram os seus apoiantes a escrever socialismo com maiúscula e a arte do papagueio.

  14. “O artigo do Valupi, sem sombra de pecado e genial, como sempre” by Corvo Negro.

    Eheheheheeh. Este descobriu o novo Adão, em espírito, claro, porque aparentemente ninguém sabe da sua estutura óssea e facial…

  15. Os portugueses teem o que merecem: um país em vias de extinção. Quando a magistratura descobrir que pode punir políticos, sem ser pela via da corrupção, mas pelas asneiras que fazem no seu desempenho político, não haverá mãos a medir. Nem se precisa de inventar um CIRE para a insolvência do país…

  16. Mais um texto com um título assassino, e construído sobre aforismos e frases metafóricas .
    Não me vou dar ao trabalho de desmontar, até porque calham e bastam bem as palavras de Pacheco Pereira, NAO SE PODE ESTABELECER CONSENSOS OU
    NÃO É POSSÍVEL ESTABELECER UM PENSAMENTO RACIONAL
    COM BASE EM AFORISMOS TEXTOS OU FRASES METAFÓRICAS E TÍTULOS ASSASSINOS – Lucakz sobre Nietzche , ( The Destruction of Reason. Georg Lukács 1952 )

  17. Olha, Valupi, o Zé Escorpião a.k.a. José Neves a.k.a o tal Zé do Jugular também andou por aqui com outro dos seus nomes artísticos no longínquo ano de 2013. Mais uma vez chamo a atenção, aos interessados, para o seu estilo inconfundível: se há dias havia a colocação musical de um cê em actitude, agora há a sonegação regionalista do a no abrindo (como se fizesse parte do sibilar de um intérprete de cante alentejano, será?). Seja como for, e como diz o outro, trata-se de uma «doença crónica, iliteracia politica»… ou melhor de uma iliteracia literária, no fundo.

    Zé Escorpião
    9 DE SETEMBRO DE 2013 ÀS 18:48
    Ganhar o poder é fácil. Arranja-se um tipo muito bem penteadinho, com boa figura, que não tenha problemas de consciência de na campanha eleitoral prometer “o bacalhau a pataco”. Os media amigos e serviçais fazem o resto. Passados tantos anos após o 25 de Abril, a esmagadora maioria do eleitorado sofre de uma doença crónica, iliteracia politica, é um povo amorfo e com pouca capacidade de critica. precisa de ser mais amarrotado, espoliado, para que aos poucos vá brindo os olhos. Nessa altura talvez, volte a ser o tempo do “volta Sócrates estás perdoado”
    Com o inseguro o PS não vai a lado algum. Corre um sério risco de se tornar num partido residual.

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