Organizem-se, cambada de imbecis

Uma das melhores alterações que podiam acontecer na política nacional era a concretização da desejada – por um número de eleitores que talvez seja expressivo, pedem-se estudos – coligação entre o BE e o PCP (estou a recorrer ao critério alfabético para ordenar a sequência, calma, mas também podia ser pelo último resultado eleitoral). Se estes dois partidos conseguissem acordar num projecto comum, quer concorressem coligados ou separados, algo de novo talvez aparecesse no regime pós-25 de Novembro: as pazes da esquerda fanática com a democracia.

Para chegarem a acordo, os dois partidos teriam de arriscar aquilo que é o mais difícil numa qualquer organização, a transformação axiológica. Isto é, teriam de alterar a sua hierarquia de valores – o que é o mesmo que alterar a sua cultura, pois as culturas são o resultado social dessas mesmas estruturações dos valores. A modificação mais difícil para ambos consistiria na assunção da responsabilidade governativa. Se ambicionassem governar – e sem esse fim a coligação seria absurda para qualquer um deles – teriam de se confrontar, e pela primeira vez, com a necessidade de porem os pés na terra. As soluções para os problemas de Portugal, em 2011, não se encontram em nenhum livro que os dirigentes bloquistas e comunistas tenham numa estante das suas casas, anotado da primeira à última página e gasto pelo uso. Ao elaborarem um programa conjunto que se pretendesse base viável para entrarem no Governo, seriam intelectualmente obrigados a renegaram o racismo ideológico em ordem a pensarem a comunidade no seu todo. Para muitos, senão todos, era o equivalente à criação do homem novo, mas sem o esperma de Estaline na gestação.

Conseguirão? A nível de dirigentes não há nenhum sinal nesse sentido, pelo contrário. O PCP é um partido medieval, que se satisfaz com o território onde exerce domínio senhorial absoluto. Tem braços para trabalhar e guerrear, uma religião vivida com fervor e um sistema de castas que funciona na perfeição. Quando perdem terreno, vão buscar mais pedra e reforçam as defesas no castelo. Quão mais acossados, mais blindados. Por isso, olham à volta e sentem desprezo pelos que se afastaram desse mundo densamente preenchido de certezas históricas, imune às dúvidas existenciais. Já o BE é uma manta de retalhos, que se mantém ligada por um único fio, cada vez mais gasto e seboso: Louçã. Este general sem exército tem sonhos grandiosos, imagina-se a liderar toda a esquerda em cima do seu cavalo nefelibata. E vem de sofrer duas derrotas consecutivas, com Alegre e com a moção de censura. Cada um dos episódios despedaçou um pé ao mito de ser um estratega dotado, pois nem sequer sofrível se mostrou. Ficou de joelhos, sendo que nenhum dos seus lhe fez chegar um par de muletas. Em consequência, um processo de aggiornamento teve início no Bloco, o qual levará a uma progressiva dessacralização da figura de Louçã; até porque não tem sorte no campo de batalha, o tal imbatível critério napoleónico.

Será altamente improvável que o consigam, infelizmente. Uma das grandes vantagens, para além de oferecer ao eleitorado de centro uma nova possibilidade de voto que tivesse legitimação racional para os seus interesses, estaria na abertura do diálogo com o PS. Quem diz que Sócrates não quer negociar com a esquerda fanática nunca acrescenta que não se pode negociar com fanáticos, sejam de onde forem. E é confrangedor ver os imbecis a repetirem os espasmos dos ranhosos, chafurdando nas mesmas primárias atoardas da verdade e da mentira, do carácter, da arrogância, dos casos.

É um cheiro a balneário insuportável, organizem-se.

42 thoughts on “Organizem-se, cambada de imbecis”

  1. Ola Valupi,

    Editei o meu comentario às considerações acima ontem na caixa de um post da Isabel Moreira (não reparei que era dela) intitulado “a campanha vai ser extremamente dura”. Fiz confusão, pensei que se tratasse ja deste post.

    E’ que as pessoas não sabem, mas o Valupi sou eu.

    Por isso é que ele me irrita tanto, alias.

    Boas

  2. Val, estás a pedir muito. Estás a pedir a uma seita que renegue a sua doutrina, a qual consiste no derrube do capitalismo, da iniciativa/propriedade privada e da democracia. Seria evidentemente uma atitude bem-vinda para a democracia e ainda bem que publicitas esse desidério, não totalmente irrealizável, mas, a meu ver, bastante irrealizável.
    Quanto ao Bloco, a indefinição política conjugada com o protesto permanente são a sua arma para a conquista de lugares no Parlamento para dizer mal do PS, que é tudo o que, até agora, lhes tem interessado. A fusão com os comunistas, que equivaleria à reconciliação de Trotsky com Estaline, uma impossibilidade histórica, retira-lhes votos e, ao mesmo tempo, empregos para aqueles deputados.
    A meu ver, a única hipótese de a extrema esquerda se ir integrando no convívio social com o mercado, sem abandonarem preto no branco a sua matriz “outsider”, é por via do ecologismo (esqueçamos definitivamente a “deputada melancia” Eloísa Apolónia, cujo comunismo é bem conhecido). Aos poucos conquistariam um ou outro posto de poder. É o que se passa na Bélgica, na Alemanha (onde, à pala do nuclear, acabaram de ganhar num Estado) e noutros países europeus.
    Mas, parece que um membro do Bloco vai lançar essa proposta. Aguardemos.

  3. Era muito bonito, o país teria muito a ganhar, mas é profundamente utópico esperar que os estalinistas e os trotskistas se coliguem ou que os bolcheviques e nos mancheviques se entendam. Uma frente de esquerda que, no nosso país, valha a pena e se imponha tem que fazer-se com o PS, o PCP e o BE. O problema é que para o PCP e o BE o inimigo principal é o PS, e ele é insanável enquanto os dois partidos tiverem direcções fundamentalistas como as que têm. É verdade que o PS teria que ter alguma abertura, mas estou certo que tal não seria difícil.

  4. Esta proposta, para ser levada a sério, só poderia ser considerada se fosse suficientemente independente e distanciada na sua caracterização da esquerda portuguesa (seja lá o que isso for). Sim, o PCP é estalinista e o BE é um “partido de causas”, e ambos são limitados na sua “praxis” e contribuições para a “esquerda” que se quer democrática e responsável. Mas, é o actual PS um partido de esquerda? Claro que não. E esse é outro problema à esquerda. Qualquer regime democrata-cristão ou liberal da Europa do Norte pratica uma política mais equitativa e social do que os partidos socialistas da Europa do Sul. É um dado objectivo: as sociedades mais desenvolvidas são as sociedades mais equitativas, independentemente dos rótulos de esquerda ou direita que lhes queiram pôr. Mas, para chegar lá é necessário mais transparência, mais rigor, mais ética e justiça a funcionar. Portanto, não vale a pena continuar a dividir a sociedade portuguesa em “bons” e “maus”, porque a classe política (que é escolhida pelos eleitores) é ela mesmo um reflexo do nosso “déficit” cultural e democrático. Enquanto não percebermos isto, não vamos lá e continuaremos a idolatrar acefalamente Sócrates, Jerónimo ou Louçã, como se a política fosse a mesma coisa que as eleições no Sporting. Cresçam!

  5. Não li tudo, porque não consegui passar da primeira palavra do terceiro parágrafo e nem sei como é que uma mente sagaz e uma pena brilhante podem perder tempo e gastar o Latim neste momento com o BE e a CDU. Uma “aliança de Esquerda” entre estas duas forças políticas e o PS não é solução para ninguém, muito menos para o País. É bom que todos os eleitores da Esquerda lúcida percebam isso (eu, que durante dez anos a fio votei no Bloco, já percebi).

    Há uma distância de “praxis” tão grande entre a Direita (parlamentar e social) e o PS, como existe hoje entre este e a Esquerda dita “marxista”, mas que na sua essência é apenas herdeira do leninismo e do trotskismo. E se alguém ainda tivesse dúvidas disto, a prática política do BE, do PCP e das suas correias de transmissão na Sociedade (os Sindicatos das Corporações, sobretudo das que vivem na dependência do Governo, como os Magistrados, os Delegados do Ministério Público, os Professores e os trabalhadores das Empresas dos Transportes), nos últimos dois anos, agravada nos últimos meses e levada ao paroxismo nas últimas semanas, com relevo doentio para as deliberações parlamentares dos últimos dias, provam que o combate político em Portugal tem três campos distintos e tão inconciliáveis quanto assimétricos: dois deles têm projectos de Poder político (e um deles também de poder económico) e o outro tem únicamente uma vocação de contra-Poder!

    O que faz falta para equilibrar o sistema partidário português não é a ansiada mas sempre adiada concretização da mítica “maioria de Esquerda”, mas sim a criação de um verdadeiro Partido de Esquerda que possa ser “o fermento” da “farinha” constituída pelo PS. Ou seja, como eu costumo dizer, o “CDS do PS”. Esse Partido, que o BE nunca quis ser e o PRD não sabe se quis ou não, mas que nunca conseguiu, estaria para os tempos de hoje como a UEDS, ou o MES estão para os inícios da nossa Democracia, só que hoje faz muitíssimo mais falta.

    Haverá uma fracção do BE que, eventualmente, estaria disposta a correr o risco de se tornar no embrião dessa nova força, mas não vislumbro coragem para cortar com as amarras da ortodoxia e dos dogmas onde os eventuais protagonistas desta evolução histórica do sistema partidário português se encontram instalados e onde se sentem tão confortáveis. Pois que fiquem por lá e disfrutem bem das frases ocas e dos objectivos utópicos de que se alimentam. O Mundo e Portugal não esperarão decerto por eles…

  6. O Marcos Alberto Alves que me desculpe mas o Rui mota esta cheio de razão.

    Não é utopia nenhuma, mas bom senso. E’ profundamente inquietante que não exista um programa alternativo exequivel à esquerda do PS. Por exemplo um programa que defenda que, no dia em que a integração europeia se transformar de facto num obstaculo ao crescimento economico e, por conseguinte, à redistribuição em beneficio do trabalho, então estara na hora de dizer, com calma mas com firmeza, que ja não percebemos bem o que temos a ganhar com essa integração (o que passa, obviamente, por colocarmos sériamente a hipotese de dar um passo para fora).

    Não existir esse programa é o que faz com que o PS caia necessariamente para o “CDS” interno e externo…

    E não existir esse programa é, do ponto de vista do funcionamento da democracia, a pior das situações. Estamos a fazer a cama do populismo e da demagogia.

    Olhemos para os extremos do outro lado : não existe hoje um programa exequivel que defenda a politica do “pretos tudo bem, mas apenas na medida necessaria para podermos assustar os nossos labregos e mantê-los na ordem” ?

    Não so existe e é exequivel, como esta a ser implementado, mesmo por governos com o rotulo socialista…

    O povo, que não é estupido, vota naqueles que mostram poder cumprir. Convém não esquecer !

  7. Rui Mota, dizes que “Qualquer regime democrata-cristão ou liberal da Europa do Norte pratica uma política mais equitativa e social do que os partidos socialistas da Europa do Sul.”.
    Bom, não sei em que te baseias. Aliás é estranho o que dizes, quando o que temos ouvido é que a Europa liberal está a obrigar os países periféricos a adoptarem as suas políticas “de direita”.
    Mas enfim. A Europa do Norte não é Portugal, não tem a história de Portugal, não viveu 40 anos sob uma ditadura imbecilizante. Por causa deste último elemento, também não tem, essa Europa, um partido comunista e um trotskista, animados ainda pelo espírito da revolução de Outubro de 1910 (sim!), com quase 18% dos votos no seu conjunto. Não somos a Europa do Norte. Nem a nossa direita tem alguma coisa a ver com a democracia cristã da Alemanha, ou da Holanda, ou os liberais da Súecia e etc. Isso seria um luxo! O nosso PSD é a miséria que todos vemos, do mais rasca que podia existir num país do hemisfério norte. Patos bravos, oportunistas, banqueiros sem escrúpulos, candidatos a novos ricos, gentinha das aldeias que ainda recorda Salazar com saudade, meninos betinhos e respectivos papás. É isto.
    Acontece que Sócrates retirou-lhes o centro, governa ao centro, é um facto. Pelo que dizes, devias aprovar.

    João Viegas, mas que utópico. Pensas que ainda ninguém fez as contas a quanto custaria sair da União Europeia? Aposto que o próprio Sócrates já as fez.

  8. Não so o Socrates não as fez, como não as fizeram, e menos ainda as apresentaram a publico, aqueles que gritam desalmadamente que devemos sair…

    Mas muito mais grave do que isso é não se compreender a pergunta, que não pede que se façam as contas ao que custaria “sair da Europa” (encomendando ao Bouygues a engenheiria que transformasse o nosso rectângluo na famigerada jangada de pedra, não é ?), nem às economias potenciais realizadas se passassemos a comer as nossas crianças ao pequeno almoço.

    Do que se trata é de uma politica alternativa à de ceder às injunções, levantando por exemplo a hipotese de sairmos provisoriamente do Euro, ou de exigir uma derrogação, ainda que ela tivesse como consequência imediata comermos menos iogurtes e comparmos menos automoveis…

    E repara, cara Penélope, que não estou a dizer que eu seria favoravel a essa alternativa. Estou apenas a dizer que debater sem levantar a hipotese, e sem medir consequências, é circo e não politica.

    Mas deixa estar. Como sempre, infelizmente, vocês é que têm razão.

    A melhor prova disso é que ainda não vai ser nestas eleições que se vão debater programas.

    E la vamos nos outra vez para as sempiternas questões de culpas.

    O melhor aliado da direita, em Portugal, é a telenovela.

  9. “O nosso PSD é a miséria que todos vemos, do mais rasca que podia existir num país do hemisfério norte. Patos bravos, oportunistas, banqueiros sem escrúpulos, candidatos a novos ricos, gentinha das aldeias que ainda recorda Salazar com saudade, meninos betinhos e respectivos papás. É isto.”

    Das coisinhas mais pedantes e estúpidas que já li por aqui. Tão típico de uma certa esquerda urbanóide e complexada, mas com a mania da superioridade (moral).

  10. HG, gostaria que assim não fosse, porque seria sinal de que o meu país já amadurecera e civilizara o suficiente para ter uma classe política decente, séria e empenhada no progresso do país, embora com perspectivas diferentes para o atingir. Infelizmente, os últimos seis anos, e até ao momento derradeiro da dissolução da Assembleia, não me permitem outra apreciação do referido partido. O partido do insulto, dos ataques de carácter, das manobras de bastidores servindo-se da justiça e de jornalistas, das conspirações organizadas ao mais alto nível, da inveja, da raiva e da ausência total de programa (ou uma página A4, dizia a Dra Manuela). Já viste o programa delineado para a avaliação dos professores? O que há naquelas cabeças, que se reúnem amiúde, convidam os cidadãos a darem contributos, dizem que receberam milhares deles, escrevem guias e livros a que dão nomes de calendário “365 não sei o quê” e que depois escrevem coisas como “a avaliação deve ser diferenciada da classificação”? Gostaríamos genuinamente de saber. O problema é que não há no nosso rectângulo um único jornalista que faça perguntas. Os jornalistas são meras muletas para tempo de antena!

  11. Das coisinhas mais pedantes e estúpidas que já li por aqui.

    Isto vindo de quem, perante um comentário onde um troll apelidava o governo de quadrilha de bandidos, pulhas, matilha, o verdadeiro eucaliptal, entre outros mimos, dizia, e cito:

    Eu vinha aqui escrever qualquer coisa, mas o Troll já disse tudo.

    Para estúpido, estamos conversados. Para pedante, não chegas lá.

  12. “rui mota
    Mar 31st, 2011 at 11:59
    Enquanto não percebermos isto, não vamos lá e continuaremos a idolatrar acefalamente Sócrates, Jerónimo ou Louçã, como se a política fosse a mesma coisa que as eleições no Sporting. Cresçam!

    7 HG
    Mar 31st, 2011 at 12:08
    Bingo, Rui Mota. É bom saber que ainda anda gente lúcida por aqui.”

    Podem-me explicar porque pararam no PS nessa brilhante analise, nao me digam que á direita é tudo um mar de rosas…

  13. Penélope,

    Perguntas em que é que me baseio para fazer as afirmações que fiz. Tens razão, devia ter explicado. Vivi 30 anos num país do Norte da Europa (Holanda) e conheço relativamente bem países como a França (onde estudei), Inglaterra (onde trabalhei) e diversos países escandinavos, onde passei largos períodos. Essa experiência (que ainda não terminou) permite comparar, analisar e extrair algumas conclusões. E, a comparação, não nos é nada favorável, lamento dizer-te.
    Claro que todos sabemos que há causas (algumas ancestrais) que explicam este “atraso” estrutural. Estou-me a lembrar da Inquisição, do Fascismo, da débil instrução, da falta de vivência democrática, da subserviência gritante, da falta de cidadania, do clientelismo larvar, das corporações que tudo bloqueiam e tudo influenciam…quem não conhece estas razões?
    Mas, não é necessário ser de “esquerda” ou de “direita” para termos ética, sermos transparentes, rigorosos e prestarmos contas (accountability) dos nossos actos, ainda que tudo isto exija um sistema de justiça universal e independente, o que não é manifestamente o caso, como se sabe. Isto tudo (que não é pouco) sem deixarmos de ser assertivos, exercer a nossa cidadania e o direito à indignação, para o que nem sequer necessitamos de pertencer a um partido político, vê lá tu…
    Dou-te um exemplo concreto: em 30 anos que passei na Holanda, nunca vi um governo minoritário. Todos os governos são de coligação, até porque o sistema eleitoral dificulta a formação de maiorias parlamentares. É assim desde 1945 e não parece que o sistema deixe de funcionar ou funcione pior por isso. Passaram por lá trabalhistas (PvDA). Democratas-Cristãos (CDA), Liberais (VVD), Frentes de Esquerda (Groene-Links), etc., alternadamente ou em coligação e o “estado social” (pedra de toque de um sistema inclusivo) nunca deixou de funcionar. A Holanda ocupa invariavelmente um dos dez primeiros ligares no “ranking” de desenvolvimento mundial (PNUD), tem uma economia pujante, um desemprego mínimo (4%) e uma das melhores distribuições (equidade) da UE. Como se consegue isso? Bom, há varias razões que o determinam: o rigor, a austeridade e a ética das “sociedades protestantes” (Max Weber explica), aliadas a uma qualificação profissional de qualidade e uma cultura de mérito, instituida em toda a sociedade. Mais, os impostos são progressivos (o presidente do conselho de administração da Philips, o CEO mais bem pago da Holanda, paga 73% de seu salário ao fisco) e a justiça é célere e eficaz. É por isso que o leque salarial é de 1 para 7 e o salário mínimo é superior a 1000euros. Dirás: mas o custo de vida também é mais alto. Certo, mas tens apoios sociais importantes (subsídios de reforma, desemprego, doença, invalidez, renda, etc.) que te permitem fazer uma vida decente e consentânea com o custo de vida existente, coisa manifestamente impossível em Portugal. O mais irónico disto tudo é que a maioria das coligações governamentais destes últimos 65 anos foram coligações de “centro direita”…Ou seja, a distribuição da riqueza e o controlo da mesma, são essenciais para o crescimento e a qualidade da sociedade no seu todo.
    Como vês, não é impossível. Mas as mentalidades têm de mudar. E isso, concedo, é sempre o mais difícil.

  14. Vega, nesse mesmo comentário pode-se ler:

    “Cada hora, cada dia, cada semana que passa aos comandos do País, esta matilha leva-nos cada vez mais e mais fundo”

    “É um verdadeiro eucaliptal (veja-se o estado comatoso a que chegou o PS, onde as eleições parecem a Coreia do Norte: patético)”

    “E nem os vetustos dinossauros do partido, com sermões artríticos e senis (todos co-responsáveis por esta tremenda merda), são capazes de disfarçar o óbvio: o PS, partido matricial da democracia (…) está paralisado na sua capacidade de auto-crítica, refém de um projecto grupal de poder”

    “Era a isso que, em síntese, o filósofo se referia caro senhor. Percebo por isso porque não gosta do homem. A evidência fere como um ferro em brasa, não é?”

    “Mas, no que a lucidez e discernimento diz respeito, convenhamos que a sua opinião comparada ao do filósofo sofre de nanez e manipulação grosseira de índole intelectual”

    Tudo coisas com que concordo. Daí não me ter prestado a um comentário próprio. Tu apenas pegaste na parte dos insultos, instrumento a que não costumo recorrer e no qual não me revejo, mas que para mim não põem em causa o acerto do restante que foi dito nesse comentário.

    O que me levou a escrever aquilo acerca do comentário que a Penélope fez, foi ter sentido que não era dirigido apenas aos dirigentes do PSD (e mesmo assim é uma generalização vazia), mas a todos os seus militantes e simpatizantes ou até votantes ocasionais. E que mais não é do que uma visão erradamente simplista e preconceituosa que sei que é partilhada por muita gente dita de esquerda, que, numa estranha contradição irónica, não tem pudor em atacar os outros pela mera condição social. Aquele “gentinha da aldeia” tirou-me do sério. Ao menos o tal Troll não foi por aí.

    Este estúpido e estúpido pedante, prefiro o primeiro.

    Penélope, compreendo a tua preocupação com a falta de qualidade e decência que vai grassando na nossa classe política. Só não compreendo que acuses e demonizes apenas o PSD. É que é um mal transversal a todas as forças políticas, sem excepção. Não há cá uns mais anjinhos que outros.

  15. Ó jpserra, não percebeste nada do que o Rui Mota disse. É precisamente por ele defender que independentemente dos rótulos de esquerda ou direita, o mais importante é haver transparência, mais rigor, mais ética e justiça a funcionar, que concordo com ele. Esquece lá agora a discussão partidária, não era esse o mote do Rui.

  16. Rui Mota, sabes onde fica a Holanda? Se já lá viveste, impossível não saber. Mas assinalo-to mais uma vez: ao lado da Alemanha, da Bélgica, da Inglaterra, da França, a um pulo da Dinamarca, da Suécia, o que significa que os mercados que interessam, pelo menos até à globalização, estão mesmo ali! Os cientistas iam de carro, ou de comboio, ou de cavalo, visitar-se uns aos outros, antes da Internet!

    Viveste algum tempo em Portugal? Sabes onde fica?

    Não compares o incomparável: a história, nomeadamente a da democracia, a localização geográfica, a religião, o grau de alfabetização, o ensino, o índice de leitura, os anos de desenvolvimento que nos separam.
    Há quem queira colmatar todas essas diferenças investindo no ensino, na qualificação dos professores e das escolas, na ciência (hoje em dia facilitada pelas tecnologias), nas renováveis para reduzir a dependência do petróleo, na ligação à Europa por via férrea, no incentivo a iniciativas inovadoras, na informatização da sociedade e a sua consequente abertura ao mundo. E perante quem quer implementar tudo isto, o que faz a nossa direita? Troça, calunia, faz cartoons/cartazes insultuosos, menospreza, diverte-se! Esperarias respeito da minha parte? Deves estar a brincar.

  17. Foge, Rui Mota, é que tu nem te atrevas sequer a voltar a comentar aqui no Aspirina.

    Nos aqui todos concentrados na dança da chuva – que foi assim que a nossa avo nos ensinou que iriamos fazer com que o pais se aproximasse da civilização – e vens tu com escandinavias, e paises baixos, e comparações racionais e tentativas de medir politicas.

    A com responsabilidade politica e ética ainda por cima.

    Não vês que estamos concentrados a cantar e a dançar !

    Tu so podes ser é doido…

    Ou Holandês, no minimo !

  18. HG, é muito simpático da sua parte colocá-los todos ao mesmo nível, mas infelizmente não é verdade o que diz. Os outros podem ser todos uns anginhos, mas é por demais evidente que há um que é um verdadeiro demónio. De tal forma que o maior partido da oposição fez da demonstração dessa evidência a base do seu programa eleitoral em 2009. É verdade que não tiveram sucesso, vá lá saber-se porquê, mas nem por isso desmoralizaram. Tudo indica que será de novo esse o mote da próxima campanha. E fazem muito bem, perante um demónio deste calibre, obviamente, combatê-lo é a prioridade. Tudo o resto, enfim, as políticas alternativas que muitos esperam, pode e deve passar para segundo ou mesmo terceiro plano.

    Só não percebo por que razão os governantes dos países evoluídos do Norte, pessoas que não devem ser nada fáceis de enganar, não correram ainda com ele ou, pelo menos, mostrarem repulsa quando estão na sua presença. Alguns até têm o descaramento de o elogiar, a ele e às suas políticas, ao mesmo tempo que puxam as orelhas ao anginho que tudo faz para livrar o Mundo de criatura tão demoníaca. Enigmas.

  19. Estou tão pouco habituada a conviver com eles que até dou erro a escrever sobre eles. Os anjinhos, claro. :)

  20. Penélope, é certo que a localização geográfica periférica ajuda a explicar parte do nosso crónico atraso, mas no que é que ela releva para a tal transparência, ética e justiça de que fala o Rui?

    “Há quem queira colmatar todas essas diferenças investindo no ensino, na qualificação dos professores e das escolas, na ciência (hoje em dia facilitada pelas tecnologias), nas renováveis para reduzir a dependência do petróleo, na ligação à Europa por via férrea, no incentivo a iniciativas inovadoras, na informatização da sociedade e a sua consequente abertura ao mundo”.

    Tudo muito bonito, mas vai dizer isso a quem hoje está a viver sérias dificuldades.

    Sim, houve uma aposta clara na melhoria do ensino, que com mais ou menos incidentes, obteve resultados positivos que chegaram a ser elogiados pelo PSD, na voz do seu líder parlamentar. Não te recordas? A aposta nas renováveis e na informatização é um caminho louvável mas óbvio nos dias de hoje, não resulta da mente brilhante de Sócrates. Quanto à ligação à Europa por via férrea, devo lembrar que a ideia foi lançada ainda no tempo do governo de Durão Barroso. Mas a insistência até ao limite em avançar-se com o TGV, quando toda a gente já tinha percebido a situação das nossas contas, é incompreensível. Já que és tão bem informada sobre a obra de Sócrates, podias-me esclarecer (falo com franqueza, sem sarcasmo) se seria também para mercadorias? É que nunca percebi bem se sim, e como iria ser feita a ligação, por exemplo, com Sines. É que se estamos só a falar de passageiros acho um disparate. Se posso meter-me num avião de uma low cost e em 50 minutos por 20 ou 30 €, porque iria gastar mais de 100€ e demorar 4 horas? E a questão do TGV não passa só pelos custos da obra, mas também pelos custos de manutenção de uma linha de alta velocidade… Enfim, desculpa se são questões a mais. Ah, esqueceste-te só de incluir nessa lista a criação de 150 mil empregos.

    Guida, confesso que já não tenho paciência para essa lenga lenga da vitimização de Sócrates, esquecendo que no PS também se fazem ataques pessoais aos adversários. Isto é tipo a história do ovo e da galinha. Nem vale a pena discutir.

  21. Penélope,

    Eu escrevi que as mentalidades são sempre a coisa mais difícil de mudar. Mas, também é verdade que os países nórdicos, há 100 anos, tinham 99% das populações alfabetizadas e nós tinhamos 75% de analfabetos. Isto para já não falar do direito de voto das mulheres e essas coisas. Ou seja, muitos anos antes da chamada “globalização moderna” (ainda que, de acordo com Marx, a “primeira globalização” tenha sido iniciada pelos portugueses no século XV, tese que o Emmanuel Wallenstein confirmaria, ao chamar-lhe “mercantilização”). Isto, para não falar dos judeus sefarditas, expulsos por D. Manuel, que foram para a Holanda e contribuiram à sua maneira (cultural e comercialmente) para a riqueza da nação. Como vês, até já fomos “bons”. Só não se percebe é que 37 anos após a instauração da democracia, 27 após a entrada na CEE (actual UE) e subsídios de milhões a fundo perdido, continuemos a ter a maior taxa de analfabetos da Europa a 27, a maior taxa de absentismo escolar, os piores resultados em média nas disciplinas nucleares, uma das maiores taxas de desemprego (11,2%), um crescimento económico médio de 0,8% na última década, uma dívida pública de 110% e uma dívida nacional de 80% do PIB. Isto apesar de todos os esforços na educação, nas novas tecnologias, nas scuts, nas pontes e nos estádios. Explica lá isso, ó Penélope, para eu tentar perceber. Porque, das duas uma: se não é incompetência, só pode ser corrupção. De quem nos governou estes anos todos, pois então.

  22. O meu espanto foi esse, HG. Como é que um tipo como te tens revelado, que defende as suas ideias, apesar de na maior parte erradas, com alguma inteligência, elevação e capacidade de argumentação, lê um texto deplorável de um troll, um mero chorrilho de insultos sem nenhum tipo de fundamento excepto um ódio cego, e é capaz de afirmar “assino por baixo”?

    Quanto ao resto da argumentação que vais produzindo, tentando passar a ideia que no fundo são todos iguais, e que Sócrates não é melhor que Passos Coelho, as evidências estão aí: programa de governo – zero (estão a fazê-lo, com toda a calma e discernimento que só o período eleitoral confere). Medidas até agora: disparate em cima de disparate, revelando, mais do que impreparação para o cargo, uma total incompetência para o exercer. Vamos ver quais as que se lembraram, sim? Um breve resumo:

    – Chumbo do PEC: (para dentro) as pessoas não aguentavam mais sacrifícios. (para fora) o PEC não ia suficientemente longe.
    – Aumento do IVA. Ou talvez não. Ou se for preciso. Ou logo se vê.
    – Cortar o 13º mês: Sim! Não! Logo se vê.
    – Educação: acabar com a avaliação dos professores. Sem apresentar alternativa. Pomos no programa umas generalidades incompreensíveis. Depois logo se vê.

    Acho que até agora é isto, fora as declarações aos jornais financeiros sobre o défice, que roçam a traição ao país. Passos está determinado em trazer o FMI, porque assim pode dizer que a actuação de Sócrates levou à intervenção deste. É uma mera jogada politica, das mais baixas que tenho memória. Porque nada, mas nada, o impedia de viabilizar o PEC IV de modo a desbloquear o plano de salvamento que estava já preparado em condições muito mais favoráveis, e depois exigir eleições. Porque é que não fez isso, diz lá? Ah, espera, deve ser culpa do Sócrates.

    Agora, queres dizer que o PS e o PSD são “equivalentes”? Nem nada que se pareça. É que um deles decidiu que ia à guerra com uma estratégia de terra queimada, unidos à esquerda radical, e os cidadãos que se lixem. E não foi o PS. E isso é revelador do calibre das pessoas.

  23. Vega9000:
    O seu último comentário, sim, assino por baixo. Só quem não quer ver realidade actual é que defende PPC. Estas atitudes se fossem passadas numa guerra não havia ninguém para as comentar. Pelo motivo de estarem todos mortos. Quando se contesta as medidas do adversário tem de se ter melhores. Não é acudir aqui, dar palpites ali. Dom Afonso Henriques teve dessas atitudes. Depois Ega Moniz foi com a corda ao pescoço para honrar a sua palavra.

  24. Correcção: no meu segundo comentário, uma desatenção levou-me a escrever 1910 em vez de 1917. As minhas desculpas.
    Rui Mota, com a adesão dos países de Leste à UE, com mão de obra mais qualificada, salários muito mais baixos e maior proximidade do centro da Europa, muitas empresas optaram por instalar-se e criar emprego nesses países. A abertura da China e a invasão dos seus produtos também aqui produzidos, mas a um custo e preço muito mais baratos, também destruiu parte da nossa produção industrial tradicional. Dir-me-ás que tudo isto era previsível. Sem dúvida! No entanto, os vários governos a partir dos anos 80, incluindo sobretudo o de Cavaco Silva, que beneficiou de uma torrente de fundos, nada fizeram para os aplicar na reconversão do tecido produtivo, na melhoria do ensino e na transformação da nossa economia.
    Sócrates tudo fez, no primeiro governo, de maioria absoluta, para corrigir esses erros. Ao mesmo tempo que incutia maior transparência e admitia maior controlo da acção governativa. Muito mais do que até então, não tenhas dúvidas. O pano de fundo com que o ia fazendo todos sabemos qual foi: Freeport, curso, atentado contra o Estado de direito, tentativa de golpe da presidência, claustrofobia democrática, gritaria de professores ofendidos com a avaliação do seu trabalho e a recompensa dos melhores, olhares fuzilantes de Mário Nogueira, etc. Tudo fácil.
    A meio deste programa generalizado de reformas, que, mesmo assim, prosseguia, apanha com a crise financeira internacional. O défice aumenta outra vez, evidentemente, foi a solução imediata adoptada por toda a Europa. Depois começa o aperto do combate ao défice, cujas metas poucos meses antes se reconhecera ser necessário desrespeitar! Perde a maioria absoluta por efeito da crise, do desemprego, das campanhas sujas, etc. Mais difícil ainda passar seja que reforma for. Ameaça de crise política permanente. Pressão da Europa para cortar aqui, cortar ali e cortar acolá. Tudo ainda mais fácil, portanto.
    Olha, por mim, conferiria de novo maioria absoluta a um governo liderado por este homem. Tem planos, tem iniciativa, trabalha que se desunha, é organizado, é um indiscutível líder e, já agora, concordo com ele em que a última coisa a fazer em matéria de cortes será o despedimento de pessoas e o corte de salários já inaceitavelmente baixos.

  25. Exatamente o que penso, Penélope.

    Tivessem as pessoas mais espírito crítico e analítico, não de “impressões” mas de factos e também poderiam chegar à mesma conclusão. Durante muito tempo o desporto nacional favorito foi “tiro ao Sócrates”. Raramente avaliaram os resultados produzidos, excetuando pois claro, agora em época de crise internacional. Agora o défice já é incrivelmente importante e deve ser falado incessantemente, sendo da inteira responsabilidade do governo. No entanto, o défice de 2007 e 2008, abaixo dos 3%, aconteceu por acaso… Foi efeito retardado das políticas do governo de Durão Barroso (que deixou um défice bem acima dos 7%) ou então até mesmo do Cavaco…

    Tenho pena que muita gente se limite ao ódio e não consiga ver mais nada além disso. Mais, tome decisões que me afetam a mim e a todos com base nesse ódio. Infelizmente, temos muitos portugueses que se regem dessa forma…

    Espero que possam abrir os olhos e votar em consciência e em função das medidas que forem apresentadas.

  26. Penélope,

    Continuas “entrincheirada” na vala Socrática, mas a figura em si interessa-me muito pouco. O que eu escrevi e repito, é que os “portugueses” – read my lips – continuam (37 anos de democracia e 27 anos de adesão à UE depois) a não darem conta do recado. Claro que o Cavaco teve parte das culpas, da mesma forma que o Guterres e o Durão. Já agora não te esqueças do Vasco Gonçalves. E isso que me interessa? Deixa de olhar para as figuras e olha para o modelo de desenvolvimento e a estratégia económica que (não) existe em Portugal. Essa é a questão central.
    O problema, de há largos anos a esta parte, é que a classe dirigente (que é eleita pelos portugueses) se comporta sempre do mesmo modo, seja qual for o partido que esteja no poder. Como, até agora, só três partidos passaram por lá, é fácil fazer as contas. Para o mal e para o bem, eles são os responsáveis pela situação em que nos encontramos. Ou tenho de lembrar-te a catrefa de “boys and girls” que o PS e o PSD meteram no aparelho de estado quando foram governo? Ou das mordomias que os milhares de directores dos serviços públicos auferem? Ou dos salários escandalosos (mais altos do que na rica Europa!) por comparação com os miseráveis vencimentos de 80% da população? Ou do corropio de ex-ministros para lugares na adminitração de grandes empresas e vice-versa? Ou das ruinosas parcerias público-privadas (Luso-Ponte, Mota-Engil, Teixeira & Duarte, Estradas de Portugal)? Ou dos cambalachos praticados nas obras públicas, desde o CCB, à Ponte Vasco da Gama, à Expo, à Casa da Música ou aos famigerados estádios do Euro 2004? As famosas “derrapagens”, que aumentaram o custo final destas obras em 100 e mais por cento? E para onde vai esse dinheiro? Para as construtoras civis. E para onde vai uma parte dessas verbas? Para os partidos políticos. E a quem dão os partidos as obras? Aos construtores que os apoiam. O Tribunal de Contas publica regularmente relatórios sobre esta escandaleira e ainda, recentemente, saiu um livro sobre o assunto. Chama-se a isto, clientelismo. Na Sicília, são práticas mafiosas. Não lês os jornais? Em que país vives tu?
    A corrupção é generalizada e a justiça (que também é corrupta) usa o conhecimento dos “dossiers” para fazer chantagem sobre a classe política e vice-versa. O mesmo se passa com a PJ e as restantes corporações. Não percebes estas coisas simples? És muito naíve, Penélope.
    E o que dizes de personagens como o Rodrigues (podia citar mais dez) que chefia uma comissão de ética e rouba gravadores a jornalistas no Parlamento? Achas isto normal? Por menos do que isso, qualquer deputado holandês era despedido pelo seu próprio partido na hora! E o que fez o PS? Passou uma esponja sobre o assunto. Como podem estes partidos que nos governam, exigir moralidade à sociedade, se eles são os primeiros a não dar o exemplo?
    Mas que país é este, sem rei nem roque e onde tudo é vigarice e feito de improviso? Não percebes que, enquanto estas relações não mudarem, não muda o resto, seja lá o partido que estiver no poder?
    Vê-se bem que nunca viveste num país desenvolvido. Por isso, só por isso, estás desculpada.

  27. Rui Mota, vê-se bem que já não vives em Portugal há muito tempo (alguma vez viveste?). Continua a falar sózinho, estás desculpado. Se te conforta, em teoria concordo contigo a 100%. Saudações do fundilho da Europa.

  28. E outra coisa, tenta perceber isto (sei que parece difícil, mas esgforça-te lá um pouco): eu tenho dois Filhos e não querem que eles tenham de emigrar, quero que eles se esforcem por levar Portugal para o caminho desse desenvolvimento onde te rebolas. Passa bem.

  29. Rui Mota: sei o que fez o Ricardo Rodrigues e da sua reacção sanguínea, e sei também as insinuações dos jornalistas.
    Sei também que, por exemplo, se me acontecesse algum dia ser entrevistada pela Judite de Sousa, que ontem voltou à carga na TVI24 com o Ministro da Finanças, aparentemente sem ter aproveitado o mês de férias para ir até Londres ou ao Qatar aprender a arte da entrevista com a BBC/Al Jazeera, a minha pessoa não permaneceria ali mais de dez minutos.

  30. Marco Alberto Alves,

    Não necessitas de escrever quatro comentários que eu compreendo à primeira. Lamento informar-te, mas vivo em Portugal. Não me rebolo no desenvolvimento, mas conheço-o bem. Por isso, exijo-o para o meu país (sou um sentimental). Se os teus filhos tiverem de emigrar (eu também tive, mas por motivos políticos) não há-de ser dramático. Se for para melhor, só ajuda a abrir os horizontes. Queres um conselho? Apoia-os, se eles quiserem sair daqui, que, quando voltarem, vão-te agradecer.

  31. Tenho pena mas, se o argumento não fosse meramente retorico, estaria ca eu para assinalar que o Rui Mota, ainda que estivesse a falar sozinho, não estaria a falar no deserto.

    Como ele, tenho muitas dificuldades em aceitar o que ele descreve, que infelizmente não é completamente fantasiado.

    Como ele, creio que não esta em causa saber se a culpa é do PS, do PSD, do Barroso, do Socrates ou do Papão. Esta em causa saber como é que devemos fazer para mudar as coisas no futuro.

    Como ele, sinto calafrios quando verifico que é impossivel debater a questão nesses moldes aqui no Aspirina, sem ser imediatamente acusado de fazer propaganda politica em favor do Benfica ou contra o Sporting.

    Contrariamente a ele, julgo que perdemos muito tempo a constatar, a acusar, a deplorar, e que gastamos pouco no que interessa, que é o seguinte : a campanha eleitoral deve centrar-se na questão de saber qual é o programa mais eficaz para sair da situação. Não com varinhas magicas, nem com milagres de fatima, mas com rigor, com resultados. E, ja agora, com resultados neste mundo interdependente e globalizado, que não é nenhum castigo que nos aflige por fado, mas simplesmente o mundo em que decidimos livremente viver, pelo menos desde 25 de Abril de 1974…

    Se conseguirmos que a campanha seja centrada nesse ponto e que se discutam mesmo as alternativas. Ganharemos sempre, ainda que o partido que apoiamos saia vencido…

    Boas

  32. Sim senhor, Rui Mota, tudo muito bonito, muita sabedoria, muita capacidade de síntese, apresentam-se situações por aqui enraizadas desde há muito, mas… soluções?
    Vai ser um país “desenvolvido” espontaneamente, só por causa das suas análises? Sabemos que não haverá tão depressa soluções milagrosas para este país “sem rei nem roque e onde tudo é vigarice e feito de improviso?”.
    Vamos então tentar melhorar um pouco as coisas, ajudando aqueles, que, mesmo corruptos, pois a corrupção é, segundo li no seu comentário, generalizada a “toda a classe dirigente” e a todas as outras instituições estatais, vamos, dizia, apoiar os que são menos maus e… nestes não estão por certo os da direita (PSD e CDS) como saberá – os factos desde todos os pontos de vista aí estão para confirmar, a começar pela revelação do Cavaco-sonso ser dos mais comprovadamente corruptos e esbanjador dos dinheiros públicos e ter adquirido propriedades e ganho fortunas com o apoio de amigalhaços criminosos da banca e da finança, ter fugido ao fisco… e mesmo assim ter sido reeleito PR!?!?
    Senão, daqui a uma eternidade a sua análise ainda será lúcida… para quê?
    Actuemos, então, apoiando o PS, contra o PSD – já será alguma contribuição para a melhoria, embora parca, deste estado de coisas – devagar se vai ao longe!!!!!

  33. Torres,

    O que eu escrevi faz parte do senso comum. Basta não ter “palas nos olhos” e ter um espírito independente. Nas palavras do cantor, “sou o meu próprio comité central”.
    Imagino que seja apoiante do PS. Tudo bem. Porque é que não se filia no partido que apoia e exige uma discussão interna como o fazem militantes como o Manuel Carrilho, Medeiros Ferreira, Ana Benavente, José Seguro, Henrique Neto ou Ana Gomes, para citar meia-dúzia de nomes que, ultimamente, têm criticado a falta de democracia interna no PS?
    O Cavaco é um farsante. É sim senhor. Mas foi escolhido pela maioria (relativa) dos votantes nas últimas eleições presidenciais. Azar o seu (e meu, que não votei nele). E o PSD e o CDS, também são malandros? São, sim senhor. Também não votei neles… Portanto, há que continuar a lutar pela transparência (dentro e fora dos partidos, pois estes são o espelho do país). Ou seja, a corrupção e o “chico-espertismo” são endémicos e, como o combate à fraude é uma falácia, toda a gente assobia para o ar, pois dessa forma sempre vão passando entre os pingos da chuva. Como “são todos culpados, ninguém é culpado”, está a perceber? E assim vamos vivendo. alegremente, contando umas anedotas aqui e ali nos intervalos das assembleias do Sporting. Melhores dias virão…

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