Vinte Linhas 604

Uma certa memória do Montijo naqueles tempos de 1957

Quando em 1957 fui viver para o Montijo estranhei tudo – a começar pela água que saia quente das torneiras. Embora perto de Lisboa a verdade é que, num certo sentido, ali já começa o Alentejo. As galeras carregadas de cortiça vinham de Pegões e passavam à nossa porta na Rua Sacadura Cabral a caminho do cais. As camionetas que iam para Lisboa com mercadorias e produtos, tinham que passar por Alcochete para chegarem ao Porto Alto onde atravessavam o Tejo a caminho de Vila Franca de Xira. Não havia ponte em Almada que só surgiu em 1966. A praça principal do Montijo que hoje descobri numa velha edição das selecções da Gazeta do Sul recorda-me esse tempo da minha escola primária. A praça tinha a igreja matriz à direita e o posto da Polícia de Viação e Trânsito à esquerda. Ao centro havia o coreto – inevitável numa terra com duas filarmónicas que eram a Imparcial e a Democrática. Uma fundada em 1 de Dezembro e outra a 2 de Janeiro. Automóveis 5 e pessoas 9; dito de outra maneira – o espaço sobejava. Aos domingos à noite esperava-se com ansiedade a chegada dos jornais de Lisboa com os resumos dos jogos dessa tarde: as duas páginas do meio incluíam classificações e relatos breves dos encontros com a menção especial «directo pelo telefone». Nas festas de São Pedro, no pino do Verão, apareciam os bombos e os zés pereiras: os homens saíam de dentro daqueles bonecos enormes a suar e não havia lenço que chegasse para enxugar o rosto. À esquerda da foto ficava a escola primária e as canções das meninas: «Fui lavar ao Rio Lima / Cheguei lá sem o sabão / Lavei a roupa com rosas / Ficou-me o cheiro na mão». Em 1957 era assim na minha escola.

21 thoughts on “Vinte Linhas 604”

  1. Lá na tua escola eram só as meninas que cantavam? Os meninos não? Lembro-me da triste viuvinha, lembro-me da saia da carolina, lembro-me do jardim da celeste, mas esta das rosas, não. A escola devia ser muito evoluida: estavas lá tu! Barretes da senilidade…

  2. o prosopoeta alzheimeriano ataca de novo com episódios exclusivos de uma infância muito rica em cortiça e cantares femininos dos alentejanas do montijo. entretando devo ser brindado com as habituais obras completas em vernáculo sindical.

  3. Tambem havia catequese aos domingo, a geografia era um livro muito grande, chegava a Timor, beijava-se a mão ao senhor padre…

  4. Estes dois primerios são cabeças de burro e não percebem nada. Estão bem um para o outro. Cambada…

  5. Ó calhamaço, não venhas para aqui com ideias parvas. Primeiro não aceito ameaças, não tenho idade nem estatuto para isso. Depois não removo coisa nenhuma – não o fiz, não o faço nem o farei pois não domino essa técnica. Estás a tentar se capcioso ao usar um maquiavélivo «para não teres que» como se alguma vez isso tivesse acontecido. Lapão…

  6. Ó cabeça de burro já disse que não domino estas coisas e os textos e fotos são enviados ao gestor do Blog que me faz o favor de os publicar. Tanto quanto sei «cadê» é português pataxó e eu não estou para aí virado. Bute meu!

  7. queres dizer que a gerência te censurou um poste e não te deu cavaco? demite o gerente e obriga-o a resgatar o poste, tipo discurso do presidente.

  8. Ó cabeça de burro, tu é que te deves demitir – não vales nada. Eu nunca quero dizer, eu digo. Então, ó grande lapão, se tu nem identificas o assunto como é que pensavas que alguém te ia responder? Além de delirante és alucinado. Safa!

  9. eh pá tem lá calma! ainda tens algum avc por causa do poste que desapareceu ontém, aquele da fotografia do andor dos chinitas ou eram sunitas? para o caso tanto faz, era aquela coisa tipo ponto de encontro que o mendes fazia na sic. faz um esforço que te recordas. entretanto estou à espera que mandes apagar os meus comentários prá coisa ficar perfeita. acho que nem vale a pena descer ao ponto de te adjectivar com aqueles mimos literários que usas para brindar os teus desagrados. o manel machado não diria melhor.

  10. Posts sem o mínimo interesse. Viradinhos para recordações serôdias do zézinho, dos seus tempos de escola primária, de como era o Montijo onde viveu em 1957, de velhos tempos que só a ele deviam interessar. Mas não, a banalidade da escrita, rudimentar, e a repetição das recordações vão continuar no mesmo ritmo! A quem, afinal, interessam episódios do passado deste gajo que já parece ter 100 anos?!

  11. Ora, ora, vira o disco e toca o mesmo… Ainda não percebeste que mesmo os «sem-abrigo informáticos» já perceberam que isto é tudo a mesma coisa, por mais voltas que tentes dar. Tu és o outro e o outro és tu. Não há pachorra…

  12. Não há pachorra é para te aturar, zézinho, por mais voltas que dês! Nunca fiz segredo de que o Joca é meu irmão gémeo. Umas vezes está ele de serviço aos teus posts, outras estou eu. Olha, hoje estou eu…

  13. a verdade é que o post desapareceu. Não havia mal em desaparecer e ninguém tinha de dar explicações, é uma opção de quem gere o blog. Agora, vir aqui negar o que está à vista de toda a gente é que é desonestidade.

  14. É mentira, não desapareceu coisa nenhuma, grande calhordas! Ainda há pouco tempo li as suas 24 notas à qual acrescentei uma por mim assinada a confirmar o óbvio. E não se trata de nenhum «andor» como o outro cabeça de burro escreveu. É um monumento no Jardim da Estrela. Cambada de analfabetos…

  15. pelos vistos foi mandado para longe ou seja arquivo de agosto 2010, ganda aldrabilhas, deves ter aprendido essa técnica com os teus amigos sindicalistas

  16. Não foi nada mandado para longe, grande palhaço. Continua onde sempre esteve, bandalho.

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