O “fim da impunidade” continua a proporcionar espectáculos assombrosos

Um juiz, que não se chama Ivo Rosa, disse o seguinte num tribunal:

«"Os senhores vão ser todos absolvidos porque não há prova. Olhando para a acusação, como ela está estruturada, a mesma não tinha sentido. Não tem suporte nenhum e custa-me, porque há aqui senhores que se limitaram a dizer: concordo com o parecer."»

A cena passa-se no Tribunal Judicial da Comarca do Porto, a 8 do corrente. Um dos réus que acaba de ouvir a novidade é uma figura grada do PSD. O juiz, depois de se declarar “perplexo” e de carimbar o Ministério Público com o ferrete da “desonestidade intelectual”, continua:

«"Agostinho Branquinho recebeu 225 mil euros mais 10 mil euros, em 2007. E pagou, dois anos depois, 235 mil euros em 2009. Não foi em 2014, quando começa o inquérito. Foi em 2009, seis anos antes do inquérito. Ou os arguidos têm uma grande capacidade de adivinhação, ou, dizer o contrário, não faz sentido nenhum. Tratou-se de um empréstimo de um amigo que foi pago", salientou o presidente do coletivo de juízes.»

Ora, ‘bamos’ lá à continha. Temos uma “acusação do MP sem provas” + “um juiz sem papas na língua” + “um político importante falsamente acusado de crimes económicos” + “um político importante que recebe um avultado empréstimo de um amigo” = silenciamento mediático, indiferença política. Quem quiser encontrar reacções a este episódio terá mais sorte se vier falar com a minha vizinha do 4º andar do que se for procurar em artigos e programas de opinião ou andar a vasculhar editoriais. “No pasa nada“, “circular, circular”, dizem os cromos que determinam a agenda das indignações diárias e semanais.

Dá muito jeito, um jeitaço, controlar a comunicação social e seus efeitos sociológicos e políticos. Como vemos neste caso, onde se abafou mais um dos frutos podres do “fim da impunidade” dado este inquérito ter começado sob a regência da fabulosa Joana Marques Vidal. E entende-se sem esforço a censura colectiva à notoriedade e à potencial reflexão sobre o escândalo, pois quando se utiliza a Justiça para abater adversários políticos, quando há vinganças em curso e a continuação de ganhos eleitorais no horizonte resultantes delas, a última coisa que se quer é deixar passar a imagem de que os procuradores-xerifes são humanos, e que alguns até cometem erros inacreditáveis por razões (ou falta delas) lá deles.

Somos todos cúmplices desta farsa onde um núcleo principal da Justiça é uma arma de arremesso política nas mãos da direita e de vulgares criminosos. E em que o Estado de direito não se cumpre plenamente como guardião dos direitos, da liberdade e da paz na comunidade.

16 thoughts on “O “fim da impunidade” continua a proporcionar espectáculos assombrosos”

  1. isto trata de quê ? o zezito pagou a massa ao silva , é isso ? é que se se trata do branquinho o juiz disse :
    “PDM [Plano Diretor Municipal], e não deixa de causar perplexidade que, afinal, Agostinho Branquinho entra neste processo só em 2006. Quando a peça fundamental da acusação [Agostinho Branquinho] não está presente, cai tudo por terra”, explicou o presidente do coletivo de juízes”

    ora , o zezito está presente desde o inicio dos tempos na beira…
    este post é o que se chama confundir a estrada da beira com a beira da estrada -:) -:)
    virar as coisas do avesso para fundamentar crenças é muito feio , chama-se qualquer coisa como puxar a brasa à sua sardinha , ou carapau . ou robalos.

  2. todos estão presentes em qualquer lado desde que nasceram, depois quando morrem são cremados ou enterrados, preferencialmente num cemitério. tu ficas onde sempre estiveste e onde trabalhas, na beira da estrada.

  3. “Somos todos cúmplices desta farsa…”
    Somos todos? Espera aí…
    Então quando um gajo se manifesta, alto e bom som, contra a injustiça de um velho apanhar uma multa por estar a comer uma sandes na rua, fica tudo calado, e ainda chamam negacionista ao gajo. Quem é que é cúmplice afinal?
    Estão a praticar um dos maiores crimes contra as crianças ao violar um dos seus principais direitos e está tudo calado. Quem é que é cúmplice afinal?
    O Val então a justiça para ti já não é cega, e como o Camões só vê dum olho.
    Ó Val larga o tinto.

  4. “Estão a praticar um dos maiores crimes contra as crianças ao violar um dos seus principais direitos e está tudo calado. Quem é que é cúmplice afinal?”

    e és tu o garante dos principais direitos das crianças e dos velhos que comem sandes, que faz as acusações e julga os “crimes”? uma espécie 3 em 1 do direito mal comparado.
    cúmplice da estúpidez és tu, a bimba, o patrioteiro e mais uns que andam por aí a difundir a mensagem do ventrolhas.

  5. Crescendo a onda de indignação provocada pela vergonhosa saída em liberdade de Vara, torna-se cada vez mais gritante o facto de que esta desgraçada república é vassala dos poderes ocultos que manobram na sombra.
    Mais do que a um novo escândalo judicial, aquilo a que se assiste é a uma generalizada inversão de valores, autêntico cancro corrosivo da nossa sociedade. Multiplicam-se as metástases dessa patologia: os réus mandam nos juízes, os criminosos mandam nas polícias, os subordinados mandam nos chefes, os empregados mandam nos patrões, os alunos mandam nos professores, os filhos mandam nos pais, as esposas mandam nos maridos, as mulheres mandam nos homens e, para cúmulo, os governados mandam nos governantes.

  6. Continuando o comentário do Português…e eu não largo a ganza.

    O Eu mesmo é ele mesmo, um borrego.

  7. Não lhe dêem troco. Deixem-no grasnar, urrar, ladrar e assobiar que nem cobra. Ele quer é eco. Sim é um provocador, mas o Administrador deixa-o destilar a peçonha. Valupi corta-lhe o pio ele é pago a linha. Ninguém ia estar constantemente empenhado nesta verborreia se não fosse pago. De resto o que ele escreve por vezes raia o nonsense.

  8. Já cá faltavam o troll e o resto dos palhaços.
    Como é que a justiça há-de ser melhor se a malta não consegue viver sem a canga?
    A própria comissão de trabalhadores da RTP agora quer um apartheid sanitário na empresa. Onde é que está a justiça para impedir esta discriminação? Ou aqui já não interessa haver justiça?
    Está a haver um número exagerado de miúdos com o vírus sincicial provocado pelas máscaras. Onde é que está a justiça para parar com esta estupidez?
    Mandaram 300 miúdos para casa por causa de uma pseudo infectada com covid. Onde é que está a justiça para suspender o palhaço responsável por esta parvoíce?
    Estamos bem entregues não há dúvida.

  9. Pior do que alguns dos mentecaptos que, bolsam as suas baboseiras neste
    espaço com o intuito de o contaminar, só o Zé das Iscas da SIC também co-
    nhecido como aspirante a p.ministro de nome gomes ferreira!
    Então o “experto” está indignado com o “golpe” que, o António Costa e a
    Van Dunen estão a praticar na Polícia Judiciaria ao nomear para o sua dire-
    ção magistrados … coisa que, sempre foi pratica corrente só que o “especia-
    lista” nunca se apercebeu do facto todavia, isso serviu para mais um feroz
    ataque ao Governo e ao PS à conta dos fundos que estão a chegar!
    Ao que parece, não há forma de responsabilizar estes “terroristas” da desin-
    formação que, à pala da Liberdade usam uma nojenta libertinagem!!!

  10. Dá para pensar que, se calhar, até existiu algum ilícito que foi, propositadamente, embrulhado em asneiras para não dar em nada, mas deixando a impressão de que todos são são iguais perante a justiça. Até os do PSD.
    O que eu sei é que a pandilha da direita, quando implicados nalgum imbróglio, usufruem de verdadeiro segredo de justiça e vão-se sempre safando de bater com os costados na pildra.

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