8 thoughts on “O diagnóstico ’tá fixe, Garoupa, mas cadê a receita?”

  1. Não deixa de ter razão. É ver-se a quantidade de corporações que por aí pululam, todas a puxar para o seu bolso. Solidariedade nacional é coisa que há muito deixou de existir neste País. Vejam-se as lutas corporativas de professores, enfermeiros, médicos, juízes, militares, policias, e também e fundamentalmente de patrões e empresas que nunca se desabituaram de estar encostados e viver com base no subsídiozinho do Estado. Todos procuram uma teta para chupar e o leite, escasso como sempre neste País, há muito que deixou de poder alimentar todos. Assim os governos, TODOS, mais não fazem do que ir pondo retalhos na muito esfarrapada manta, que vai sempre abrindo novos buracos. O povo, o que não está representado nestas e noutras corporações, lá vai tentando sobreviver, quase nunca havendo uma ligeira melhoria na insignificante fatia do bolo que lhe cabe.
    É o que de há muito também observo na politica deste País, partidos, políticos, comentadores e tutti quanti que por aí vão entretendo o pagode: ausência praticamente absoluta dum projecto de desenvolvimento social e económico que envolva o conjunto da Nação, e não só os interesse corporativos, e dum plano e prazo credível para o realizar.

  2. Relativamente ao que atrás disse, tenho a acrescentar que houve uma altura, um pequeno período há tempos atrás, em que apareceu um indivíduo a quem chamaram tudo e mais alguma coisa, desde paneleiro a corrupto e ladrão, e que apareceu com ideias, projectos e um plano de desenvolvimento para o País que me pareceu credível, Mas, claro, como incomodava os corruptos e todas as corporações deste País trataram logo de o perseguir, caluniar e meter na cadeia. Foi, assim, um pequeno lamiré de luz que apareceu , mas logo foi apagada.

  3. Desde que Garoupa sentou lado a lado, sem denúncia, no Estoril, dois dos maiores intervenientes na politização da justiça e na judicialização da política, ou seja, na escumalhação das instituições, em Portugal e no Brasil, soa-me a conversa de chacha tudo o que escreve.

  4. ai não percebes qual é a receita, Valupi?
    ela não é mencionada propositadamente, sabes, porque ainda não chegou a altura de a revelar.
    mas os ataques à democracia e o apontar de dedos à política são já bem reveladores do que estas pessoas defendem.

  5. É um bom retrato. O problema nunca foi o diagnóstico, há até em excesso, a questão é que se alguém se atreve a quebrar o status quo é abatido. Coragem, como sempre.

  6. Não foi este Garoupa que há meses disse não haver espaço para mais partidos à direita, incluindo o partido liberal do qual então se falava?
    Para mim, a receita deste anarco-liberal é muito clara:
    regime presidencialista e democracia liberal determinada pela sociedade civil.

  7. Garoupa é um palerma que não sabe do que fala, pelo menos quando fala de política. A confusão de conceitos que ali vai é sintomática, sobretudo quando fala de corporações e da sociedade civil, de que ele não tem sequer uma noção aproximada do que sejam. As corporações são modos de organização da sociedade civil, mas ele opõe-as e confunde corporações com funcionalismo público. Pelas afirmações que faz, também não entende o que é democracia, nem percebe qual é a relação dela com o funcionamento dos partidos. Todo o antidemocrata é alérgico, como Garoupa, à chamada “partidocracia”. Não há democracia sem – ou contra – os partidos. Onde não há partidos, não há democracia — isto é uma regra sem excepções no mundo actual. Mesmo os sistemas democráticos presidencialistas se baseiam sempre nos partidos. Veja-se o caso dos EUA ou, a actual França, onde um suposto outsider, Macron, ganhou as eleições presidenciais, mas na verdade já tinha fundado um novo partido, En marche, que posteriormente viria a conquistar a maioria absoluta do parlamento.

  8. Garoupa manipula alegremente os números dos resultados eleitorais. Diz que “os três partidos do regime” (PS, PSD, CDS) “perderam 1,3 milhões de votos” em relação a 1995, para tentar provar que o regime partidocrático ou a “partidocracia vigente” está em vias de apodrecimento. Ora o que se passou é que nas eleições de 2015 votaram menos meio milhão do que em 1995 e que em 2015 um novo terceiro partido, o BE, obteve 550 mil votos, enquanto a CDU pouco baixava. Garoupa poderia ter interpretado os resultados eleitorais dos últimos 20 anos como uma manifestação de desinteresse dos eleitores em geral pelas urnas, muito especialmente nos anos de 2009, 2011 e 2015 (o período da crise), e, ao mesmo tempo, como um reforço da esquerda. Para isso, precisava de analisar a evolução dos resultados eleitorais do período 1995-2015, coisa que não faz, porque não lhe interessa. Fixa-se na abstenção record verificada em 2015 (44%), que em 2019 não se repetirá, e omite a votação de 10% no BE (que não existia em 1995) para poder fazer as suas profecias catastrofistas sobre a democracia portuguesa.
    O que realmente interessa ao Garoupa é a possibilidade de se criarem novos partidos para baralhar o eleitorado e desabituá-lo dos partidos actuais, pois acha (embora não o diga claramente) que só assim será possível reduzir a votação total nos três partidos de esquerda, que em 2015 foi de mais de 50%. Garoupa quer ver repetir-se cá o que se passou com a criação de novos partidos em Espanha, Itália e França, que tão bons resultados deu para a direita.

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