Nozes e escorbúticos

A endémica impotência do PSD, incapaz de sequer apresentar ideias que justifiquem uma discussão com fogareiros, devia ser alvo de estudos académicos. Donde vem? Os 10 anos de Cavaquismo, e suas múltiplas fortunas rápidas e crescentes, será causa fatal – tanto mais por se ter montado uma estrutura financeira e económica de suporte a esse intrincado tecido social laranja, a qual se prolongou pelos 13 anos seguintes: a SLN e o BPN. Um dos prováveis efeitos da abundância material é o de criar lassidão e nojo nas gerações seguintes, faltando berço. Os que nascem na abastança resultante das benesses do Poder, esses novéis filhos-família, sofrem de amnésia filogenética, acreditam em milagres a crédito. Por essa razão, não há sangue novo no actual PSD, não aparecem talentos. Os que nasceram nos anos 70 e 80, nas tribos que se deram bem no Cavaquistão, foram para as melhores escolas, encheram a pança de prazeres dispendiosos e estão agora em condomínios fechados, ou no estrangeiro, a maldizer a piolheira pátria a partir dos seus rendimentos anafados. Resultado: os novos recusam a política, que consideram suja e perigosa, e os mesmos continuam na mesma. E assim nos vimos em 2008 e 2009 a ter de suportar a miséria ética e política de Ferreira Leite, Pacheco Pereira e Cavaco Silva – figuras que têm décadas de gasto, são consortes da situação.

Mas há outra razão, trágica para o País nas suas consequências, que advém do deserto cultural daquela organização. O PSD, depois de Sá Carneiro e Balsemão, é apenas um partido de advogados de província, incluindo os alfacinhas, nesse sentido em que imaginam estarem a palestrar para borregos. A sua competência não é a intelectual, que pede a humildade do estudo e a grandiosidade do ideal, é a feirante. Passam o dia a tentar vender colchas e atoalhados e a brigarem uns com os outros, trôpegos de empáfia. Os publicistas do PSD, desta ou daquela ala, tresandam a banalidade e decadência. Cheira a tasca na Lapa, um território onde ninguém confia em ninguém por se conhecerem todos demasiado bem. As vantagens de poderem encher a comunicação social com qualquer mensagem a qualquer momento e na duração que quiserem – utilizando a SIC, TVI, Expresso, Público, Sol, Correio da Manhã e Renascença, a que se junta a equanimidade da RTP e o arrasto da restante comunicação social – é desperdiçada por nada terem de relevante para dizer, propor, fazer. Chega-lhes a chicana, ficam satisfeitos por ladrar e mostrar os dentes em péssimo estado.

Como navegadores há muito sem porem pé em terra firme, reduzidos à penúria cívica e insalubridade política, estes indivíduos teriam de conseguir descascar a laranja bem antes de pensarem em abrir as nozes que os deuses lhes dão.

20 thoughts on “Nozes e escorbúticos”

  1. Bem, caro Val, depois deste post tens a cabeça a prémio lá para os lados da Lapa.
    Olha que o Ângelo pode pagar a caçadores de prémios…já o Cavaco não tenho a certeza.
    Cumprimentos

  2. gostei mais desta frase de antologia do Lomba , que dizia , mais ou menos , não me alembra ipsis verbis : o socratismo vai ser conhecido como a sopa dos pobres da política . gente sem curriculo , sem competência , sem nada de nada , foi alcondorada ( ena !! , que palavra mais gira ) aos mais altos cargos da nação.
    até parece que este post é assim um arremedo…os ricos da política que não servem para nada.
    entre as 2 espécies , venha o diabo e escolha.

  3. Valupi,

    Lá mais para o fim do mês, quando estiveres a escrever outro post desta grossura e comprimento, que em muito pouco, calculo eu, se distinguirá das centenas doutros que tens obrado à mão e continuarás a obrar no futuro, vais, se não tiveres cuidado, vergar-te naturalmente nas canetas à força dum inevitável delíquio e, quando acordares, estás na sala de emergências do mesmo hospital privado utilizado pelos teus inimigos, os cavaquistaneses. Felizmente, os agentes de bata branca do PSD que por lá trabalham não te conhecem, é o que te safa.

    Apesar da endemia que não poupa ninguém, não empurras links com provas das anemias e lassidões menores dos teus adversários, pelo que os burros que tiverem a paciência de te lerem até ao fim (eu não passei da amnésia filogenética) ficam desculpados por te darem menos de três palmadas. É assim a vida. Mas vais viver, não te assustes. Carapaus como tu têm sete vidas como o gato.

  4. Há uma inexactidão no teu discurso, Valupi, que não posso deixar passar em claro, no que toca aos dentes dos frequentadores da Lapa. Os ditos não estão estragados e incapazes de partir nozes. Simplesmente cairam todos, da tanto “falar verdade”. Até faz dó vê-los tão novos e já desdentados. Resultado: sem dentes para a refrega, mandam a comunicação social e os magistrados atirarem-se às canelas do Sócrates. E como mordem, os cães!

  5. Se como afirma Giroflé “(…) quando acordares, estás na sala de emergências do mesmo hospital privado utilizado pelos teus inimigos, os cavaquistaneses” é pq não tens nada de grave Valupi. Se fosse realmente grave acordarias num hospital a sério, um hospital público!

  6. E eu que pensava que os bestuntos giroflés “pastavam” apenas no jardim da celeste…giroflé, flá, flá…
    Engano meu.
    Perdidos nos meandros da inteligência, da argúcia, da serenidade argumentativa de Valupi, o que lhe sobra? O vómito, o insulto, a “vergastada” cobarde, por incapaz de se concretizar.
    E de argumentos, de réplicas, de tréplicas substantivas, como está a dita giroflé?
    Mal, muito mal.
    A indigência total.
    Eu, fui dos que acreditei que Passos Coelho podia significar uma viragem na deriva insana e troglodita que varreu o PSD de Santana Lopes, Marques Mendes, Menezes e Manuela Ferreira Leite (afilhada de Cavaco Silva).
    Conheço-o, pessoalmente. Tenho dele boa opinião, como pessoa e como politico.
    Contudo, reconheço que, como Presidente do PSD, a atravessar um período de acalmia interna, se tem revelado um flop. Fala onde não deve; diz o que não pensa; pensa o que não deve; ameaça quando o que se pede é concertação e esforços conjugados; denota impreparação e vontadetimida de cavalgar uma onda favorável. Deixa-se sobrepor por um tal Ângelo Correia (amigo dos árabes, dos interesses económicos gordos, muito gordos…).
    Os erros que tem cometido são de palmatória.
    E não sou só eu que o digo.
    As sondagens já começararm a falar e não dizem nada de bom para o PSD.
    Numa situação de desgate, quase total, de Sócrates, o líder do PSD já devia ir em três maiorias absolutas, pelo menos.
    O que acontece?
    Leia-se, com atenção, sem preconceitos, e com algum desportivismo para a rapaziada do PSD, o post de Valupi e percebe-se.
    “Comprimentos” a madame giroflé e, sempre lhe digo, há uns cursilhos de boas-maneiras, baratinhos, rápidos, que lhe seriam de mor utilidade…digo eu.
    J. Albergaria

  7. Parabéns pela qualidade e acutilância na escolha das palavras, Val, mais uma vez.
    Ideias:
    Ideias? O PCP e o BE nacionalizavam tudo, empregavam toda a gente no Estado, fechavam as fronteiras, atribuiriam a consequente crise e miséria internas ao “bloqueio” da UE e acusariam quem fugisse (70% dos portugueses com pernas) de lacaios do imperialismo.
    O PSD de Ângelo liberalizava os despedimentos, privatizava a saúde e a educação, baixava os impostos e de seguida, compreendendo que nada melhorava, bem pelo contrário, a dívida aumentava, e que não saberia conter os protestos, vendia o país aos espanhóis logo que o PP estivesse no poder, porque se há liberdade de circulação de capitais também é atendível que haja liberdade de aquisição de países. É uma questão de mercado.
    Penso que, nesta fase, tudo está claro.

  8. Magistral texto. Não consigo ser tão pessimista como tu sobre o PSD (ainda tenho esperança – a província já não é o que era, e as câmaras municipais sempre foram bons viveiros), mas está magnífico. Suponho que o PSD tem de se libertar de muito lastro.

  9. Mais um texto do Valupi que preenche toda a blogosfera. Muito bem. Não será uma qualquer “dança de roda de meninos” que a consegue desmentir. De facto, o PSD é para além de um ninho de víboras, uma qualquer tribo antropófoga… e desses devemos ter medo, muito medo…

  10. É pá, José Albergaria, qué isso, pá, qué que aconteceu, pá, estás, parece, a funcionar a meio-vapor, pá!
    Então isso é prosa que se apresente, com “bestuntos” giroflés, perdidos, etc, etc., só lhes restando o “vómito” e o resto, a vergastada cobarde, pois, “por incapaz de se concretizar”. Mas concretizar-se do quê? Tens a certeza que ensaiaste bem esse discurso? Ou n ão foste avisado a tempo para vires aqui salvar o “arguto” Valupi? Também pode ser, mas recuso-me a crer: estares hemiplegicamente, aqui estou a imitar imitando o “arguto”, paralisado (fica à tua escolha que lado direito ou esquerdo).

    Engano teu. Pena. E engano meu. Não sabia que o Valupi tinha guarda-costas de arromba além da “minha pessoa” e do Contreiras do século XV.
    E a Giroflé anda boa, pá, uns dias mais murcha que outros, indingente e tudo o mais, obrigada. E, já agora antes que me esqueça, esse lasseiro perímetro anal, tens untado isso bem com glicerina, com fartura, para evitares incontinências precoces, agora que palpito devas andar já a bater as meias-solas cinquentonas de oprotunismo político e prosa banal do gajo sabichão?

    Pois, os gajos do antigo PSD são uns insanos e trogloditas, bebo à saúde disso, mas esqueceste um pormenor interessantíssimo que é o de que foi graças a um veterano PSDista, que o Sócrates foi fazer um cruzeiro aos Bilderbergers, prelúdio das grandes cavalgadas como primeiro entre a fantochada. E é sempre bom sabermos que conheces pessoalmente e tens boa opinião do Passos, apesar dos seus “erros de palmatória”. Imagino que devem roçar peidas por corredores comuns. Tu e ele, pois.

    E o Presidente do PSD foi um “flop”?. Não, doutor, eu diria, no máximo dos mínimos, que a presidência do PSD, sob ele, foi um “flop”. A sua actuação, os seus ademanes verbais, ideias, programas, caralhices, se quizeres. É que se as pessoas que aqui te lêem, e que vão ao futebol, um dia destes chegam a casa e vão dizer às mulheres que o Ronaldo foi um flop nessa tarde. E tu sabes como é que estas coisas são, não sabes?

    Há cursilhos de boas maneiras, sim, deve haver, Dona Josefa. E há muito filho da puta que precisa de tirar um. E olha que quando os ouvimos, vemos e lemos, nem parecem carecidos de melhor educação..

  11. Malta, newsflash, bocas foleiras é água debaixo do rio, como aquela coisa do Heráclito. Esconder-se atrás de um nick qualquer um faz, até eu, às vezes. A blogoesfera deu o que tinha a dar. Não acreditam em mim? Perguntem, por exemplo, ao Paulo Querido, já que é sempre preciso recorrer a figuras de peso para se ter alguma credibilidade. Be safe everyone! :)

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