Não ter pena da morte

Se fizéssemos um referendo para a restauração da pena de morte, alguém sabe qual seria o resultado? E mesmo que ela fosse recusada, alguém arrisca uma percentagem? Os defensores do aborto votariam contra ou a favor da pena de morte?

111 thoughts on “Não ter pena da morte”

  1. Defensores do aborto Valupi? Lá estás tu a extremar posição, se achas que ser a favor da não criminalização da decisão da mulher é defender o aborto, nem sei que te diga, isso já nem é abdução, parece deturpação

  2. Tens razão, Z. Extremo a posição até ela conseguir chegar à vítima do aborto. Precisamente e inevitavelmente, é a vítima quem mais me importa. Tal como no caso da pena de morte, o mesmíssimo princípio.

  3. Valupi,

    Mesmo que seja certa enquanto condição para a própria vida, a morte é sempre injusta enquanto facto. Ou seja, a morte é sempre uma pena. Mais: ela é a própria pena, já que todos estamos a ela condenados.

  4. Valupi, fácil. Se o referendo fosse a seguir “áquilo” do Ricardo no Euro, mais de noventa por cento eram a favor.

    Se fosse hoje, o referendo não era vinculativo, o pessoal está todo a apanhar sol, patrocinado pela Cofidis.

    Se fosse no Natal noventa por cento era contra.

    (Por isso é que é bom deixar assim. Não toque no assunto, você é uma voz de referência, é ouvido, estou certo que a rapaziada do governo ou lá como se chama aquilo já está a hiperventilar com este seu post.)

  5. As pessoas decidem abortar em desespero de causa, tal como a polícia atira a matar nessas circunstâncias (e uma situação que envolva reféns em perigo veste o conceito na perfeição).
    A pena de morte jamais poderá valer-se do mesmo pressuposto.
    E por isso não existe paralelo possível entre a “medida” das vidas (ou da sua perda) em situações extremas e, como na aberração pseudo-jurídica da pena capital, as situações ponderadas.
    Se existisse isso dos defensores da vida sem ser no plano das mesas de chá não morriam milhões de pessoas à fome em todo o planeta.
    Estou com o Z, Val. Estás em plena silly season.

  6. Comendador, grande verdade: “você é uma voz de referência, é ouvido”. Quanto à data do referendo, vou esperar pela sensatez, sentido de oportunidade e superior gestão do silêncio do nosso magnífico Presidente, aproveitando-se a ocasião para referendar também o regresso da monarquia e a independência da Madeira.
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    shark, as pessoas decidem abortar em desespero de que causa? Aproveito a deixa e repito: qual é a causa que as move quando decidem abortar sem que haja essa necessidade?

  7. Dass…
    Esta é das mais estúpidas tiradas que eu tenho lido nos últimos tempos ao nível das dos blogues dos “fundamentalistas” da nossa Direita de trazer por casa ou das comunicações dos papa-hóstias e beatos variados que vão conspurcando o “éter”.
    Por outro lado pode haver aqui uma certa ironia reinada que me está a passar ao lado – espero que seja esta última hipótese.

  8. Mas tu acreditas que alguém aborta sem que haja essa necessidade, Valupi???
    Tás mesmo a precisar de uma raspagenzinha no útero para perceber pelo menos a dimensão física do problema, méne.
    Tou fodido contigo, pá. Queres mesmo que te acreditemos palerma…
    (Mas eu sou um céptico nesse particular, acho que nos gozas que nem um perdido quando soltas estas bujardas como bufas silenciosas no metro em hora de ponta e nos vez a torcer o nariz.)

  9. Valupi, eu percebo que tu lances um urro imenso a ecoar pelo Universo em defesa dos que não têm voz,

    consigo imaginar-te a coçar a barba e a dizer: porra, tenho que ser eu

    recordo-te que não podes chamar ao feto pessoa,

    confia que cada vez haverá menos abortos

    sê compreensivo com os outros

  10. Bjorn Pal, o que está a passar ao lado é o teu argumento. Onde está ele?
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    shark, mas de que “necessidade” falas? O debate decide-se nessa identificação e respectiva avaliação.
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    Z, talvez não possa chamar “pessoa” ao feto, até porque a noção de pessoa, tal como a usamos na linguagem comum, remete para uma personalidade (vindo o conceito da teologia cristã, a qual recuperou a filosofia grega para lhe dar “substância”). Mas inquestionavelmente posso dizer do feto que é um ser humano – um ser humano no estádio mais frágil da sua existência, tão frágil que até os progenitores o conseguem matar com alívio através de abstracções como “um feto não é uma pessoa”.

  11. A necessidade de não poder contar com os Valupis deste mundo para sustentarem a criança, por exemplo, ou para darem conta dos danos colaterais provocados por uma gravidez indesejada.

    Acabem os defensores da vida com as mortes devidas à (também) sua incúria em tantos pontos do planeta, garantam o sustento e a felicidade de todos os nascituros e respectivas mães e os “defensores do aborto” ficam logo sem argumentos e as gajas passam a ser moralmente obrigadas a dar à luz em quaisquer circunstâncias, essas assassinas sem necessidade alguma…

    (Custa-me a crer que estou a debater este assunto nestes termos com o mesmo Valupi que esbocei no meu arquivo de ilustres virtuais…)

  12. val,
    estou com o comendador nesta, caro amigo. A resposta a uma questão dessas dependeria em muito do timming e das circunstâncias em que fosse feita a pergunta. O que nos diz, à partida, que Portugal não tem convicções nessa matéria. Só convulsões.

  13. shark, estás baralhado, fruto desse fenómeno de tempestade cerebral chamado “reacção emocional”. O resultado é este:

    – “sustentarem a criança” – Este argumento pressupõe a incapacidade individual e/ou colectiva para a obtenção dos recursos mínimos para a sobrevivência do bebé. Trata-se de uma situação imaginada e desmentida pelos factos e pela inteligência comum. Só em cenários de catástrofe tal pressuposição aparece como legítima, embora não como condição suficiente. Mesmo em zonas de fome há pessoas a quererem ter filhos e a apostar na sua sobrevivência. Como é óbvio, em Portugal há sempre, sempre e sempre todas as condições para a sobrevivência do bebé, a que se juntam os milhares de pessoas interessadas em lhe dar um lar e uma família caso os progenitores não assumam a sua responsabilidade parental.

    – “danos colaterais” – De que danos falas?

    – “gravidez indesejada” – A gravidez ser indesejada (e resta saber como se concilia a prática de relações sexuais com a negação da responsabilidade sobre as mesmas) é circunstância menos importante do que a realidade do ser humano concebido. Uma vez concebido, tem direitos que transcendem as flutuações psíquicas dos progenitores.

    – “Acabem os defensores da vida com as mortes devidas à (também) sua incúria em tantos pontos do planeta” – Puro delírio.

    – “garantam o sustento e a felicidade de todos os nascituros e respectivas mães” – Grave delírio.

    – “essas assassinas sem necessidade alguma…” – Que é, exactamente, o que muitas são.

    O teu arquivo de ilustres virtuais é um projecto em aberto, sujeito a alterações que espelhem a dinâmica do pensamento livre.
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    Rui, mas eu também estou de acordo convosco. Basta lembrar que o 1º referendo sobre o aborto foi perdido porque as pessoas foram para a praia em vez de terem ido votar. A ideia de um referendo sobre a pena de morte é apenas mais uma reflexão relativa ao caso do sequestro no BES.
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    Z, não percebi qual a relação, mas gostei de ler o César das Neves, meu vizinho.

  14. Eu não tenho tempestades cerebrais, apenas meros fogachos.
    Mas sim, deixo a verve ao sabor das emoções e depois levo com a frieza implacável dos serenos e aderentes como tu. Malandro.
    Vai-te encher de moscas, reaccionário encapotado!

    (Delirium tremens, já sei…)

  15. shark, não é que a tenham sempre, mas costumam tê-la com maior frequência. Refiro-me à razão e aos serenos.
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    Comendador, agradeço-te não ser preciso agradecer-te. Logo que possa procederei à mudança de cenário, mas lembro que não vai ser rápido deslocar tanto fuzilado para fora de cena.

  16. …sendo que há ainda a hipótese do puto não querer chorar mais ou coisa no género; já sabes como são as crianças, quando menos se espera…

  17. Na verdade, caro Valupi, são só dois os fuzilados. À sua ordem, as tropas francesas podiam retirar-se, os tipos que estão mesmo prestes a ser fuzilados fugiam (é sempre assim, não viu a gerente do banco?) e a coisa ficava desanuviada.
    Com um pouco de sorte, os tipos aparentemente fuzilados não estão mortos (você sabe, o Goya era um exagerado, é ver o auto-retrato, aqueles cabelos levantados não enganam ninguém).

    A sério, Valupi, ficava um post dinâmico, a ilustração a acompanhar as caixas de comentos. Eu achava bem.

    (depois eu prometo abordar o ponto de vista da mulher que aborta e você mete Paula Rego)

    (e chegaremos ao momento da concepção e aí´temos que nos virar para a obra do Jeff Koons)

  18. Comendador, detecto aí uma ingenuidade de carácter histórico: as tropas francesas não se prestam ao abandono dos fuzilamentos sem um longo processo diplomático se ter concluído. Isso está atestado em tudo o que é calhamaço e canhenho bonaparteano. Quanto aos fuzilados, agora são três; ora repara lá. Isto por volta da hora do jantar já vai tudo morto e morrido.

  19. Valupi, noto com pesar que, mais uma vez, desdenha de uma excelente ideia que lhe dou. Entretanto, com este impasse, já morreu mais um (eram dois os fuzilados, que eu vi o original com estes que a terra há-de comer, no Prado, em dia que não se pagava bilhete).

    E é verdade que sou um ingénuo, pergunte a quem quiser.

  20. Tanta conversa sobre a morte e ninguém fala sobre a problemática do coveiro.
    Viremos a discussão para a Psicologia do Coveiro.
    Muito já se escreveu e discutiu sobre o Carrasco. Não quero trazer para aqui o Carrasco, mas, e o Coveiro? Como continuar a falar da Morte (e, até, da sua pena) sem falar do Coveiro?
    Que ânsias, que temores leva o Coveiro para a cama quando se deita? Com que sonha? Como defende o seu ego das realidades da vida e da morte?
    Vá lá, ajudem-me digam-me qualquer coisa sobre o Coveiro!!!

  21. Eu estou com o Valupi, Comendador.
    A bem da verdade e mais fogo menos fogo, o Goya até ilustra bem a conversa dos comentários.
    E só não vê aqueles que orgulhosamente votaram SIM à morte.

    (bolas, mais valia terem ido para a praia)

  22. Comendador, que não te pese o pesar. Irei perguntar a quem quiser, pois.
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    Rui, estás feito o rei do apotegma.
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    corrector, cá vai: o coveiro é fixe. Que mais precisas de saber?
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    Saci, estás com os bons. Muito bem.
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    zazie, dificuldades de interpretação?

  23. ora eu bem pensava ontem: nem uma gaja por aqui, a única que teria falópios para vir cá era a Zazie, só que ela anda amuada com o Aspirina, tirando que tem um fraquinho pelo JP: gostam muito de japoneiras e outras árvores. E afinal veio uma marradinha …

    Não te esquentes menina, que isto é Verão

    As outras imagino que vêm cá cheirar, ficam como matronas à espera de ver o combate e acenar aos gladiadores, déjà-vu

    shark, camarada, não és o único pecador pá, eu também sou. Mas acho que Ele nos perdoa, afinal salvou a Madalena e tenho-O ali com a cabeça do João no ombro,

    Valupi, vê lá se ficas robespierriano, o incorruptível que corre tudo à guilhotinada

  24. Z, ainda não percebi a razão da tua queixa. Acaso deixaram de existir os defensores do aborto livre? E caso ainda existam, será errado nomeá-los e interpelá-los?

  25. não Valupi, estou contigo em que os abortos são uma tristeza e que bom era que não houvesse, por todos, a começar pelos progenitores. No entanto haverá sempre alguns – espera-se que cada vez menos – mas aí entre a hipocrisia do vão de escada na versão miserável ou a clínica de Badajoz na versão confortável, sou por que se façam com acompanhamento médico e apoio em Portugal.

  26. Mas essa não é a questão, nem sequer é questão. Se uma mulher quer abortar, então que o faça nas melhores condições possíveis.

    Do que falo é do valor que se dá ao ser humano que já existe como actualidade, como realidade cujo direito à vida deve ser igual ao de qualquer outro ser humano. Estar tão frágil que nem sequer consegue pedir ajuda, ignorante do perigo que corre ao ter calhado com progenitores que pretendem expulsá-lo do mundo dos vivos, não deveria ser causa de indiferença e desprezo.

  27. acabei de confirmar junto de peritos: os gregos viam a paisagem, khwra, delimitada com amor, seja a Beleza e o eros ou o sentimento de pertença, a philia,

    o olimpo era floresta sagrada

  28. Eu acho que já percebi o Valupi. O post dele dirige-se às pessoas más que querem matar aqueles seres humanos tão frágeis que nem conseguem pedir ajuda, como ele muito bem disse. São as mesmas pessoas daninhas que fuzilariam aqueles pobres de cristo na fotografia que está ai em cima no post. Gente má.

  29. O Saci é que pôe o dedo na ferida. Mais vale ser a favor da pena de morte, que é para matar gente má, do que ser a favor do assassinato de anjinhos que nem se conseguem defender. Portanto, uma mulher ou um homem que sejam a favor de matar crianças é muito pior do que uma mulher, ou um homem, que seja a favor de matar pessoas más.
    Acho que fiz bem a sintese da coisa, não fiz, Valupi?

  30. Z, o “amor” dos gregos pede mais explicação. Resta também saber de que gregos se está a falar.
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    claudia, não há contradição apenas no plano da tua subjectividade.
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    Saci, nem mais.
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    Fizeste bem a síntese, Pedro, mas a síntese pode estar bem feita e não prestar para grande coisa. No caso, serve para tu te iludires.

  31. Valupi, não compliques. Eu só perguntei se a sintese estava bem feita. Fico satisfeito por saber que fiz bem a sintese porque era isso que pretendia.

    Mas não te importas de caracterizar melhor os “defensores do aborto livre” em oposição aos “defensor da despenalização do aborto”? Eu já percebi que os primeiros são maus e piores até que os que condenam os outros maus à cadeira eléctrica. Mas o que são exactamente os “defensores do aborto livre”?

  32. Precisas que te validem as sínteses, Pedro? Nesse caso, também precisas que te expliquem o que é uma síntese. E para introduzir o assunto, fica a saber que podes fazer sínteses bem feitas que sejam, simultaneamente, completos delírios. Isto porque, na interpretação, cada um faz o que pode, não tendo a certeza de ter acertado com a intenção do escritor.

    Quanto à questão dos “defensores do aborto livre”, a resposta não te deverá surpreender: são todos aqueles que atribuem à mulher grávida o poder de interromper livremente a gravidez. Neste grupo de defensores do aborto livre, encontram-se subgrupos, divergindo nos limites temporais para a vigência dessa liberdade. Talvez possas esclarecer, já agora, em que subgrupo te encontras. Isso irá enriquecer a conversa.

  33. Valupi, lá continuas tu a complicar… eu não acabei de dizer que fiquei satisfeito só por saber que fiz bem a síntese e que essa era a minha única intenção?…
    Quanto aos “defensores do aborto livre”, entendidos como aqueles que não são os “defensores da despenalização do aborto”, olha, acho que é um grupo tão marginal que não vale um post que meta um quadro tão lindo do Goya. E eu não estou em nenhum sub-grupo desse grupo, não senhor.

  34. Pedro, dá ideia que não acompanhaste a alteração legislativa que despenalizou a interrupção voluntária da gravidez. Mas vieste ao sítio certo e eu vou ajudar-te: agora, e até às 10 semanas, qualquer mulher pode abortar em hospitais públicos, sem necessidade de justificar a decisão, nem precisando do consentimento do pai do ser humano que irá ser morto.

    É simples. É o aborto livre (até às 10 semanas).

  35. Ah, mas então, os “defensores do aborto livre” são os “defensores da despenalização do aborto”. Eu pensava que os distinguias. Erro meu. E então, são esses que tu equiparas aos fuziladores do Goya. Fiz uma sintese correcta e tonta, como é meu costume e tu muito bem assinalas?

  36. Erro teu, como decorre da lógica. Os fuziladores aparecem para ilustrar a temática da pena de morte. O repto lançado aos defensores do aborto, sendo relevante, é acessório. Mas que não haja dúvidas: para mim, o aborto desnecessário é crime.

  37. “o aborto desnecessário”? ui, ui… e o que dirão disto as pobres crianças indefesas e frágeis e sem voz prestes a ser assassinadas no ventre da sua mãe?

  38. Valupi – é só para dizer que há uma resposta a uma pergunta tua no anterior «post». Como tá toda a gente a olhar para este já não vai ao outro. E hé uma resposta para o RVN, também. Como diz o L.F. Vieira para «ambos os dois».

  39. O vinho?… ;) Pedro, eu só acho que és demasiado cruel para com as pobres crianças indefesas e sem voz, quando admites que as mesmas podem ser assassinadas por necessidade, em oposição aos “abortos desnecessários”. É só isso. Ou não consegues encarar o monstro que as tuas próprias palavras criam? Muita moral, muito estigma, muita pomba assassinada, muito quadro do Góia e depois, pifff…

  40. Sem dúvida, Valupi, há seres humanos que devem morrer para sobrevivência, ou saúde, de outros seres humanos. É o caso do aborto necessário, mas não só. Há outras ocasiões de sacrifício da vida por causa da vida.

  41. Que engraçado, trocaram-se os nomes. Eu, como gosto dos dois, sinto-me acompanhado. Vá mas não se chateiem muito pás, eu gosto destas cruzadas do Valupi,

  42. Sim? Justifica-se então moralmente que se sacrifique o filho em benefício da mãe? Eu só queria perceber a tua posição, Valupi. Puseste a parada muito alta, com a história da equiparação do aborto à pena de morte ou coisa pior. Desemerda-te agora.

  43. tu também és macho, Pedro

    Valupi, eu agora estou já num texto que é Numero/cálculo, e larguei o território/paisagem de molho, mas olha que me confirmaram o Curtius e de maneira muito incisiva e poética. Estivémos sempre a falar da ‘paisagem clássica’ – esse amor mete eros e o belo por um lado, e a identificação/pertença como philia por outro.

  44. Pedro, claro que se justifica. Entre a vida do filho e a da mãe, e salvo indicação em contrário, prevalece a da mãe tendo de se escolher. Lembro que esse era já o entendimento da lei anterior, a qual até conseguia acolher toda e qualquer situação de rejeição da gravidez por parte da mãe. Apenas não admitia a aberração criminosa do aborto livre, e foi isso que se quis obter.

    E eu não equiparei o que não tem equiparação. Eu questionei os detentores de um certo critério em relação a uma questão com elementos intelectualmente análogos.
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    Z, o problema é sempre o do equívoco. Por exemplo, de que se fala quando se nomeia o “eros” grego? Só por aí, podes estar anos a ter surpresas.

  45. a coisa está consistente Valupi, não pretendo esgotar muito menos encerrar o assunto, pelo contrário os textos que me pediram são para abrir possibilidades de interpretação,

    tortas de a_z_eitão e Badiou, pour le moment

  46. Reparo que te refugias na lei; mas não era isso que te perguntava, Valupi. Eu perguntava-te se moralmente (pelos teus critérios morais, obviamente) se justifica essa posição de sacrifício do filho em relação á mãe. Ou estás também a utilizar “abstrações” como “um feto não é uma pessoa”, que servirão, como tu dizes acima, para certos progenitores matarem “com alívio” um ser humano?

  47. Ó z, eu também gosto muito do Valupi. Só não gosto destas cruzadas. A vida é demasiado curta para julgarmos os outros.

  48. Eu fiquei derretido com a vossa troca de nomes lá em cima, achei-vos as duas faces da mesma moeda – o que é natural porque o assunto é moralmente fudido

    Valupi, eu agora já estou a claudicar mas a ver se amanhã estou melhor, mas que te queria dizer era o seguinte: não tens dúvidas de que numa relação hetero a fêmea é que domina, não?

    É que é mesmo, a história foi-nos contada ao contrário numa inteligente manobra de conversão, porque a rata é que come o pau, e não o recíproco.

    Por outro lado, também não sei se terás dúvidas de que a tua namorada só não dá uma volta com o teu melhor amigo se não puder, ou se ele fôr muito desinteressante, e isso vale também para o jarbas do comendador…

    Não, não é perfídia pura, é necessidade de controlo. Aliás se não me engano o novo paradigma do milénio foi inaugurado por uma dragona de Komodo o ano passado em Londres,

    lê A Criação de Gore Vidal: é fabuloso ver como Atossa, a rainha-mãe da Pérsia, descendente de Ciro, governava todo o império da 3ª casa do Harém, com o eunuco-mor

    isto para dizer que eu votei sim no referendo por uma questão de igualdade – sempre haverá abortos porque há relações ilegítimas que não podem ficar comprovadas, então agora com os testes de DNA, e acho injusto que uma mulher porque é pobre fique sujeita à devassa dos julgamentos da Maia ou de Setubal enquanto que se fôr remediada ou mais, ficasse a salvo numa boa clínica,

  49. Pedro

    Para responder a essa nem é preciso ir buscar argumentos morais. Basta saber o mínimo sobre a gravidez. Se o feto, cuja vitalidade até determinada altura depende da mãe, colocar esta em perigo, então ele próprio também estará em perigo.

  50. Ah, Pedro, é verdade.
    É “a” Saci e não “o” Saci.
    Mas compreendo, desculpo e agradeço o erro.
    Dá jeito para este tema.

  51. Falta ali umas vírgulas.
    É o que dá fazer tudo de uma vez.

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    Tomei a liberdade de as colocar. Se errei, corrijo sem problema.
    Valupi

  52. Z, boas investigações, então. Se estás com os Gregos, estás com gente boa.

    Discordo do que dizes das relações hetero (onde, para mim, os dois sexos mandam por igual e se complementam precisamente por causa de tantas diferenças), e do estatuto do seu fruto (que é sempre dos dois, apesar da gestação acontecer no corpo da mulher), e discordo das razões invocadas para o SIM. Mas tudo compreendo e sei que as intenções são bondosas. E ainda discordo do que dizes da minha namorada, mas, por via das dúvidas, vou dar uma sova no meu melhor amigo. No mínimo, será uma intervenção preventiva.
    __

    Pedro, a Saci já respondeu, mas eu acrescento mais um ponto. Não há nada de abstracto nas situações trágicas em que se tem de escolher entre a mãe ou o filho, é ao contrário. É assumindo a radicalidade concreta da situação que se sacrifica o bem menor ao bem maior. No caso, a vida da mãe (ou a sua saúde psíquica, o que acaba por ir dar ao mesmo) é mais importante do que a vida do filho.

    Agora repara: é desta relação com o absoluto de cada ser humano que nasce aquela ideia escandalosa que pede às mulheres violadas para não abortarem. O que se está a propor é que elas aceitem que o seu filho é também uma vítima da situação, por um lado, e que só ele pode sarar o mal que foi feito ao dois, por outro lado. Se a mulher abortar, estará a juntar um mal a outro mal, sem possibilidade de redenção, sem eventual milagre (porém, pode ser o que haja a fazer para salvaguardar a sua vida interior, obviamente, cada mulher o saberá na sua consciência). Se a mulher aceitar a vida de que assim se tornou guardiã, é altamente provável que ela venha a amar o seu filho e que esse amor dê sentido ao absurdo e desgraçado da violação.

  53. Sou pela pena de morte para crimes hediondos, incluindo crimes contra a humanidade, em países onde haja liberdade e democracia, isto é, onde a justiça tenha hipóteses de funcionar decentemente. Sou contra a prisão perpétua. Sou pela despenalização do aborto dentro de certas condições, como as da lei portuguesa ou espanhola. Sou pela penalização do aborto fora dessas condições. Continuação de boas férias.

  54. Contra o aborto está toda a gente a começar principalmente por quem o praticou. Mas o que esteve em causa foi a despenalização (quadro jurídico) que não é a mesma coisa.

  55. Que não é a mesma coisa? Mas qual coisa? A despenalização significa que o Estado concorda com o aborto livre até às 10 semanas. Os meus impostos vão pagar esse serviço e fazer cumprir esse ideal.

  56. Hummm… o velho argumento que a mulher que decide fazer um aborto até nem o queria fazer mas é obrigado a isso e como tal deve ser despenalizado.
    Só resta acrescentar, para o quadro ficar completo, que a culpa é da sociedade e é a ela que deve ser (e é) apresentada a factura do hospital.

  57. Fica-te bem defender o princípio da vida humana, mas quem és tu e os Pedros desta vida para julgarem as mulheres que abortam? Larga o binho, pá!

  58. Sou contra a prisão perpétua, sim, senhor Valupi. Primeiro, porque acho pouco para os criminosos que são condenados a ela. Segundo, por ser despesa injusta para os honestos cidadãos que pagam impostos. Terceiro porque acho que ninguém deveria ser mantido vivo fechado num cubículo até à morte. Morrer é mais suave do que esse pesadelo. Está bem assim? Boas férias.

  59. Se a pergunta é para mim, ninguém as está a julgar.
    Aliás, agora são livres de fazerem o que querem, inclusive abortarem sem a opinião/consentimento/autorização do homem.
    Podem matar livremente que a sociedade ainda lhes passa a mão pelo pêlo.
    Mais: ainda pagamos para isso.
    Não é um mundo perfeito?

  60. ouch, valupi,
    perdoarás mas tresanda a preconceito e a juízos de valor, por aqui. A gente até pode engolir o argumento de que se age em nome da tal vida que não se pode defender e será certo, sem dúvida, mas nem assim a coisa me cai bem. Acho que é mesmo falta de estômago. De um modo geral para toda a moralidade bacoca, aqui em especial para as grandes causas cujo aparato transcende a essência, logo à quinta milha percorrida, terceira entrevista, quarto artigo. De repente somos o Greenpeace dos úteros, temos uma Missão porque sim, e vamos salvar a Vida começando logo pelo mais importante, aparentemente: colar os rótulos e acender as fogueiras.

    Não me levarás contigo, dizia o cão ao ceguinho. Talvez aqui o cego seja eu, mas digo-te o mesmo, meu amigo.

  61. Valupi, ainda bem que discordas rapaz, a diversidade é a garantia da pluralidade e da resiliência.

    Acho que em regra a fêmea domina a relação, e é normal, ela é a gestadora e portanto gestora. Isso do amigo passou-se comigo e depois vim a saber de casos análogos, agora rio-me, os triângulos fazem sentido no âmbito da transitividade, na altura não.

    Concordo: os Gregos são do melhor, e ainda não cheguei ao Jardim de Epicuro,

  62. Isto está a ficar confuso. Diz a Saci que a questão nem se coloca porque estando a mãe em perigo o feto também está. Questão resolvida. Dilema moral absolutamente nenhum. Percebo perfeitamente a posição da Saci, deste e dos outros comentários.
    Diz depois o Valupi duas coisas curiosas: 1 – que a Saci já respondeu e 2 – que (ao contrário do que diz a Saci) de facto há situações trágicas em que se tem de escolher entre a mãe ou o filho, e que, no caso, a vida da mãe é mais importante do que a vida do feto.

    Valupi, num mundo ideal, a mulher que é violada não aborta e vai amar muito o seu filho e os dois juntos pela vida fora patati patata; num mundo ideal, a vida é uma novela da Corim Tellado; num mundo ideal, em vez de estarmos aqui a comentar em blogs estariamos a fazer qualquer coisa de mais útil, como ajudar os outros, incluíndo as vitimas de violações; num mundo ideal, acrescento eu ainda, não seriamos tão lestos a dar conselhos morais e de puericultura a mulheres vitimas de violação.

  63. a minha posição metodológica é diferente da do Valupi. Eu acho que não posso julgar mais fundo o caso do que a mulher que transporta o feto no útero. O Valupi, machão peludo, acha que pode julgar o caso até ao limite. Embora a minha posição seja outra acho bem que ele ouse essa, tudo junto fica mais equilibrado.

  64. Eu discordo da pena de morte porque basta um equívoco para a ilegitimar e porque se trata, como se vê na China e noutros, de um excelente pretexto para eliminar opositores políticos.
    E sou fervorosamente adepto de um modelo de prisão perpétua que englobe a obrigação de cada recluso trabalhar para sustentar os vícios e não custar um tusto à sociedade que traiu. Os que não possam (repito: não possam) bulir temos mesmo que lhes dar o mínimo (repito: o mínimo) essencial para a sua sobrevivência.
    É cruel ficarem vivos num cubículo a vida inteira? Óptimo, é sinal de que a Justiça se faz e de que a sociedade e sobretudo as vítimas são ressarcidas de alguma forma.

    E quanto às questões ligadas ao aborto, são outros quinhentos e não me parecem enquadráveis no (alegado) tema deste post.

  65. adelaide, para julgar as mulheres basta ser homem, e vice-versa. Estás a precisar de um copo.
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    Nik/Lily, estará bem para ti. Para mim, é contraditório, apressado. Mas deves estar com os neurónios concentrados nas sardinhas e nos biquínis, tudo bem.
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    Rui, estás a patinar no gelo. E, com o aquecimento global, arriscas-te ao afundanço. Vá, saca lá um argumento ou dois. Isso de ladrar e não morder não assusta ninguém.
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    Z, que eu saiba, as mulheres ainda não engravidam sozinhas. Nem sequer se deve falar da gravidez como transporte, a não ser para realçar isso mesmo: ser transporte.
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    Pedro, comentar em blogues pode ser estar a ajudar os outros. Porque estamos a comunicar, e tudo o que tu és e pensas se resume à comunicação. O primeiro fenómeno de comunicação, em cada um de nós, ocorreu quando o espermatozóide do nosso pai entrou em comunicação com o óvulo da nossa mãe. Essa conversa gerou um código genético original, o qual começou a comunicar com os nutrientes à sua volta para cumprir o seu potencial de vida. 9 meses depois, choravas com empenho – e assim comunicavas que a tua vida era a realidade mais preciosa para muito boa gente.
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    shark, também partilho desse teu entendimento. Acrescentando que a recusa da pena de morte é também para permitir ao criminoso a eventual consciência do mal causado.

    Mas repara: afirmas que basta um equívoco para ilegitimar a pena de morte, o que é, por si só, um argumento da maior inteligência e alcance. Ora, e quantos equívocos não dão origem a parte incalculável dos abortos? Deixar todas as pessoas ao abandono, na suposição de que elas nessas situações de crise estão em condições de afastar os equívocos sem apoio de terceiros, é uma crueldade, uma vergonha.

  66. hehehe, Valupi, essa tua teoria da utilidade da comunicação é um contentor de bulshitt, do tamanho daqueles depósitos da refinaria de Sines ;)

  67. Não explica, não…, catano, já estás a ocupar toda a refinaria de Sines e não tarda, começas a ocupar a de Matosinhos. Por pouco não dizias que esse teu parágrafo explica O Sentido da Vida.

  68. (Essa do “sem apoio de terceiros” é uma falácia. Se conheces a Lei nos aspectos que te dão jeito para argumentar também a sabes clara no que concerne aos filtros – nomeadamente o crivo de um médico – para evitar os tais equívocos. És mesmo malandro na tua argumentação, pá.)

  69. Pedro, é só do sentido da vida que se fala, desde o começo desta conversa.
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    shark, estás brincalhão. Creio que és tu quem precisa de uma leitura de revisão. À mulher que vai abortar apenas se impõe um período de reflexão. Claro que haverá de tudo, a começar pelas diferenças relativas à consciência, ética e profissionalismo dos médicos, mas o quadro legal não contempla nada mais para além disto.

  70. Valupi, uma coisa é falar de, outra coisa é explicar o Sentido da Vida. Os Monthy Python já acabaram há uma porrada de anos e já não tens hipótese de entrar para o bando.

  71. E resultou contigo? Mandou-te largar os torresmos, ou assim? Comigo resultou com o segundo líquido, o leite. Dá uma espécie de paralisia mental e um gajo de facto fica sem saber o que dizer mais. Eu acho fantástico.

  72. a água está deliciosamente gelada…

    Valupi, por isso é que eu falava da dragona de Komodo: chateou-se de estar só e fez tudo aparentemente sózinha – engravidou, pôs os ovos, e chocou, e ficou cheia de dragãozinhos. Só não percebo é como os cientistas dizem que não são bem clones, querem ver que um piton andou a fazer uma das suas? Ou que tem uma meiose original?

    números: Euclides, monas, zephiro…

  73. …nesta coisa das kpk’s eu sinto-me aquele espermatozóide coxo que chega sempre atrasado à hora H e no dia em que consegue é traído.
    o 102 não conta, é injusto…
    parabéns, leva a bicicleta.
    humpf

  74. Esta “defensora do aborto” opõe-se completamente à pena de morte. Porque, em qualquer um dos casos, não admito que o Estado determine quem vive e quem morre.

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