Não importa se és de esquerda ou direita

Importa é se és optimista ou pessimista. Porque ninguém sabe o que é ser de esquerda ou direita. Nem os políticos profissionais, nem os opinadores amadores – nem Marx, cuja ciência da História era tão jeitosa que lhe passou ao lado a vitória do sector terciário, o desenvolvimento tecnológico que iria fortalecer a democracia e ainda as transformações culturais que tornaram irrelevantes as suas noções materialistas de trabalho e riqueza. Claro que não falta quem tenha os bolsos cheios de explicações para te dar, e que fique irritado com a conversa. Se puxares por eles, repetem vacuidades ou disparam argumentos de autoridade: celebridades, títulos de livros, trechos, frases, eventos. Quão mais irritados, maior a certeza de que apenas tentam salvar a sua religião horizontal ou a sua tribo colorida.

Os pessimistas são imbecis. Todos os pessimistas são imbecis. Porque todos desistem de resolver os problemas. Mais cedo do que mais tarde, desistem. Alguns desistem antes de começar. O que é lógico, pois o pessimismo acredita ser inútil qualquer esforço de construção, resolução, melhoria. Para quê o esforço, se a vida é este vale de lágrimas onde apenas a morte liberta? A luciferina crença leva ao paradoxo: o do pessimista que continua a querer viver. Vive, mas apenas para atacar o optimismo. Perseguir e tentar converter optimistas passa a ser o único sentido para a vil existência dos pessimistas. Reduzem a sua atenção ao mínimo – seja o que for que falhe ou demore à sua volta – e dão a esse mínimo o máximo de importância. O pessimista não admite erros, porque atrofiou a inteligência a tal ponto que não consegue aceitar que é errando, e na errância, que se aprende. Quando detecta um erro, regozija-se e celebra, reconforta-se. E se não apanhar algum, angustia-se, suspeita de tenebrosas maquinações para o enganar. Ele pode não estar a dar por ela, mas as coisas vão de mal a pior, isso é certinho. Portanto, o pessimista, para além de grande imbecil, é também um cínico hiperactivo.

Os optimistas são geniais. E humildes. Claro, ser humilde e genial é ainda mais genial. O optimista só sabe que nada sabe, eis a sua humildade. Desconhecendo o poder que tem e o que poderá alcançar, nunca desiste de procurar o bem. O bem pode até não passar da diminuição do mal em causa, mas chega para realizar o optimismo – porque o ser é sempre preferível ao nada. O optimismo gosta dos que tentam, dos que arriscam, dos corajosos. Acreditar que somos parte do mistério, portanto que o mistério é parte de nós, eis a genialidade que alegra o optimista.

Dois pessimistas de esquerda, ou direita, nunca se irão unir, sequer entender. Não podem, pois não confiam um no outro. Sabem de ginjeira que tão-só o fracasso se deve esperar da natureza humana, patético erro cósmico. Longe desse inferno, dois optimistas, um de direita e outro de esquerda, reconhecem-se à légua, nasceram na mesma família. Seja qual for a divergência, descobrem como a conciliar, ou descobrem como a ultrapassar; ou descobrem como a proteger e alimentar, colhendo os frutos. São ingénuos, mas no sentido em que a ingenuidade é uma qualidade dos criadores e dos que são livres. Um espaço de pureza, uma simplicidade potente. Querer ser ingénuo é o antídoto mais poderoso contra o cinismo.

47 thoughts on “Não importa se és de esquerda ou direita”

  1. Uau , inauguro os comentários.
    Esqueceste os realistas , gaita , nos quais me incluo. Não sou de esquerdas nem de direitas , posto que o mundo é Uno. E acredito firmemente na juventude , tanto quanto não acredito na esquerda e direita. E não ligo pevide aos de meia idade , aos que competem entre si , aos vidrados em divisões e competições , a competição tolda-lhes as ideias.
    Acredito na Noruega , onde o seu mais que tudo bancário ganha 4 vezes o ordenado mínimo nacional ( cá , é 18 vezes ) , porque , sendo diferentes , somos todos iguais e necessários , e reconhecer a diferença não significa explora-la. E vou lutar sempre para que se reconheça o valor de cada um . Faço-o todos os dias minorizando as partes de mim que provavelmente tu mais reconhecerias.
    Jamais me esqueço que sem comer não sobrevivo. Sem Saber , na boa. Um bocado aborrecida , mas isso não mata ninguém.

  2. eu também gosto muito de ser optimista e o teu texto está bem bonito, Valupi, só que às vezes dá-me um quebranto. O Bento de Jesus Caraça dizia que não tinha medo do erro, porque se podia sempre corrigi-lo.

    Bem, lá vou à minha cúspide…

  3. Valupi: o Sol atravessa ali as esparsas folhas dos choupos que tenho em frente, e é um aleph de cúspides refulgentes, das gotas da chuva

    entretanto estamos garantidos que ninguém nos vai falar de seca durante uns meses, tá tudo lavado, regado e recarregado,

    chuva é riqueza, aprendi um dia com um pastor

  4. Parabéns pelo post.
    É corajosa e certeira a definição dos pessimistas. É inspiradora e motivadora a dos optimistas. Mas também que ser enquadrada. Não basta o optimismo e o voluntarismo per si, é preciso racionalização, tendo sempre presente o que se aprendeu com os erros do passado. Tal como vi num filme qualquer, às vezes as piores coisas são feitas com as melhores das intenções. Mas concordo também que se nunca existir coragem para fazer, nunca se vai aprender nada.

  5. ah, mas eu sou de esquerda, houve uma altura que dizia de eskreita que estava farto da dicotomia, mas depois a Zazie chamaou-me tantas vezes de esquerda que voltei a ficar

  6. Há dias li uma entrevista de Saramago ao Jornal de Notícias que ilustra bem a filosofia do pessimista, aqui muito bem retratado pelo Valupi. Pergunta Saramago ao entrevistador: «Como se pode ser optimista quando tudo isto é um vale de lágrimas?». Noutra passagem da entrevista compara o trabalho do escritor ao trabalho do mineiro, para dizer que nem a literatura salva o escritor nem o trabalho do mineiro lhe salva a vida. «Acabando-se a vida, acaba-se o trabalho».
    É, pela boca de Saramago, a profissão da filosofia do absurdo e do nada, de um ateismo militante de quem já tem tudo o que poderia desejar, ou nada (é igual). A par destes militantes do pessimismo aparecem os agnósticos para os quais tanto se lhes dá como se lhes deu, e os cépticos, que passam a vida a desconfiar da própria sombra e juram que hão-de morrer assim, desconfiando de tudo e de todos, passando, literalmente, ao lado da vida.
    E até parece que todos estão cobertos de razão. É só olhar à nossa volta!
    Mas todos parecem esquecer um pormenor importantissimo: A História da Humanidade ainda é uma criança. OU, se quiserem, uma semente acabada de germinar.
    Como diz o Valupi: ser humilde e genial, rezando, todos os dias o rosário da sabedoria, do velhinho Sócrates, o grego: Sei que nada sei, sei qua nada sei.
    E já todos experimentamos que por cada certeza que se esfuma, um novo horizonte se abre.

  7. Cada vez gosto mais de ler o que escreve! Além da habilidade com que usa as palavras consegue, sempre, transmitir a sua mensagem! Obrigada por estes momentos de lucidez!

  8. Oh Valupi,

    Continuas na tua senda simplista, assim de forma simplista todos somos optimistas.

    Uma vez mais te digo que a forma é boa, o conteúdo realmente pífio!

    Há até quem diga, que um pessimista é um optimista bem informado.

    Os tolos são regra geral simplistas e optimistas e como tu não és tolo não acredito que sejas optimista! Aliás, um pessimista e uma gajo que sabe que as coisas podem correr mal e como tal precavê-se. “Quem vai ao mar, avia-se em terra”!

    Vou dar-te um dica, regra geral, quando as afirmações usam expressões do género TODOS, NENHUM, SEMPRE, NUNCA, etc, estamos perante afirmações falsas. compreendes porquê não compreendes?

    Ora como tu não escreves falsidades, admitimos que uses as palavras em apreço unicamente como figura de estilo.

    Acho que o teu amigo Medina Carreira ia adorar ler este teu textozito.

  9. mas oh Ibn, conta lá para mim, e então o que te faz mover?

    não, não é uma pergunta retórica, gostava de saber, mas se não te quiseres expôr por mim tudo bem, respeito os precavidos,

    eu é aquele gato lá em baixo, até ver

    e agora: cúspide qb, tá Sol -> esticar patas

  10. Parabens é um texto motivador para novas deambulações. Já tanta gente disse coisas certas mas como parece que ninguém liga é melhor continuar. Só assim haverá algumas mudanças pela positiva no nosso mundo atónito onde há cada vez mais notícias mas menos informação.

  11. Z,
    Não compreendi a pergunta.

    Mas posso responder, o que me faz acho que é o que faz mover os vertebrados, ou seja, a cadeia muscular e a estrutura esquelética.

    Se não era esta a resposta que esperavas tens que especificar, terei todo os gosto em te responder!

    Também não compreendi a tua pergunta. Parece que te incomoda que inúmeras vezes esteja em desacordo com o valupi e os seus simplismos e textos absolutos cheios de frases redondas e que não dizem nada.

  12. Mas, Valupi, como representante lídimo do sector terciário das massas optimistas indistintas, o que é que tu vais fazer se der a morrinha ou o mal na classe operária? Não sabes fazer pão, nem vinho, nem queijo; comes, e de vez quando vendes, o teu peixe, mas apanhá-lo não deve pertencer ao grupo das tuas habilidades inatas, e apascentar animais em relvas potássicas para engorda tem para ti um valor, julgo eu, puramente bucólico, onde não falta os acordes pífareiros e a sombra fresca duma árvore.

    Como é que vais solucionar esse enorme problema? Pegar num grupo de optimistas como tu e pedir um empréstimo ao banco para fundares o teu próprio partido? Parece eu que estou a ouvir banqueiro: Mas, meus filhos, todos os governos já são e sempre foram optimistas! Não invisto nesse negócio!

    Meu caro, se não for patológico, o pessimismo convida à inquirição; onde a Esquerda e a Direita se definham e perdem o assobio progressista é no grandíssimo defeito de repetirem sempre as mesmas perguntas e circunscreverem as suas exigências àquilo que lhes parece aceitável pelos dirigentes dos partidos que as manipulam. O optimismo que me parece estares a defender desemboca na eternização de problemas, isto é, na continuação do Estado da Falperra e na multiplicação incontrolável das várias espécies de Fajardo.

  13. Nada disso Ibn, pensaste que eu estava ser agressivo contigo e não era. Também eu muitas vezes estou em desacordo com o Valupi embora goste muito de o ler.

    Por exemplo, eu acho que as elites devem ser chamadas a responder mais que o cidadão comum na crise, porque têm mais responsabilidade, porque foram mais bem pagas no entretanto, porque têm mais previlégios num estado de coisas que é este: crise! E creio que o Valupi não concordará comigo, não concordará que se cobre aos catedráticos, aos investigadores principais, aos principais actantes da elite, a responsabilidade, por acção e omissão, relativa ao estádio em que vivemos.

    (sim Valupi também concordo que temos tod@s que fazer por melhorar isto e eu trabalho todos os dias, domingo inclusivé, para dar a minha achega, mas não vou branquear responsabilidades.)

    A pergunta que eu te fazia era o que te movia enquanto estado de alma, enquanto objectivo, enquanto futuro. Não sejas tonto Ibn, não percebeste que eu não te desejo mal nenhum, pelo contrário?

  14. Z,

    Começando pelo fim. Claro que não me desejas mal algum assim como eu não te desejo a ti nem a quase ninguém, valupi incluído. Aliás, como podemos nós desejar mal a quem nem sequer sabemos quem é?

    O que me move? É muito simples, fazer com que a geração seguinte tenha melhores condições e seja melhor que a minha.

    Pois, o valupi, tem por hábito branquear a acção de alguns e atacar de forma torpe outros só porque têm opinião diferente dos primeiros e da que ele próprio expressa (nunca saberemos se é de facto a sua opinião ou mera hipocrisia). Temos como exemplo dos primeiros o governo e suas prima donas e pelo segundos podemos ver todos os ódio de estimação do valupi, veja-se o exemplo do ZMF do público. Enfim, cada um usa as armas que consegue! E nós ao valupi perdoamos por sabermos que não consegue melhor.

  15. Ibn, eu posso ser ingénuo, dizem-no alguns, mas não sou santinho, até sou um diabrete.

    Quanto ao Valupi, aprecio muito o que escreve, e não me passa pela cabeça que defenda tacho algum, antes defende um conjunto de valores com os quais me identifico muito, não me identifico é com a classificação e valorização dos actantes que ele faz, para ele e ministra da Educação é uma senhora corajosa e indomável para mim é uma vergonha que é paga a mais de mil contos por mês para fazer um número continuado de embuste, por exemplo. Mas desejo muitas felicidades ao Valupi, é um bravo e um poeta inteligente, e arrisca sim, por isso merece a mais alta recompensa que se pode almejar: felicidade interior, eudaimonia.

    Quanto a ódios de estimação todos temos os nossos, tu é o Medina Carreira se bem percebo, por exemplo. Eu também tenho os meus de quem me espero vir a ver livre, os ódios só massacram quem os tem, mas por agora não consegui ainda.

    Creio que me distingo da Valupi também na valorização das elites, para mim ele, e outros como ele, vale(m) muito mais que toda uma cambada que está aí instalada em lugares catedráticos e presumo que de desembargadores e generais, fruto de negociações de bastidores de gerações, duas gerações pelo menos, gente que é promovida não por fazer mas por fazer fazer, incluindo não deixar fazer, e nepotismo e compadrio, como convém a um sistema que tem o seu travejamento no embuste, hipocrisia e dissimulação, de raiz católica sim.

    Mas nem isso é desculpa porque nuestros hermanos são muito mais frontais que nosotros, e tinham fama de estarem de baixo da patorra da igreja desde o título de suas majestades católicas, outorgado a Isabel de Castela e Fernando de Aragão – em Portugal ser-se frontal é ser inconveniente, coisa para ser corrido que não há respeitinho. Esse sistema está a ruir, esperemos que o socialismo 2.0 possa ser alternativa, pelo menos para recolocar a fasquia.

  16. O teu hino à esperança é inspirador. Mas pessimistas e optimistas podem ser ambos igualmente estúpidos.

    Ser optimista é ter esperança, ambição, audácia, acreditar que (quase) tudo é possível. Pode ser estúpido ou não. Depende em parte de nós e do que estamos dispostos a fazer para lá chegar. Depende sobretudo do realismo ou racionalidade em que fundamos o nosso crer. Acreditar muito não chega, é como esperar pela sorte. Se eu acreditar sempre no melhor, posso não passar da próxima curva.

    O pessimismo pode ser necessário, vital. É a dúvida que nos impede de cometer grandes e pequenas asneiras. É factor de mudança em situações estagnadas ou sem horizonte. Mas, sem esperança, paralisamos. O discurso sistemático do pessimismo (vide Medina Carreira ou, aqui no Aspirina, Chico Estaca) é igual à morte. Por isso as pessoas – e os eleitores em particular – fogem instintivamente dos pessimistas. Devemos ouvi-los, mas não podemos acreditar neles.

    Dir-se-ia que é sempre preferível acreditar, mas não em qualquer merda, como diria La Palice.

  17. E viva Rousseau e o seu bom selvagem!
    E viva Pessoa e mais o seu Alberto Caeiro!
    ( e não, não estou a ser irónica )
    O mal das sociedades é haver muita gente informada e muito pouca gente sábia ; muito quem reproduz e muito pouco quem produz.
    Convenceram-se os pseudo- intelectuais de que o seu intelectualismo só é reconhecido e credível se tiver uma boa dose de tédio e de absurdo à mistura.

  18. Z,

    Não tenho qualquer ódio de estimação pelo Medina Carreira. Só o referi porque me veio à ideia por causa do facto de estar sempre a dizer mal de tudo e, de a alguma forma a dizer que que tudo vai correr mal. Só por isso! Até gosto de o ouvir, o que não quer dizer que concorde ou discorde completamente daquilo que diz.

    Só temos ódio de estimação quando temos pouca inteligência emocional e não conseguimos ser empáticos, pois, caso contrário veremos o mundo e os outros de forma mais clara, calor que isto dá trabalho e tem custos, mas os ganhos são incomensuravelmente maiores.

    Quanto ao resto basta estar atento, regra geral, tenta mascarar-se o vazio de ideias com floriados, isso tem um nome só que agora não me ocorre qual ;-)

  19. não, não concordo contigo, e não gosto das fuças do Medina Carreira, só quer é massacrar em nome da racionalidade do desbaste. Mau envelhecer, vê-se na cara.

    E acho-te muito mal agradecido, vens aqui beber, nem agradeces a quem te dá de beber (o Valupi), e idéias tuas também não vejo nenhumas apenas a modos que uma casquinada. Vê lá isso da rama do nabo, ou lá que é.

    E concordo com o que diz o Nik ali em cima no geral, não falo dos nomes porque alguma polémica é sempre bom. E agradeço ao Valupi outra vez as oportunidades que nos dá de debater e trocar idéias, sempre alimentando o fluxo com trabalho de pensamento e escrita de qualidade.

    E o bush levou hoje com uns sapatos (mas ainda tem bons reflexos, o cabrão).

    E já agora remato com o Wilde: um cínico é o que sabe o preço de tudo e o valor de nada.

    E queria dizer outra coisa: como todos, uns por ali outros por acolá, já tive perdas de inocência que não acabam, mas a Vida surpreende-me sempre – nunca pensei ter a oportunidade de usufruir de uma floresta digital de dons – na internet dão-se, grátis, grátis mesmo, papaias, mangos, bananas, jacas, sei lá que mais, passei os últimos 20 anos a insistir que as pessoas não se esquecessem que o principal da vida, o Sol, a fotossíntese e o oxigénio, são gratuitos, e já agora fora de qualquer preço: o amor (e àquele gordo para quem não há almoços grátis desejo que os pague todos, com juros) e afinal a floresta de dons está aí, digital, e tem o melhor da humanidade.

    E agora vou ler e comer mon chéri’s.

  20. Z,

    Como deves compreender o que tu achas ou não é-me completamente indiferente.

    Se o valupi escreve o que escreve lá terá os seus motivos, agora estar agradecido, não vejo porquê. Aliás, se tenho que estar agradecido é por não ser como ele! Mas isto sou eu a falar. Se tu estás agradecido e te contentas com pouco ok, compreendo-te. Sabes, pensar dá algum trabalho!

    Quanto ao que escrevo aqui são comentários a “posts” mas se leres bem verás que um ou outra vez até escrevi mais do de casquinadas.

    Também concordo com o que diz o Nik, por isso falei no Medina Carreira.

    Ah e para finalizar, já dei por mim algumas vezes a imaginar se Z não será um alter-ego de um outro qualquer alter-ego. ;-)

  21. como podes perceber o que tu achas é-me tão completamente indiferente quanto o que tu achas que eu acho, portanto ficamos assim: eu contento-me com o que me contento, que não é o mesmo que tu, e ainda bem, estamos entendidos e assim ficamos,

    quanto a floreados de idéias vazias foste tu que invocaste e aplica-se-te, como não podia deixar de ser,

    quanto ao z tem muitas valências, cada um se entretenha com o que seu alter-ego proporcionar, e quanto a piscadelas de olho dispenso, sempre achei muita frescura para este tempo

  22. opiniões, dá sempre um gostinho especial a inauguração dos comentários, percebo-te bem.

    Quanto ao realismo, não está esquecido. Acontece é que lhe chamo… optimismo. A ideia é a de que o optimismo é o realismo por excelência, precisamente porque o usual realismo (aquilo que se considera ser a posição do meio ou a síntese dos extremos) não passa de uma outra forma de ilusão e constrangimento. Não é que não seja útil, ou bom, apenas não se pode confundir com a verdade.
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    Nada de novo, contudo e com tudo.
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    claudia, afinal, ainda tinhas algumas palavras. Sorte a minha.
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    Z, teres um quebranto no optimismo não é mau. Segue esta regra: sempre que caíres, apanha qualquer coisa do chão.
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    Jerónimo, nem mais: é preciso racionalização. Ora, se levarmos a racionalização ao seu limite, é limitada que a razão se descobre. Porque não podemos saber tudo, embora tenhamos de agir de alguma forma. Essa é a encruzilhada: que fazer? Eu apenas repito a tradição sapiencial, e essa chama-nos para o optimismo; esse optimismo lúcido, que tem presente as lições, a experiência e a memória. Aqui não há boas intenções destinadas ao inferno, antes um saber agir ou querer.
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    Mario, muito bem referido, o Saramago. É uma figura asquerosa quando começa nessa lamúria apocalíptica e vazia de sentido. O que ele expressa é somente um absoluto egoísmo, a ingratidão de um privilegiado que teme o seu fim. Daí, a revolta, o fel. Como se todos os dias, a todo o momento, não estivesse alguém, criança ou adulto, em êxtase com a maravilha desta vida que nos ri e convida a brincar.
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    jv, nessa margem fica-se a ver o rio e aqueles que nele pescam, o atravessam ou nele mergulham. Mas depois de se descansar, o melhor é continuar caminho. Porque essa é a coerência suprema, caminhar.
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    Milu, o sentimento é mútuo.
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    Ibn, pareces mais interessado em adjectivar o que lês do que em substantivar o que escreves. Tens de rever as prioridades se estás interessado em dialogar.
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    jcfrancisco, também urge transformar a informação em sentido, tarefa que se espera do jornalismo, entre outros responsáveis.
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    CHICO, essa sugestão de um pessimismo não patológico (mas talvez também não saudável) é válida, mas creio que será mais difícil de encontrar do que unicórnios à venda na Feira da Malveira.
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    Joao, muito obrigado pelo excelente naco de pensamento.
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    teofilo m., sim. E não te esqueças de salvar os que não sabem, pois é para isso que serve o optimismo.
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    Nik, a inteligência pede optimismo. Ou, dizendo de outra forma, os optimistas são os mais inteligentes. E ainda de outra: situações há em que é realista esperar o impossível.
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    mc, sábias palavras.

  23. Cláudia,

    Não me digas que és a guarda avançada do Valupi.

    Mas já agora aproveito para te gabar as capacidades telepáticas, consegues ver que eu sou invejoso. Uau brilhante.

    Mas já agora diz lá onde te doi.

    Acredito que nunca consiga escrever como o valupi, mas fica sabendo que não me esforço minimamente para isso. Há qualidades que persigo, escrever bem não é uma delas. Limito-me a tentar fazer-me entender, nem sempre consigo é um facto, mas olha, lá vou vivendo com isso.

    “O que não está bem, confessemo-lo, é que, em situação tão delicada como esta, alguém se tenha posto aqui a puxar o lustro à prosa para sacar alguns reflexos poéticos sem pinta de originalidade.”

    O paragrafo não é meu. É o Saramago mas que se adapta perfeitamente ao teu amigo valupi.

  24. Valupi,

    Infelizmente para ti não tenho qualquer adjectivo.

    O que acho curioso é como de costume à falta de argumentos e provas factuais te ponhas com frases redonda se sem argumentos.

    Dizes tu que faltam substantivos, eu, pelo menos ainda falei no teu amigo Medina. Então e tu que nome próprio usaste no teu “textito”? Ah espera, já sei, essa é fácil, pessimista e optimista, pois, só não sei se trata de um adjectivo ou dum substantivo ;-)

    Dá-me um exemplo que um nome que não seja comum usado no teu texto e, eu faço-te uma vénia, caso contrário não passas de um fala barato.

    Deves andar desnorteando por causa das ultimas posições daquele a que tu “chamas de Pateta Alegre” Será? Deixa lá isso depois passa!

  25. Cláudia,

    Claro, claro, nem tudo que parece é, neste caso …., bastar estar atento para perceber onde o valupi pretende chegar com este pseudo inócuo texto. Mas já estamos habituados ao registo.

    Parece-me que não sou o único a precisar de humildade.

    Quanto a ti folgo em saber que te impressionas com o “lustro da prosa sem pinta de originalidade”. Mas isso tem um problema quanto prestamos demasiada atenção à forma (claro que é relevante) tendemos a descurar o que é, de facto, importante.
    Sabes é como uma casa que pode ser muito bonita e com acabamentos espectaculares, mas não vemos a estrutura e as fundações e quando vem a primeira chuva o papel desfaz-se. Isto para não te dar o exemplo daquelas senhoras em que 90% da beleza sai com sabão e água ;-)

    Espero que tenhas compreendido a alegoria, eu pela minha parte tentei ser claro, mesmo não estando ao nível da lustrosa prosa do valupi.

  26. Marco Alberto Alves, pois fazes muito bem!
    __

    Ibn, a tua dificuldade em lidar com textos que não grafem nomes próprios tem algo de comovente. Porém, e como espero que compreendas, é um problema que pede intervenção especializada, não vais encontrar ajuda só nos blogues.
    __

    claudia e Z, passam a ser os meus advogados oficiais. Quanto é que cobram de honorários?

  27. valupi, mais uma vez foste apanhado na curva, Ou seja tu queres substantivos, mas para ti tem que ser comuns.

    Ora por um lado dizes que tenho que usar menos adjectivos e mais substantivos, Oh homem cura-te!

  28. Vi a entrevista do MC. E não lhe posso chamar pessimista. Ele é realista na forma como vê o mundo. Pensa ele que é um qualquer sistema político que irá melhorar as coisas , logo , realisticamente , observando a realidade , só se pode chegar às conclusões que ele chega.
    Realisticamente , penso eu , e optimisticamente , que com este falhanço em grande da democracia , os humanos serão obrigados a olhar para si próprios e para o que andam a fazer. Foi bom , foi necessário , foi um caminho , mas sabemos hoje que também não é uma entidade superior ( o estado , e as suas diferentes formas de organização) que nos vai fazer chegar onde queremos ir. Seremos nós , quando formos democráticos na forma de vivermos tudo , que iremos dispensar quem nos controle , regule , legisle e asfixie.

    Ps ) V , vê lá , eu que era a favor de toda a gente ter muita escola , já ando a pensar que escolaridade obrigatória é um erro. Niveralam a escola pelos que são obrigados a ir à escola : não há empregos para os que acreditaram que uma licenciatura era a chave para grandes rendimentos ; não há empregados para os que apenas necessitam saber como comportar-se no emprego ( trabalhar e não levar telemóveis , o tempo do emprego é do empregador e requer comportamentos de esforço que antigamente se aprendiam na Escola) ; os que acham a escola um direito nãp aprendem nada , aquilo é uma balda…
    Sabes , cheguei à conclusão que o Estado não deve meter a pata em coisas que nós sózinhos damos conta.
    E claro , a Noruega , com o seu leque salarial curtinho , e em que um jardineiro ( profissão bué fixe e necessária) ganha quase igual a mim , não me sai da cabeça como o ideal a seguir. Vai impedir , o leque salarial curtinho , coisas tão feias como a mercadorização da medicina ou da ciência , ou até do saber , percebes?

  29. Ao autor de: opiniões
    Li o seu comentário e não pude deixar de sorrir! Actualmente estar no seu posto de trabalho empunhando o telemóvel num constante digitar, não sei que eternas mensagens ou, até mesmo, enviar anedotas para um qualquer colega que se encontra à distância de meia dúzia de metros é normal!… Isto é, passou a ser!…Claro que esta situação verifica-se mais amiúde nos trabalhadores mais jovens! Julga-se que são corrigidos? Pois não são! Alguns dos superiores, alinham na mesma bitola, e quando são da mesma idade, portanto, detentores de uma concepção do mundo em tudo muito semelhante. Quanto à escolaridade obrigatória, tenho a certeza absoluta que dentro de poucos anos a maior parte dos jovens com o 12º ano não têm mais conhecimentos adquiridos na escola do que eu tinha, quando terminei o 2º Ciclo ou o antigo Ciclo Preparatório, exceptuando a Informática que, nesse tempo não havia. A única certeza é a de que andaram na escola a deambularem doze anos ou mais! No fundo é um 12º ano a fazer de conta! Por outro lado existem empresários que não merecem mais do que isto!

  30. opiniões, esse ideal em que todos ganhem bem (seja lá quanto isso for) será a perfeição social. O que não podes dizer é que a democracia tenha falhado, pois ela não perdeu qualquer validade. Seria o mesmo que dizeres que a ideia de justiça deixou de ser boa porque um juiz, ou muitos, se revelou incompetente.

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