Manuel Carvalho a caminho de Damasco

Nesta peça, “Caso” Centeno, uma vitória do populismo, Manuel Carvalho faz uma meritória denúncia dos prejuízos políticos e sociais causados pelo lançamento judicial da suspeita de ser Centeno um governante que se deixa corromper por dois bilhetes para ir à bola. Prova do seu estado de conversão, neste jornalista que tem gastado os últimos largos anos a cultivar um populismo selectivo cujo alvo é invariavelmente o PS, chega a citar e elogiar a nossa Isabel, uma perigosíssima socrática.

Problema? Mais do que um. A ausência de juízo a respeito dos critérios e procedimentos do Ministério Público. A ausência de consciência sobre a voracidade instantânea do ciclo de notícias na era digital e suas consequências na percepção da actividade política. A ausência de controlo na sua perseguição contra os socialistas. E a presença de uma dissonância cognitiva corporativa e sectária que o leva para a diabolização das “redes sociais” em vez da denúncia da indústria da calúnia.

Leia-se o seu último parágrafo. Nem sequer no espaço vazio entre as letras alude aos mecanismos e dinâmicas pelos quais as “redes sociais” fazem não sei o quê. As tais “redes sociais” que talvez não passem de dois reformados, um chavalo de 13 anitos e uma acamada sob o efeito de psicofármacos, todos a teclar algures furiosamente antes do jantar. O valente jornalista não quer nem pode saber a que correspondem na demografia, psicografia e sociologia as “redes sociais” tão úteis para lhe esconder a desonestidade intelectual. Para esta figura grada da nossa “imprensa de referência”, as “redes sociais” são entidades demoníacas que estão sempre com os olhos postos nos políticos e que espalham o seu ódio insano de forma espontânea, autónoma, sobrenatural. Os jornalistas, coitados, assistem a isto tudo impotentes, eles cuja missão é a de velar pela saúde do regime. Se ao menos os políticos não fossem tão maus, cantarola este bandido a caminho da santidade…

4 thoughts on “Manuel Carvalho a caminho de Damasco”

  1. Sim, é verdade que até se refere , concordando, com a posição de Isabel Moreira… Mas não reparou que em todo o artigo só há alusão ao Partido Socialista e às suas “más ” posições em todas as propostas apresentadas em matéria de ética comportamental?… Este jornalista é mesmo “especial”…

  2. «Um deputado digno desse nome tem o dever de saber distinguir as prendas interessadas e as prendas cordiais ou institucionais, custem 149 ou 151 euros.»

    O Carvalho do “público” do Belmiro patrão do jornalista Carvalho e senhor ddt do país que não conseguiu corromper o governo para ganhar sem espinhas a opa à PT para fazer o negócio da China e entregar a PT à Telefónica espanhola, até começa por ter razão na medriquice do PS ao andar a regulamentar comportamentos a deputados por medo a Dona Joana.
    Tem de dizer-se e a Isabel se se opôs a tal regulamento foi de mulher.
    Contudo o Carvalho manhoso, no todo do texto, apenas se serve do dito malparido regulamento para investir com os cornos todos no PS.
    Porque o gajo do Belmiro não analisa um único porquê da situação da justiça actual que levou ao destrambelho regulamentarista e até podia, desde logo, começar pelo caso chantagista ao Centeno de que se serve para praticar o tiro ao alvo socialista quando seria mais sério atacar o MP pelo seu mau intento de destruir politicamente um bom ministro da República e fazer maldades ao país utilizando os poderes delegados para praticar injustiças à justiça e ao país.
    Na citação acima o que primeiro se deve exigir é que um MP, digno desse nome em democracia, é quem tem em primeiro lugar o dever de saber distinguir se as prendas são interessadas ou são prendas cordiais ou institucionais custem 149 ou 151 euros, para não fazer a triste figura ridícula de atacar o gabinete de um ministro da Finanças de Portugal sem o mínimo de fundamento para tal.
    É ao MP que compete não fazer política baixa usando a justiça para que os cidadãos se sintam livres e não perseguidos e se ponham em guarda. Quem entra pelo gabinete de um ministro com os media atrás e vasculha os computadores de um ministério sem o mínimo motivo consistente para tal está fazendo uma demonstração de força pública para amedrontar.
    O panfleto do Carvalho, passe o pretexto de que se serve, é tão medonho e assustador como aquilo que fez o MP ao Centeno.

  3. quem espalha coisas , escandalos ,boatos nas “redes sociais ” ( faceboo e piu pu ) são os jornalixos e comentadeiros e políticos do partido contrário ou rival do escandaloso. tanto espalham cenas de justiça , pseudo crimes , asneiras políticas como cenas de racismo , assédio e merdas de género e outras saladas variadas,,, ospois os carneirs vão atrás. por exemplo , há governos que governam a reboque d a opinião publicada no faceboo , assim como há juízes a reboque do crime da manhã :) :) já ninguém tem cabeça , miséria. como diria chomsky : a manipulação mediática é pior que a bomba atómica porque destroi cérebros..

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