Agora é que o Público vai ser do Carvalho?

David Dinis estava a fazer um bom trabalho no Público, dizem os direitolas na despedida deste artista da nacional-sonsaria. Ignoro quais são os actuais resultados comerciais e sociais do jornal, mas não ignoro que foi o mais estimulante projecto jornalístico aquando do seu lançamento, embora rapidamente o sonho tenha tropeçado na realidade. Depois transformou-se num pasquim quando José Manuel Fernandes o usou para levar a cabo a vingança da Sonae no desfecho da OPA sobre a PT. O desvairado Zé Manel não se limitou a pôr a carne toda no assador da calúnia, ainda conseguiu ser protagonista de uma das maiores e mais graves golpadas na história da Presidência da República e do regime democrático. Saiu de lá para fundar o Observador, cujo primeiro director foi o David Dinis vindo do Sol. Um circuito vicioso e viciante.

Chegado ao Público, DD transformou-o em assumido semipasquim. Os editoriais revelavam a sua parola auto-importância, imaginando-se a enviar recados e avisos em nome do PSD de Passos para Marcelo e Costa, e o alinhamento editorial não se distinguia do que é feito no Expresso e no Observador quanto ao tribalismo. Sobre questões que envolvessem a Justiça, calou-se bem calado; mas, nas colunas de opinião, Sócrates foi explorado com carta branca pelos carniceiros especialistas na matéria, usando João Miguel Tavares, Francisco Teixeira da Mota e São José Almeida para se promover abertamente a violação do Estado de direito e o triunfo dos assassinatos de carácter. Em suma, mais do mesmo do que sempre fez, apenas sendo de estranhar o que terá levado alguém a pensar que o seu perfil estaria indicado para a TSF (pese ser, nalguns pontos de preferência partidária, semelhante ao do Paulo Baldaia).

Agora, será a vez de Manuel Carvalho. Este jornalista, com vasto currículo caceteiro e persecutório contra o PS, surpreendeu-me recentemente ao mostrar que era capaz de assinar posições decentes em vez de alinhar sistematicamente pela baixa política. Se continuar por aí, se colocar o jornalismo à frente do sectarismo, se abdicar do ódio em favor do serviço público, então o jornal poderá recuperar parte da sua promessa original. Se deixar que as suas páginas continuem a ser o palco para os profissionais da indústria da calúnia, então a coisa ficará como está: um capricho da vaidade completamente inútil para quem procure jornalismo inteligente e corajoso.

4 thoughts on “Agora é que o Público vai ser do Carvalho?”

  1. Esta merda ainda não fechou, Valupi? Nem o luto carregado que passaste a usar depois do suicídio de José Sócrates te impediu de continuares a dizer bacoradas, pá?

    Edward John Smith, melodias de sempre (actualização).

    State of the art, ontem.

    «Pouco tempo depois Valupi começou a compreender a enormidade do que estava prestes a ocorrer, já que não havia botes para todos a bordo e a tripulação não tinha a menor experiência em evacuações de emergência. Ele aparentemente ficou paralisado pela indecisão…O capitão não deu nenhuma ordem para evacuação, não disse para seus oficiais preencherem os botes, não organizou a tripulação e negligenciou informações cruciais, algumas vezes dando ordens ambíguas ou impraticáveis.», porra!»

    State of the art, hoje.

    «O ângulo do Aspirina B começou a aumentar rapidamente já que a água estava entrando em partes anteriormente intactas… O aumento súbito do ângulo criou uma onda que varreu a parte dianteira do convés dos botes, jogando várias pessoas na água… A popa se ergueu no ar enquanto a proa ficou submersa, com sobreviventes afirmando terem ouvido um enorme estrondo vindo de dentro da embarcação. Após mais um minuto as luzes do Aspirina B piscaram e se apagaram completamente, deixando todos na escuridão.», porra!

  2. ò peixe-sapo Smith: continua submerso como manda a tua natureza! Leva para as águas profundas os teus íntimos Coelho e Gaspar e rebentai com o reino de Neptuno,com a ajuda do FMI,que tem sido muito diabolizado…

  3. «Se continuar por aí, se colocar o jornalismo à frente do sectarismo, se abdicar do ódio em favor do serviço público, então o jornal poderá recuperar parte da sua promessa original. »

    O Valupi parece esperar algo melhor face às recém-boas maneiras do Carvalho, contudo, este é apenas o “director” escolhido pelo “dono” do jornal. E tal dono já várias vezes repetiu que: quem quiser mandar no jornal que ponha lá o seu dinheiro.
    E, dado o longo passado de moço de recados do Carvalho perante o dono patrão, nada faz crer que o Carvalho deixe de ser a voz do dono.
    E também não creio que o novel merceeiro filho seja menos vingativo e use menos o jornal como meio de pressão empresarial e ajuste de contas com quem não lhe faz fretes em favor de qualquer ideia de recuperação da sua promessa original.
    A promessa original foi apenas original na equipa fundadora que durou o tempo do jornal ganhar a credibilidade suficiente para, mais tarde, usar esse crédito e consistência à sua mensagem empresarial de dono puro e duro.
    Logo após, a “promessa” original, deu o lugar a esse jmf seboso lacaio pau-mandado para toda a obra suja e, desmascarado este, outros se seguiram até ao agora dinis, um chico-parvo mais papista que o papa .

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