João Vieira Pereira, o populista que faltava

João Vieira Pereira é um especialista em socialistas. Ao longo dos anos, semanalmente no Expresso e amiúde na SIC, tem vindo a explicar ao povo sofredor que os males da Grei resultam deste azar: temos um Partido Socialista a ganhar eleições. Desse infortúnio nascem os problemas que este excelente jornalista consegue expor com isenção e objectividade. Mas foi também desse mal que acabou por nascer o bem que elevou o senhor para o cargo de director do Expresso. Aproveitando uma cena gaga da responsabilidade do poeta-Guerreiro que deixou vaga a cadeira, o militante número 1 do PSD decidiu subir ainda mais o fanatismo da linha editorial. Nesta terça-feira ficámos com um lamiré do que aí vem.

Lendo esta peça – Joe, o bobo que nos expõe ao ridículo – confirmamos que a direita portuguesa ficou louca de felicidade por Berardo ter ido a uma comissão de inquérito mostrar-se igual a si próprio. Isso permitiu transformar a campanha do PSD e do CDS para as Europeias em mais um festival de adoração socrática e chungaria direitola. Até aqui, nenhuma surpresa. Talvez por isso, JVP resolveu acrescentar uma novidade. Pela primeira vez, que saiba, um director do Expresso assume-se como populista e, entusiasmado com a refrescante libertinagem, apela ao espancamento ou morte de um cidadão. Delírio meu? Não, delírio deles, uma dupla de valentes pronta a fazer justiça pelas próprias mãos:

«Enquanto cidadão que perdeu muita coisa para os bancos durante a crise, sinto-me enxovalhado com a petulância de Joe Berardo. É um daqueles raros momentos em que me apetece saltar das palavras aos atos. Enquanto contribuinte massacrado pelo estado que ajudou os bancos que agora não cobram as dívidas de Berardo como cobraram as dívidas de milhares de portugueses, sinto-me humilhado e com uma genuína vontade de implodir o regime que permitiu e ainda permite esta total impunidade.

Na verdade, na verdade vos digo que são figuras como Mr. Joe Berardo que põem em causa a minha crença no perdão universal da hora do juízo final.»

Henrique Raposo

Raposo faz suas as palavras bíblicas para desafiar Deus, o caso não é para menos. Por causa da fome, das guerras, das doenças, da miséria, do terrorismo, da estupidez à solta no Mundo? Não, pá, por causa do comendador Joe. Se Berardo continuar sem castigo depois de ter dito umas coisas a uns deputados com aquela cara insuportável, então dois mil anos de sacramentos, teologia, santos e milagres vão para o galheiro. E isso é algo que o Raposo não vai permitir, logo ele. Daí anunciar que está disposto a “implodir o regime” e que está à beira de “saltar das palavras aos atos”. Ora, não creio que se esteja a referir aos Actos dos Apóstolos, apesar da afinidade exegética, e adivinho que lhe será custoso, em tempo e dinheiro, começar a implodir o regime sozinho. Pelo que nos basta uma inteligência mediana para adivinhar qual o teor pragmático do repto ao Divino Criador: ou dás cabo do regime ou dou cabo do Joe. Está em causa o “perdão universal da hora do juízo final”, foda-se caralho.

É para esta crise de fé musculada e pronta a salvar as incontáveis almas dos pecadores que o senhor Pereira nos envia com a sua assinatura e recomendação. A “imprensa de referência” acaba de ganhar um director que faltava no baralho do populismo nacional.

12 thoughts on “João Vieira Pereira, o populista que faltava”

  1. A “exaltada indignação” que por aí vai do Rangel ao ”Expresso” e toda a trupe ‘pàfiosa’ não passa de mais uma tentativa de criar uma nova ‘persona’ de índole diabólica que, como tal, só pode ter origem pelo contacto contagioso com alguém superior na hierarquia do mundo do Diabo.
    Todos nós assistimos ao desentendimento seguido de uma guerra suicida no BCP entre o Jardim e seu delfim Paulo Teixeira ex. Secretário de Estado do Cavaco e o tal que tinha uma nova “constituição” pronta para Passos inaugurar: tudo gente do mais refinado cavaquismo e PSD no qual se integrava, num dos grupos em guerra fraticída, o camarada de negócios Berardo a quem foram dadas pela facção amiga todos os meios legais e ilegais, sujos e obscuros, emprestados ou dados, fosse como fosse desde que fosse instrumento poderoso para uso de ganhar o controlo do Banco.
    Controlo que sob o ponto de vista político era uma estupidez dado que qualquer da facções em disputa era integralmente PSD pelo que a tremenda guerra pelo controlo do banco teria uma parcela gigantesca de interesses da ordem dos “empréstimos” para negócios de compadrios.
    O interesse desta falsa “exaltação indignada” do pàfismo está na exploração mediática de uma “ligação”, mais uma, do ‘Joe’ ao ‘José’ tal como o Alex&Teix. fizeram à última hora com o Salgado dono deles todos tal como o Joe era também, um grande empresário, dono de muitos dos actuais atiradores de pedras na actual lapidação do homem caído em desgraça: no mundo dos negócios de sombras alguém cair na desgraça desperta o aguçado faro dos abutres.
    O caso Berardo percebe-se de ginjeira face aos pàfiosos, contudo, mais complexo e difícil de entender é a actitude dos meninos e meninas, rapazes e rapazolas bloquistas com o ideólogo Louçã à cabeça perante o caso dos professores e A. Costa que, novamente, no presente caso Berardo como já fora no caso do José, se colocam numa posição tão oportunista e calculista como os que qualificam como opositores políticos de direita.
    Através duma rectórica sofística palavrosa de sentido moral culpativo-desculpativo aliam-se involuntariamente(?) ao conservadorismo político mais pragmático e reaccionário da política: tentam, por meio de pulhice política e tal como os que diabolizam, tirar dividendos políticos usando de tacticismo político maquiavélico.
    Continuam desejando feroz e intimamente a destruição do PS na ideia estúpida de que serão eles os grandes arrebanhadores dos despojos.
    O mais certo é que, caso os seus desejos se cumprissem, seriam apenas uns rabiscadores de despojos
    depois de contribuintes objectivos para o avanço dos vox de falsetes como Rangel e os da liga italiana.

  2. mas desde quando há perdão universal? na igreja católica apostólica romana , não há…
    e o berardo, seguramente não terá o nome no livro e…”E aqueles cujos nomes não estiverem no Livro da Vida receberão o castigo eterno, sendo lançados em um “lago de fogo e enxofre”…vai direito ter como amo dele para dar uma braçadas e risadas.

  3. e o homem tem razão : o berardo é uma máquina de fazer populistas. já ouvi carradas de gente normal dizer que tinham vontade de o linchar. tem cara de vilão completo, daqueles dos quadradinhos, lógico que apareçam justiceiros. nem toda a gente é imune a arquétipos, pá.

  4. Este traste do «Espreço» parece um velhote caquético a querer competir com o Sérgio Conceição à punhada!

    O «Espreço» que meta lá na sua pobre cabecinha que, lá por nunca mais conseguir passar por cordeiro, como durante décadas quase conseguiu, não fica nada bem na pele do lobo, que fica a matar ao «Correio da Manhã».

  5. joão vieira pereira, é? Mais um nome a não reter.

    Como diria o palermóide do mário crespo: «- Uma nova Vera Lagoa?»…

  6. um culto que já ultrapassou alguns limites, porque a atitude blasé perante um manhoso como o berardo é mais bem a humilhar-se , qualquer coisa como levar na cara e dizer que o coitado não tem culpa de ser violento , é ciumento, ama demais…

  7. No Google a gente consegue saber quem é a nossa “imprensa” e temos o Balsemão, dono da Impresa, Pais Amaral dono da Média Capital e Paulo Fernandes dono da Cofina. O que é estranho é a RTP não ter dono. Dizem que é o Estado ou o Governo., não se percebe. São esses todos que nos metem medo com o inferno da nossa vida quotidiana. O que vale é que nas sondagens segundo a Eurosondagem, há estabilidade na Intenção de voto.
    Diferença ESQUERDA/DIREITA de 15,1%.
    Diferença PS/PSD de 11,9%.

  8. Estes merdosos impotentes já não conseguem mais do que diariamente (uns, semanalmente outros) bater punhetas sobre punhetas em frente aos cartazes do PS e às fotos secretas do Socras que mantêm nas suas algibeiras escagateadas.
    Foda-se, que montes de trampa…

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