Impressões

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QUIDNOVI, 2006

A elite portuguesa não gosta da saudade. Considera-a apenas uma trivialidade folclórica e turística. Dos de intelecto mais capaz, como Eduardo Lourenço, passando pelos cínicos, que dominam a comunicação social, até aos imbecis, os que desprezam a nossa História, há uma crescente unanimidade. A saudade seria cliché do fado, ideologia nacionalista, retórica literária, provincianismo popular. É com um esgar de prazer que dizem não ser a ideia de saudade um exclusivo português, pois se encontrariam variantes lexicais em todas as línguas para a nomear analogamente. A saudade, para esta gente desta lata, é concebida como uma emoção que se esgota na psicologia, a mera consciência de um passado, pessoa e/ou lugar, que se deseja recuperar ou que se lamenta não voltar a fruir. Logo, será uma experiência universal, garantem. O que os leva à pose paternalista, simultaneamente desprezo e afago envolto em sorriso soberbo, congratulando-se a si mesmos por explicarem às crianças que o Pai Natal não existe. Contudo, o que não existe é conhecimento, nesses palonços que exibem ignaros a sua falta de identidade, seu vazio. O que não admira, pois não é de hoje a coincidência entre o poder e a perdição. Há sempre quem se deixe ofuscar pela luz que cega e queima, cumprindo o destino dos invertebrados esvoaçantes. O belo é difícil, avisa Platão.

Quem gosta da saudade é o escol português. E nele encontramos António Braz Teixeira, académico, ensaísta, político e ponte entre Portugal e o Brasil. Tal como muitos outros portugueses, faz o seu valioso e patriótico trabalho longe dos holofotes da fama mediática. Não que tal discrição seja critério, mas é decisivo sinal que apela a procurarmos outros como ele, por agora desconhecidos de quase todos nós. É uma chamada para se partir à descoberta da civilização Portugal.

Com A Filosofia da Saudade, temos reunido, em 175 páginas de muito cómoda e pedagógica leitura, o essencial para a introdução a dois temas, embora o segundo não passe de um aceno por directa associação com alguns dos autores referidos: o da saudade como matéria de reflexão; e o da Filosofia Portuguesa. São áreas completamente ignoradas pela educação, pela arte, pelo espectáculo e pelo jornalismo. Maior, pois, a urgência em os conhecer. E maior a surpresa, para os neófitos, perante a riqueza do pensamento que se faz em Portugal desde o século XV. Mas também surpresa pela vitalidade do pensamento galego sobre a saudade, dando a ver uma profunda identidade comum com os nossos irmãos de língua e finis terrae. Os nomes galegos Ramón Cabanillas, Rafael Dieste, Ramón Otero Pedrayo, Ramón Piñero, Daniel Cortezón, Rof Carballo, Domingo Garcia Sabell e Andrés Torres Queiruga não espanta que sejam apenas conhecidos de uma mão-cheia de eruditos nacionais. Mas já espanta, e talvez devesse escandalizar, que portugueses como Leonardo Coimbra, José Marinho e Afonso Botelho, entre outros, estejam remetidos a um desprezo oficial.

E que bicho é esse da filosofia da saudade? Como sempre no exercício filosófico, é a procura de um pensamento que nasce de experiências inefáveis. A sua inefabilidade, o reconhecimento de nunca se poderem esgotar na verbalização e na análise, é condição mesma do filosofar e da sua sempiterna actualidade. No caso, trata-se da experiência da saudade, um sentimento que não se deixa reduzir à psicologia, pois leva a consciência para um plano superior ao dos limites biológicos e humanos. E que se comece por reconhecer o mais difícil: só sabemos o que é a saudade a posteriori, quando nos revemos nas descrições de terceiros. E pode acontecer que nem todos tenham experimentado a saudade, ou que não disponham do vocabulário para lhe dar forma, ficando afastados da compreensão ou do aprofundamento da experiência. Porque a filosofia é não apenas um discurso lógico, é também logóico; isto é, enraiza-se no íntimo do pensador, alimentando-se do seu húmus e nele florindo e dando fruto. Daí o adágio: primum vivere, deinde philosophari.

Este livro, seja qual for a densidade da experiência saudosa no leitor, é útil para uma primeira compreensão do fenómeno. E útil como ponto de partida. Estamos perante um registo enciclopédico, cujo mérito está na concisão e claridade da expressão. E que ainda contém momentos imperdíveis de malabarismos linguísticos, tão do agrado de quem faz da filosofia uma caricatura. Como este parágrafo a propósito de Paulo Borges, e que deixo como armadilha para afastar leitores:

A saudade apresenta-se, assim, como união-cisão originária, que, no seu carácter gratuito e a-racional de «abissal haver sem fundamento», revela o fundo sem fundo, a um tempo dinâmico, imprevisível e insubstancial, de tudo o que, nela e por ela, existe não existindo ou não existindo, existe, vindo, pois, a configurar-se como o Sacrifício que torna possível que tudo seja, como o mistério pelo qual algo inexiste no absoluto inefável, originando a inexistência desse mesmo absoluto. p.97

Confuso? Não. Lindo, isso sim. Porque exibe a dionisíaca pulsão do filosofar, galgando degraus com a força de Eros. Ora, se ainda não o sabes, não sabes o que perdes — a saudade é a mais profunda das experiências eróticas.

24 thoughts on “Impressões”

  1. eu sou gamado em saudades, assim como um tempêro. Quando é conduto tá mal, devo estar com uma daquelas paixonetas avassaladoras.

    olha Valupi, tinha esta coisa bonita num email:

    «definir-se e arder, isso é amar» escreveu Padre António Vieira, um dos mais lúcidos portugueses de sempre. Definiu-se e ardeu,

  2. (valupi no seu pior estilo)

    (volto para me justificar, mais daqui a pouco. estou ainda cheia de sono, mal acabei de acordar)

    de Teixeira de Pascoaes, fala, o braz teixeira, por certo?

    curiosidade minha.

  3. z, linda citação do Vieira. E de uma lindeza que nada tem a ver com aquela que atribuo ao parágrafo relativo ao Paulo Borges, pois aqui estava a ser – em parte boa – irónico. Já no definir-se e arder, é lirismo do melhor.
    __

    sem-se-ver, de facto, constato que tens esse hábito, seja o tema cinema ou outro qualquer: pareceres cheia de sono. Desperta, rapariga.

    Pascoaes? Claro!

  4. sempre me intrigou o facto de saudade e saudar terem uma raiz comum. Saudade é um saudar solitário? é o olá continuas aqui e já não estás ou, como dizia o Chico Buarque, saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu?

  5. engraçado, na saudade, é o modo como se dá a recuperação de um lugar. na saudade não se deseja «um regresso ao passado», mas uma nova experiência; é a projecção de circunstâncias passadas num desejo de futuro. mesmo que esse futuro não seja expectável, como a saudade do luto de que fala a ernesta.

    eróticas? e patrióticas, pelos vistos…! (e ainda ópticas, ando eu a descobrir…)

  6. seja de que tema for, valupi. partilho consigo um pouco, não diria da minha intimidade, mas das minhas rotinas-pós-acordar: venho para o cpt ler mails e espreitar blogs. incapaz de comentar seja o que for, pelo menos com profundidade. fico-me pelas provocações. até acordar de vez, o que só acontece passado bastante tempo.

    ok (quanto a Pascoaes. estranho então que o valupi não o tenha expressamente citado no seu texto.)

    questões:

    1. Eduardo Lourenço «Considera-a [à saudade] apenas uma trivialidade folclórica e turística»?… ??

    2. «o da saudade como matéria de reflexão; e o da Filosofia Portuguesa. São áreas completamente ignoradas pela educação, pela arte, pelo espectáculo e pelo jornalismo.». Sim, são. Mas talvez não seja despiciendo o facto de

    a) a saudade ser de tal maneira identitária, no caso português, que parece carecer de reflexão suplementar; é alma na carne: sente-se, não se questiona.

    b) não haver, propriamente dita, Filosofia Portuguesa, só arremessos e assomos. Sempre me surpreendeu o facto de me terem obrigado a ter como cadeira anual Filosofia Portuguesa e depois, para encher chouriços, até de Espinosa se ter falado, porque lá devia ter um tetravô lusitano ou algo assim… (mas concedo que alguns dos arremessos e assomos são intelectualmente simpáticos. no caso de Pascoaes, mais do que isso.)

    3. «só sabemos o que é a saudade a posteriori, quando nos revemos nas descrições de terceiros.» Se assim fosse, então estaria impossibilitada a «condição mesma do filosofar e da sua sempiterna actualidade», certo? Pois, segundo disse, e bem, esta parte de «um pensamento que nasce de experiências inefáveis» – nossas. do filósofo. não de terceiros.

    4. da citação que faz, e que, tem razão, serviria para caricaturizar o exercício filosófico [mas da qual tanto vc como eu gostámos e gostamos], dá um pinote constituído por um flick flack (não sei se se escreve assim) à retaguarda com mortal encorpado no fim:

    a) não é ‘lindo’ por exibir qualquer “dionisíaca pulsão do filosofar, galgando degraus com a força de Eros”. (este foi o flick flack à retaguarda) Por Deus, valupi, o homem, segundo posso extrair desta citação, está só a falar da saudade e não precisou nem de galgar degraus nem da força de Eros para o fazer. Tão-só afirma que há ligação entre ‘saudade’ e ‘sacrifício’. Ou é sua consideração, valupi, que saudade e sacrifício são experiências de amor, ou, mais latamente, de Eros, e por isso leu o que leu como leu?

    b) o mortal encorpado foi este: «Ora, se ainda não o sabes, não sabes o que perdes — a saudade é a mais profunda das experiências eróticas.», a dividir em dois momentos:

    b)1. estava a falar para alguém?

    b) 2. para si próprio?

    b) 3. explique-me melhor, sim?, que não sou com certeza o destinatário da sua interpelação. é a mais profunda das experiências eróticas porquê? (vontade de o ver a discorrer sobre isto)

  7. Ernesta, a saudade é um encontro connosco, uma consciência da solidão de tudo e de todos nisto de estarmos juntos. E é também a certeza de que nos poderemos voltar a encontrar, porque já estivemos unidos, lá no futuro donde viemos. E como ouvi num filme e nunca mais esqueci, “O céu é onde nasce o futuro.”
    __

    Bem visto, susana. Tens óptica para a coisa.
    __

    Primo Confúcio, folgo em saber isso. Toma lá outro.
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    sem-se-ver, muito obrigado pelas questões. Sempre que me fazem uma pergunta estão a fazer-me um favor. Também parto do princípio de que as tuas perguntas pressupõem uma ignorância, em nada provindo da má-fé. Não que haja mal em perguntas retóricas ou argumentosas, apenas porque ainda melhor do que brincar é pensar.

    Acontece que as rotinas partilhadas do teu despertar se estendem pelas tuas provocações. Considero-as sonolentas, como se preferisses uma certa letargia ao entusiasmo da consciência acordada. Neste exemplo – e à excepção da 4.b) 3. – constato o mesmo. Vamos lá.

    1. Sim. Mas não usa a minha terminologia. Para o Eduardo a saudade é uma construção mitológica. E para o Lourenço a mitologia é folclore.

    2. a) Falso. E revela que nada sabes do assunto. O que não tem mal, atenção. Só é mal o mal que se prefere. Quanto a este ponto, estás a fazer literatura, e da bera. Até como objecto cultural a saudade, para ser identitária, carece de expressão. Logo, não se limita a ser sentida, é também entidade poiética.

    b) Falso. E revela que nada sabes do assunto. O que não tem mal, atenção. Só é mal o mal que se prefere. Quanto a este ponto, estás a fazer política, e da bera. A Filosofia Portuguesa existe porque existem autores que a cultivam, que têm obra. O que não existe é uma aceitação pela universidade da sua existência. Por isso não se fala do assunto. Aliás, o tema da guerra entre a universidade e o grupo da Filosofia Portuguesa tem décadas. Tens de mudar de cartilha ou pedir uma indemnização à universidade que tão mal te preparou nesta temática.

    3. As experiências são nossas só em parte. Na verdade, é mais rigoroso, curial, atribuir à linguagem a autoria das experiências de que aqui se fala. É o que está presente na nossa concepção de Logos, pensamento e discurso a um mesmo tempo, e que se torna óbvio no domínio da psicologia. A minha experiência carece de palavras para ser expressa – ou seja, para existir. E as minhas palavras abrem o espaço da experiência, e são elas próprias fontes de experiência. Enfim, lana caprina, matéria da disciplina de Filosofia do 10º ano. Mas só para embrulhar este açoite: na filosofia estamos sempre a contemplar terceiros, a andar às cavalitas dos gigantes. São os outros que nos fazem pensar com o que eles pensaram. Está aqui a actualidade perene da filosofia, e por isso todos os filósofos dialogam com a tradição. E isto desde os primórdios! Já os pré-socráticos se referiam aos sábios, aos deuses, aos provérbios ancestrais. Mas tu sabes isto tudo, não sabes? Estás a mangar aqui com o pilas, né?…

    4. a) Lamento que uma glosa do Banquete, de Platão, te apareça como uma pirueta circence ou um arrecuo. Filosofar, nesse diálogo, é uma ascensão erótica. É, aliás, uma das passagens, e imagens, mais conhecidas. Qual o teu espanto? Espantado fico eu com a tua leitura do parágrafo, como se ele fosse suficiente para uma qualquer compreensão. Repara: que o tenhas percebido, é óbvio, pois sabes ler; que o tenhas entendido, aceito, pois dominas os conceitos; mas não o podes compreender, pois não sabes qual o seu contexto na obra, nem sequer na página. Logo, as tuas extracções da citação devem ser feitas com pinças e rapidamente depositadas em ambiente esterilizado, pois não se aguentam na exposição ao ar.

    b)1. Estou sempre, sempre, a falar para ti.

    b) 2. Estou sempre, sempre, a falar para mim.

    b) 3. Só aqui, finalmente, te despes da atitude defensiva. E soltas a curiosidade. Pois bem, é a mais profunda das experiências eróticas porque nos faz sentir o tempo imobilizado no corpo.
    __

    Rui, as notícias do teu entusiasmo aquecem este meu pobre coração.

  8. como é suposto eu reagir a isto? «Também parto do princípio de que as tuas perguntas pressupõem uma ignorância, em nada provindo da má-fé.»

    com indignação, certo?

    primeiro, porque não lhe admito que considere que as minhas perguntas pressuponham ignorância; quem coloca questões é tudo menos ignorante, aliás – tem a sabedoria, ou prévia, de conhecimentos que dirigem as suas perguntas, ou a de saber que não sabe ainda. no caso em apreço, e como é óbvio, tratava-se da primeira hipótese. pedir-lhe que discorra sobre um determinado assunto / uma determinada afirmação pressupõe que eu mesma seja ignorante sobre ele/ela? está a brincar comigo?

    ok, não nos conhecemos (e é com grande consolo que sei que, da minha parte, nunca terei qualquer interesse em o conhecer): mas o que pode fazer imaginar, por um segundo qualquer, que eu seja movida pela má-fe? vc o ser, por vezes? não encontro outra justificação, sequer: é frequente encontrar quem projecte nos outros si mesmo, os seus fantasmas ou as suas práticas.

    dispenso em absoluto, ainda, caracterizações das minhas perguntas como sendo retóricas ou ‘argumentosas’ (palavra que nem sequer existe, e que utiliza para as amesquinhar não as elevando ao estatuto de argumentativas), não sendo elas nem uma nem outra coisa. ou as minhas questões passam a retóricas ou argumentosas, em lugar de estimulantes e úteis como em conversas anteriores já o foram, segundo as suas conveniências?

    dito isto:

    1. as minhas provocações são tão pouco sonolentas que vc lhes responde como respondeu.

    2. «e à excepção da 4.b) 3»? porquê? porque foi o único momento em que não o critiquei (pensa vc, aliás)?

    3. a sua resposta quanto a eduardo lourenço é patética. nem como boutade tem interesse. deu-lhe pra passos de faena quando se vê encostado pelo touro? ou vai desenvolver justificações para tão parca argumentação?

    4. a sua pressa em atacar-me leva-o a não ler sequer (que novidade) o que escrevi, e que foi: «a saudade ser de tal maneira identitária, no caso português, que PARECE [não sei fazer bold aqui] carecer de reflexão suplementar.» «parece», percebeu? e daí tantos não lhe dedicarem atenção ou reflexão. E «até como objecto cultural» a saudade tem sido, e de há séculos, expressa e exprimida. Que não o tenha sido amiúde pensada releva – pode relevar – de não ser existência exterior, mas de tal maneira imanente que escolhe outras vias para se expressar. Entendeu?

    5. Deve ser por esta estulta razão («O que não existe é uma aceitação pela universidade da sua existência») que tive uma cadeira anual de Filosofia Portuguesa… E como eu gostaria que baixasse essa crista de galo, que tão mal lhe fica, e essa soberba tão provinciana, que tão mal lhe vai, e combatesse com argumentos que não passassem pelo insulto à inteligência e cultura do seu interlocutor, valupizinho…

    6. «Mas só para embrulhar este açoite: na filosofia estamos sempre a contemplar terceiros, a andar às cavalitas dos gigantes.» Bem sei, e sei que vc o sabe também. Mas que o seu raciocínio, tal como o redigiu, estava e está incorrecto, está. Agora tenta dar a volta a um texto que lhe saiu mal. Mais uma vez. E só isso. (sendo ainda que, seja como for, ao cavalitar gigantes estamos a cavalitarmo-nos a nós próprios. bem sei, e sei que vc o sabe também. pelo que não há experiências inefáveis a posteriori, percebeu?)

    7. donde, valupi, porque não conheço o contexto de onde foi retirada a citação, devo obediência mental e seguidismos míopes face às conclusões que vc, detentor absoluto da verdade interpretativa da dita cuja, nos fornece a nós, humildes leitores? belos ensinamentos de filosofia teve vc na sua universidadezinha…

    8. não, não está. a falar para mim. deixe-se de tretas.

    9. ah pois está, sempre sempre a falar para si. algo de novo, quer contar-me?

    10. a atitude não foi defensiva. defender-me de si? é pra rir?

    boa definição. não é contudo a única experiência que nos faz sentir o tempo imobilizado no corpo. lamento informá-lo…

    passe bem, sim?

  9. * boa definição. não é contudo a única experiência *erótica* que nos faz sentir o tempo imobilizado no corpo. lamento informá-lo…

  10. sem-se-ver, nunca te lamentes por me informar. Seja do que for. Fico doidão com informações.

    É uma boa definição, não é? Também achei. Tive sorte na altura em que me saiu. Acho que ela pode ser o começo de uma bela amizade entre nós, quem sabe mesmo de um caso de amor. (espera, uma bela amizade já é um caso de amor… hum…)

    Do que escreves, afastando o que é ruído (emoção), sobra pouco, talvez nada. Porque és tu que não apresentas qualquer argumento. Não substantivas, só adjectivas. Por exemplo, porque é que consideras patético o que escrevi em relação ao Eduardo Loureço? Não faço ideia. Com certeza, não serás adepta da telepatia, com tanta racionalidade apregoada. O mesmo para todos os outros pontos. Não passa de um arrazoado “ad hominem” sem ponta de interesse.

    O que tem interesse, já num salto dentro do episódio, é o diagnóstico da tua perturbação emocional. Se releres o que escreveste, estou em crer, vais sozinha conseguir detectar as tuas contradições. Repara: perguntar pressupõe sempre uma ignorância, real ou simulada. E nem os deuses vão alterar esta condição. A tua reacção é um puro absurdo. Uma aberração lógica.

    No entanto, sentiste-te mal. Porque interpretaste o que escrevi como sendo uma afirmação de que tu serias ignorante. Ou seja, trocaste “estado” por “condição”, e anunciaste que não admitias tal. Não admites que alguém (eu, no caso) te associe à ignorância. Como é óbvio, nunca passaria pelos meus poucos e maltratados neurónios considerar-te ignorante nessa semântica para ti ofensiva. Eu até diria ao contrário: tu estás é com a taça cheia, como ensina a anedota Zen. Todavia, não posso deixar de apontar que a fervura sanguínea é toda oposta à praxis filosófica.

    Quanto ao que dizes da má-fé, tem juízo. Tudo o que escrevi estava no condicional e não se referia à pessoa que tecla e respira frente ao computador. Eu estava a fazer um preâmbulo contextualizador do sentido das minhas respostas. Eu estava, no fundo, a apostar na bondade das tuas questões. Mas sendo, em simultâneo, bezerro e serpente…

  11. top seven das 16:48:

    1.«Para o Eduardo a saudade é uma construção mitológica. E para o Lourenço a mitologia é folclore.»
    2.«como objecto cultural a saudade, para ser identitária, carece de expressão. Logo, não se limita a ser sentida, é também entidade poiética»
    3.«só para embrulhar este açoite»
    4.«na filosofia estamos sempre a contemplar terceiros, a andar às cavalitas dos gigantes. São os outros que nos fazem pensar com o que eles pensaram.»
    5.«Estás a mangar aqui com o pilas, né?…»
    6.«que o tenhas percebido, é óbvio, pois sabes ler; que o tenhas entendido, aceito, pois dominas os conceitos; mas não o podes compreender, pois não sabes qual o seu contexto na obra, nem sequer na página. Logo, as tuas extracções da citação devem ser feitas com pinças e rapidamente depositadas em ambiente esterilizado, pois não se aguentam na exposição ao ar»
    7.«(a saudade) é a mais profunda das experiências eróticas porque nos faz sentir o tempo imobilizado no corpo.»

    amigos,
    Não tendo nada a ver com esta guerra (quis Deus na sua infinita bondade poupar-me a este tau tau), e na minha qualidade de espancado de serviço, hoje de folga (cinzas, compreendem), sinto-me legitimado para opinar, sem desprimor de ninguém, o seguinte:

    Fazem os amiguinhos mal em botarem as coisas nesse beliscar de túbaros que esbanja o essencial da conversa. Sobra emoção escondida, sem se ver razão de monta para tanto, nos últimos comentários de parte a parte. E ‘indignação’ é bem feminino, fica patente. Mas o assanhanço valupiano da 16:48 é um primor de espanadela, o algodão não engana. Martela os tintins de qualquer um, convenhamos. Que ficam sem se ver, naturalmente.

    Deus: obrigadinho, pá.

  12. pois eu depois de amanhã bazo, conforme estava prometido há muito, os mindinhos revelaram-se grandes estrategas e o neocortex está a fazer a mala que se lixa!

  13. linda cabrinha, por isso é que eu tou a avisar aqui há tanto tempo!

    há milénios que não ouvia o Brell, dava uma volta com ele na mata :-) Foi bom! Não me mordas.

    bem, mas não te preocupes demais porque o meu amigo F fez a surpresa de instalar internet em casa e f*deu-me, a menos de uma tempestade electromagnética cá virei, que eu fiquei com sentimentos de culpa uma vez que bazei dum blog e ele morreu

    e depois eu sou o mesmo de sempre, sempre perdido sempre encontrado

    (e também só vou mês e meio)

  14. “Tomeito” “Tomáto”…

    Eu aposto que o Valupi mija mais longe, mas a sem-se-ver consegue mijar durante mais tempo.

    Kiss and make up

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