13 thoughts on “Exactissimamente”

  1. É possível que o presidente, na impossibilidade tanto de convocar eleições como de rever a constituição segundo os desejos do governo estável e durável a que deu posse e já caiu, esteja a pensar em ouvir todos os portugueses, um a um.

  2. Dr. Louçã (no artigo citado): «Outra será que, nas vésperas de ser eleito um novo presidente (ou presidenta), Cavaco Silva compreende que…»

    Outro que apoia a iniciativa linguística da «presidenta» da Fundação Saramago, Pilar del Rio. Já agora, porque não «estudanta», «residenta», «videnta» e por aí fora?

  3. Realmente estamos todos a viver um tempo fantástico em Portugal. Sobretudo ao nível das Instituições Nacionais. Um desgoverno rejeitado que continua a alienar Património como se nada fosse. E um PR na Madeira a recomendar pressa à Europa contra o terrorismo?! Melhor só mesmo o Rendeiro – condenado e impedido de exercer actividade – a comentar o Novo Banco na TVI24. E o que seria de nós se não fossem os comentadeiros?

  4. Exactissimamente porque é um excelente artigo do Francisco Louçã , Val. Seria bom que alguém versado em História Moderna e Contemporânea se desse ao trabalho de encontrar paralelismos com outros golpistas portuguesas. Golpistas, que na sua caracterização se poderão confundir com as tentativas de golpes de estado, mas que objectivamente constituem um sub-grupo a que poderemos chamar Golpes Políticos no Interior das Instituições por extenso (sigla GPI’s de que há vários casos, seja em Lisboa, Lourenço Marques ou em Luanda). De repente, parece-me que quarenta e três-43-quarenta e três dias se tratam de um novo recorde.

  5. A ménage-a-trois entre PS, BE e PCP (e o PEV… trois-et-demi…):

    – As expectativas eram altas, altíssimas: maioria absoluta “de certeza” do PS, com ou sem o Livre (paciência DO… pouca sorte) , com ou sem o BE, certamente sem o PCP.
    Depois veio aquela chatice, aquele detalhe, as eleições. Foi-se a glória esperada, veio a humilhação. Afinal nem um “poucochinho”, perderam… e foi isso que declararam na noite, assumiram a derrota, cumprimentaram os vencedores.
    E depois foram dormir, descansar… até hoje. Sonhos, pesadelos, delírios… e as expectavas vão baixando, baixando… afinal temos deputados, ainda dá para safar o Costa.
    – Salta um governo de esquerda (“das esquerdas”, que cada um tem a sua identidade, isso do singular é para “a” direita, que é toda igual), Passos acabou, temos um governo da “abrangente convergência”, maioritário, sólido, com um acordo detalhado, quantificado e calendarizado, para que nada falhe… não, afinal não é um acordo, são dois (espera, 3, porque o PCP exige fazer prova de existência de uma não-entidade, um dito PEV…, Costa e PS, engole), não são bem acordos, são listas de medidas para 6 meses, depois se verá, nada sobre europa, nada sobre politica externa que queima, é um pormenor maior, mas irrelevante. E há uma tabela no fim, com umas contas.
    – Feitos em reuniões conjuntas, entre todos, não… espera, apenas reuniões bilaterais porque na esquerda “unida, sem muros”, não se podem ver uns aos outros, nem cheiro. Isto e aquilo tira-se dos acordos porque, como decretou Costa, “há acordo no que estamos em acordo e há desacordo no que estamos em desacordo” (sic) ?!… fazem-se estes, para o ano vemos se há mais, a legislatura não são 4 anos (que isso era compromisso demais), são uma tosta mista de 4 fatias: e depois se nos chateamos como de costume, como é?… a tradição ainda pode ser o que era…
    – Depois vamos apresentar uma moção de rejeição conjunta para derrotar a direita, não… espera, afinal são 3 moções de rejeição (stop! íamos nos esquecendo outra vez do PEV, falta de hábito: passa a quatro moções, fax’avor), o que chegar primeiro ganha! (as expectativas a baixar, a baixar, porque é que o Cavaco não indigita o Costa, cada dia que passa isto corre pior!).
    – Adiante: vamos lá assinar isto (acordos que ninguém leu, que ninguém conhece, que no PS ouviram falar mas não leram, que no PCP não votaram, foi “unanimidade informal”…) ainda a tempo, à hora do almoço, com ou açúcar no café ou chá, tipo snack ou fast food (junk food?…)… numa sala do hemiciclo, de forma solene, séria… espera, não, afinal é numa sala qualquer do edifício novo, pode ser esta… não afinal aquela mais ao fundo (quanto mais longe melhor), tem apenas o essencial, moveis tipo ikea, livros não, para mostrar simbolicamente o estado em que ficou a cultura, só mesa e algumas cadeiras (até nem eram necessárias, vamos assinar em pé, alguma coisa que permaneça de pé no meio disto tudo, se tivermos de ser nós seja, vale o sacrifício!)…
    – A tradição aconselha que se assinem documentos fundamentais, “históricos”, com alguma formalidade, a uma dada hora anunciada, de forma publica, provavelmente com algumas palavras e perguntas, alguma declaração ou declarações de satisfação, apertos de mão, fotografias para provar que é real, já não há muros… não, espera, esquecemo-nos que não nos podemos ver uns aos outros, nem estar na mesma sala ao mesmo tempo a fazer a mesma coisa para o mesmo objectivo e na mesma direção, íamos dar a imagem errada… e também tradições é para totós!
    ok, fazemos assim a modos que uma “cerimónia” à falta de melhor nome, “sequencial com momentos individualizados”, o pessoal nem vai entender o que e´… mas vai ser assim do tipo “já tirei a senha, sou a seguir, vou ali dar um salto ao fundo do corredor assinar umas coisas, esperem só 5 minutos que já volto!”
    Se um casamento mesmo civil é assim… era melhor assinar também o divórcio já ali, logo no ato!
    Bora lá votar a moção de rejeição e acabar com isto antes que as expectativas sejam ainda mais baixas, tão baixas que ninguém as veja, tão rasteiras que fiquem escondidas, cada cavadela sua minhoca.
    …e o Cavaco que nunca mais dá posse ao governo, qual a dúvida?… Está tudo porreiro, pá!

  6. Talvez convidar o insigne historiador Rui Ramos para elaborar sobre os golpes palacianos ou nem tanto.
    Gostaria tanto de ler esse ensaio que, certamente, demonstraria claramente que há que respeitar as tradições, pois são elas o cimento-base dos avanços das sociedades…
    Tenho quase a certeza que ele nos convenceria de que o direito de governar emana do poder divino que, sendo omnisciente e omnipresente, abençoa só uns tantos ungidos com o poder do saber eterno, e que, quando erram o fazem apenas para nos castigar, pois não somos todos pecadores marcados com o ferro da culpa eterna do pecado original?

  7. De acordo, GPI’s ou Golpes Palacianos vulgo GP’s porque, em comum, têm sempre um palácio por cenário (Palácio de Belém, Palácio do Governador Geral de Angola, etc.).

  8. Exactissimamente.

    Gungunhana Meirelles: Ise camino.- o das a.- uma vez aberto ja não se pode parar, goste ou não. Noutros lares començou assim e agora o falar políticamente correcto é duplo/a. Portugueses/as, vascos e vascas. membros e membras (aquí ja se alcançou o topo…..) etc.
    muito cansativo mas tudo chegará.

    A pilar del Río está a importar costumes .
    a Aspirina não precissa mudar, já é .-a.-

    Gungunhana Meirelles

  9. Reis, a palavra «presidente», i.e. aquele ou aquela que preside, que está a presidir, serve para os dois géneros porque é um particípio presente substantivado, como estudante, dançante ou cantante, i.e. aquele ou aquela que estuda, dança ou canta.

    Não é como «o ministro» que admite perfeitamente a forma «a ministra» para satisfazer as necessidades de igualdade de género que afligem tanto espírito justiceiro («tanta espírita» ainda não se usa). Acontece que a sede de reformas linguísticas politicamente correctas, ainda que gramaticalmente analfabetas, que seduz as Pilares e os doutores Louçãs deste mundo, conduz a abusos da língua completamente disparatados, que não fazem sentido nenhum.

    Repare que pela mesma lógica do barbarismo «presidenta», à luz do disparate que pretende que o uso no feminino de um termo neutro deve exigir a terminação «a», deveríamos atender a uma pseudo-regra paralela para o masculino, e passar a dizer «o presidento», «o estudanto», «o dançanto», «o cantanto», a par de «a presidenta», «a estudanta», «a dançanta», «a cantanta»…

    Para mais, considere as formas que provêm directamente de particípios presentes latinos, como «seguinte». Que sentido é que faria passarmos a dizer bizarrias como «a presidenta seguinta é uma estudanta»? Ou, já agora, «o presidento seguinto é um estudanto»?

  10. Melhor ainda: … um particípio presente substantivado, como estudante, dançante ou cantante, i.e. aquele ou aquela ou até aquilo que estuda, dança ou canta.

    Por exemplo, diz-se uma mesa dançante e um tabuleiro dançante. Não se diz dançanta e dançanto. Do mesmo modo um senhor presidente e uma senhora presidente. Nada a ver com um senhor ministro e uma senhora ministra.

  11. Gungunhana Meirelles. Concordo en tudo.
    O meu comentario ia um pouco satírico para dizer que aquí ja vivemos muito essa moda, que num principio foi muito chamativa e pelo que advertia que haverá mais casos que uma vez començada a função ja é difícil de parar.
    Eu achava que a Pilar é embaixadora desta moda que se quer confundir na dialéctica machismo/feminismo.

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