Educação sexual para bloggers

Um dos aspectos mais notáveis, e decisivos, do cristianismo é o de não ter educação sexual. De facto, os diferentes credos cristãos não têm nada a dizer sobre a sexualidade, apenas sobre o casamento. No catolicismo, a mais segregadora das variantes cristãs quanto ao matrimónio, há dois tipos de casamento: o terreno e o celestial. Os leigos casam entre si, os ordenados casam com o Senhor. No que diz respeito à sexualidade enquanto dimensão antropológica ou espiritual, o cristianismo nada pode dizer porque tem ignorado voluntariamente essa região ontológica; nisso, e infelizmente, não recolhendo a herança do judaísmo. Esta situação é desgraçada, que não haja a menor dúvida, e explica vários fenómenos que compõem o actual momento civilizacional. Um deles é relativo ao império da pornografia, o qual não é só produto de consumo, mas alcançou o feito de ser modo de relacionamento. Com o acesso imediato à pornografia, tanto na TV como na Internet, e ainda antes nas revistas femininas comuns, a pornografia massificou-se. Daqui nascem novos mercados e novas tipologias de relacionamento, onde o sexo se frui como lúdico e destituído de vínculo sentimental. Ou seja, o que os homens (e algumas mulheres) das elites sempre fizerem ao longo da História, ter sexo à disposição sem restrições, é agora uma possibilidade crescente para a enorme maioria dos adultos ocidentais, homens e mulheres, caso o procurem. Se quiserem protestar com alguém da Igreja por causa deste paradoxo, onde a falta de educação sexual gera uma legião de consumidores de sexo, e onde o culto da abstinência acaba como fonte de luxúria, é favor enviar a correspondência para o Santo Agostinho.


O que catolicismo providencia é uma educação social, advogando nesta a virgindade, castidade e fidelidade. Porquê? Porque são tontinhos? Porque são sádicos? Porque os Padres da Igreja, e aquela malta muita marada dos Concílios medievais, nunca leram Reich, Kinsey e Foucault? Há muito imbecil que pensa que sim, esquecendo-se de que o seu entendimento do assunto é, afinal, uma continuação do pecado original: não haver no Ocidente uma educação sexual. Nos mundos árabe, hindu e chinês há uma cultura sexual, misturando elementos populares, religiosos e medicinais. O resultado não pode ser comparado com a realidade ocidental cristã, mas o Ocidente pode aproveitar esse legado de exploração antropológica presente em várias tradições milenares e centenárias. O cristianismo, porque a sua existência esteve sempre ameaçada, não teve espaço nem tempo para desenvolver uma cultura sexual, tendo ficado a dos romanos com este senão: tinha de ser às escondidas. Os nossos pais, avós, tetravós e coevos de Camões e de D. Afonso Henriques, todos foram especialistas em adultério. O adultério era o espaço por excelência do gozo sexual, não o matrimónio. A cultura literária cedo encontrou nesta hipocrisia a sua inspiração, pois onde há dualidade há dinâmica, e a tensão do proibido gerou a tesão do sentido.

Hoje, ainda somos vítimas sexuais da ausência de sexualidade no cristianismo. As patologias psíquicas associadas ao sexo são das mais perigosas nos machos, e persiste-se em ignorar as suas causas sociológicas. É por isso que é um atestado de imbecilidade aparecer a criticar o Papa em qualquer assunto que diga respeito à sexualidade humana, pois a Igreja só conhece o matrimónio. Quando fala do preservativo, está a falar para casais católicos, enquanto para as pessoas em situação pré-matrimonial fala em virgindade, abstinência e castidade. E quando fala para casais católicos, está a falar para consciências que se comprometeram, e assim se compreendem, numa vivência de fidelidade, respeito, protecção, cuidado e amor. Apesar disto, a imbecilidade reinante consegue relacionar o discurso católico com a prática de indivíduos que não respeitam qualquer dos preceitos que permitiriam identifica-los como crentes para quem o interdito do preservativo poderia ter significado. Alguém que abdique de usar preservativo numa relação de risco alegando que o faz porque um pachola no Vaticano assim o deliberou, está há quanto tempo sem medicação ou quem é que o ajudou a fugir do hospício? E esse católico também irá arrancar um dos olhos no caso de tropeçar? E irá cortar uma das mãos em caso de escândalo? E nunca entrará numa escola para ser um perfeito pobre de espírito? Ou as leituras dementes de passagens descontextualizadas apenas acontecem quando estes peculiares católicos têm contacto com as encíclicas? Os imbecis que vêm com o exemplo dos preservativos só referem, ou referem preferencialmente, as sociedades africanas como as que são dadas a esta aberrante forma de crime, porquê? Porque acham que só os africanos conseguirão ser ainda mais imbecis do que eles próprios?

Se a educação sexual não vem da religião, também não virá da ideologia. A direita não tem nada para dizer, fazendo eco do cristianismo, e a esquerda é simétrica, limitando-se a advogar a libertinagem. Quando se quer revelar o fundo machista dos valentes defensores da igualdade de género à esquerda, basta começar a sugerir um tratamento diferenciado para a sexualidade das mulheres e dos jovens. Saltam logo com demonstrações exaltadas de lubricidade, autênticos toiros de cobrição para quem os seus pirilaus são monumentos de resistência anti-fascista e as fêmeas o prémio sempre disponível e atarantado para os bravos revolucionários. O Che, essa máquina fodilhona, é que a sabia toda, dizem uns para os outros. Muitos, secretamente, até verão nos limites etários legais os espartilhos repressores da moral católica e burguesa, pois um esquerdista com eles no sítio, seja intelectual ou proletário, procura também o comunismo sexual; e quanto mais cedo se começar, melhor. Enfim, ofende a luta de classes aceitar que o sexo possa ser um reduto da propriedade privada.

A sexualidade é uma das mais poderosas vias de conhecimento e doação de sentido, por isso a educação sexual virá da filosofia. Porque a filosofia é criativa e erótica. A filosofia tem corpo e alma. A filosofia faz-nos humildes e magníficos. O amor da sabedoria guarda o segredo da sabedoria do amor.

50 thoughts on “Educação sexual para bloggers”

  1. O melhor do post é o boneco, que faz sorrir. O resto é mais cómico. Sobretudo aquela de que o adultério e o sexo às escondidas é culpa dos romanos. E a aparente ignorância do facto de que o cristianismo, não o do Antigo Testamento, mas o doutrinado e comandado por Paulo, instaurou um ideal ascético e uma moral sexual que nada tinham que ver com a civilização greco-romana. Tentas diluir o conceito de moral sexual naquilo a que chamas educação social. Isso não faz sentido algum. Quando, por exemplo, a Igreja medieval proibe o coito anal, porque não gera filhos, ela está a impôr uma regulação social através de uma regulação sexual que se torna, assim, numa norma moral.

  2. shark, vou acreditar nas tuas palavras.
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    Nik, o adultério é culpa dos romanos? Tens de me dizer onde leste isso, pois promete ser leitura interessante. O que escrevi foi que o cristianismo conservou a sexualidade dos romanos, daí nascendo o adultério como procura de prazer.

    Quanto ao cristianismo do Antigo Testamento, também estás no campo das grandes descobertas. Na referência a Paulo, esse é o ponto: não há moral sexual, há moral matrimonial. Por isso (voltamos ao parágrafo supra), a evolução histórica do cristianismo, por causa da estrutura civilizacional romana, adaptou-se ao que existia. É a mesma lógica que levou o cristianismo, em muitos locais, a mesclar-se com tradições pagãs.

    O teu problema está em julgares que tudo o que se relaciona com o sexo tenha de ser relativo a uma concepção da sexualidade. Não é assim. Por exemplo, para considerar ofensa a violação não temos de recorrer a uma qualquer noção de sexualidade, mas tão-só a uma noção de liberdade.

  3. Continuo de acordo com o Nik,

    O problema é que o Papa não especificou que o conselho que dava valia so para os eleitos que têm um doutoramento em teologia e que conseguiram entender que o sexo so faz sentido com amor, no matrmonio e que mesmo ai é altamente dispensavel como sobejamente demonstrado na Apologia de Socrates (que é mais ou menos o que estas a dizer, ou não?).

    O Papa falou para o mundo inteiro, que inclui os pecadores, os desregrados, os obcecados e até, calcula, os pretos e os paneleiros (embora quanto a esses, não tenhamos que estar com grandes cuidados, pois não fazem ca muita falta como é sabido).

    Ora acontece que o preservativo é um instrumento fundamental na defesa da saude e da vida de muitos desses pecadores e acresce que a sua utilização continua a esbarrar com preconceitos. Isto não acontece so em Africa, e se não souberes disso, é porque raramente fizeste a experiência de comprar uma caixa dos ditos em Portalegre ou no Seixal (o que so te prestigia, claro).

    Portanto o que se critica no discurso do Papa, não é (apenas) o fundo. E principalmente o não ter tido nenhuma consideração pelo contexto que acabo de mencionar.

    Ora, falar sem ter presente o contexto em que a mensagem vai ser ouvida é uma, como dizer…, aquela palavra que usaste para criticar o Daniel Oliveira por não ter enquadrado o discurso papal dentro da sua espessura etico-teologica, palavra que não me ocorre de momento e que eu poderia substituir por “irresponsabilidade”.

  4. joão viegas, é extraordinário o teu poder para a falácia delirante. Vejamos:

    – Os pretos, os paneleiros e o bom povo de Portalegre e do Seixal são católicos ou estão sujeitos a comportarem-se como católicos mediante certos estímulos.

    – O Papa faz uma comunicação cujo formato é o da encíclica, nela escarrapachando com todas a letras que está a falar para casais católicos e que a temática é relativa à vida familiar católica; não vá o Diabo tecê-las e, de repente, algum ateu telefonar para o Vaticano a mandar vir.

    – Então, os pretos, os paneleiros e o bom povo de Portalegre e do Seixal correm para a encíclica, recortam a parte em que se lê “preservativo coisa muito bera” e mandam fora as suas camisinhas. Tendo em conta que em Portalegre até existe uma sexshop mesmo no centro (mas talvez não vendam preservativos, só vibradores e lubrificantes), as consequências prometem ser devastadoras.

    É isto? Se o for, farás parte do grupo dos “irresponsáveis”, e não estarás em boa companhia.

  5. OK Valupi, deves ter razão, a culpa so pode ser dos jornalistas que, como o Daniel Oliveira, desataram de repente a ler desalmadamente as enciclicas papais à procura de uma citação que possam utilisar, tirando-a do contexto, para tramar o Santo Padre e matar frades… Alias, por isso mesmo é que o DO tem estado caladinho, esta a ler as dez enciclicas anteriores, a ver se pode deitar mais umas achas para a fogueira…

  6. Ele está caladinho porque, finalmente, teve consciência da imbecilidade que afirmou (é a minha hipótese, optimista). Dizer que o Papa é responsável pelo crime de propagação da SIDA (e pelo aumento dos abortos e da miséria) equivale, já agora, a dizer que o clero e os leigos católicos – portanto, os muitos milhões pelo Mundo fora que são representantes vivos da fé católica – são igualmente seus cúmplices. O assunto não é assim tão levezinho…

  7. La estas tu a personalisar as coisas… Esquece o Papa, esquece o Daniel Oliveira. A questão é saber se a mensagem que se ouviu (ou seja “um bom cristão não usa o preservativo”) é feliz e apropriada. Se concordares que não é, nos não nos importamos de ficar com a culpa do equivoco e prometemos nunca mais voltar a ligar ao que diz o Papa…

  8. joão viegas, primeiro tens de explicar o que achas que seja um bom cristão. E vou já dar-te uma ajuda, pois é óbvio que estás a discutir sem sequer teres lido o que vai acima: para os católicos que ainda não tenham casado, a Igreja (portanto, o Papa) aconselha a não terem relações sexuais. É apenas para os casados (portanto, aqueles que iniciaram a vida sexual) que se fala em evitar o uso do preservativo.

    Seguindo pela tua lógica, as pessoas que estão em risco de contrair SIDA, devido ao conselho para não usarem preservativo, serão as mesmas que – por maioria de razão – irão abster-se de ter relações sexuais antes do casamento e que passarão a viver em monogamia e fidelidade após o matrimónio.

    Pelos vistos, incluis-te a ti neste grupo. Nesse caso, ainda mais estranho fica o protesto contra uma parte do todo.

  9. E o que é que se passa com aqueles que querem passar por bons cristão e, ainda assim, não conseguem estar à altura da norma papal ? Devem ou não usar o preservativo ? E se devem utilisa-lo, não ha que facilitar-lhes a vida ? Ou sera mesmo necessario que se dirijam ao sex-shop de Portalegre… Eu sei que a resposta é pedirem ao confessor que lhes arrange os preservativos, mas os jornalistas não deram publicidade a essa parte da enciclica…

    Ja agora, não sou cristão, mas julgo ter lido algures que existem cristãos pecadores… E também li, se não estou em erro, que o Papa se podia dirigir aos pecadores que não são cristãos…

  10. ó joão, tem tino. Será que tu lês o que escreves? Então que achas que se passará com os bons cristãos que, afinal, nem cristãos são? Pois, não o são. A ti alguém obriga a ser cristão? Achas possível obrigar alguém a seguir um qualquer preceito religioso quando ele vai contra a sua consciência? Por favor, mede as tuas palavras.

    O teu discurso é uma completa contradição, e chocante aberração cognitiva. Dizes que há pessoas que irão seguir cega e criminosamente uma regra relativa à sua conduta sexual, só porque uma qualquer autoridade assim o decidiu no absurdo e arbítrio do seu poder, e logo a seguir dizes que essas mesmas pessoas estão em condições de recusar e contrariar, até ofender, muitas outras regras dessa mesma autoridade, as quais são prévias à tal do preservativo e ainda mais repetidas e espalhadas. Portanto, ou estás bêbado ou alcoolizado.

  11. Não estou nem bêbado, nem alcoolizado, estou num sitio que ganhavas muito em conhecer : a realidade.

    Um cristão deixa de ser cristão quando peca ? Devemos estar a falar de coisas diferentes. Eu estou a falar do cristianismo do Novo Testamento, dos Evangelhos, de São Paulo, e isso… e tu ?

  12. joão, estás é encostado às cordas. O cristão católico, é aquele de quem se fala, até para pecar tem de compreender a sua acção. Tu defendes a ideia de que há muitas pessoas que são católicas e que não compreendem o que seja o catolicismo. Porém, achas que elas são capazes de interpretar um fragmento dessa doutrina de modo a excluir o todo e passarem a ter condutas que vão contra os seus interesses e o interesse de terceiros, ao ponto de poderem adoecer gravemente e até morrer. Isso é, verdadeiramente, espantoso – mas só ocorre na tua cabeça. Tenho a maior das dúvidas de que a tua cabeça esteja sintonizada com a realidade.

  13. Valupi,

    Porque é que o Papa se havia de preocupar em dizer aos bons catolicos, aqueles que estão em vias de beatificação, que o preservativo é mau (quando no fundo, sendo bons catolicos, eles podem depreendê-lo dos dogmas, sem a ajuda de uma enciclica), mas não em dizer aos menos bons catolicos, aqueles que têm fraquezas, que quando a carne é fraca é melhor usar camisa de Vénus? Os primeiros necessitam mais da luz do Guia do que os ultimos ?

    Podes explicar-me esse mistério ?

    E ja agora, porque é que pedem a Nossa Senhora para rogar pelos pecadores ? Pela tua logica, ela devia apenas rogar por aqueles que não pecam…

  14. Ó homem, qual é a parte de “os preservativos não devem ser usados por um casal católico” que não estás a entender? Aquilo a que tu fazes alusão é a um outro assunto: ou o adultério, ou as relações sexuais pré-matrimonias. Portanto, vê se atinas com esta realidade: o Papa, ao falar do preservativo, está a expressar a doutrina católica sobre os métodos anticoncepcionais ao dispor de um casal católico.

    Esta temática não tem nada de nada a ver com a conduta sexual livre e irresponsável. Ninguém pode forçar um ser humano a comportar-se como católico, tal como ninguém pode evitar que um ser humano faça o que o seu livre-arbítrio quiser. Se alguém decide ter relações sexuais de risco, está por sua conta e risco. Tal não tem qualquer relação com a problemática do preservativo. Aliás, o mandamento da caridade cristã diz que é dever do católico defender a sua vida e a dos outros, donde decorre o conselho – por padres repetido há anos e anos – para que aqueles que estejam sujeitos a situações de risco fazerem o que puderem para minimizar, ou anular, esse mesmo risco. No contexto católico, isso significa a abstinência ou a protecção.

    Mas o teu registo não é sério, resvala para a infantilidade. Seja como for, a acusação de que há um nexo entre a doutrina católica para a família e a prática sexual de alguém que não respeita essa mesma doutrina, é uma distorção assustadora.

  15. Ah ja percebi : a nuance é entre “um casal catolico” e “um casal de catolicos”. Por exemplo, o Padre Alberto la da minha aldeia, que vive amancebado ha décadas com a mulher do Julio, não forma um “casal catolico” com a companheira, mas meramente um “casal de catolicos”, que é muito diferente. Portanto, se bem entendi, ele pode usar o preservativo à vontade…

    Desculpa la Valupi, eu acho que o Papa devia consultar-te antes de escrever enciclicas porque essas subtilezas ganhavam em ser claramente explicadas no proprio texto pontifical. Devia dizer assim : “o preservativo é mau em principio num casal catolico (aqui uma nota de rodapé para distinguir o “casal catolico” do “casal de catolicos” e dos outros tipos de casal existentes), mas se não fôr no escuro com a esposa legitima e entre duas rezas, então podem usar à vontade e até devem fazê-lo, como vos foi claramente explicado na aula de moral”.

    Assim, cortavam-se logo de inicio as vazas aos Danieis Oliveiras deste mundo.

  16. Tens de perguntar ao padre Alberto. As tuas dúvidas irão encontrar um interlocutor abalizado. Não te deixes é diminuir pelo que achas que o Papa disse ou deixou de dizer, porque isso seria trágico para a tua liberdade. É melhor que comeces a pensar pela tua cabecinha, como é suposto fazer-se na idade adulta. Ou, então, vai estudar; que mal não faz, acredita.

  17. o sousa, um bom cristão e católico praticante, anda perdido de luxúria pela silvina, lá do escritório, que exibiu um decote bem provido ao deixar-lhe uns papéis na secretária. sem saber o que fazer com esta manifestação desenfreada da sua sexualidade, vai ler as encíclicas. naquela parte do blá-blá-blá acerca da castidade, da fidelidade e de outras coisas pouco apelativas, salta à frente, porque de facto é uma tanga que não interessa a ninguém, que disparate. então ninguém disse ao papa que a carne é fraca?!?
    chegado à recomendação que renega o preservativo salta de alegria: ora aqui está um bom conselho! aquela porcaria, ainda por cima, corta-lhe a tesão. agradece ao santo padre e cai nos braços da silvina, que o infecta com o hiv e um bónus de sífilis, que ele amorosamente vai partilhar com a mulher. quanto esta descobre e o confronta, ele defende-se: eh pá, a culpa é toda do papa, eu só fiz o que ele mandou. euh… enfim, pelo menos sempre fiz uma parte(zinha) do que ele mandou…

    joão viegas, não me parece que faça qualquer sentido acreditar que alguém não usou preservativo por recomendação do papa. quem o reclame estará apenas a ser oportunista, além de hipócrita. faz muito mais sentido que perante a falência das políticas e da cultura se providencie um bode expiatório tão conveniente porque tão fácil de discordar e que, entre outras coisas, num contexto que aponta para uma particular utopia, faz essa recomendação. como se pode fazer tábua-rasa de recomendações basilares e argumentar esse pormenor como causa de seguidismo? o que acontece é que ao haver alguém com tão alargada esfera de divulgação (mas não de influência, atenção!) se gostaria de ver esse alguém a aproveitá-la para fazer pedagogia. só que a razão mesma pela qual o papa e as suas palavras são tão divulgadas é aquela pela qual ele não pode divergir das premissas primeiras da igreja que representa e da sua coerência. discordemos dos princípios, mas não acusemos o homem.

  18. “não me parece que faça qualquer sentido acreditar que alguém não usou preservativo por recomendação do papa”. Acho que ninguém disse isso. Agora que muitas pessoas não usam preservativo por causa de factores sobre os quais o Papa pode ter influência, é inegavel e chega, em meu entender, para que ele deva ter cuidado com o que diz. Que eu saiba, e embora não seja um especialista, o ministério do Papa é neste mundo…

    Podem dizer-me em que enciclica vem escrito que é pecado não usar o preservativo quando as circunstâncias o exigem ?

  19. Exactamente, susana.
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    joão, remeto-te para o texto donde vêm todas as encíclicas, ou onde todas vão parar: a Bíblia. E, nesta, o Novo Testamento. E, neste, os Evangelhos. E, nestes, as passagens em que Jesus defende a vida, ou o bem, contra a lei, ou palavra, estéril. Assim, qualquer cristão dirá que cada pessoa deve fazer tudo o que puder para se proteger de danos e para proteger terceiros de danos. Se isso passar por usar o preservativo, pois que se use. Só que tal conselho não se relaciona com a questão da encíclica que o Daniel Oliveira refere. Convido-te a ler a encíclica e a voltar com as provas de que viste lá a promoção do sexo promiscuo, não matrimonial e sem preservativo. O que estás a pressupor – que os católicos são contra o preservativo porque têm alergia à borrachinha – é completamente imbecil.

    Tu nesta conversa não resolveste a questão relativa ao conselho da Igreja para o amor protector, o cuidado, respeito, fidelidade, abstinência, castidade e virgindade. E falas como se competisse à Igreja regular a actividade sexual das sociedades humanas, e como se elas estivessem na dependência do que diz a Igreja só em relação ao uso do preservativo e nada mais. Nadinha de mais. Isso, convirás, é sinal de loucura.

  20. O papa fala para Roma e para o mundo inteiro – Urbi et Orbi. É natural que o papa fale para crentes e incréus, faz parte da sua alegada missão evangelizadora. A razão pela qual a Igreja condenou o coito anal é a mesma pela qual modernamente condena a camisa de Vénus. Sexo sem ser para procriação é fornicação, absolutamente condenada pela Igreja. Desde sempre que a Igreja de Roma mete o nariz no sexo dos homens e das mulheres. Há 40 anos ainda se afixavam nas portas das igrejas portuguesas avisos proibindo o bikini e regulando a altura permitida das saias. Marimbando-se totalmente para o facto de haver muitos incréus em Portugal, a Igreja tentava furiosamente pressionar regulamentação estatal sobre qualquer coisa que remotamente tivesse a ver com erotismo e sexualidade: censura e proibição de livros e filmes, bailes, carnaval, praias, etc, etc, etc. Não era só para os católicos, era para toda a gente. Felizmente, os hierarcas católicos hoje metem menos o nariz nesses domínios, mas não desistem de meter o nariz na camisinha. Se pudessem, proibiam-na na lei. Como em 1935, quando quiseram acabar com o divórcio e, não conseguindo, apresentaram um projecto de lei (aplicável a TODOS os portugueses) que previa pena de PRISÂO no mínimo de um ano para a parte «culposa» no divórcio, ou seja, a mulher ou homem que cometesse adultério. Tenho o texto do projecto, que posso ceder a quem o quiser ler. Muito instrutivo hoje que se discute (ainda!) se a lei deve ou não estabelecer culpabilidade no divórcio.

  21. Tens toda a razão, Nik, a Igreja é também um projecto de poder, e a sua história está cheia de traições ao seu próprio espírito. Por isso, já os medievais a consideravam virgem e puta. A historicidade faz parte, e onde há homens há natureza humana. Entretanto, a questão permanece: só é católico quem quer.

  22. Caro Valupi,

    No caminho para o texto sobre BE, li com gosto uma boa nota que considerei um remate em beleza para o desaguisado com o Daniel. Engano meu, por uma espécie de penitência (por ateísmo saudável) acompanhei a militância do polemista, para não dizer, uma verdadeira fé no próximo.

    Creio já ter dito que o Valupi é o Daniel dos ricos, sem dúvida, ricos e lé-lés da cuca, alguns como é óbvio. Vou lá para baixo compadre. “O amor da sabedoria guarda o segredo da sabedoria do amor”. É uma bela pérola.

  23. Pois claro Valupi, esta tudo na Biblia, incluindo a resposta para o caso de consciência do cristão vacilante que, no supermercado ou na farmacia, hesita entre comprar e não comprar uma caixa de preservativos (pois é ai que o problema se coloca, e não quando ja é tarde demais e quando ja so ha que escolher entre a abstinência e correr o risco, porque nessa altura, muitos, cristãos ou não, não vão pela abstinência). Isto é tão simples, tão bonito. Nunca pensamos suficientemente na Biblia (de que por sinal os catolicos fogem a sete pés, mas isso é outra conversa).

    So que se formos a ver, também esta na Biblia (nas mesmas entrelinhas) que o preservativo é intrinsecamente mau para os “casais catolicos” porque pactua com uma cedência inaceitavel à tirania da carne.

    Então porque raio foi a enciclica ? Não havia necessidade…

  24. Essa história improvável (na realidade, caricatura a traço muito grosso) do homem que não usa camisa e põe as culpas da contaminação no papa só serve para mistificar a questão da irreponsabilidade da condenação papal do preservativo, susana. Ninguém aqui defendeu tal caricatura, nem sequer o inteligente Daniel. Mas é mais fácil desculpar o papa denunciando essa caricatura que aqui ninguém defendeu. É argumento barato: primeiro distorce-se o facto, depois ataca-se a sua deturpação. Falo por mim também, que não disse nada disso. Defendi que o estigma moral lançado sobre o preservativo mina ideologicamente e descredibiliza o combate planetário pelo seu uso como meio impedir o alastramento da epidemia. A Igreja nem sequer o nega: enfia a cabeça na areia. Fez o mesmo em Portugal e em outros lugares quando apoiou a total ilegalização da prostituição (decreto-lei do católico Salazar), de preferência a aceitar um estatuto jurídico que vinculasse as vendedoras de sexo a rastreio médico. Cabeça na areia, sempre.

  25. claro que é uma caricatura. que é leitura óbvia das implicações da pretensão de que as palavras da igreja possam ter semelhante impacto. estás a baralhar assuntos, nik. estás a confundir uma influência efectiva da igreja na governação, no exemplo relativo à prostituição, com as directivas dadas pelo papa para os seus seguidores, que não podem ser descontextualizadas de um âmbito mais vasto. serei a primeira a defender o impedimento da igreja se imiscuir nas políticas. aqui parece-me um caso da sociedade civil a imiscuir-se na esfera religiosa. e até a querer servir-se dela, apesar de a contestar. o que estaria o papa a fazer se apoiasse o preservativo, se não a usar o seu poder de influência para contribuir para uma causa que entra, indirectamente, em conflito com a sua?
    eu lamento a visibilidade dada às religiões, tal como ela acontece. mas cada um segue o seu caminho e não podem ser imputadas a esta visibilidade as carências do sistema social, da ausência de uma educação sexual concreta, nas escolas, nas famílias e na rua.

  26. ramalho, meu caro, concordo muito contigo: bela pérola. Talvez até seja um belo diamante, mas sempre por lapidar.
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    joão, tens de esclarecer essa de os católicos fugirem da Bíblia a sete pés. Começo a solidificar a ideia de que tu nunca conheceste um católico. Repara que não é católico quem tu aches que é, mas sim quem o for….

    Entretanto, estás de cabeça perdida. Falas de uma hipotética situação de um cristão vacilante (?) a hesitar na compra de preservativos, e acabas já sem qualquer relação com a problemática em causa. Tu nada discutes, nada contrapões, limitas-te a chutar para canto. Confessa lá: o assunto passa-te ao lado, né? Tu não consegues entender que o preservativo não está relacionado com o desejo, com a tesão, com as fodas, mas sim com a reprodução. É esse o seu âmbito doutrinário.
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    Nik, estás sem munição, e deu-te para a auto-mutilação. Essa do Salazar é pateta, pois o Salazar não é uma figura querida do catolicismo. Confere lá isso.

    Falar de um estigma sobre o preservativo é grave. Nunca ninguém da Igreja o fez, pois isso implicaria ser criminoso. O que se defende adentro do catolicismo é o direito a viver a fé em liberdade. O que tu e tantos repetem, esquecendo o direito à fé, é apenas má-fé.

  27. Desde Constantino que as igrejas cristãs, saindo das catacumbas, se encostam ao poder de Estado para transformar os seus princípios morais em leis aplicáveis a TODOS, crentes ou não. O facto de a Igreja se imiscuir na feitura das leis não é acidente, nem excepção, nem abuso, é a única prática eficaz que a Igreja conhece desde o século IV, não só porque (ou quando) a evangelização é ineficaz, mas também porque o cristianismo ainda acha, mesmo depois do Concílio de há 40 anos, que todas as outras crenças são falsas e que «não há salvação fora da Igreja».

  28. Valupi, larga o vinho. O meu último comentário, em que respondia ao teu lapso de memória sobre a ligação umbilical entre Salazar e a Igreja, parece que se perdeu. Que se foda. Dorme bem.

  29. Tudo bem, Nik. Se isto não for à falência, poderás voltar a tentar a sorte. Mas não tenho lapso de memória algum. É sobejamente conhecido o facto de ambos se terem servido um do outro, Regime e Igreja, mas tal não apaga a tensão e conflitualidade subjacente. Salazar, obviamente, não representa a Igreja, pelo que a tua relação é abusiva, ilegítima. Os tempos eram propícios a regimes autoritários, e a Igreja, que sempre foi romana, teria de se aliar ao poder da época. Mas, mesmo retrospectivamente, é água e azeite para o que aqui nos importa.

  30. So mais dois comentarios, que não tenho vida para isto e ja tive de me levantar as tantas para apanhar o atraso.

    Valupi,

    O que é mais corajoso (e urgente éticamente) à data de hoje, tendo em conta os problemas do mundo (que importão aos cristãos, que eu saiba) : ajudar os bons catolicos a resistir à tentação de usarem o preservativo quando copulam com a mulher legitima em detrimento do respeito que devem aos ritmos da natureza, ou ajudar os menos bons catolicos a resistir à tentação de não o usar quando estão a pôr em risco a sua vida e a vida dos outros ?

    A Biblia não diz nada acerca do assunto ?

    Susana,

    Isto é so para cumprimentar-te pois acabo de somar dois mais dois. Quanto ao resto fico na minha e não percebo o teu argumento de “dar a César o que é de César”. Enquanto a religião tiver influência ca na terra, sera legitimo pedir-lhe contas por isso, como a qualquer outra pessoa individual ou colectiva. Ninguém criticaria o Papa se ele dissesse que o preservativo deve ser proscrito no paraiso. Como dizia um ateu ibérico célebre ha uns anos “Je crois que deux et deux font quatre”.

    Boa continuação

  31. joão, há algo de absolutamente incrível nisso de tu conceberes que exista a figura do “menos bom católico”, o qual seria, por sua vez, ainda mais fundamentalista do que o católico perfeito. Repara: se ele é um “menos bom católico”, isso quer dizer que nele as palavras do Papa, da Igreja e da Bíblia têm menos efeito e consequência. Esse ser não tem nenhuma razão para respeitar o conselho (porque não passa de conselho, posto que a Igreja não tem qualquer poder coercivo, como espero que reconheças) que lhe pede para abdicar do preservativo no casamento, de modo a cumprir o desígnio familiar e criativo de Deus, e resolver aplicá-lo numa relação de risco como se, de repente, ficasse destituído do mais básico entendimento do significado e consequência dos seus actos. Este nexo pura e simplesmente não faz sentido, é absurdo e aberrante. E entre as várias razões que só para ti continuam a não ser evidentes, está essa de que a temática católica do preservativo só faz sentido adentro do projecto matrimonial. Mas quem é que seria o louco que remeteria para o Papa (logo o Papa??… quer dizer, o Papa é superior a Deus?…) uma responsabilidade que põe em causa a sua saúde e vida? Será mesmo para ti impossível de entender que não se pode invocar a lei para justificar o crime? Pôr em risco a sua vida e a de terceiros é um pecado e um crime, não há Papas suficientes na História para a legitimar. Pela tua lógica, alguém que violasse outra pessoa, uma criança, e depois invocasse o mandamento “amai-vos uns aos outros”, lido e ouvido na Igreja, como desculpa, também estaria a ser vítima de um descuido criminoso de Jesus. O Nazareno teria errado, há dois mil anos, porque não antecipou que as suas palavras poderiam vir a ser usadas por “menos bons católicos” com vocação para pedófilos. Por favor, respeita a tua inteligência.

    Como TPC, repete baixinho as vezes que forem necessárias: “O Papa não proibiu o preservativo fora do casamento ou em relações sexuais de risco.”

    Depois de te convenceres deste simples raciocínio, passa para este outro já um bocadinho mais complexo: “O Papa advoga a virgindade, abstinência e castidade para os católicos em situação pré-matrimonial – ou seja, para os solteiros – e a monogamia e fidelidade para os casados.”

    Estas duas ideias, depois de assimiladas, conduzirão a esta fabulosa conclusão, a qual também deves repetir q.b.: “Todos os católicos, bons e menos bons, estão mais sujeitos à virgindade, abstinência e castidade do que ao seu contrário – porém, não existem católicos, bons e menos bons, sem consciência, liberdade e vontade próprias.”

  32. Valupi, fico absimado perante os teus progressos em Teologia. O argumento que utilisas tem nome, chama-se « a economia da salvação » e já era utilisado pelos jesuítas nos séculos XVII e XVIII, para demonstrar que as epidemias que flagelavam as reduções dos Índios nas Américas deviam considerar-se como dádivas do Céu, pois faziam com que morressem muitas crianças antes delas atingirem idade suficiente para cair em estado de pecado…

    Conheço bem o argumento, lembro-me dele cada vez que me perguntam porque é que eu não sou cristão.

  33. bom dia pás, grande conversa. Ainda não li tudo, acho lindo o último paragráfo do Valupi, bela síntese.

    Detesto preservativo mas uso, que remédio, já sei que quando fica muito bom quer dizer que rebentou e há que segurar a albufeira

    cá para mim as religiões são metaenunciados, metaprogramas, que ficam na cabeça das pessoas de pequeninos, e marcam muito

    habituei-me a olhar para as religiões de uma forma profana, códigos e enunciados, catalisadores

    os gajos do Livro vêm todos de uma região traumatizada, o berço da humanidade, muito fértil, até que a civilização da pedra deu cabo do fundo de sustentação com a salinização dos campos com os sistemas hídricos da suméria e etc.

    têm lá no genesis a abrir o comando: crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e os mares, e tal, rematando com o Espelho: sois feitos à imagem de Deus

    no Livro dos Números abre-se a parada com o comando dado a Moisées para recensear todos indivíduos apotos para a guerra e todas as linhagens já agora

    paranóia da reprodução para a guerra num contexto de competição de tribos e etnias por um território mais escasso, mais desertificado

    para maximizar a reprodução diabolizaram-se todas as formas de sexo que não o hetero basal,

    os gregos utilizavam todas as formas de sexo para regular a demografia, e o fluxo de hormonas, entre o qual o fluxo de testosterona entre machos, pois claro, coisas sagradas

    o que está a lixar isto tudo agora é ainda a prevalência do conceito de competição, elogiado desde o cavaquismo, que entre nós veio da competição pela água e pela luz do escalitral, de facto muito eficaz a ocupar o biótopo, com resultados desastrosos para a riqueza e diversidade e as catástrofes incendiárias (expressão do meu prof. Azevedo Gomes) que se lhe seguiram

    resulta dum mau conhecimento da Natureza, ignorância. Embora esta tenha muitas facetas, é o mais das vezes rica e diversa onde se articulam muitos nichos ecológicos e o que domina é a cooperação, a competição é tempero não é conduto

    Valupi subscrevo inteiramente o teu parágrafo conclusão, que belo porto de abrigo e mar alteroso

  34. joão viegas, cumprimento reciprocado!

    é evidente que a religião tem influência cá na terra, sobretudo onde a deixamos ter poder. ter poder é o seu papel – e o nosso? se tomarmos como referência um lugar exemplar neste debate, a áfrica promiscua, temos um lugar onde não há educação sexual. e onde a igreja tem algum poder, porque vem suprir lacunas essenciais e com isso obtém os seus dividendos de endoutrinação enquanto alimenta e ensina a ler. e porquê? porque há carências básicas. onde está o erro? na igreja? não, na brecha que lhe permite avançar, na ausência de uma educação sexual para a saúde onde há uma cultura sexual em que o sexo goza de alguma liberdade.
    e aqui? a igreja já paga impostos, mas porquê uma concordata? e porque têm as associações de pais católicos o poder de boicotar sistematicamente a possibilidade de educação sexual nas escolas? porque tem a população portuguesa, na sua maioria, pavor de que os homossexuais se casem? porque a religião, por aqui, não se escolhe; nasce-se com ela e depois, se se aprender a pensar sozinho, separa-se o trigo do joio, mesmo se se continuar crente (não é o meu caso, mas garanto que aos 9 anos até via o meu anjo-da-guarda no cantinho do quarto, à noite).
    agora a igreja faz o seu papel. e caminha para o reduto possível de sobrevivência das religiões, apegando-se a um certo fundamentalismo nos princípios enquanto perde terreno nos hábitos. não podemos pedir-lhe que faça educação sexual, parece-me. ou como nós não tomamos conta do que é para nós importante, vamos confiar a matéria a deus e aos seus representantes?

  35. OK Susana. Ninguém está a querer queimar Igrejas nem a pedir que a Igreja passe a cuidar da educação sexual em vez do Estado. Por mim, já bastava que o Papa tivesse tido consciência dos efeitos desastrosos que a sua mensagem pode ter e, diante das implicações, optado por não falar no assunto. Eis o que teria sido um belo exemplo de abstinência…

  36. «Por mim, já bastava que o Papa tivesse tido consciência dos efeitos desastrosos que a sua mensagem pode ter e, diante das implicações, optado por não falar no assunto. Eis o que teria sido um belo exemplo de abstinência…»

    Subscrevo inteiramente, joão viegas. O problema é mesmo esse: os padres, bispos e papas têm de deixar de meter o nariz na camisinha, tal como deixaram de impor penitências pelo pecado gravíssimo da masturbação e de regular a altura das saias três dedos abaixo dos joelhos. Foda-se, será assim tão difícil de entender, per omnia secula caralhorum?

    “Eis o que teria sido um belo exemplo de abstinência…»

    Não há absolutamente mais nada a dizer sobre este assunto. Chave de ouro!

  37. Z, estás em grande forma.
    __

    joão e Nik, vocês moram no Vaticano? É que, à sua volta, temos já alguns séculos, e largos, de liberdade civil. Experimentem sair, vão ver que depois se habituam a não olhar para trás com medo do padreco.

  38. Filosofia como modo de vida é só para os que estão impedidos da fusão do masculino com o feminino ,rapaz . Maricas , pedófilos e asexuados: Nietzsche , Socrátes e Kant . Santa teresa de Ávila , também. E etc. Filosofia é bem bom , mas não para o essencial , o essencial exige dois polos , impossivel aceder ao todo sem gostar de uma das partes.

  39. E suponho que as igrejas , aquelas onde deus é sempre um princípio masculino , são tão avessas ás mulheres ,(temos alma? se calhar , não) por medo a perder poder. No fundo , no fundo , não querem que toda a gente perceba que não são precisas para nada , as igrejas, assim como uma visão unipolar do mundo . Temos tudo , basta que fusemos com igualdade.A vivência da sexualidade , sempre no modo masculino , levou a estas discussões palermas onde sexo aparece como sujo. E sujo é que ele não é. só na cabeça e vivência de gajo. gajo , isso. não do tubarão.

  40. quantoa mim no que diz respeito se um cristão deve ou ñ fazer o uso do preservativo tenho a dizer o sequinte:

    nos ñ devemos apenas nos importar com respostas precipitadas sem no entanto compriendermos a questão.

    porque quando se diz que um verdadeiro cristão ñ deve fazer uso do preservativo, quer dizer que ñ será necesssario, pois um cristão ñ deve ter relações sexuais antes de contrair matrimonio e por sua vez depois do matrimonio o mesmo mantein-se fiel ao seu (a) parceiro (a) ate que a morte os separe.

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