Um livro por semana 60

«Portugal no Mercure de France» de Philéas Lebesgue

Com tradução e coordenação de Madalena Carretero Cruz e Liberto Cruz, este volume de 707 páginas regista as intervenções do grande lusófilo Philéas Lebesgue que, entre 1896 e 1951, escreveu na revista Mercure de France sobre livros e autores portugueses. A revista incluía rubricas tão diversas como História, Arqueologia, Literatura, Museus, Questões Coloniais, Militares e Marítimas, Medicina, Teatro e Viagens. Philéas Lebesgue, que colaborou com mais de 1.600 artigos em 232 revistas europeias, tinha um conhecimento profundo da nossa literatura e podia garantir: «Uma literatura que possui mestres do estilo e do pensamento como Raul Brandão e Teixeira Gomes, romancistas jovens e vigorosos do valor de Aquilino Ribeiro, ensaístas e filósofos como António Sérgio e Raul Proença, historiadores como Jaime Cortesão, pode marchar de par com não importa qualquer outra no mundo.» Conhecia também o Povo e podia afirmar que «Se Portugal pôde ficar um povo culto, mau grado o número considerável de iletrados, deve-o ao seu admirável folclore lírico sobre o qual os novos poetas quiseram enxertar a sua inspiração.» No regicídio de Fevereiro de 1908 escreveu: «Portugal é tão pequeno, tão à parte, que não nos convencemos das repercussões europeias accionadas pelas suas próprias convulsões.» Fiquemos por fim com a sua ideia de saudade: «A saudade portuguesa é ao mesmo tempo desejo e recordação, aspiração e queixume. Está tão voltada para o passado como para o futuro.»

(Edição: Roma Editora, prefácio: Jean-Michel Massa, Capa: Albuquerque & Bate)

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