É impressão minha ou…

Uma das situações mais encaralhantes da realidade portuguesa está aqui subsumida. Duarte Levy, jornalista freelancer, pôde publicar no DN uma notícia causadora de alarme público por atingir o cerne da credibilidade do Ministério Público precisamente num caso de gravíssimas implicações e consequências políticas. Seguiu-se a usual exploração do boato pelos trastes do costume e, 3 dias depois, os magistrados em causa publicaram uma declaração formal que estancou a sangria. Finalmente, o próprio Serious Fraud Office confirma a falsidade do documento que fundamenta a notícia de Duarte Levy, publicada pelo DN. A isto tudo responde o autor com um ataque à agência inglesa e a insinuação de ter mais informações em seu poder que comprometem as declarações e honorabilidade dos visados.

É impressão minha ou o DN não poderá, sob pena de ficar igual ao Sol e ao Correio da Manhã, continuar em silêncio num episódio a que deu a sua chancela sem validar as informações publicadas, tornando-se ainda mais responsável do que o próprio jornalista? Se Duarte Levy tem razão, façam o favor de publicar os restantes documentos que o senhor alega ter em seu poder. Se não tem razão, afirmem-no inequívoca e urgentemente.

10 thoughts on “É impressão minha ou…”

  1. É um caso complicado, que atinge seriamente a credibilidade do jornal. Espero que lidem com a situação da maneira mais franca possível. Afinal, fiz uma pequena pesquisa aqui há uns dias e levou-me 10 minutos a descobrir que o jornalista em questão tem uma série de questões à sua volta que levantam muitas dúvidas sobre a sua personalidade e motivos.
    Agora, não vou acusar o DN de leviandade ao publicar a notícia, porque todos os meios de comunicação, inclusive o NYT, estão sujeitos a serem enganados ocasionalmente, sem que isso seja a meu ver sintoma de falta de profissionalismo ou de segundas intenções. O mundo dos media é extremamente competitivo, e há em todos os sectores pessoas que aliam a falta de escrúpulos a uma capacidade extraordinária para a fraude e mentira. O que realmente os distingue é a maneira de lidarem com a situação após esta ser exposta. Os jornais sérios assumem o erro, elucidam os leitores sobre o que se passou, e procuram reparar os danos que sabem que foram causados. Os menos sérios não o assumem, procuram entrar em damage control, e tentam tomar os leitores por parvos, numa tentativa de não perderem credibilidade.
    No entanto, apenas em uma das situações a credibilidade sai reforçada.
    No caso em questão, o DN procura sacudir a água do capote remetendo para o jornalista todas as explicações. É a primeira fase do não assumir, e não augura nada de bom. For what is worth, um pequeno conselho deste leitor: investiguem vocês mesmo, que é para isso que vos pagam, cheguem ao fundo da questão, e publiquem os resultados. Se se depararem com a desculpa habitual de “proteger as fontes”, basta publicarem o seguinte: “este jornal não conseguiu confirmar a veracidade do documento junto de fontes credíveis, pelo que não o consideramos válido e não devia ter sido publicado. Não voltaremos a publicar peças deste jornalista sem uma verificação exaustiva da sua veracidade. Aos nossos leitores e visados as nossas desculpas.”

    Para mim, basta isto.

  2. Vega,

    muito sinceramente, ainda sustenta que há jornais de «referencia» , digamos sérios?
    Neste momento, ler o Expresso, o Sol ou o Diabo é a mesma coisa, quanto à seriedade da informação veiculada. Pena que ainda haja «articulistas» a emprestar alguma credibilidade aos pasquins.

  3. O DN é o mesmo jornal que em 2009 publicou o email dos jornalistas Público no caso das escutas de belém mas que estratégicamente omitiu o cabeçalho e o rodapé do mesmo (onde estaria a data em que foi impresso). Recordo o email em causa tinha sido enviado há mais de um ano (2008), foi entregue no DN impresso, e seria interessante verificar quanto tempo esteve em pousio à espera de um momento propicio para ser divulgado

  4. Por mim , já deixei de comprar jornais, porque não confio na seriedade de nenhum.
    Sentia a estranha sensação que estava pagar para ser enganado.

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