Duas pessoas que adoram pessoas

António José Seguro disse que, por vezes, quando ouve o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a falar, fica “com a ideia de que tudo isto era mais fácil se não houvesse pessoas”.

“Isso é lá com ele. Nós gostamos muito das pessoas e a política só tem sentido se pensarmos e agirmos sempre em função das pessoas”, sobretudo aquelas “que menos têm, as que estão desempregadas, as que têm pensões de miséria, as que não têm qualquer tipo de apoio”, afirmou.

Fonte

Para quem é que Seguro fala com este discurso infantilóide? Que boçalidade é esta de dizer que se gosta muito de pessoas? Triste destino o nosso de termos a liderança da oposição entregue a alguém que não encontrou nada melhor para introduzir no espaço público do que um análogo do demagógico lema da “política de verdade”: “As pessoas estão primeiro”.

É por isso relevante encontrar o paralelo político mais próximo desta formulação; e ele está neste discurso, o qual foi aplaudido pelo actual secretário-geral do Partido Socialista:

Necessitamos de recentrar a nossa agenda de prioridades, colocando de novo as pessoas no fulcro das preocupações colectivas. Muitos dos nossos agentes políticos não conhecem o país real, só conhecem um país virtual e mediático. Precisamos de uma política humana, orientada para as pessoas concretas, para famílias inteiras que enfrentam privações absolutamente inadmissíveis num país europeu do século XXI. Precisamos de um combate firme às desigualdades e à pobreza que corroem a nossa unidade como povo. Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.

A pessoa humana tem de estar no centro da acção política. Os Portugueses não são uma estatística abstracta. Os Portugueses são pessoas que querem trabalhar, que aspiram a uma vida melhor para si e para os seus filhos. Numa República social e inclusiva, há que dar voz aos que não têm voz.

No momento que atravessamos, em que à crise económica e social se associa uma profunda crise de valores, há que salientar o papel absolutamente nuclear da família. A família é um espaço essencial de realização da pessoa humana e, em tempos difíceis, constitui o último refúgio e amparo com que muitos cidadãos podem contar.

Discurso de Tomada de Posse do Presidente da República

Há vários pontos de plena coincidência entre a prática e o discurso de Cavaco e Seguro. E, para além de gostarem muito de pessoas, ao ponto de quererem fazer dessa categoria filosófica e/ou religiosa um projecto de construção social, colhe ainda recordar que Seguro já se assumiu como um “chefe de família”. Eis mais uma faceta deste socialista valente que deve deixar encantado o reformado de Belém.

10 thoughts on “Duas pessoas que adoram pessoas”

  1. A “convergência” dos dois ficou bem evidente precisamente na tomada de posse do segundo mandato do habitante de Belém em que Seguro aplaudiu o discurso mais vergonhoso alguma vez ouvido na Assembleia da República contra o Governo de José Sócrates….!

  2. E o camarada Jorge Coelho de volta , isso é que é fixe.

    Aproximam-se mais uns tachos. Vem para adjudicar o novo aeroporto? para renegociar as Ppps?

    O PS esta estragado

  3. Quem trouxe o slogan/bandeira das Pessoas para a política do Quintal,
    foi o António Guterres no seu combate contra o Cavaquismo que, acusava
    de só ver os números e esquecer as pessoas!
    O Pilatos de Belém citar as pessoas é a forma de tentar mostrar alguma
    preocupação com a sorte dos portugueses mas, na prática é só um àlibi
    para ficar bem na foto de estadista!
    O Tózé é um copiador, a sua inspiração deve-se ao seu patrono Guterres,
    este sim expiando os seus pecados, ajudando os que sofrem na pele e
    com força! Na realidade ele, o Tózé é feito da mesma farinha do Passos Coelho!!!

  4. “… para mal do povo português entregaram o PS aos bandidos…”

    quais bandidos! ser incompetente é o mesmo que ser bandido? és parvo ou andas a charrar bernardettes sem filtro.

  5. tanto discurso paternalista no governo e na oposição, quanto às pessoas. Quanto mais não fosse, simbolicamente, deveriam ter a humildade de reconhecer a sua in(compe)tência às pessoas e pedir ajuda. Porque todos já perceberam que eles vão no rumo errado ou então escolhem o rumo que julgam agradar às “pessoas”. O Kennedy (governante imperfeito como todos os humanos) já tinha dito: vejam o que podem fazer pela pátria; mas é preciso que o governante – ou o opositor – saiba bem e passe bem para que raio quer a ajuda. Que ela deve ter um sentido e não deve ser só para ajudar a ganhar votos. A ajuda tem de servir a quem ajuda e não a quem pede, neste caso da política. E ninguém vê que seja servido por qualquer um dos impotentes que estão na Assembleia ou no Governo, ou em Belém.

    Enfim, como aqui deixou o Ignatz, Pedir é uma Arte que não é para qualquer um, só para os muito grandes. E este povo só tem anões pela frente…

    Help!
    http://www.youtube.com/watch?v=JHiqGqoIGII

    http://www.youtube.com/watch?v=xMj_P_6H69g
    (infelizmente as pessoas que adoram pessoas têm poder mas não estão no poder)

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