Divagações em dó maior

Enquanto não chega o XVIII Congresso Nacional do PS, marcado para 9, 10 e 11 de Setembro, continuamos sem oposição. Saber como a teremos depois do conclave socialista é uma grande incógnita, pois ainda ninguém percebeu o que Seguro pretende fazer com o mais importante partido do regime democrático. Apenas se sabe que Seguro não gostava de Sócrates, que foi um dos maiores obreiros da imbecilidade Alegre e que é muito amigo de Passos. Cenário tétrico e ocasião para divagações.

Por exemplo, com seria a oposição se Sócrates tivesse ficado como secretário-geral, tal como os caluniadores mais reles diziam que ele faria por estar desesperadamente agarrado ao poder e com medo de perder a imunidade parlamentar? Quem pareceu adivinhar o festival de sessões de malho que se seguiria foi Ferreira Leite, a qual pediu para que Sócrates fosse expulso do Parlamento e de toda a actividade política. Recordemos:

Eu, pessoalmente, dada a atitude do engenheiro Sócrates, dado aquilo que ele diz, nem tranquila fico se ele ficar na oposição, porque acho que ele na oposição vai ser tão pernicioso para o país quanto na liderança do país, porque vai fazer a maior das afrontas a tudo aquilo que vá ser feito para cumprir o acordo que ele próprio assinou.

Quando uma ex-presidente do PSD, figura grada do Cavaquismo, vocaliza publicamente o seu desejo de morte política para um adversário, podemos ter a certeza de que ela é a mensageira do clã. Este grupo considera-se tão poderoso que se permite expressar o intento de ostracizar cidadãos, procurando inibi-los de exercer até os mais básicos direitos de actividade política. Se tivesse sido alguém do PS a dizer o mesmo a respeito de alguém do PSD – e nem precisaria de ser um ex-secretário-geral, bastaria algo ao nível do “foleiro” lelliano – os hipócritas raivosos saltariam logo com as bocarras abertas para as canelas do infeliz e só parariam quando ferrassem o osso. A cultura do ódio onde a direita portuguesa se barricou não se limita, infelizmente, às cenas tristes das suas lideranças e arraia-miúda, antes influencia profundamente a sociedade através de grandes empresários, jornalistas e magistrados. Estas pessoas pretendem assustar os adversários políticos e não irão mudar. A violência dos seus ataques a Sócrates, chegando ao ponto de termos assistido a um efectivo golpe de Estado presidencial, deixa ver o tamanho da ameaça que sentiam.

PCP e BE negaram a existência deste conflito entre a direita mais oligárquica e sórdida e um Governo reformista de centro-esquerda. Essa negação permitia-lhes recusarem qualquer diálogo com o PS. Teria de ser o PS, vencedor de eleições democráticas, a sujeitar-se aos ditames de partidos que se declaravam os grandes latifundiários da doutrina e da História. O resultado foi a real aliança da extrema-esquerda com os interesses mais escabrosos da direita rapace e conspiradora. As coligações negativas na Assembleia da República ficam como a prova provada de que um dos maiores problemas da política nacional é a estratégia de sobrevivência do PCP e BE enquanto organizações reféns do sustento para as suas máquinas salariais, não podendo arriscar a perda de quota de mercado. Estes dois partidos competem pelos mesmos nichos eleitorais, daí se vigiarem constantemente e estarem destinados a uma cada vez maior cristalização no protesto. Foi esta dinâmica que originou os erros sucessivos de Louçã, levando-o para uma moção de censura absolutamente irrelevante, oportunista e desasada. E é esta dinâmica que faz do PCP uma seita que reúne uma gerontocracia perdida no tempo a uma fanática juventude perdida no espaço.

Ver a oposição liderada por Sócrates, tendo a seu lado o brilhantismo de Santos Silva, a força de Assis, a alma de Vieira da Silva e a tarimba de Silva Pereira, entre tantos outros talentos, seria apavorante para o Governo e para… a restante oposição! Passos e Portas iriam para o Parlamento de fraldas, Jerónimo e Louçã seriam desmascarados como os vendedores de banha da cobra que são.

10 thoughts on “Divagações em dó maior”

  1. o pai desta merda chama-se cavaco e não dá a tromba, fala por interpostas velhas, facebuques & catrogas associados, é patrocinado pela liga dos merceeiros e assessorado pelos herdeiros da outra senhora, ou seja salazarismo do século xxi.

  2. Colossal dissertação mas ,simultaneamente, deprimente porque nos faz meditar sobre uma realidade que nos espera num futuro próximo.

  3. É verdade, nunca se viu em Portugal um ataque ad hominem como o perpetrado contra Sócrates pelos pêpêdeiros, pela comunicação social corrupta e pelos idiotas úteis do Bloco e do PCP. Especialmente essa megera Ferreira Leite, alma salazarina, gostaria de ter Sócrates no Aljube. Perder miseravelmente umas eleições já em plena crise, como ela perdeu em 2009, foi algo que tornou a existência de Sócrates absolutamente insuportável para essa megera. Uma cabra que durante a campanha eleitoral de 2009 declarou que o eng. Sócrates estava a asfixiar os portugueses e os queria matar (“Os portugueses não querem ser mortos pelo eng. Sócrates”, declarou a gaja).

    A direita portuguesa tem tradições na farsa de tentar escolher uma oposição que lhe dê jeito. Salazar depois da segunda guerra e Caetano em 1968-69 alucinaram cenários desse género, rapidamente abandonados por não comparência de fantoches. Desejava-se uma oposição cordata, construtiva, que não fizesse ondas e apresentasse propostas patrióticas para melhorar a ditadura e lhe conferir um toque liberal.

    O Coelhinho também anseia por uma oposição assim, não “crispada”, bem disposta, que lhe gabe a gravata e lhe peça batatinhas. Uma oposição que seja o contrário exacto do que a direita foi durante o governo de Sócrates.

    Tem Seguro vocação para fantoche? Não penso. Mas também não o vejo como o dirigente da oposição de que Portugal precisa. Até agora tem brilhado pelo silêncio e pela ausência. Dá-se menos pela existência do dirigente socialista do que no tempo do secretário-geral Constâncio. Mas se continuar assim por mais uns tempos, fazem-lhe a folha, como a fizeram ao Constâncio. Nem para interino do António Costa acho que este gajo serve.

    É amigo do Coelho? Amigo de quê? Da sueca, dos copos, da praia, do ténis, do golfe? Era bom que Seguro esclarecesse essa tal amizade que me faz frenicoques. Os amigos do Coelho são o Angelo Correia, os membros do conselho de administração da Fomentinveste, o Relvas e os colegas JSD.

  4. Para o governo e o PPD (cavaco incluido) este líder do PS é um seguro entre parenteses.
    Por dois ou tres anos. E será de mais!

  5. A frase final é de antologia. É de antologia na sem-cerimónia com que põe o dedo na ferida que doi, e doi, e doi à miserável e porca que direita que desde sempre tem atormentado esta terra.

    Quanto ao PS, que é feito dele que nem se quer se pode dizer que esteja reduzido à sua mais simples expressão já que, pura e simplesmente, parece reduzido a zero?!

  6. Deixem-se de saudosismos. Sócrates é passado e não volta.
    Por muito que doa a alguns, é com Seguro que temos de contar.
    Há que unir e não o inverso.
    Acalmem-se!

  7. Ao contrário do que diz o Alberto Sousa , penso que não seja assim tão absurdo ser-se saudosista e pensar que “Sócrates não é passado e (não) volta” ! ( não se sabe é quando???)

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