Carta a um jovem amigo

Não percas tempo a confundir
Amor e casamento, não vale a pena.
Um amor mesmo depois de morto
Prolonga-se e continua tempo fora.
Permanece nas gavetas da alma
Nos improváveis armários da vida.
Por isso são inúteis os círculos
À volta desse amor acabado.

Casamento é outra coisa, meu amigo
É a arte do possível na convenção.
Se à porta da igreja o pai do outro
Só olha para o seu asa de grilo.
Observa de lado os convidados
Que não são da sua lista.
Para no restaurante se alhear
Da nossa humanidade que lhe falta.

O amor é sempre outra coisa
Não é trabalho das nove às seis.
Se este amor não deu resultado
Então era um duplicado equívoco.
O amor está nas ruas e nas praças
Nos gritos da gente às janelas.
Nas multidões das passadeiras
Na solidão dos parques e jardins.

Não percas tempo a confundir
Amor e casamento, não vale a pena.
Quando chegar a sua altura
O amor vai mesmo aparecer.

8 thoughts on “Carta a um jovem amigo”

  1. Também não percebo porque é que alguém resolveu misturar casamento com amor. São situações às vezes até antagónicas. Muitas vezes casa-se por interesse. Outras nem por isso como o alentejano a quem perguntaram:
    -Então vais casar com a moça por interesse?
    -Por interesse? Eu não! Eu não tenho nenhum interesse nela!
    Outra coisa isso sim importante é saber-se como manter o casamento para toda a vida. Eu tenho uma teoria que me foi ensinada pelo meu amigo Mariano e que passo a partilhar convosco e de borla:

    Muita gente quer saber
    sobre o nosso consórcio,
    porque eu e a mulher
    recusamos o divórcio.

    Casados há tanto ano,
    vou explicar a razão,
    porque cá o Mariano
    não quer a separação.

    No dia em que casámos
    um pouco antes do ato,
    eu e ela combinámos
    e firmámos um contrato.

    E decidimos na hora,
    eu e mais a Mariana,
    que iríamos jantar fora
    duas vezes por semana.

    Escolher um bom hotel,
    um bom jantar com bom vinho,
    como na lua-de-mel,
    tudo com muito carinho.

    Jantar à luz de velas,
    dançar depois de comer,
    em noites lindas e belas,
    para jamais esquecer.

    Por isso fomos vivendo
    anos e anos a fio,
    estas noitadas, entendo,
    são p’ra nós um desafio.

    E, assim, desta maneira,
    nada, nada nos aparta,
    ELA VAI NA TERÇA-FEIRA
    ENQUANTO EU VOU NA QUARTA!!!

  2. Num percais um vom conselho. Este do sinhor dr. poeta josé do carmo francisco nom é de botar fora. Ele save munto vem o que diz. Se o amor nom é «travalho das nobe às seis», nom cuideis que minte. Tralmente, foi cando ele beio pra casa com a riforma aos 43 anos, e agora escrebe isso na carta a este jobem amigo dele. E atentai tamvem no berso «Atão era um duplicado equiboco». Ele nom diz «duplo», como bêdes. Ele save munto vem que «duplicado» dá mais nas bistas e este jobem é vem capaz de estar à veira do dibórcio. Lêde e dai oubidos a quem save. «Nom percais tempo a confundir amor e casamento, porque nom bale a pena», diz o dr. Ele lá saverá da sua bida. Comprimentos.

  3. Ó Adolfo, isso que tentaste fazer foi confundir a Estrada da Beira com a Beira da Estrada mas não resultou. Para a próxima limita-te ao teu estatuto de comentador; não vá o sapateiro além da chinela.

  4. Gostaria de saber quem é o autor deste poema, e já agora saber também se é verdade que o jcfrancisco se reformou aos 43?
    obrigado

  5. Berdade, berdadinha, senhor joão tomas. Ou julgais que benho aqui por má bontade a falar do senhor dr.??? Ora bá dar uma boltinha à sua rua a bêr se eu tou lá, tá vem??? O autor do poema debe ser o adolfo dias, queu nom bejo outro por estas vandas…

  6. “Ó Adolfo, isso que tentaste fazer foi confundir a Estrada da Beira com a Beira da Estrada mas não resultou. Para a próxima limita-te ao teu estatuto de comentador; não vá o sapateiro além da chinela.”

    Eu nunca confundi tal coisa. Só uma vez é que fiquei baralhado quando me falaram nas “obras primas do mestre” (do mestre francisco) e eu julguei tratar-se “das primas do mestre d’obras”. Veja lá a confusão.
    Mas então a democracia é isso? O seu querido amigo Manuel Pacheco pode vir aqui comentar e ao mesmo tempo por-se a contar histórias de incêndios em fábricas, gastando resmas de bytes, e o sr. francisco dá-lhe um elogio. Não percebi porquê mas isso sou eu que sou estúpido. Agora o sr. faz poesias do cacete, sem eira nem beira, onde rima biciclete com sete, diz que os barrotes da casa estão a cair (o que é que isso interessa?), há cascalho pelo chão (e depois? Nunca vi cascalho no ar), e depois acha-se no direito de me censurar porque publiquei aqui uma poesia e quer o sr. goste ou não (gostos não se discutem) para mim não fica atrás das suas (são gostos). Então o sr.deseja que eu faça apenas um pequeníssimo comentário do tipo “a sua poesia é colossal” e me vá embora depressa e sem fazer ondas. Há com cada democrata de pacotilha.

  7. desta vez temos correio sentimental, na forma de poesia introvertida, dedicada a um jovem amigo de identidade e código postal desconhecidos para galo do carteiro. deve fazer parte da tese de doutouramento em xicologia que tiraste na câmara de almada. por falar em almada, cadê o teu incrível amigo almadeiro? bazou prá concorrência, anda a dar banha aos assessores do relvas, que aqui não fazia prá despesa.

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