Demolição económica, social e cultural

Passos Coelho disse esperar que “os portugueses entendam que não estamos em tempo de falar em tradições”. O chefe de Governo recordou que a “situação de emergência nacional” levou o Governo a eliminar quatro feriados. “Temos de lutar para vencer as dificuldades,” acrescentou. “O pais ganha muito com o fim da tolerância.”

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Passos veio do fim-de-semana acossado com as críticas à decisão de não dar o feriado de Carnaval, tendo optado por contra-atacar em registo de fuga para frente. Ia ser uma segunda-feira em cheio, a qual começou com a abolição das tradições e viria a terminar com a denúncia dos portugueses serem velhos, preguiçosos e queixinhas. A ligar a parvoeira estava um nome nunca referido: António Capucho.

Capucho é o mais poderoso dos barões cavaquistas e aquele que faz as críticas mais contundentes a Passos. Foi assim com a recusa para integrar as listas do PSD nas últimas eleições legislativas, foi assim aquando da escolha de Nobre para candidato à Presidência da Assembleia da República e voltou a ser assim neste disparate carnavalesco. Capucho é a voz dos rancores de Cavaco. Nem seria de estranhar que tivesse vindo dele o recente e surpreendente ataque a Vítor Gaspar, o qual foi dito provir de um cavaquista anónimo mas íntimo de Cavaco ao mais alto nível. Exactamente o perfil da personagem.

Pois o nosso agente em Massamá escolheu Odivelas para terminar um dia de recados para Belém: o vosso tempo acabou, comigo não vai ficar pedra sobre pedra. Como prova do poder que julga ter nas mãos, disse o que quis e não quis dos portugueses só para mostrar que, se 10 milhões podiam comer e calar, não seriam meia dúzia, ou dúzia e meia, de passarões caducos a impedir a marcha triunfal daqueles que conseguiram expulsar Sócrates e trazer os senhores do dinheiro para pôr esta malandragem toda na ordem.

3 thoughts on “Demolição económica, social e cultural”

  1. Val o pecado original do PPC, foi julgar que 10 milhões podiam comer e calar.

    Quando esta merda estoirar não fica, de facto, pedro sobre pedra, talvez quem sabe, fique pedra sobre pedro.

    Deixa-os poisar!

  2. Bem dito!

    E vai ficar “pedra sobre Pedro” antes de não ficar pedra sobre pedra, também me parece.

    Este Coelhinho “bravo” que se cuide, quando vir os olhos semi-cerrados dos “pieguinhas” especados à espera dele, na próxima esquina da História.

  3. Caro Val,
    certeiro como é hábito, mas talvez o licenciado ao fim de dezanove anos a romper os fundilhos nas universidades entenda que a tolerância que lhe serviu como almofada não deve servir aos restantes, daí passar a um maior grau de exigência.
    Claro que depois, trabalhar é que já foi um problema pois emprego não lhe faltou.
    Assim, mal ensinado ou então aprovado e cuidado pela pieguice de muitos vem agora dar lições aos que ao pé dele são figuras míticas.
    Mas uma virtude tem, é que soube rodear-se de nulidades tão grandes ou maiores do que a sua que tendem a fazê-lo brilhar, pois o aforismo popular é bem verdadeiro.
    Em terra de cegos, quem tem um olho é rei!

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