Cry for me, America

Há a resposta cínica, a qual diz que foi um momento planeado. E depois há a resposta ainda mais cínica, a qual diz que foi um momento espontâneo, e, por isso, revelador de uma fraqueza incompatível com a função a que concorre.

Há a resposta ingénua, a qual diz que foi um momento espontâneo. E depois há a resposta ainda mais ingénua, a qual diz que foi um momento planeado, e, por isso, revelador de um talento superior para a corrida eleitoral.

Hillary estava a falar no meio de mulheres, um dia antes da votação em New Hampshire. Vivia o pior momento da sua carreira política, com sondagens a indicar 10 pontos de atraso para Obama, com a sua equipa escavacada de baixo ao cimo, com todos os jornalistas e comentadores a escolherem gravatas pretas para o funeral do dia seguinte. E perguntam-lhe pelo cabelo. Começa a responder, comove-se consigo, é afagada com aplausos, aproveita o balanço e acaba numa declaração de fé em si própria.

Talvez a América ainda não esteja preparada para uma mulher. Um homem castanho, preto ou amarelo, sim. Já é indiferente. As mulheres continuam seres desconhecidos. Por exemplo, quase ninguém sabe que as mulheres choram quando estão a pensar.

126 thoughts on “Cry for me, America”

  1. nem mais. por isso eu ando sempre com os olhos inchados, é porque sou uma grande pensadora.
    como todos votamos, ou temos a mania de votar, nas eleições americanas, eu voto na hillary.

  2. valupi,
    «As mulheres continuam seres desconhecidos. Por exemplo, quase ninguém sabe que as mulheres choram quando estão a pensar.»

    Estamos de acordo que continua a ser maior de todas as incógnitas, a mulher. Por mim vou mesmo mais longe: estou convicto que elas representam a prova absoluta e incontestável que Deus tem sentido de humor.

    Só nos separa a tua conclusão, que a minha alma é cínica quando o assunto é eleições n’ América. Neste caso em particular, eu cá acho que o que quase ninguém sabe é que Hillary também pensa quando está a chorar.

  3. Muito belo o texto, primito. Eu imagino o quanto te deves rir por dentro quando escreves esses textos. Ou estarei enganado?

  4. Por isso é que nenhum de nós pode viver sem uma avó e sem uma aldeia. E uma aldeia é uma avó em ponto grande.

  5. não tinha ainda visto este registo.

    já votava hillary antes. agora ainda com maior convicção.

    (e sou das que acha que mulher não chora. em público.)

    (mas ela não chorou: comoveu-se. há uma diferença imensa.)

    (manteve a postura, e a compostura. falou racionalmente com o coração nas mãos. raros são os que o conseguem.)

    sim, susana, bela imagem a de jcf.

  6. E os homens, Valupi, que pouco mais do que uma ervilha arvoram na cabecinha, estão a ficar para trás no cenário político. O mundo está para as mulheres, lacrimosas ou acérrimas. A Argentina já tem a sua. A França esteve no limite-limite. A América vai ser a próxima… não vítima, mas feliz contemplada.
    Um mulher não pensa somente quando se sente infeliz. Tira essa ideia sexista e retrógrada da cachimónia. Ou o homem só pensaria quando se sente com gases nos intestinos?

  7. “…as mulheres choram quando estão a pensar.”

    Valupi, esta tirada é infeliz, deprimente, abjecta, surrealista. Se me queres fazer um favor, distingue a parte intelectual da parte emocional, ok? Não ponho de parte que haja excelentes actrizes, misturando as duas coisas, mas regra geral são mulheres manipuladoras – diria até manhosas. E eu nem deveria estar para aqui a dizer isto, que ando a dar nozes… a quem não tem caninos.

  8. Arre. Esta coisa de misturar numa só frase o lado intelectual com o lado emocional causa-me aflição, Valupi. É motivo para dizer que daria um andar novo ao engraçadinho que me viesse com uma conversinha destas.
    Vamos inverter as coisas e ficamos quites, Valupi: OS HOMENS CHORAM QUANDO ESTÃO A PENSAR.

  9. Chi, a Claudia subiu-lhe uma coisa a flashar e zangou. Eu tenho curiosidade em ver os USA governados por uma mulher, só para variar, mas também não esqueçam a Messalina e a Irene, de Bizâncio. E outras.

    Diz-se que a Clinton está muito apoiada pelos lóbis armamentistas.

  10. Os Esatdos Unidos a serem governados por uma mulher seria sempre uma grande mudança, mas não seria tão grande como por Obama digam o que disserem. Existem vários países do lado ocidental dos nossos desenhos planos deste calhau esférico governados por mulheres. Obama não seria somente o primeiro negro a governar a América, seria o primeiro “negro” a governar um país do hemisfério norte, e logo o mais poderoso da face da terra… Nao é pouca coisa. Ainda para mais um com este nome, que muda uma letra e fica osama, com pai africano educado no islão. O Obama é uma mudança tão grande que depois dele tudo seria possível, e uma mudança tão grande que é praticamente impossível que chegasse finalmente a ser eleito. Imagino que muitos democratas sabem disso e terão até medo de lhe votar por temor a uma derrota final contra os republicanos. Mas Obama não precisa nem ganhar contra o candidato republicano para ser mudança, se ganha as primárias democratas já é mudança. A ex-primeira dama, Hillary Clinton, comparada com Osama é statu quo, não é mudança nenhuma.

  11. susana, fazes muito bem. Por um voto se ganha.
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    rvn, espero que saibas qual o preço a pagar pelo cinismo, mesmo que no tópico adjacente. Tenho para mim, cá comigo, que muito cínico está é completamente distraído…

    Também gostava que explicasses essa mistura de mulheres, Deus e humor. É que a coisa promete.
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    Primo, baralhas-me (o que te agradeço). Primeiro, com a adjectivação. Depois, com a suposição. Que te oferece ocasião de riso, conta lá à família…
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    jcfrancisco, também alinho no coro: boa imagem.
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    sem-se-ver, também tive o cuidado de precisar: “comove-se consigo”. No entanto, a diferença não é abismal, é visual, ou até lexical. Aquilo a que se assiste é à fisiologia do choro, apenas sem a produção de lágrimas em quantidade suficiente para galgarem as pálpebras. Já agora, que história é essa das mulheres não deverem chorar em público? Estou muito curioso.
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    claudia, não querendo (mas por nada!) abdicar do andar novo que me prometeste, e até o aceitando no caso de ser em Gaia, tenho, todavia, de te desenganar: eu não escrevi que as mulheres só pensam quando estão infelizes. E não o escrevi, posso confessá-lo, porque não o pensei. E tenho mesmo uma elevada certeza de nunca o ter pensado até o ler nas tuas palavras. Aliás, eu nem sequer escrevi que o choro implicava uma qualquer associação com a infelicidade. Porque, para mim, não implica.

    O que escrevi tentava ilustrar outra ideia, a de que os efeitos emocionais podem ser apenas a outra face de processos cognitivos. Mas não deixemos estes assuntos tão técnicos estragarem as tuas bem mais expressionistas considerações.
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    Rui Fernandes, muito bem. Mas, conta-nos lá: o Obama irá mudar o quê? Aguardo, ansioso, pelo teu esclarecimento.

    Entretanto, saberás, um dos temas debatidos nos círculos universitários americanos é o da retórica de Obama. Ou seja, sendo óbvio que ele é um tanguista (à maneira do Kennedy), a rapaziada interroga-se sobre o que ele queira realmente dizer para lá das frases de efeito. Já a Hillary não levanta esse problema, pois ela só pode ter um discurso convencional. A dúvida, no seu caso, diz respeito ao dia seguinte: caso ela entrasse na Casa Branca, o imprevisível seria a regra do jogo.

  12. Valupi, houve um lapso da minha parte no 1º comentário, isso eu percebi, mas isso não tira a ponta de sarcasmo que meteste no post, monsieur-sem-sentimentos, intelectual sem lágrima no canto do olho.

  13. Só vou fazer um levantamento:

    E perguntam-lhe pelo cabelo.
    Tradução: as mulheres têm cabelo, não têm cérebro.

    comove-se consigo,
    Tradução: egoísta, só pensa nela.

    acaba numa declaração de fé em si própria.
    Tradução: as mulheres são vulneráveis, com pouca auto-confiança por natureza. Ser fraco.

    Talvez a América ainda não esteja preparada para uma mulher
    Tradução: Pois não, há muito que caminhar. Os homens sempre foram os dirigentes. É melhor continuar assim para não haver problemas.

    As mulheres continuam seres desconhecidos
    Tradução: Lugar comum muito batido. Ainda estamos naquela de saber se a mulher tem alma ou não.(Ser desconhecido, só se for para ti, Valupi.)

    as mulheres choram quando estão a pensar.
    Tradução: Fingidas, hipócritas, actrizes, manipuladoras.

    Valupi, passa-me o Kleenex que esta reflexão parte-me toda em lágrimas.

  14. Primito: apesar do teu comentário ao meu comentário, continuo a achar que há uma dose generosa de cinismo neste teu texto. Mas começo a achar menos, o que me baralha. Desbaralhei um pouco?

  15. claudia, é um facto que sou optimista. No caso, admiti que esta história era do conhecimento geral, dada a protagonista, impacto mediático e tempo decorrido. E também admiti que estava, aqui no blogue, a comunicar para pessoas com ligação à Internet; nisso provando ser o rei dos optimistas. Havendo ligação, qualquer pessoa pode investigar por si, chegar à mesma informação a que eu cheguei. E o outro facto, a acreditar no relato da CNN, é o de que lhe perguntaram pelo cabelo. Ora, onde tu viste evidência de uma intencionalidade sarcástica – o jogo entre cabelo e cérebro -, eu vejo temática e contexto. Uma mulher perguntou a outra mulher como é que ela se organizava numa situação tão difícil como a do período eleitoral na corrida à presidência dos EUA. A questão é não só bondosa como relevante. E no seguimento há uma alteração emocional. O que significa que interiormente aquela pergunta chegou a um centro de intimidade reservada, furando as defesas que a postura pública sempre suscita. Para mim, e para milhões de pessoas em todo o Mundo, é um dos mais importantes documentos políticos da História. Não pela dimensão ideológica ou estratégica, mas pelas dimensões sociológica, comunicante e semiótica. E para medir essa importância todos os elementos são igualmente decisivos: a aparente superficialidade da pergunta e o sentimento trágico que a candidata vivia nesse dia, sabendo que toda a gente à sua volta esperava o fim do caminho no dia seguinte. Assim, e na (minha) verdade, aquilo que a estava a fazer chorar era a antecipação da inutilidade de toda uma vida de sacrifícios pessoais. Vida levada à beira da realização que não voltaria mais a ser possível caso Obama ganhasse as duas primeiras eleições seguidas, e, para cúmulo, em círculos brancos e a captar votos das mulheres.

    Mas não deixes as explicações do autor do texto substituir o realismo da tua feérica imaginação.
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    Primo, desde que continues a partir e a dar, faz-me o favor de baralhar. Mas terás de fazer melhor, pois ainda não identificaste donde te vem o cheiro a cinismo. E, quem sabe, talvez tenhas razão. Mas como sabê-lo se não te chegas um bocadinho mais à frente?…

  16. extraordinário nesta situação é acabar por se discutir umas eleições em função da cor da pele e mistura étnica e do sexo do candidato. mesmo se isto somos nós quem faz (os americanos, ou parte deles, estarão mais interessados em conhecer os programas dos candidatos e votar – também – em função deles) e se estas questões têm a importância histórica e antropológica que têm, mais pelo que revelarão nos resultados sobre as mutações (ou não) sociais e de mentalidades em curso. se ganhar o candidato republicano, por exemplo, será apenas por a américa não estar preparada nem para um negro, nem para uma mulher. obama tem apenas um bom discurso. aquilo é folclore e técnica gospel, com uma bela voz a condizer. clinton tem já experiência da posição que irá ocupar, ideias e até contrastes inevitáveis com tudo o que foi feito desde que foi primeira dama. como ela disse: some of us know what to do from day one. é alguém política e tecnicamente preparada. com a vantagem de ver o mundo a partir de um lugar simétrico. isto enche-me de curiosidade.

    as mulheres não choram em público, é claro, valupi, menos ainda à frente dos homens. mas lá está: hillary clinton estava entre mulheres, por isso permitiu-se comover-se frente ao mundo inteiro. toda a gente sabe que o espaço físico se sobrepõe ao cognitivo em experiência, sobretudo em estados emocionais. e que um cabelo bem arranjado é fundamental para a segurança da auto-imagem de uma mulher que se expõe publicamente, sobretudo num momento de tão grande fragilidade. assim, é bem possível que por um instante ela se tenha esquecido das câmaras.

  17. O próprio título do post. Ugh, Valupi. Acho que vou é chorar por ti. Na minha cabeça fértil em imaginação, faço logo a interligação Evita-Madonna-Show. Tudo é show e as mulherzinhas são umas especialistas na matéria, sim, aquelas sedutoras perigosas que desviam os homens e a humanidade do bom caminho. Amén.

  18. susana, também tu? Mas que raio de história é essa das mulheres não chorarem em público e muito menos à frente dos homens? Para mais, é completamente mentira.
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    Tudo bem, claudia. Registo a tua Weltanschauung.

  19. Eu também registo o que está interlinhas. Por vezes, falam mais do que as próprias linhas.
    Essa das mulheres chorarem quando pensam… é a melhor de 2008. Já te antecipaste irremediavelmente. Se me provares isso cientificamente, pode ser que eu dê o braço a torcer.

  20. elas tentam, valupi, elas tentam. nem sempre conseguem, no entanto.
    quanto à mentira, é igual à outra, aquela de que os homens não choram. um pressuposto, um preconceito, um apelo ao domínio das emoções frente aos outros. que, como sabes, traz muitas vantagens, quase sempre.

  21. claudia, não é difícil ter outra interpretação do dito, vendo o filme. que as mulheres não páram de pensar quando choram, ou até de que o choro, ou a comoção neste caso, parece ter dado outro fôlego ao pensamento. a coisa pode e deve ser vista no oposto, precisamente: a já clássica inteligência emocional.

  22. claudia, uma das últimas coisas que te desejo é um braço torcido.
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    susana, o choro das mulheres não é igual ao dos homens, porque nada é igual entre mulheres e homens; à excepção da noção de pessoa. O que faz do choro feminino uma resposta muito frequente em contextos de ansiedade, coisa que não acontece com os homens. E coisa que leva os homens a não compreenderem as mulheres, claro, e as mulheres a sentirem que os homens as não compreendem, ainda mais claro. E daqui a minha curiosidade: para quê esconder o choro?…

  23. susana, evidentemente. Quem comparou fui eu, e para contextualizar a questão. É que se concordarmos na diferença psicológica e semiótica dos choros, qual a vantagem para a mulher em se anular o seu modo natural (portanto, legítimo e necessário) de reagir? É que tal anulamento não favorece a compreensão, bem pelo contrário…

  24. Bem, Valupi, isso é verdade e conseguiste enervar-me tanto com este post que pouco me falta para chorar (e não se trata de nenhuma manipulação mediática com vista a votos, LOL). Ai mãe, estes homens não entendem puto a mulheres.

  25. Valupi eu não acho que o Obama, ou a Hillary venham a mudar nada de forma tão marcante “eles mesmos”, pelo menos não acho que se deva ter muito mais esperanças nos seus programas que no de outros presidentes democratas anteriores. (Neste aspecto o discurso de Edwards poderia adivinhar maiores possibilidades de vontade pessoal de viragens na direcção da embarcação uma vez alcançado o timão.) O que Obama, e em muito menor grau Hillary, ao serem eleitos indicam, é a mudança ocurrida na sociedade que os elegeu, e conforme quem, o grau muito diferente desta mudança. Obama eleito significaria um ponto de viragem histórico na representação racial e cultural americana, internamente e externamente, e dos direitos também, e tanto na américa como fora dela. A América capaz de escolher Obama para comandante em chefe nunca existiu, que Obama fosse eleito significaria que a mudança já tinha acontecido, que esta América já existe. E esta mudança é grande e é boa, não será uma Revolução e seria sem dúvida menos importante que a descoberta da viabilidade tecnológica da produção de energia nuclear de fusão, como um exemplo…, mas o h da história por detrás desta eleição, somente ela em si mesma, é maior do que no caso da eleições dos demais candidatos, sendo que para o que vem depois de um candidato democrata eleito, a incógnita é na sua maior parte a mesma em todos os casos.

  26. valupi, posso concordar contigo, é fácil. mas para entenderes isso tens que entender todo o passado da mulher e consequências do seu choro. se for o caso de o seu choro ter suscitado conflito e rejeição no passado, ou desvalorização discriminatória, o natural é que ela o evite. ninguém gosta de levar na tromba (enfim… não é completamente verdade, mas essa é já uma outra conversa).

    por isso tem muita graça dizer-se que pode ser estratégia – que estratégia? até parece que a tradição é que uma mulher chore e obtenha consolo, ou simpatia. na maioria das vezes o choro feminino é recebido com repulsa, constrangimento, ou desprezo. pode até ser tudo causado pela aflição da incompreensão, mas as reacções são tão primárias como as lágrimas. de uns e de outras, na recepção e na defensiva.

  27. Tá bem, primito, eu chego-me um pouco à frente. És cínico quando dizes que a América talvez ainda não esteja preparada para uma mulher. Desambigua, por favor: talvez não esteja para ser governada por ou talvez não esteja para evitar os seus feitiços?

    (Tem de ser assim devagar porque tem mais piada.)

  28. Que engraçado. Estou a gostar da série de silogismos feministas:

    Hilary é uma mulher candidata é à Casa Branca,
    Eu sou mulher,
    logo eu sou candidata à Casa Branca.

    Solidariedades destas nem a amante do Maquiavel era capaz de inventar.

    Dizem que a Messalina não era uma feminista solidária, porque nunca precisou de votos

  29. Outra coisa: Hilary é uma representante do sexo feminino. Tal e qual como o mastodonte do rvn há-de ser um representante da raça canina.

    Só há um ligeiro senão nestas representações por grupos: nem todos os cães largam bostas como um mastodonte de 72 quilos.

  30. gosto mesmo muito destas solidariedades. Só é pena não fazerem inquéritos às peixeiras do Bulhão para ver o que elas tinham a dizer acerca da metafísica feminista das lágrimas da Hilary.

    É mesmo uma peninha. Já não há feminismo com bom trabalho de campo, à velho comuna.

  31. O engraçado nesta conversa de mulheres que choram e que pensam é que andam todos em redor do divertimento sedutor do valupi. Pronto, a Hillary estava com o período ou se enerva demasiado fácilmente ou o valupi gosta de mulheres choronas e que eventualmente pensem. Não me recordo de que as mulheres mais conhecidas pelo seu pensamento andassem sempre a chorar, nem as mulheres mais inteligentes que conheci passam a vida chorando, assim que a história de que as mulheres chorem quando pensam é um pouco treta. Mas estou seguro de que umas quantas mulheres mais lacrimosas se emocionaram com o post. E talvez Valupi esteja a pensar nelas, alguma talvez mais bela, quem sabe?… Os homens somos antes de mais uns tretas quando tentamos ser sedutores. Não leves a mal valupi.

  32. A pergunta aplicava-se mais ao cão do rvn. É que eu, não só não voto cá, seja homem candidato, seja mulher, como não voto em agrupamentos de género; a menos que me seja facultada quota paritária em cartão de crédito.

  33. Dispenso as quotas paritárias em géneros, percentagens em fraudes e até o brinde da amante judaica. Como digo, bastava-me a quota paritária em cartão de crédito. Talvez assim os instintos de género falassem mais alto.

  34. Para bem do pensamento da minha filha e para evitar-lhe choros desnecessários será das primeiras coisas que lhe vou ensinar. Que um homem que seduz é basicamente um homem que mente. Aí está uma grande diferença com as mulheres, as mulheres não precisam mentir tanto para seduzir um homem, somos mais facilmente seduzíveis/enganáveis talvez, ou mais bem seguramente. Mas quando uma mulher tem que seduzir muitos homens e muitas mulheres a coisa muda de figura….

  35. Quando uma mulher tem de seduzir muitos homens e muitas mulheres e a profissão se assemelha à mais antiga do mundo, ainda que o não seja, costuma contratar uma agência de marketing.

  36. Ainda que o não seja, para não comprometer a mais antiga do mundo, claro.

    Estamos a falar de coisas sérias, senhores e senhoras- uma campanha eleitoral nos States.

  37. Rui Fernandes: não sei se já reparaste, mas o teu discurso é muito semelhante ao do Valupi (talvez um pouco mais sedutor – que digo: mentiroso).

  38. valupi,

    Eu não consigo imaginar um mundo desprovido da omnipresença da mulher que há neste nossso. Como seria esta vida que vivemos se não respirássemos, a cada passo, o perfume subtil do sexo que de facto manda no destino da Humanidade, se não adivinhássemos o toque da sua mão numa infinidade de pormenores que assim passaram de insignificantes a indispensáveis? Onde beberia a sua força o sexo forte se não houvesse um sexo fraco? E como seriam as noites de um universo só de machos, meu Deus? Como acordar todas as manhãs para um mundo só com barbas e bigodes e coisos? E o que faríamos todos no dia de S. Valentim? A perspectiva das respostas possíveis para estas e outras questões aterroriza-me, confesso.

    Brejeirices à parte, eu cá gosto de mulheres. Desiludam-se os mais atrevidotes, que este não é o ponto de partida para fantasias inconfessáveis, nem a afirmação de uma machice politicamente correcta. Esta é a constatação de um facto incontornável, que ultrapassa a minha responsabilidade mas determina e condiciona as minhas opções mais diversas. Gosto porque gosto e pronto. Mas há mais. Gosto de tudo o que a mulher representa todos os dias, beleza, encanto, sacrifício, determinação, maternidade, mesquinhez, lealdade, instinto, sedução, personalidade, traição, requinte, inteligência, grandeza de alma e visão larga desde que o mundo é mundo. Não existe um estereotipo de mulher, de tão diferentes que são entre si, como é de resto de supor seja apanágio da espécie humana, independentemente de vestir cor de rosa ou azul. A diferença no feminino é de outro quilate e não se procura na ribalta.

    Em situações extremas, a mulher tem a força da própria vida e uma vontade igual à que faz nascer o sol todos os dias, desde o princípio dos tempos. E em tempo de paz, revela a capacidade camaleónica de se diluir até quase se apagar num encaixe discreto da sombra do seu homem. Ela é desespero e paixão, é preto e é branco, é baixaria e requinte, é o cèu e o inferno e nem sempre á vez. É mulher e sim, a prova indiscutível de que Deus possui um curioso sentido de humor, ao mear a nossa existência masculina com um ser que não só nos dá a Vida como faz o possível para que ela não faça de todo sentido ser vivida sem a sua superior influência.

    Pelo preço módico de uma costela, para mim não tem dúvida: mesmo descontando as dores de cabeça e as pensões de alimentos, foi uma pechincha

  39. Bem sabias que vos faltava algo. E costela deve, então, ser um eufemismo para “custa ela”…

    (agora explique lá, porque corta nas brejeirices e aumenta nas pensões de alimentos? E dá um desconto às dores de cabeça dela ou lá em casa é o gato que as tem?)

    Pronto, está bem, brigadinha e, para o dia de S. Valentim já tenho programa e dois presentes prometidos…

  40. rvn: depois de ler o teu texto, fiquei com a sensação que te enganaste (acontece) numa frase: em vez de «Brejeirices à parte, eu cá gosto de mulheres» querias dizer «Mulheres à parte, eu cá gosto de brejeirices», certo?

  41. joão,

    Está bem visto, de facto. Na verdade eu cá acho que não só gosto das duas coisas como entendo que qualquer uma delas ganha substancialmente em vir no pacote da outra, no acto de levar as compras para casa (meu Deus, pagarei por esta frase também?).

    Mas não me parece que o erro esteja nesse ponto exacto do raciocínio. No que toca a mulheres, tenho que o meu erro foi mesmo à nascença, na distribuição da líbido. Há o tal mundo de barbas, bigodes e coisos que me passa ao lado, e uma maioria crescente a dizer que é do melhor.

  42. vá lá, rvn, com esse último parágrafo redimiste-te da remissão da mulher aos bastidores que impregna todos os anteriores.
    (e não há-de ser coincidência casual de léxico, naquele sentido em que também remete para os bordados…)

  43. custa ela,
    Seguramente por boa vontade, viu hotéis nas minhas pensões de alimentos. Cá nada, é coisa pouca, moeda de pobre.
    Compenso exactamente com as brejeirices.

  44. susana,
    Acredito que o perigo no feminino virá sempre dos bastidores, nunca do óbvio. De resto, diz no texto: « A diferença no feminino é de outro quilate e não se procura na ribalta.»

    (bordados?)

  45. (e com as bilhas do gás, Susana, que eu cá vivia na província…)

    Rui,

    Esqueceste a omisciência e a omnipotência. No fundo no fundo é o que dizes, mas nada como dar nomes às coisas.

    Agora, pensemos. Essa do sexo forte e do sexo fraco tem dias, ou noites, que no resto só mesmo no delírio de alguns coisos e bigodes.
    Não sei se a criação da mulher foi uma graça para Deus ou uma Graça de Deus, mas acho que, apesar de tudo, entre uma costela e um coiso sempre é melhor a costela que tem osso!

  46. Olha lá, RVN, não percebes mesmo nada de nada….. Bordados e bastidores sempre andaram de mãos dadas e se não percebes porquê deves, seguramente, ter uma ela a quem perguntar…

  47. nesta,
    «entre uma costela e um coiso sempre é melhor a costela que tem osso!»
    Mulher que pensa assim só pode ser mulher de uma costela só. Nota-se o amor ao osso.
    Aceite um beijo ao de leve.

  48. exacto, rvn, essa da ribalta é a referência mais explícita aos bastidores. quanto aos bordados, não sabes como se chamam aquelas estruturas de madeira nas quais se prende o tecido dos bordados?

    ernesta, bilhas de gás? jesus, afinal tenho sorte…

  49. rvn,

    (just in case, que tanto tempo por aqui não augura nada de bom, expert dixit…)

    bastidor
    s. m.,

    caixilho onde se segura o estofo em que se quer bordar;

    (…)

  50. susana,
    Sem de todo querer chinelar a cumbersa, já te disse que esse mundo me passa ao lado, amiga.
    Seria incapaz de ir ao priberam. Gostos, que queres?

  51. susana,

    mas bastidores e bordados é só educação esmerada, que o priberam é muito moderno para essas associações… teremos andado pela mesma escolinha? (Valupi, esta não podia deixar passar…)

  52. Vim a ler-vos num «print» refastelado num eléctrico. Há uma graça particular nisso: os comentários saem numerados. Dá uma dinâmica especial.

    Talvez tenha sido esse transe que me fez perceber que vocês caem sempre – nós caímos sempre – nas beberragens que o Valupi serve do seu dotado shaker.

    Quem disse acima (foi o João Pedro?) que o marau se retorce de riso com o que escreve? Ainda há gente lúcida.

  53. JPdaC, não entendi o que vês no meu texto de sedutor ou de mentiroso. É mentira o que disse sobre os homens? Podes tu como homem sinceramente dizer que minto? Por outro lado é certo que por vezes em momentos de inspiração também somos capazes de tentar seduzir com a verdade, com uma sinceridade exacerbada. Mas até aí talvez ainda haja uma mentira, pois na sedução buscamos sempre nos recriarmos como aquilo que pensamos desejaria ela que fôssemos, como mais sinceros, melhores. Se elas mentem menos é porque seduzem menos, e não por falta de talento, longe disso, mas porque não é necessário o esforço, a testosterona está lá ou não está, ou aparece ou não aparece, mas a testosterona não sabe de mentiras mais ou menos piedosas, sabe de saias, do que elas cobrem e do que não cobrem, sabem talvez e até muito de sorrisos e risos, e ás vezes e em alguns casos de lágrimas, mas sabem pouco ou nada de intelectualidades. O facto de no jogo a dois as mulheres continuarem com o cérebro ligado, e apesar de sensíveis aos aspectos físicos, aos nossos sorrisos e também em alguns casos, quem dirá que não?, às nossas lágrimas, elas nos obrigam a falar. Se mentimos a culpa não é nossa, não é minha, nem do valupi, nem tua. É somente delas. Se elas não mentem o mérito tão pouco será delas, é nosso e da nossa testosterona. Mas também poderíamos dizer igual de acertadamente que se mentimos o mérito é delas, e se elas não o fazem a culpa é nossa. O cerne da questão é que nas tretas que disse que havia na sedução do valupi não havia nenhuma intenção de culpabilização, pois está claro que as tretas dele são também as minhas e até quem sabe as tuas, pelo menos enquanto tretas genéricamente assumidas, e isso creio que esteve sempre explícito desde o inicio.

  54. âncio,
    Sinto-me chocalhado e servido a frio, temperado a gosto, é um facto. Topaste com olho de lince, conheces a peça, tá visto. E não é que o biltre toca-e-foge, nem volta para apanhar as canas?

  55. Ah Fernando: vejo que também concordas comigo. Mas é melhor dizermos isso baixinho não vai a gente estragar o arraial. :-)

  56. Rui Fernandes, a eleição de uma mulher é uma alteração muito mais revolucionária para o imaginário do Tio Sam. Um afro-americano, desculpa lá, é apenas uma curiosidade. Um exotismo já antecipado pela cultura popular, Hollywood e TV, música e desporto. Os EUA são o país menos racista do Mundo, nisso de todas as minorias receberem atenção e cuidado legal, de haver permanente fiscalização e recursos ao dispor das vítimas. E desde os anos 80/90 que a comunidade negra se queixa dela própria, não de heranças esclavagistas ou desigualdades de oportunidade. Mas o facto permanece: com brancos ou com pretos, a América fica substancialmente igual se permanecer um patriarcado.

    Quanto à tua teoria da sedução, é óbvio que não entendeste o contexto e significado da frase “quase ninguém sabe que as mulheres choram quando estão a pensar”, caso contrário não farias essa leitura literal. Literalmente, como juízo apodíctico, é uma ideia absurda e aberrante, posto que a relação entre os termos é injustificável – pensar não obriga a chorar, como devia ser evidente para todos os leitores. Encontras a chave interpretativa em muitos outros lados, mas não no salto para a cueca.
    __

    Primo, pois que não tem mistério, sequer ambiguidade. Se te interessar, é ler.
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    rvn, obrigado pelas tuas palavras. Estava cheio de curiosidade em testemunhar reacções das nossas amigas ao teu texto, mas não tive sorte nenhuma. Sem dúvida, mais uma partida do divino.
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    Fernando, talvez sejas tu a alma caridosa; conta lá: rio-me do quê e porquê e com quê?

  57. Valupi,
    Um pedido teu é uma ordem. Além disso, eles são sempre algo retóricos, isto é, factualmente desnecessários, mas por isso mesmo estimuladores do discernimento alheio. Vamos então.

    O teu «post» começa por dois cenários radicalmente alternativos. Só isso já nos alerta – ou deveria alertar. Deveria ser um sinal a dizer: «Este texto é para ser lido com a maior das distâncias». A partir daí, nada do que dizes, ou sugeres, é para ser lido literalmente, talvez nem mesmo lido a sério. A partir daí, tudo quanto dizes é um palpite. É, em certa medida, poesia pura. Flatus vocis, se me faço entender. Os conceitos a dançarem ao som da fonética.

    Esta exposição não era, claro, para ti. Mas para a populaça, a tua populaça. Onde, grato, me acouto num cantinho.

  58. Valupi, não temos a mesma opinião sobre o estado actual da mentalidade do povo norte-americano, me refiro a sua mentalidade maioritária. Achar que o que se coze em Hollywood é directamente equivalente ou mesmo reflexo da maior parte da América é um erro. Se assim fosse não existiria simplemente votantes suficientes para eleger pouco mais que um senador republicano. O desporto já possuía muitos atletas “afroamericanos” destacados quando na América ainda havia apartheid. Acreditar que o problema do patriarcado é mais profundo para um país como os EUA do que a relação da maioria branca com suas minorias étnicas é para mim um erro ainda maior. Pelos vistos temos opiniões opostas nesse aspecto que explicam cada uma das nossas escolhas, escolhas essas que em verdade não escolhem nada. A minha teoria da tua sedução não pressupõe que tu saibas que estás a seduzir. O Freud merecia ter sido condenado à forca por haver criado o inconsciente como desculpa para a a ausência de argumentos. Mas já que o criou, sem nunca ter sido sequer ao de leve condenado, porquê não me haveria de aproveitar eu também do dito cujo?

  59. z, a tua conclusão prática é de morrer a rir.

    rvn, perguntei-me o mesmo, até se o fernando não estaria a rir-se por dentro. e essa de não te terem ligado nenhuma é uma grande ingratidão.

  60. zazie, devo informar que além de ruminar também ando a hibernar, e sonho muitto, só que em vez de acordar fino anda mas é grosso! Mas está Sol, e amanhã já se resolve tudo, sacer ficare, mas agora não se pode falar disso porque parece que também é secreto

  61. se cá ficares é que vai para aí um sacrifício: Mas olha lá, tu ainda estás com essa treta? não passou? É pá, rapaz… bem, detesto indústria farmacêutica mas deixo-te aqui o link de uns chazinhos milagreiros que trouxe de Inglaterra. Os gajos são passados com os remédios. Aquilo é publicidade até nos elevadores. Mas, a verdade, é que este chá de paracetamol e mais descongestionante nazal é chuto. Cinco minutos depois estás aos pulos

    “:O)))

    http://www.buybritish.net/store/customer/product.php?productid=19260

  62. Fernando, a tua generosidade não falha. Quanto ao “flatus vocis”, é uma sugestão de leitura. E das melhores.
    __

    Rui Fernandes, se a maior parte da América não papasse o que vem de Hollywood, podes ter a certeza que Hollywood já há muito tinha mudado de receita. O que tu podes dizer é que são muito menos aqueles a meter papelinhos nas urnas do que a comprá-los nas bilheteiras.

    Nunca como agora se viram tantos exemplos de afro-americanos no topo do poder nos EUA. Aliás, já não se consegue conceber uma América branca, tornou-se um absurdo. Aquele país é misto e misturável. A seguir, serão os latinos a moldar o barro.

    Quanto à sedução, se ela agora é um acto da responsabilidade do meu inconsciente, fico assustado. Com que então, estou a seduzir sem saber… Olha a grande merda que o Freud foi inventar.

  63. obrigado zazie, mas isto é da Primavera que chegou antes do costume – este meu corpo de árvore não engana e demora uns tempos até que vasos e traqueídos fiquem funcionais. Bem, mas vou para ali rubernar, ando a reler o Navegador

  64. Nunca vista, zazie? A minha também está a florir neste preciso momento. É o que acontece todos os anos, de resto, sempre em Janeiro / Fevereiro. É uma Magnólia Caduca?

  65. Sim, em Fevereiro, pelo Carnaval, costumam florir, tal como o Jasmim. Mas no início de Janeira, não. São todas de folha caduca, claro, são as mais bonitas.

    De que cor tens? eu tenho branca, raiada de branca e lilás, lilás e outra mais ou menos coral. Mas tenho de a mudar, a esta de coral. Vou passá-la para o lugar de um feto arboreo que se finou.

  66. Por acaso não tens hoyas? sou completamente apanhada por elas e há umas raríssimas, muito finas que por cá não se encontram. Já dei com um site de um americano mas não me atrevi. Duvido das condições. É isso e uma variedade de magnólias carochas da China que só encontrei no parque botânico do Funchal. Disseram-me que foi oferta de turista e nunca conseguiram que ela se reproduzisse.

    Dizem que cheira a banana mas a mim cheirou-me a Eden “:O)))

  67. Zazie,

    Pensava eu que só o Z (antigamente chamava-se-nos Py), que só ele era perito em árvores. Aliás, profissional, segundo fontes fidedignas.

    Fica a gente a pensar que há uma ordem secreta nos «ZZ».

  68. está a Primavera sim, eu nestas coisas acerto muito, mas também com estes espirros jurássicos só se fosse mouco de todo

    entretanto vim aqui fumar um cigarro, regressado de Ceuta, armado cavaleiro à chegada a Tavira – e, não era suposto, mas mamei um noir noisettes inteirinho, hors du temps

    agora prá digestão

    Magnolia grandiflora

    não sou profissional de coisa nenhuma hoje em dia Fernando, a não ser da curiosidade do mundo e tanta beleza, e ecologia da paisagem, vá lá, com teoria da informação e alguma semiótica

    mas gosto muito de árvores e dou um jeitinho de Panoramix

    ————

    agora estou contente que anda aqui tudo a dar à cauda

  69. «Talvez a América ainda não esteja preparada para uma mulher. Um homem castanho, preto ou amarelo, sim. Já é indiferente.» Valupi aqui.

    «O mundo está preparado para um presidente americano negro. Não está preparado para uma mulher.» Clara Ferreira Alves, O Eixo do Mal, Sic-Notícias, 00.54 h desta madrugada.

    Quando os opinion makers concordam, surge legível a ordem do Universo.

  70. (só para chatear tá de chuva!)

    zazie, tenho aqui uma coisa que é assim, por um lado tu fazes-me lembrar a zé dos cinco e eu faço de david (era gamado naqueles cestos cheios de empadinhas e scones que vinham da tia Clara), tens um tim?, os outros é melhor não dizermos que dá logo pantufada, e então tenho aqui uma coisa arqueológica a desdobrar-se mas ando com uma dúvida:

    achas que isto dos mortos ainda é como antigamente – que não queriam ser incomodados – ou então agora, cheio de brasileiros, querem mas é uma massagem nos ossos?

    Se calhar tem lá um tesouro também, mas isso dá muita dor de cabeça

  71. ehehe

    Fernando: não percebo nada mas gosto muito.

    Z: a Zé dos Cinco era o meu alter-ego antes de ler a zazie no metro. Também já tive o cão, quando ia para a montanha dos ciganos (a montanha era ali aquele montito, à av. do Aeroporto)
    Tesouro também houve, escondido no quintal e com plano enfiado num sofá.
    Uma vez o sofá foi para o estofador e ele aparece lá em casa dos meus pais, com um papel amarelecido, com um mapa de árvores e setas e n.ºs de passos a dar. Foi um homem muito honesto- disse que tinha encontrado aquilo entre as molas e que podia ser de todo o interesse nosso seguir a descoberta

    aahahhaha

  72. então afinal somos primos, eu bem me parecia que andava aqui coisa sólida. Já fui ao teu blog, está lindo. A última coisa que escrevi foi ‘a metamorfose das armas do rei de Portugal na dinastia de Avis’, agora está num amigo meu de História para ouvir a crítica. Apanhei os selos e moedas no Caetano de Sousa e vai daí. É porque ando depois à procura de uma coisa que se quiseres saber eu digo-te lá para o mail, mas se calhar até já disse, não lembro.

    Agora esta qui dos romanos, fenícios e celtas é assim, já está tudo desde o presidente da CMc a arqueólogos e jornalistas que assim já não se perde.

    mas a arqueóloga só vem cá esta semana

    sobre isso dos mortos estive ali a pensar no duche: pode-se fazer uma ecclesia ali na agora e os mortos que quiserem massagem levantam um osso

    vou voltar aoss infinitos que já tenho saudades. Aleph_0 topo, Aleph_1 tem que se meter o axioma do Corte (Dedekind) para não baratinarmos mas vai-se, Aleph_2 só tenho um cheirinho e Aleph_3 não faço a mínima idéia

    também tive cão em rapaz, agora brinco com os das ruas

    que sorte: tesouro no quintal! Eu então não descobri nenhum, mas teimoso como sou amuei e fiz um, olha agora é uma dor de cabeça que não sei como me hei-de livrar dele

  73. PS:

    mas não está aqui em casa, não vá vir um engraçadinho…

    tenho que ir dar uma volta senão atrofio, vou meio incandescente mas pronto

    ‘té logo

  74. Branquinhas são lindas. O meu jardim está praticamente todo a branco e variações de azul. Aquela coral é que destoa mas é tão bonita que não resisti. As hoyas mais comuns, ditas flores da cera, até se arranjam, difícil são as outras, de folha tubular e flores mínimas que são umas pequenas joías. Tenho uma dessas mas nunca consegui reproduzi-la. Se conseguir está prometida.

    Entendi o que pode levar ao imperialismo à custa das plantas. Às tantas queres ver tudo bonito à tua volta e começas a oferecer aos vizinhos, depois aos jardins das redondezas e, não tarda muito tens a cidade com a tua marca.
    aahha
    Seja lá como for, acho que é um dos sonhos mais bonitos e ao acesso de cada um: deixar um jardim como passagem pelo reino da terra.

    z: tu gostas mesmo de histórias e a História é feita delas. Acho isso maravilhoso e ainda mais por se misturar com matemática.
    Ainda andas à procura das jóias da coroa?

    “;O)

  75. Quanto mais vos leio, mais entendo que não entendo nada de flores. As flores são complicadas, têm formas e cores variadas, dão-lhes nomes esquisitos e cientificamente alatinados. :-(

  76. cláudia, fazeres uma kpkuazona ainda vá, agora nem dares por ela acho um desperdício!

    É sim zazie, ainda não sei se a coroa de Nª Sra da Conceição é a original de D. João IV e se sempre é verdade, como me disse uma freira corcunda em Extremoz, que D. Maria I ofereceu a coroa dos Bragança ao Sagrado Sepulcro.

    Gosto muito destas aventuras mas depois enjôo e viro para a matemática. Pelo meio gosto de olhar para paisagens. Eu também gosto muito da tua caça ao simbólico.

    (caraças, espero que amanhã esteja sol)

  77. olha zazie aquele meu amigo a quem dei o trabalho para ler é o autor desta frase: “há histórias, fragmentos inscritos numa espécie de tempo virtual que nos acompanha para sempre, memória quase esquecida mas persistente, de um tempo fora do tempo”, que aliás cito lá.

    bonita, não?

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