Como se come bem no Palácio de Belém

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No último almoço com Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa, neste domingo que passou, éramos apenas 5 convivas. Ele, eu e outros três. Calhou ficar a seu lado, mas costumo ficar de frente, prefiro. Começámos com Carpaccio de Atum Fresco Albardado com Coentros Regado com Vinagrete de Pimentos, o qual suscitou genuíno entusiasmo. Seguiu-se Peito de Pato Lacado com Mel Sobre Batata Gratinada com Queijo da Ilha, provocando polémica precisamente por causa do Queijo da Ilha. A paz aterrou sob a forma de Pastéis de Toucinho do Convento da Esperança. E foi por me ter recordado da conversa sobre o Queijo da Ilha com sabor a pato, e ainda com meio pastel na boca e perdigotos kamikaze prontos para levantar voo na direcção do pulôver amarelo do anfitrião, que me virei para ele e disse Olha lá, ó Cavaco, mas para que é que os jovens se hão-de interessar por política e por História de Portugal, e o camandro que para lá disseste na Assembleia, quando o seu Presidente vai à Madeira, leva bailinho dum merdas que só diz merda, e volta com o rabo entre as pernas? Ficou tudo a olhar para mim, atónitos, porque se davam conta de ter eu comido o último pastel. E foi então que Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa, aparentemente imune à crise dos postres, me perguntou com oportuno sentido do meu estado, Cafezinho?

25 thoughts on “Como se come bem no Palácio de Belém”

  1. ai! espero que não se tenham esquecido de por salsa picadinha sobre o queijo nas batatas que até morro de vergonha pá, que eu não duro para sempre pá. E o lacado devia levar duas tirinhas quase imperceptíveis de cominhos, para lembrar a Índia e abrir as papilas. Sobre as trufas concordo que não se fala.

    Sempre fui gamado em pregar sustos por detrás do veludo negro da sala dourada, como podes imaginar a Maria dá uns gritinhos lindos, e diz que dou cabo dela, mas sempre fui assim desde pequenino, todas as empregadas me amavam mas diziam que eu tinha o diabo no corpo. Gosto muito de sururus em Belém mas é por causa que tenho lá uns espíritos amigos, pauzudos.

  2. Epá, agora relendo o meu comentário vejo que se presta a interpretações muito picantes.
    Sou um viciado nas especiarias… (Tive um tetravô marujo, era grumete em todo o lado, um gajo muito viajado.)

  3. z, é impressão minha ou o título do post do Valupi não estará cheio de kpk? Hein? Admira-me não dizeres nada, oh menino.
    Pelo que vejo bem se come em Belém, só não sabia que o Cavaco ainda tinha dentes para comer isso tudo.

  4. minha linda, entrei logo lá para dentro do palácio para ir brincar de esconder nas cortinas de veludo, atrás do brasão, que eu gosto de morder no dragão, e nem vi, obrigado,

  5. declaração

    eu acima assinado z=x mais iy, declaro para todos os efeitos que qualquer continuação de conversa lá para baixo, continua daqui para cima, porque já me perdi e peço desculpa mas pólen é assim,

  6. LOLOLOLOLOLOL!!!!!!!!!!!

    Esta é a cena mais maravilhosamente engraçada e contundente que alguma vez li na minha vida. E a foto, meu Deus, com este texto, transcende-se de significado. És o maior, primito.

  7. clap clap clap

    estou tão farta de repetir isto, mas nunca o conseguiria escrever desta forma… Parabéns.

    [joão pedro: os biscoitos de vinho do porto são, simplesmente, divinais;)podes pedir uma comissão à tua amiga por lhe teres arranjado mais uma cliente]

  8. val,
    acaba de vez com esta dúvida que me tira o sono e faz definhar, dia após noite: confirma-se que Aníbal dá por terminado o cerimonial da janta com um terno amplexo de gratidão à sua cara-dois terços, acompanhado de um carinhoso apalpão no traseiro e da frase de ouro, estrondeada ao palitar a dentuça e coroada com um gargalhar alarve mas sem bolo-rei “Maria, lembra-te disto: quero no palácio Bom Petisco”. É tal e qual, ó comensal presidencial?

    z,
    «todas as empregadas me amavam», ou a sempiterna traiçoeira língua portuguesa. Mas… e nem assim, dizes tu?

    sharky,
    saber que ainda escancaras a papila deixa-me nas bordas do extase, devo dizer-te. Pois que o teu escalope se multiplique até poder, são os meus votos sinceros neste Natal.
    Abraço-te um nadita cumovido, inté.
    E um grande shiuff para ti também.

  9. z,
    dizes tu, sem engano, ainda não passaram 3, vá lá 4 luas, no máximo. Num assomo de espontaneidade, ofereceste até considerações várias sobre as variações etimológicas da palavra, remember? Ainda com a presença activa da nossa zazie (sinto a falta da sua uzi, confesso, e hoje nem no cocanha a apanho).
    Mas variedade dos equilíbrios também está bem visto, sim senhor. Melhor que o equilíbrio de variedades.

  10. viste um filme chamado ‘Virgen de los Sicarios’? Lembrei-me por causa da uzi, só aí é que fiquei a saber o que era

  11. quanto à Zazie gosto muito dela – mesmo discordando radicalmente de não-sei-quê – e que afinal nem sei se é assim, mas como sabes não falo das pessoas quando não estão presentes, excepto políticos porque esses por definição estão sujeitos a comentários públicos

  12. Claúdia, é muito fácil. A mercearia chama-se Beringela e fica na Rua do Campo Alegre, quase em frente à Duvália / Blockbuster na loja onde ficava a antiga farmácia, a seguir à cantina da UP. Vais lá e pedes Biscoitos de Vinho do Porto e dizes, faxavor, que foi o João Pedro (o vizinho da Rita) que te deu a dica que é para aumentar a minha comissão.

  13. Valupi, eu aceito. Acho que só me falta almoçar em Belém (LOL.I’m kidding).
    Eu já almocei com o Pres. da Câmara de Olhão na Quinta dos Poetas. Era bom, mas pouco a meu ver… No final do almoço, estive tentada em dizer à comitiva: “É só isto?” (mas pá, tive que me portar bem…).

  14. É pena não terem colocado veneno nas comidas desses republicanos de merda que hoje sabe-lhes bem sentarem as bundas nos palácios que os nossos Reis nos deixaram!
    VIVA A MONARQUIA!
    VIVA O REI!
    ABAIXO ESTA REPÚBLICA NOJENTA E CORRUPTA!

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