Vinte Linhas 257

«Fia-te na Virgem e não corras, vais ver o tombo que levas…»

Esta tempestade num copo de água que por aqui passou no «aspirinab» a propósito dos «posts» sobre a dedicatória rasurada pelo Nobel 98 e o poema «Rosa Luz» leva-me a lembrar duas ou três coisas essenciais nesta matéria. É preciso olhar com distanciação para estas coisas e saber separar bem o percurso das margens. Alguns não perceberam nada e como não estão a par do assunto mas gostam de te opinião, tentaram ver na crítica ao gesto da rasura dos nomes do «Levantado do chão» uma guerra pessoal. Não preciso de dizer que a pessoa em causa não me interessa absolutamente nada. No poema «Rosa Luz» tentaram arranjar um problema sem perceber que eu nunca iria alterar um poema meu por causa da métrica ou das sílabas. Basta pensar que os professores universitários Clara Rocha, Silvina Rodrigues Lopes e António Cândido Franco não perderam nenhum tempo com isso quando discutiram a tese de mestrado sobre a minha obra. Falaram apenas de coisas substanciais e importantes que integram a tese de mestrado do escritor Ruy Ventura. Daniel de Sá apenas propôs uma nova redacção para uns versos, nada mais. Não é um drama. Eu naturalmente não a segui porque se a seguisse o poema já era outro. O azar foi ter havido entradas à margem das leis, como se diz no futebol. Mas ele já estava farto depois de incidentes anteriores. Aprendi com o Agostinho da Silva que as críticas ou os louvores são apenas opiniões; quem tem um caminho segue o seu caminho. A malta aqui no Bairro Alto diz de outra maneira: «Fia-te na Virgem e não corras, vais ver o tombo que levas…»

31 thoughts on “Vinte Linhas 257”

  1. Caro JCF,

    Na minha terra diz-se:
    – Fia-te na Virgem, n’a corras vais ver o trambolhão qu’ a ‘panhas
    Economizamos nas vogais mas o sentido é o mesmo.
    Na minha terra, também, se diz:
    – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és
    Percebo porque saíram o Fernando e o Daniel de Sá, não percebo porque continuam os dois J.

  2. Zé do Carmo, não sendo uma “guerra pessoal”, é interessante revelares-nos que a “pessoa em causa”, a quem tanto amas que nem o nome lhe dizes, não te interessa “absolutamente nada”. Obrigadinho. Se não no-lo revelasses, jamais o adivinharíamos.

    A outra achega sumarenta que escorre do teu post tem a ver com a modéstia, que é teu timbre, de referires a existência de uma tese de mestrado sobre a tua vasta obra, favoravelmente comentada pela filha do Torga. Claro que a Clara Rocha não vinha nada a propósito do tópico da tua conversa, nem as outras sumidades de borla e capelo. Mas ficam sempre bem, metidos assim à pressão, à laia de desautoridades na matéria, numa desargumentação descuidada. O teu final foi apoteótico, com a citação da sabedoria popular pseudo-bairroaltina. Vinte valores. Em cem.

  3. E ainda aproveitaste para citar o teu mestre Agostinho da Silva. O finório do velho deve ter arranjado essa explicação filosófica para se esquivar a gabar a tua literatura.

  4. Outra da malta reza assim: “presunção e água benta cada qual toma a que quer”.
    O poetraste do Bairro Alto deveria chamar-se Narciso.

  5. Já agora, aqui vai mais uma: «Quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita».
    O JCF insiste e a malta aguenta. Que ódio pelo Saramago e presunção pessoal: «(…)tese de mestrado sobre a minha obra!». E logo a seguir, os nomes sonantes. É de pasmar a lata deste tipo e a sua insistência. Os bons não se gabam JCF. Deixam que os outros os gabem. Pois «Fia-te na viagem» e qualquer dia vais de barco até Cacilhas. Vais de viagem como já outros foram . Mas eram dos bons. Simplesmente, todos os outros deixaram saudades. Tu, não pá. Mas tu não sais nem que te obriguem. És tu e o mexilhão! Talvez só com um abaixo-assinado dos comentadores, não?

  6. Caros co-comentadores,

    A generalidade dos comentários aponta no sentido de JCF não possuir nem qualidade nem sensibilidade para a escrita.
    Porquê perderem, então, tanto tempo a lê-lo e a comentá-lo?
    Há muitos «blogs» por aí.
    Não gostam, desamparem e loja e vão comentar para p’ ra outro lado.

  7. AS, é verdade, contou as sílabas e tudo. Rasurou, espartilhou, estrangulou, MATOU a língua.
    E depois disto há ainda quem dê trambolhões fiando-se na Virgem?

  8. “Percebo porque saíram o Fernando e o Daniel de Sá, não percebo porque continuam os dois J.”

    Não te esqueças, Pedro Oliveira, que o Valupi aqui dentro é o grande intelectual, o nosso Agostinho da Silva. Podem desamparar os outros a loja que este fica de cal.

  9. Ó Pedrinho, aqui quem se arma em carapau leva bordoada. É só isso. E tu também já estás quase a pedi-las. O caralho da tua presunção em mandar-nos desamparar a loja… Vai tu, ó tinhoso.

    Ó Claudette, essa promoção do Valupi a grande intelectual é um bocadinho precepitada. E a expressão é “de pedra e cal”. Só cal é só fachada.

  10. AS:
    Não acredito que «mais depressa corram com os comentadores». Acabavam por morrer de pasmo, não acha? As «montras de vaidade» vistas do nosso lado dão grande vontade de rir e de comentar! Sem nós, que seria dos poucos aspirínicos que resistem? Eles ainda não reparam que são os comentadores que «comandam» o Aspirina. Que somos nós que o mantêmos vivo!
    Só não entendo como certos comentadores dizem e depois se desdizem. Caso do Luís Oliveira que diz «não entender porque razão o Fernando Venâncio e o Daniel de Sá saíram e os outros dois J ainda continuam por aqui». Decerto se referia ao JCF e ao JPC. Convenhamos que foi um comentário contundente. Porque virá, então, agora, contra os comentadores que não apreciam a poesia do JCF!? Há coisas que não entendo. E que saiba, claudia, Valupi não começa por um J!

  11. eu não percebi a pertinência do proverbial comentário final como ilustração das conclusões anteriores.
    no entanto concordo com o que dizes: a crítica serve para nos fazer pensar numa próxima ocasião, raramente para nos levar a alterarmos alguma coisa já feita.

    não percebo qual é a crise relativamente ao que fez o daniel. compreendendo o seu trabalho a partir do que nos mostrou aqui, é evidente que tem gosto pela apropriação. apropriação de uma linguagem, como nos discursos à padre antónio vieira, ou nas reconstruções de histórias com um léxico antigo local e uma pronúncia particular. aqui vimos apenas alguém, que gosta do exercício criativo, a pegar no mote para fazer uma outra coisa. quando olhamos para a segunda versão já estamos a olhar o daniel, e do ponto de vista do que é o daniel escrito. a apropriação como exercício é apenas um exemplo comum da actuação de um amante da escrita, criativo, e que se tenha formado como pessoa por uma carreira no ensino. é procedimento normal e reflecte além disso um interesse pela peça que lhe dá alimento. é também arrogante, claro, porque além de ser um exercício crítico, é criativo. e a criatividade tem um lado narcísico que pressupõe o encontro com algo que supera o que existia até ali. e supera, porque há sempre um acrescento. acrescento que é de todos.

  12. Citação de “O Romance de Amadis” de Afonso Lopes Vieira.

    “Senhores, não nos demoraremos nos primeiros feitos do Donzel do Mar. Se me pusesse a contar todas as acções do herói, a história alongava-se tanto quanto se encurtava a vontade de a ouvir.”

  13. Tese de Mestrado??????????
    Clara Rocha, Silvina Rodrigues Lopes e António Cândido Franco?????????????????????
    E quem é o autor dessa tese de que ninguém nunca ouviu falar????? Existe??????????
    Em que universidade??????? Em que faculdade????????????
    E já agora que obra é que o Zézinho tem para mostrar à gente?????? Meia dúzia de livrecos em edição de autor de que nunca ninguem ouviu falar. Eu nunca vi nas livrarias nada deste Zé Xico. Alguém aqui viu?

    Eu também posso dizer que já fizeram uma tese de Doutoramento sobre os meus lindos olhos ou sobre o email que mandei ao meu primo!!

  14. «Basta pensar que os professores universitários Clara Rocha, Silvina Rodrigues Lopes e António Cândido Franco não perderam nenhum tempo com isso quando discutiram a tese de mestrado sobre a minha obra. Falaram apenas de coisas substanciais e importantes que integram a tese de mestrado do escritor Ruy Ventura.»

    Isto é, como é óbvio, um valentíssimo disparate, JCF. Estes três professores universitários discutiram não a tua obra, mas uma prova académica (uma Tese de Mestrado) sobre a tua obra, o que é muito diferente e faz com que a tua argumentação não tenha ponta por onde se lhe pegue. Como é óbvio, basta que o âmbito dessa tese não aborde os aspectos métricos da poesia para que eles, de facto, não perdessem tempo sobre o assunto. Ou estarás a tentar dizer que a tua obra é tão pobre que uma simples tese de Mestrado consegue abranger todos os seus aspectos? Por fim, se estás tão seguro das tuas capacidades poéticas, se a tua obra está imune a qualquer contribuição dos que a lêem, fica a pergunta: para quê publicar os teus textos no HTML? Para inchar ainda mais o teu ego? Enfim, também não vejo nenhum mal nisto, mas seria giro teres consciência desse teu estatuto irrisório.

  15. Como a ignorância é muito atrevida, acrescento que o José do Carmo Francisco tem mais de uma dezena de obras publicadas, quase todas de poesia, acho que nenhum é edição de autor.

    Em 1980 ganhou o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores.

    E a tese de mestrado de Ruy Ventura sobre José do Carmo Francisco, também existe, e está publicada em livro…

    Não há dúvida, que além de ignorância, há outras coisas, ainda mais feias, que caracterizam muito a pequenez portuguesa, como muito bem nos explica José Gil…

  16. Luís Eme, cada um tem direito à sua opinião. Há quem não goste de Saramago ou de Agustina enquanto escritores. Quanto à pequenez, Luís, facto redutor e desculpa mal amanhada que dás para todos quanto não concordam com algo expresso, prosaica ou poeticamente, pelo jcf.

  17. Não sei se lês a caixa de comentários, Cláudia. Houve alguém que duvidou da existência de obra de JCF e até da existência de uma tese de mestrado sobre a sua obra (disfarçado de sebe & aluviões).

    Só expliquei que a obra do JCF e a tese existe.

    Nunca falei do gostar ou não gostar da poesia do JCF (que é pessoal)… mas adianto que quando não gostamos não precisamos de adjectivar as pessoas sobre coisas que não têm nada que ver com um poema…

    E duvidas, que somos uma cambada de invejosos?

  18. Não sei se se lembram mas eu fui convidado a entrar mo «aspirinab» porque o Fernando Venâncio achou piada a uma crónica minha com o título sugestivo de «Não ponha esse indivíduo tão alto que ele nem é licenciado!». Vai dar ao mesmo.

  19. Luís Eme, acho que o nosso único ponto comum é que ambos falamos português. Mais nada. E se querem a minha opinião sincera: enfiem as teses de mestrado e doutoramento no rego da horta da vizinha ao lado. Espero que vos sejam de grande utilidade, nem que seja para usufruirem de um 1º lugar na Arte do Gabanço.

  20. Já viram que «sebes e aluviões» é o título de um livro do Joaquim Magalhães? Gato de fora com o rabo escondido…

  21. Já percebi há muito que o José do Carmo está a mais neste blogue que se vai tornando cada vez mais um saco de gatos ou um pote de veneno. Pode-se gostar ou não do que escreve, mas como realçou luís eme é um autor com uma obra consistente publicada, reconhecida aliás por gente muito informada e relevante da nossa praça.
    Quanto à tese de mestrado sobre a obra dele, que JCF fez bem realçar (o que é um crime neste país de hipócritas barrados com a merda da falsa modéstia), também foi publicada. O seu autor, Ruy Ventura, tal como ele, ganhou o prémio revelação poesia da APE e tem livros suficientes para não ser um desconhecido, a não ser por quem quer escurecê-lo a ele e a muitos outros escritores que não vergam a espinha. Quem tiver dúvidas veja o site http://www.ruyventura.blogspot.com

    José, não tenho o prazer de conhecê-lo, mas se me permite um conselho, mande estes gajos às urtigas! Nem merecem respostas suas!

  22. oh Anastácia, já agora tenho curiosidade: sempre se conseguiu nomear a condição de convergência como sendo Da Cunha-Cauchy?

  23. anastacinha, a seguir a «com» é sem ponto. já corrigi o link. podes agradecer-me de duas maneiras: manda um presuntinho para o mail do aspirina ou arranja alguma imaginação.

  24. Isto das sebes e dos aluviões vai tudo para a reciclagem, a compostagem que é outro nome para o lixo. Nós seguimos em frente. Parecem atrevidos mas não passam de malandrecos. Pobres.

  25. E afinal, ó doutos exemplares desta “apagada e vil tristeza” (a intelectual) e doutras mil de que se morre em Portugal, já chegaram a alguma conclusão sobre o sexo dos anjos?

    Quando lá chegarem, comuniquem.

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