Coisas do Carvalho

Manuel Carvalho está feliz da vida porque viu mais um dos seus alvos a ser enjaulado no Ministério Público – Como explicar o “inexplicável” a Azeredo Lopes – o que lhe permitiu citar-se a si próprio, o desporto favorito dos caluniadores profissionais. O seu entusiasmo está todo investido no tiro ao ex-ministro da Defesa, saber quem roubou e quem fez e deixou fazer realmente o quê em Tancos, do magala ao general, não é a sua praia. Eis, exacta e sistemicamente, o filme do BPN, CGD e BCP quando a direita ocupa o palco e manda foguetes, as manobras de diversão contra quem se limitou a tentar resolver problemas que não causou nem podia ter evitado.

Conseguir celebrar o estatuto de arguido de Azeredo Lopes sem fazer uma singela referência às declarações do tenente-general António Martins Pereira, do coronel Luís Vieira e do Comandante Supremo das Forças Armadas é um feito digno do director que inventou escabrosas e dementes mentiras sobre Vítor Constâncio e o Banco de Portugal. Falar de Tancos apagando a inerente, complexa e incontornável distância institucional entre o Governo e o Exército para assim assumir raivosamente a posição de adversário político fingindo que se está a fazer algo remotamente congénere do jornalismo fica bem a um título que, pelas próprias palavras de Vicente Jorge Silva, assumiu o destino de pasquim.

Não se ter demitido, nem ter sido demitido, depois de mandar publicar que «Constâncio autorizou Berardo a ir levantar 350 milhões à Caixa / Banco de Portugal aprovou investimento de Berardo no BCP com crédito tóxico da Caixa / Ex-governador disse no Parlamento que não sabia de nada» é que fica como inenarrável ópera-bufa para a história da imprensa em Portugal.

4 thoughts on “Coisas do Carvalho”

  1. Coisas dos Tuga Paóis.
    Quando 15 dias depois do caso conhecido, resolvido por duas/três vias.
    a) Ministro e Chefe do Exército out;
    b) Ministra da Justiça, ou PGR com as PJ e PJM: juízo ás duas;
    c) Prosseguindo as averiguações, até chegar aos autores do caso.
    CI no Parlamento: um acto de contrição, por anos e décadas de inércia, perante o estado da Defesa/FFAA.
    Para que servem as FFAA, para fazer o Quê e Como?
    Nada que um profundo Estudo encomendado na Varanda do Restelo, como o surgido há pouco, não resolva: o habitual.
    A bem do Regime.

  2. E, com isto tudo, saiu discretamente dos noticiários a investigação do MP ao financiamento encapotado do BES, via Salgado e companhia, à candidatura à reeleição de Cavaco. BES que, relembre-se, já tinha estado na origem da candidatura inicial, aquando do badalado jantar em casa de Salgado, em que, segundo os media (https://www.publico.pt/2014/10/19/economia/noticia/cronica-do-fim-do-imperio-1673213) , participaram Salgado e mulher, Cavaco e mulher, Rebelo de Sousa e namorada (?) e, last but no the least, Durão Barroso, então Primeiro Ministro, e mulher, com o objetivo de convencer Cavaco avançar para a presidência. O que não se diria hoje se Salgado tivesse organizado um jantar com um Primeiro Ministro do PS para lançar uma candidatura de alguém do PS à presidência…

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