23 thoughts on “Brasil rules”

  1. será uma possibilidade, Marco. mas acredito que a intenção de mudança cultural, sem aquela coisa de obrigatoriedade legal visto que não há fiscalização, resultará em efeito igual à intenção, isto é, uma tomada de consciência por atitute de responsabilidade partilhada – que se for bem entendida avançará essa parte do contorno manhoso e cairá no saco da responsabilidade social. é que, agora mais do que nunca, a empresa da modernidade procura o culto da sua imagem.

  2. Dizia-se assim nos anos 50:quando chegarmos ao ano 2000, a mulher carrega no botão, a máquina faz tudo e o homem não faz nada.

    Estamos quase lá!

  3. Bem, o Marco propõe o quê ? Que se aprove um salario minimo especifico para as mulheres, inferior de 10 % ?

    Eu nem sei o que é mais confrangedor, se considerar que ele pensou antes de comentar, se considerar que foi um lapso…

    Safa !

  4. João Viegas, eu tenho que propor alguma coisa?

    Estou a constatar um facto: as empresas, com medo de serem multadas, passam a contratar menos mulheres, fazendo-as passar por critérios de admissão muito mais apertados do que os homens.

    É o género de legislação estúpida que tem um efeito perverso, contrário ao espírito com que foi feita.

    Vamos imaginar uma empresa de mudanças, cujos funcionários são premiados e promovidos baseados exclusivamente no mérito e produtividade (como deviam ser todas as empresas). Assumindo que a distribuição de funcionários é equitativa, ao longo do tempo, e devido as próprias diferenças morfológicas entre géneros, as médias salariais serão, forçosamente, diferentes.

    Este empresa, com a tal lei, seria eventualmente multada. Resultado prático: deixam de contratar mulheres ou (cá está o tal efeito perverso) as mulheres têm de passar por um processo de selecção mais apertado, para garantir que a sua força e resistência está na média dos homens já contratados, consistindo, isto sim, numa discriminação absurda.

    Posso multiplicar este exemplo por dezenas de ramos de actividade, com penalização para ambos os géneros.

  5. Pior a emenda que o soneto…

    Hoje em dia a discriminação na contratação é, ja, uma ilegalidade que pode custar caro a uma empresa. Você esta a sugerir que a empresa vai sistematicamente cometer discriminações na contratação, para não correr o risco de ser condenada por pagar mais a um homem do que a uma mulher que exerce a mesmissima função ?

    Tenha juizo.

    A barbaridade do seu comentario não é uma minudência, nem é apenas juridica.

    Literalmente, v. esta a dizer que acha normal – ou sera inevitavel ? – uma empresa pagar menos uma mulher por um trabalho idêntico ao de um homem.

    Por comiseração, nem sequer vou comentar as suas considerações sobre as médias salariais necessariamente diferentes em razão das “diferenças morfologicas”. “Diferenças morfologicas” que possam justificar uma diferença de qualificações e de salario, até acredito que haja e v. demonstra perfeitamente que elas existem. Não têm é rigorosamente nada a ver com o sexo…

    Isto so visto !

  6. Oh João Viegas, você é atrasado mental? Ora leia lá com atenção o que eu escrevi.

    Eu não estou a sugerir, eu estou a dizer, com as letras todas, que as empresas vão cometer discriminações na contratação para evitarem serem multadas mais tarde.

    Executar “a mesmíssima função” implica que essa função seja executada com o mesmo grau de eficácia e proficiência. É impossível, em média, uma mulher transportar tantos, e tão pesados, caixotes como um homem. Tem precisamente que ver com as características morfológicas dos géneros. É impossível (em média) a um homem fazer a esparregata tão bem como uma mulher, e é por isso que as companhias de bailado têm muito mais mulheres que homens. E, em média, sempre em média, as mulheres são melhor pagas que os homens nas companhias de bailado (basta existir uma prima ballerina para desequilibrar logo a balança).

    Eu acho normal, inevitável e de incrível bom senso empresarial e moral, pagar menos a um trabalhador menos produtivo. O género não é para aqui chamado. Há casos onde são as mulheres, outros onde são homens, outros onde são os gordos, outros onde são os altos.

    Voltando ao caso da empresa de mudanças (eu até dei um exemplo extremamente concreto, para ver se entrava à primeira), eu acho muito bem que uma mulher ganhe o mesmo, ou mais, que os homens, se for capaz de executar o mesmo serviço da mesma meneira, ou melhor. Em média, isso não vai acontecer.

  7. Não sou atrasado mental (que eu saiba, pelo menos).

    A noticia menciona, como não podia deixar de ser, que se trata de punir as empresas que paguem menos a uma mulher que exerce a mesma função (do que um homem). Isto, como é obvio, aplica-se também a bailarinos e, se caso fôr, a trabalhadoras das empresas de mudanças. Na Europa, as empresas ja estão obrigadas a isso mesmo.

    Ah, ja me esquecia : existem mulheres que exercem funções idênticas aos homens e que são também abrangidas pelo principio de igualdade e de não discriminação.

    Veja por exemplo o que acontece no terceiro planeta do sistema solar (a contar do Sol)…

    Boas

  8. tudo o que o Marco diz, JV, diz muito bem -homens e mulheres são, e muito, fisicamente diferentes. a questão é que a lei, sendo generalista, só é aplicada mediante o bom senso: qual é a mulher que se candidata a um lugar de movimentação de cargas se sabe que não consegue fazê-lo nas mesmas condições que um homem, em primeiro lugar, e depois que irá queixar-se por ter consciência disso – o que será ainda mais raro porque uma empresa irá, obviamente, optar por não a contratar e preferir aquele que melhor se enquadra na função. também podemos entender que a lei se refere a casos onde a regra prevalece – nos casos onde a aptidão é, de facto, igual – e não a excepção.

  9. Que parvoice ! Voltamos ao século XIX ou quê ?

    Existem profissões, que mercê das diferenças fisiologicas (e não so, ja agora, também sociologicas, culturais, etc) são mais procuradas por homens, ou por mulheres. Por exemplo as profissões juridicas conheceram uma enorme feminização nas ultimas décadas. Existem também, embora sejam muito raras, profissões exclusivamente femininas e profissões exclusivamente masculinas.

    O que é que o cu tem a ver com as calças ?

    O que a nova lei brasileira pretende fazer, de acordo com o principio de igualdade que vigora também na Europa e que é aplicado todos os dias nos tribunais, é sancionar as disparidades de salarios entre mulheres e homens que exercem as mesmas funções.

    Se uma mulher concorreu a um posto de trabalho numa empresa de mudanças, e se foi contratada, ainda que seja para um trabalho fisico (nada de impossivel, conheço muitas mulheres que fariam isso muito melhor do que eu, que sou um homem), nada justifica que ela seja paga menos do que um colega masculino.

    E a qualidade do desempenho também não tem nada a ver. As empresas que paguem mais a um homem porque trabalha melhor (ou alias a uma mulher, porque não) não vão ser penalizadas por isso. Posto que a diferença seja justificada pela diferença no desempenho…

    Estamos apenas a falar de uma lei que sanciona penalmente o respeito de uma norma que vigora (na Europa) ha ja muitos anos.

    A unica coisa que consigo entender nos vossos comentarios é que os homens e as mulheres são iguais, também, ou podem sê-lo, na forma preconceituosa de reagir a uma noticia bastante simples de entender… (Isto partindo do principio que o Marco é um homem e a Olinda uma mulher)

    Boas

  10. Olinda, bem haja. Já começava a pensar se seria eu que não me estava a “espremer” convenientemente.

    O problema com a aplicações da lei “mediante o bom senso” é este: os fiscalizadores das leis não são exactamente conhecidos pelo seu bom senso. Cabe aos legisladores fazerem leis o mais claras e concisas possível para que não haja lugar a essa aplicação (ou falta de).

    Uma lei destas tem efeitos perversos. Aliás, qualquer lei de discriminação positiva tem efeitos perversos, que podem, ou não, ultrapassar os benefícios. Aqui, claramente, ultrapassam.

  11. sim: a Olinda é feminina em tudo o que o feminino tem – e só – de bom. isso que dizes já está mais que entendido, até porque é básico. um outro patamar é o de interpretar outras ramificações, bem pertimentes, da questão em que ovários e testículos estão em pé de igualdade. tranquilos.

    .

  12. os legisladores são um óptimo exemplo para os pequenos males do mundo: são teóricos com teorias em forma de secretária – são como os professores universitários que falam de estudos de caso sem nunca terem tido real contacto no mercado empresarial. são, resumindo, uns fala-barato cheiinhos de vaidade gratuita em mudar o mundo.

    (os verbos e as teorias sem acção prestam para nada, são uns impotentes.)

  13. Só porque a conversa já começava a cheirar mal, deixei de lado os jornais e fui direitinho à fonte.

    Acontece que a única coisa que muda é a multa. Basicamente a regra já existia, mas não estava sujeita a penalização no caso da infracção. No entanto, não é, nem pouco mais ou menos, o que as notícias dão a entender.

    A multa aplica-se à infracção do ponto III do artigo 373-A, que reza assim: “considerar o sexo, a idade, a cor ou situação familiar como variável determinante para fins de remuneração, formação profissional e oportunidades de ascensão profissional;”

    Isto é, continua a ser possível ter remunerações diferenciadas para trabalhadores mais e menos eficazes. Mesmo que os menos eficazes sejam mulheres. Que era, afinal, o que eu estava a dizer desde o início.

    Porque é que a aplicação de uma multa por uma regra que já existe de 1999 é notícia, lá e cá, é algo que me ultrapassa.

  14. Desengane-se caro Marco, isto esta a cheirar cada vez pior !

    1. A noticia não fala em parte nenhuma em remunerações diferentes em razão da eficacia dos trabalhadores. Fala em multar as empresas que pagam menos a mulheres do que aos homens que exercem as mesmas funções. A minha filha de 11 anos percebe a noticia. E repare que ela não é ajudada pelo sexo com que nasceu à partida, coitadinha…

    2. O seu ultimo comentario torna ainda mais obvio a razão de ser do primeiro que você fez. Inconscientemente, você tera pensado : as mulheres são menos pagas do que os homens ? So pode ser porque são menos eficazes. Vamos mudar isto por lei ? E porque não uma lei a sancionar o Sol por se levantar de manhã ? Bonito.

    3. No final das suas trapalhadas (peço desculpa, mas não são outra coisa), vem a pergunta “Porque é que a aplicação de uma multa por uma regra que já existe de 1999 é notícia, lá e cá, é algo que me ultrapassa”. Ora bem, por uma razão muito simples : porque a regra não é (suficientemente) cumprida na pratica…

    4. O que nos leva à questão pratica, que foi salvo erro a primeira que você levantou. Na pratica, a igualdade de papel não chega, porque o mundo esta cheio de Marcos que acham que se as mulheres são mal pagas (uma verdade estatistica e pratica, pergunte às mulheres que conhece), so pode ser porque não prestam grande coisa. Ainda bem que existem tribunais que sancionam a regra de igualdade efectiva, e governantes que estão empenhados em aprovar mais leis neste sentido, mesmo penais.

    5. Por falar nisso, Dilma, por acaso, não é nome de mulher ? E ela conseguiu aguentar aquele stress todo de uma campanha eleitoral, e ganhar ainda por cima ? Com aquele corpito fracote ? Eu acho que ela beneficiou de uma cunha do Lula e que esta agora a querer assegurar o lugar, por lei.

    Boas !

  15. Certeza, certeza, não tenho. Posso investigar. Mas se me der licença, vou fiar-me noutras opiniões do que a sua.

    Admito que os meus comentarios sejam um pouco bruscos quanto à forma, mas também, caramba, os seus (quanto ao fundo) não pedem menos. Por favor, releia o que v. escreveu e considere uns minutitos a hipotese de uma pessoa ler mesmo o que la esta escrito…

    A desigualdade salarial entre homens e mulheres não é uma questão académica, nem secundaria, meu caro, muito longe disso…

    Boas

  16. João, só continuo a perguntar, porque continua a ler coisas que eu não escrevi. Mais, até considera ter dotes adivinhatórios sobre o meu inconsciente, vejam bem.

    Eu não disse nada disso. Eu não escrevi nada disso. Eu não pensei nada disso. E o meu subconsciente está bastante recheado de várias mulheres com carreiras de sucesso à minha volta, a começar na minha esposa, passando pela minha irmã, e acabando em várias amigas, para eu supor, sequer, que uma mulher seja incompetente só por ser mulher.

    Mas o João continua a ver fantasmas onde eles não existem, o que só leva a supor uma enfermidade mental, ou abuso continuado de psicotrópicos.

  17. Tudo bem caro Marco,

    Por esta altura, penso que v. ja tera reconhecido que a lei da Dilma, se calhar, até nem é tão ma ideia como isso.

    Quanto ao resto, admito perfeitamente que eu possa ter visto nos seus comentarios o que não esta la (so não falho quando leio textos escritos pelo Valupi). Por exemplo, apos ter ficado a saber que você vive rodeado de mulheres com carreiras de sucesso, julgo poder explicar o nosso mal-entendido pelo facto de você não conhecer nenhum caso de mulher que preenche a mesma função do que um homem, com as mesmas qualidades senão mesmo com melhor desempenho, e que apesar disso recebe um salario inferior em 15 %.

    Pois fique o meu amigo sabendo que essas situações existem.

    E que não são poucas.

    Boas

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