Assino por baixo

Não partilho do coro de protestos pelo saneamento político de António Mega Ferreira. Cumpriu até ao fim o seu mandato e foi substituído. Foi uma nomeação política? Pois foi como terá sido a de Mega Ferreira. É da competência do poder político fazer essas nomeações. Mas o que me causa pena é ver que o PS, pela educadíssima e pausada voz do seu líder, em vez de fazer oposição política à concretização de uma ideologia retrógrada, conservadora, de desmantelamento das funções dos estado, mais precisamente as da saúde, educação e segurança social, de alienação de sectores chave para a soberania, de não acautelamento da liberdade e da independência da informação, do autoritarismo fiscal, etc., tenha escolhido esta bravata de Graça Moura para fingir que é oposição.

Sofia Loureiro dos Santos

25 thoughts on “Assino por baixo”

  1. o mega foi reconduzido mas quando o melga soube o mike voltou com a palavra atrás. o da antena 1 é que deu chinfrineira sem motivo. baralham esta merda toda.

  2. agora é que aquilo está bom com o campos e cunha, o pinamonti, o lagarto, a fera da costa e brigitte bardot, chefiados pelo caceteiro vasco, uns chulam e os outros acumulam reformas. quem se deve estar a roer é o paneleirote que ainda só consegui um tacho… de chanfana.

  3. o problema deste país é que todos assinam por baixo sem ler ou conhecer o objecto do contracto, depois queixem-se à deco ou ao provedor anaclecto. e quem não assina é reaça?

  4. Evito, por princípio, responder a anónimos. O anónimo é, salvos raras excepções (que não conheço), uma mistura de verme, coliforme fecal e resíduo tóxico, tudo “entidades” com as quais qualquer conversa é desaconselhável. Mas desta vez tenho de reconhecer que o anónimo das 11.36 tem razão, pelo menos no que a mim diz respeito.
    Quando botei a minha assinatura na transcrição de Sofia Loureiro dos Santos, pequei ao não seguir o link que o Valupi disponibilizou e ler o texto completo. Lida a prosa, a minha posição é de total discordância. Sofia Loureiro dos Santos desaprova o Acordo, mas acha que o respeitinho pela lei é muito bonito e, por isso, o Vasco Graça Moura tinha mesmo era de baixar a bolinha, deitar para a sanita anos de pública discordância e militância e gozar confortavelmente as mordomias do novo cargo.
    Se tal argumentação valesse um caracol, não teríamos 25 de Abril nem 5 de Outubro, entre muitas outras coisas. Assino por baixo do parágrafo transcrito pelo Valupi, mas o resto, para mim, é lixo. A Sofia tem, porém, o mérito de assinar aquilo que escreve, permitindo-nos concordar ou discordar de uma pessoa e não de um resíduo.

  5. Estou quase a concordar com o Joaquim Camacho neste assunto algo complexo: eu também discordo do Acordo Ortográfico, talvez não o aceite pessoalmente, mas isso não significa que o possa considerar ilegítimo! Em tempos, também não concordava com o limite de velocidade de 50 km/h na Segunda Circular, mas quando não o cumpri e fui apanhado, tive mesmo de pagar a multa (por ironia, meses depois a C. M. Lx. “dar-me-ia razão” e corrigiria o óbvio disparate…).

    Queiramos ou não, o Acordo foi mesmo assinado e Graça Moura não tem qualquer legitimidade para obrigar a Instituição que agora dirige a não o aplicar. Quanto muito, pode é tolerar que quem assim o entender possa continuar a usar a Ortografia anterior, mas nunca deveria ter “desinstalado” o corrector informático, que não obriga ninguém a prestar-lhe atenção!

    Trata-se, portanto, de um abuso de autoridade, que deveria ser de imediato sancionado, políticamente. E se o começo da “nova era” do CCB é logo marcado por um tique de autoritarismo estéril, pacóvio e egocêntrico como este, imagina-se tudo o que se seguirá…

    Quanto ao resto do texto, a crítica principal de Sofia Loureiro dos Santos parece-me ser quanto às escolhas de Tó-Zé Seguro para marcar a sua agenda. E aí concordo com ela que são, no mínimo, infelizes e ridículas.

    Por último, discordo apenas de Joaquim Camacho quando afirma não gostar de discutir com “anónimos”. O anonimato em si não encerra nenhum mal intrínseco, para além de que o Joaquim Camacho, para a generalidade dos leitores, não passa, como eu, de um vulgar anónimo.

  6. aparentemente houve convite e desconvite, o que é censurável.

    “Além disso, os membros do Conselho reprovaram eticamente a forma como a Secretaria de Estado da Cultura conduziu o processo, por alegadamente ter, numa primeira fase, garantido a recondução de Mega Ferreira e depois invocar a impossibilidade política da recondução.”

    Ler mais:
    http://aeiou.expresso.pt/conselho-diretivo-do-ccb-demite-se-em-bloco=f701553#ixzz1ldDj8zp3

    oh camacho! só não te respondo porque disseste nada. a minha avó tamém me ensinou os riscos de falar com anónimos, portantes fazes bem, com a virgindade não se facilita.

    obrigadinho oh alves! mas ainda não foi desta que o gajo descobriu que é burro.

  7. Caro Marco Alberto Alves, eu sei que os nossos nomes podiam até ser pseudónimos, mas não é esse o meu caso e julgo que não será o seu. O meu problema com os anónimos é a tendência doentia que têm para a insinuação insultuosa, mais ainda que para o insulto directo, a coberto da sensação cobarde de impunidade que o anonimato lhes dá. Lembram-me aqueles tipos que vão para cima dos viadutos atirar pedras aos carros que passam na auto-estrada. Por que razão o fazem? Pois porque sim, porque podem, porque é natural os vermes não gostarem de pessoas. Era igualmente o caso dos bufos que escreviam “patrióticas” cartinhas à PIDE sobre gente que geralmente não lhes tinha feito mal nenhum. As consequências nas caixas de comentários não têm a mesma gravidade, mas o espírito que os anima é o mesmo. Eu, quando é preciso, também sou capaz de insultar, como o Marco viu acima, mas assino por baixo.
    Quanto ao Vasco Graça Moura e ao Acordo Ortográfico (que acho um completo e desnecessário disparate), lamento mas o meu amigo interpretou-me mal. Do texto de Sofia Loureiro dos Santos, a única coisa que assino por baixo é o parágrafo transcrito pelo Valupi. Quanto ao resto, estou em completo desacordo.
    Apoio totalmente a atitude do Vasco Graça Moura, que, ao contrário do que muita gente tem vindo a dizer, é não só legal como legalmente mais defensável e rigorosa do que a imposição do AO a mata-cavalos que vem sendo oficialmente adoptada. É isso, aliás, que VGM há muito defende, com argumentos sólidos, e a coerência de que agora deu provas só me merece respeito. A actual barragem de artilharia contra VGM nada tem a ver com o Acordo, nem sequer com política digna desse nome. É um pretexto politiqueiro reles e oportunista e eu, como homem de esquerda que sou, envergonho-me de que muita gente de esquerda alinhe nisso. Se o rei vai nu, a atitude certa é apregoá-lo aos quatro ventos. Por isso considero errado negar esse direito a VGM. Dos que agora o fazem, a maioria fá-lo porque não o grama, porque acha que o homem é um reaça arrogante e execrável e, finalmente, porque acredita com firmeza que o lugar que lhe ofereceram no CCB foi uma recompensa por serviços prestados pela sua verrinosa pena nas páginas do DN, entre outros locais. E para que fique clara a distinção que faço entre o que tenho por correcto e as minhas opiniões pessoais, aproveito para dizer, em relação a Vasco Graça Moura, e não podendo nem querendo negar os inúmeros méritos que possui, nomeadamente como poeta e homem de cultura, que estou politicamente nos antípodas, também eu não o gramo nem à lei da bala, acho que o homem é um reaça arrogante e execrável e acredito firmemente que o lugar que lhe ofereceram no CCB foi uma recompensa por serviços prestados pela sua verrinosa pena nas páginas do DN, entre outros locais.
    Mas não é razoável negar que o preto é preto e o branco é branco, só porque é VGM a lembrar-se de verbalizar a evidência e a actuar em conformidade. Repito o que disse no comentário a que o Marco se refere, a propósito da hipotética (mas falsa) obrigação legal de respeito pelo AO: se tal argumentação valesse um caracol, não teríamos 25 de Abril nem 5 de Outubro, entre muitas outras coisas.
    O parágrafo de Sofia Loureiro dos Santos que assino por baixo tem a ver com António José Seguro, pessoa sobre a qual a minha opinião se reforça de dia para dia: o homem é politicamente nabiço, intelectualmente indigente e oportunista e moralmente repelente, como o provam as suas recentes declarações sobre o acordo com a troika. À falta de capacidade para combater o que devia considerar o verdadeiro adversário (Passos Coelho e sua quadrilha), a criatura continua a fazer oposição ao seu antecessor no partido. É como aquele menino que leva um calduço de um colega, na escola, engole em seco e quando chega a casa vai bater no irmão mais novo. Como aqui disse há alguns meses o Valupi, não passa de um molusco.

  8. entre o nabo do seguro e o fachista graça moura não há hesitações, não tarda o saudosismo ortográfico começa a berrar pelo salazar com o ccb (candidatura cavaco belém) a patrocinar.
    oh escalracho! continuas a dizer nada, excepto asneiras.

  9. Caro Joaquim Camacho,
    antes de mais, obrigado pelo esclarecimento.

    Agora compreendo melhor o seu ponto de vista, que é não só respeitável como louvável. Eu próprio confesso que não estou a ser totalmente imune à feroz discordância que mantenho com o pensamento político e a atitude cívica de V. Gr. Moura, que tão bem descreve na sua resposta, quando analiso a sua recente decisão quanto ao AO.

    Mas apesar de reconhecer a qualidade dos seus argumentos, o que implica alguma consideração moral pela tomada de posição do novo Presidente do CCB, continuo convencido de que a sua “cruzada” em defesa da Ortografi portuguesa pré-AO perde elevação e legitimidade ao ser imposta não pela argumentação convicta e informada, mas pela força da autoridade.

    Assim aplicado, amigo Joaquim, qualquer Bem se transforma rápidamente num Mal, como qualquer Pai (ou Mãe) logo descobre nos primeiros meses de vida das suas crias, quando começam as suas complexas atribulações como educador(a)…

  10. mais um a assinar na toalha. não tarda temos grupos de resistência armada contra o acordo chefiados por uma tradução de dante. será que estes abortos não enxergam que só acorda quem quer ou andam armados em isildas pegado e querem impôr aos outros como se escreve.

  11. tá bem abelha! dorme descansado que ninguém é obrigado a acordar e muito menos a comprar despertador ortográfico. o pugressismo tem destas coisas, ficam víciados em ipods, imacs, iphones e depois custa-lhes largar a idiotice. xau que faz tarde e prá próxima chuta com argumentos, dispenso os lençóis eróticos do show lésbico com o escalracho.

  12. Caro Marco Alberto Alves,

    Compreendo bem que a linguagem insultuosa de VGM na sua intervenção política, mais do que a trincheira que defende, prejudica a aceitação de posições correctas que por vezes toma (como acho que é o caso do AO). Penso, porém, que a honestidade intelectual e o respeito pelo debate de ideias (independentemente dos seus conjunturais e por vezes lamentáveis intérpretes) merecem o esforço. Quanto mais não seja porque é uma postura que até VGM é capaz de adoptar. Veja, por exemplo, este texto dele sobre José Saramago, aquando da sua morte:

    http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1600319&seccao=Vasco Gra%E7a Moura&tag=Opini%E3o – Em Foco&page=-1

    É uma atitude intelectualmente honesta, que secundariza o que é secundário, no caso as posições políticas antagónicas de um e do outro. É um texto que vem, aliás, na sequência de outros com temática parcialmente coincidente, nomeadamente este, em que se fala de Deus… e mais uma vez de Saramago:

    http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1403304&seccao=Vasco Gra%E7a Moura&tag=Opini%E3o – Em Foco

    Ora se a inquestionável nobreza de tal atitude está ao alcance até de um pote de bílis como VGM, acho que não lhe podemos ficar atrás, mesmo que isso implique algum esforço. Escreve o Marco que «a sua [de VGM] “cruzada” em defesa da ortografia portuguesa pré-AO perde elevação e legitimidade ao ser imposta não pela argumentação convicta e informada, mas pela força da autoridade». Não posso concordar consigo. É nos defensores do AO, pelo contrário, que eu vejo, sem qualquer disfarce, o argumento da autoridade e da legalidade. O VGM está careca de usar essa «argumentação convicta e informada» em dezenas de escritos e intervenções em variadíssimos fóruns. Só no DN há uma carrada de textos que ajudam a entender a legalidade, correcção formal e coerência da atitude dele no CCB. Aqui vão alguns links, se acaso tiver paciência (e tempo) para lhes passar os olhos por cima:

    http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1929973&seccao=Vasco Gra%E7a Moura&tag=Opini%E3o – Em Foco&page=-1

    http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1953112&seccao=Vasco Gra%E7a Moura&tag=Opini%E3o – Em Foco&page=-1

    http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2290678&seccao=Vasco Gra%E7a Moura&tag=Opini%E3o – Em Foco&page=-1

    Entendo este AO como uma convergência azarada e desgraçada de interesses comerciais rasteiros, teimosia arrogante, miopia política, ignorância bacoca e uma carrada ainda maior de inércia, que deu ao processo um toque de irracionalidade para mim assustador, de tão absurda que se tornou a sua marcha inexorável. Posta a carroça em marcha, às tantas já ninguém sabia como pará-la. E quem não salta pelo AO é nacionalista primário, xenófobo e colonialista.
    O AO é um disparate sem qualquer das vantagens que lhe atribuem, como a da divulgação e aumento de influência da língua portuguesa no mundo. Nunca tive qualquer dificuldade em ler português do Brasil, cuja legitimidade é exactamente a mesma do português de Portugal ou de Angola, entre outros. O “sabor” do português brasileiro é diferente do português europeu e confesso que, para mim, muitas vezes mais agradável. Simplesmente são (e cada vez serão mais) diferentes e daí não vem mal nenhum ao mundo. A Babel mítica traduz a evolução natural das coisas e tentar contrariar isso por decreto, como é o caso deste AO da treta, é o mesmo que tentar engarrafar o vento.
    Na aprendizagem do português por um estrangeiro, não há Acordo que resolva o facto de que quando nós dizemos “apanhar uma boleia” os brasileiros dizem “pegar uma carona”; que “parto-te a cara” é “eu quebro sua cara”; “tenho a certeza” é “tenho certeza”; “ele ficou muito ferido” é “ele se machucou muito feio”; “vou apanhar-te” é “vou pegar você”; “amo-te” é “eu te amo” ou “eu amo você”; “o tipo disse-me” é “o cara me disse”; “olha para ele” é “dá uma olhada nele”, etc.
    Não há milagre de São Malaca Casteleiro que consiga uniformizar ou abolir esta salutar divergência, estes sabores próprios que resultam de cozinhas que usam ingredientes e utensílios diferentes.
    Perdoe-me se estou a tornar-me chato, mas aproveitei o pretexto desta “conversa” para sistematizar uma carrada de pontas soltas que me andavam a gripar as sinapses há uns tempos.

  13. Caro Joaquim Camacho, não tem de quê (e obrigado pelas interessantes sugestões de leitura).

    Não vou aqui abordar maçadoramente o Acordo Ortográfico (AO), sobre o qual parece até estarmos bastante de acordo, mas apenas o cerne da nossa discussão e o ponto em que divergimos: a atitude de V. Gr. Moura (VGM).

    A adopção do AO por Portugal pode ser discutível, mas nunca pode ser colocada a par da atitude censória de VGM enquanto Presidente do CCB. A autoridade do Governo sobre a matéria é inquestionável, discorde-se ou não (e procure-se revertê-la ou não)!

    Ora nada disto acontece com VGM, cuja opinião pessoal sobre o AO é totalmente IRRELEVANTE para efeitos do desempenho do seu novo cargo. NÃO está nas atribuições do Presidente do CCB decidir sobre o cumprimento ou não dos Acordos Internacionais celebrados e ratificados pelo Estado português. Se considera que a aplicação do AO ainda não é obrigatória, deve defendê-lo junto da sua tutela e implicá-la, responsabilizando-a, pela decisão a tomar quanto a este assunto.

    Sem isso, a sua atitude releva apenas de autoritarismo, prepotência e ressabiamento político. E não é por também não gostar das opções ortográficas do AO que vou fechar os olhos ao significado político e cultural desta atitude do novo “responsável” pelo CCB!

    Resumindo, os fins não justificam os meios. Pois é, sempre foi e sempre será. E VGM assim só prejudica a resolução do problema, colocando-o na esfera do conservadorismo versus progresso, onde nunca deveria ser posto, e criando aliás um sério engulho também ao Ministro Crato, pois não bastava os Alunos do Ensino Superior e Secundário terem agora de desaprender o que tiveram de esforçadamente aprender no Básico todo, como ainda terem de saír das Aulas de Língua Portuguesa com um teste (porventura mal classificado…) na mão e irem a seguir ouvir um Concerto num Centro Cultural onde se escreve da maneira que os seus belos Professores (e Computadores) já não admitem! Verdadeiramente epistememolólogico e cairológico, não haja dúvidas…

    E na volta vai-se a ver, quanto menos dúctil for o metal, mais depressa vai quebrar. Uma mera questão de tempo…

  14. É pura perda de tempo, pois aposto que o “erudicto” Vasco Graça Moura não petisca patavina de Resistência dos Materiais…

    Tivesse ele convivido mais de perto, na sua mocidade pré-epistemológica, com a doce noção de tensor das deformações, ou suspeitasse ele mínimamente do que é um esforço de corte, ou um estado-limite de tensão, e talvez tivesse maior moderação intelectual quanto arrota as suas postas de pescadinha-rabo-na-boca lá bem do fundo do piloro da sua arrogância estéril.

  15. É pura perda de tempo, pois aposto que o “erudicto” Vasco Graça Moura não petisca patavina de Resistência dos Materiais…

    Tivesse ele convivido mais de perto, na sua mocidade pré-epistemológica, com a doce noção de tensor das deformações, ou suspeitasse ele mínimamente do que é um esforço de corte, ou um estado-limite de tensão, e talvez tivesse maior moderação intelectual quando arrota as suas postas de pescadinha-de-rabo-na-boca lá bem do fundo do piloro da sua arrogância estéril.

  16. Caro Marco Alberto Alves,
    O que o VGM contesta, e eu secundo, é precisamente a tese de que “a autoridade do Governo sobre a matéria é inquestionável”. Não é. E há muito mais gente a dizê-lo e escrevê-lo, e a explicar porquê. Gente bem mais “simpática” e que não suscita os anticorpos que o desbocado arrogante do CCB imediatamente desperta, mas que sabe do que fala e o fundamenta com argumentos fortíssimos.
    Também não concordo quando o Marco diz que “NÃO está nas atribuições do Presidente do CCB decidir sobre o cumprimento ou não dos Acordos Internacionais celebrados e ratificados pelo Estado português”. Não é disso que se trata, não foi isso que ele fez. O cerne da questão, como ele e outros explicam, é que não estão reunidas as condições previstas nos próprios documentos sobre o AO assinados pelos países de língua oficial portuguesa para que ele entre oficialmente em vigor.
    Reitero o que antes disse: a regra chama-se Babel e a diversidade é uma mais-valia. A pseudo-uniformização do AO é empobrecedora e míope, como já percebi que o meu amigo até concorda. A língua que presentemente falamos, cá e em todos os países onde se usa o português, está cheia de palavras e expressões não nascidas aqui, e é também nisso que está a evolução natural e o enriquecimento da língua. Sabia que a palavra “quezília”, por exemplo, vem de Angola, do quimbundo? E que a sua integração no português levou a uma carrada de variantes, a saber: “quizília, quizila, quezila, quijila”? É neste enriquecimento progressivo que está o futuro da língua portuguesa, de qualquer língua, e não no aborto arrogante, estúpido e burocrático que dá pelo nome de Acordo Ortográfico. A atitude demissionária de muita gente em relação ao AO parece ser, infelizmente, a do tipo a quem pregam uma rasteira, percebe que está em risco de cair e, em vez de tentar agarrar-se a qualquer coisa que impeça a queda, a dá como inevitável e se preocupa apenas em evitar que a cabeça seja a primeira coisa a atingir a calçada. Penso que a “queda” é ainda evitável e para isso agarro-me ao que for preciso. Mesmo ao VGM, que por sinal até é uma “alavanca” bastante sólida e fiável para esse efeito.
    Pode ver a seguir o link para o editorial do “Jornal de Angola” (país que, tal como Moçambique, ainda não ratificou o AO) de que se falou nos últimos dias, mas, para lhe aguçar a curiosidade, deixo-lhe aqui alguns extractos que subscrevo sem reservas.

    http://jornaldeangola.sapo.ao/19/42/patrimonio_em_risco

    “A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante.
    Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.”

    “Escrevemos à nossa maneira, falamos com o nosso sotaque, desintegramos as regras à medida das nossas vivências, introduzimos no discurso as palavras que bebemos no leite das nossas Línguas Nacionais. Sabemos que somos falantes de uma língua que tem o Latim como matriz. Mas mesmo na origem existiu a via erudita e a via popular. Do “português tabeliónico” aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas. Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades.
    Queremos a Língua Portuguesa que brota da gramática e da sua matriz latina.”

    “Os falantes da Língua Portuguesa que sabem menos, têm de ser ajudados a saber mais. E quando souberem o suficiente vão escrever correctamente em português. Falar é outra coisa. O português falado em Angola tem características específicas e varia de província para província. Tem uma beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas também para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo, em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas. Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. A escrita é “contaminada” pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais, não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de um qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras.”

    Já estou a ver o Malaca Casteleiro e os mercadores do costume: “Et tu, Angola?”

  17. Caro Joaquim,

    se levarmos a sua determinação a sério, teremos que forçar então o Governo a romper o Acordo Internacional que celebrou. Haverá coragem política para tanto?

    É que, das duas, uma, ou há e não se fala mais nisso, ou há apenas a garganta dos velhos do restelo (e estou a incluír-me a mim, que não penso aderir ao AO pessoalmente) e vamos criar uma situação ridícula e humilhante, para a Língua Portuguesa, que é haver uma dupla ortografia oficial por inércia política e diplomática! Não se esqueça de que, entretanto, todos os portuguesinhos que frequentam o Ensino Básico (e eu tenho dois já na calha, ainda no Jardim de Infância, mas onde um dos quais já começa a escrever, que um dia se irão fatalmente rir da minha escrita, como eu outrora me ria do “quasi” e do “gaz” da minha Mãe…) estão, neste preciso momento, a falar de linhas retas, de triângulos retângulos, de energia eletrostática e da correção dos trabalhos de casa. Vejo que, a isto, o meu amigo disse nada.

    E a discussão sobre a Ortografia é tão interminável quanto pode tormar-se nefasta para a defesa da Língua. Ainda hoje ouvi um distinto Professor, que até é o actual Dir. da Fac. de Letras de Lisboa (Ant.º Feijó), a perorar na TSF defendendo que ele está contra o AO por uma simples razão: se o Estado não quer possuir empresas de electricidade, então também não tem o direito de legislar sobre consoantes mudas!

    A seguir a sua linha de “raciocínio” e, de preferência, com alguns conhecimentos de Lógica formal superiores aos que são requeridos para frequentar, concluir e leccionar cursos de Humanidades, teríamos de admitir que o Estado só tem legitimidade para legislar sobre o que quer que fosse quando fosse o dono de uma Barbearia. Ou, talvez, de uma grande Sapataria, onde todos alegremente tocassem rabecão…

  18. Caro Marco,

    Para não reduzirmos a questão do AO a VGM e seu “desrespeito pela lei”, lembro-lhe que há muito mais gente qualificada que julga ainda possível eliminar o aborto. Isto para responder à sua primeira pergunta. Os acordos e tratados internacionais têm habitualmente justificações ou explicações históricas significativas, o que não é sequer o caso do AO, que, como já aqui disse, resultou de uma “convergência azarada e desgraçada de interesses comerciais rasteiros, teimosia arrogante, miopia política, ignorância bacoca e uma carrada ainda maior de inércia”. Este AO não responde a qualquer necessidade real, nem sequer aos interesses subjacentes à lógica mercantilista primária alegada por algumas luminárias que o inventaram. E ainda mal começou a nadar, pelo que estamos muito a tempo de lhe empurrar a cabeça para debaixo de água e afogá-lo à nascença. Pois se até o Tratado de Tordesilhas e o Pacto Ribbentrop-Molotov (que respondiam a circunstâncias históricas e políticas concretas) foram à vida, porque não o aborto que quase ninguém quer?
    Quanto aos problemas concretos a que o meu amigo afirma que eu “disse nada”, acredito, antes de mais, que brinca quando diz que outrora se ria do “quasi” e do “gaz” de sua mãe e não imagino os seus filhos a rirem-se de si por motivos semelhantes. Ainda ontem estive a reler um livro de um tio-avô, editado em 1925, a transbordar de exemplos desses, e digo-lhe que não só não me ri como quase nem dei por eles, dado o imenso prazer que a leitura me proporcionou. Mas não consigo evitar o desconforto ao ler “corretor” em vez de “corrector”, “andamos” no lugar de “andámos” e mais o resto das parvoeiras perfeitamente desnecessárias que me agridem a retina e as sinapses. Esse desconforto resulta do modo como elas soam na minha cabeça, com a nova grafia, confundindo-se gratuitamente com aquilo que não são, e não há nada que consiga mitigá-lo. Se isto não chega para lhe responder, lembro-lhe ainda os rebanhos de duplas grafias previstos no AO. Que explicação lógica acha que poderá dar aos miúdos sobre essa questão, à luz do princípio justificativo da uniformização?
    O problema da abolição das consoantes mudas já foi abundantemente explicado por gente mais qualificada do que eu, como o próprio VGM e António Emiliano, entre muitos outros. O c em corrector ou espectador, muitas vezes referido para exemplificar o problema, tem a função bem definida de abrir a vogal que o antecede e sem ele a pronúncia é diferente. “Simplificações” destas, levada a sua lógica às últimas consequências, punham-nos de novo a comunicar por estalidos e grunhidos.
    No “Sol” de ontem, a modesta criatura que dá pelo nome de Santana Lopes critica VGM e reivindica orgulhosamente a paternidade do AO, explicando que a encomenda lhe foi feita por essa luminária de Boliqueime que para nossa vergonha ocupa o Palácio de Belém, com o argumento do comboio brasileiro ao qual temos de atrelar a nossa carruagenzinha para chegarmos aos florescentes mercados de tudo quanto é ponto cardeal. Eu já nem me lembrava da “origem da tragédia”, ou da “origem da trampa”, sem querer ofender o Nietzsche. Mas se a “inspiração” está num gajo que, mês após mês, ano após ano, teima em poluir-nos os tímpanos com o neologismo “credebilidade”, o que mostra bem quão “credével” ele é, está tudo dito!
    Imagine os parvos dos finlandeses, com uma língua que apenas eles, quatro ou cinco milhões de desgraçados, falam. Em que é que isso influencia as vendas da Nokia? E os pobres dos suecos, que poucos mais devem ser, será que a língua que só eles entendem os impede de fabricar e vender os Volvo e Saab ou exportar caças a jacto também da Saab?
    Há coisas no acordo contra as quais não tenho nada, como o desaparecimento de alguns hífenes. Mas quase tudo o resto é asneira, não só no aspecto das consoantes mudas como também na eliminação de acentos. Qual a vantagem de eliminar o acento em “pára”, por exemplo? Para que serve o desaparecimento do acento no pretérito perfeito em “deixámos”, “ganhámos” e dezenas de outros verbos, conduzindo a uma irracionalmente desnecessária confusão com o presente do indicativo? É o caminho dos estalidos e grunhidos, meu amigo.
    E o mais chocante é a bacoquice ignorantona dos “especialistas” que saltam por aí como coelhos a explicar-nos, entre outras coisas, que “cor de laranja” perde os hífenes mas “cor-de-rosa” os mantém, que devemos passar a escrever “minissaia” em vez de “mini-saia” e outras bojardas. “Cor de laranja” sempre se escreveu sem hífenes e “cor-de-rosa” sempre os teve, pelo menos desde o acordo de 1945. “Minissaia” sempre se escreveu com dois ss e nunca teve hífen. Ou seja, os gajos inventam mudanças até onde tudo fica na mesma! E o que dizer da insistência idiota dos mesmos “especialistas” na afirmação de que “facto” passa a “fato”, uma completa falsidade, mesmo à luz do AO, dado que o c de “facto” é pronunciado em Portugal? Porque será que deus nosso senhor, em vez dos modestos dois neurónios com que os brindou, não lhes deu ao menos dois neurónios e meio? Será que a troika também impôs medidas de austeridade no quintal do altíssimo? É esta iliteracia pretensiosa que dá cabo da língua portuguesa e nem um acordo perfeito resolvia tal problema.
    Sugiro-lhe a leitura (ou releitura) dos links seguintes, nomeadamente o primeiro, para o encorajar a não baixar os braços e usá-los, antes, para ajudar a manter a cabeça do aborto debaixo de água e remetê-lo, depois de convenientemente afogado, para o aterro sanitário de onde nunca devia ter saído.

    http://emdefesadalinguaportuguesa.blogspot.com/2008/07/antnio-emiliano-as-contas-e-os-nmeros.html

    http://emdefesadalinguaportuguesa.blogspot.com/2008/07/peritos-arrasam-acordo-ortogrfico.html

    http://revistaautor.com/index.php?option=com_content&task=view&id=217&Itemid=75

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