Vinte Linhas 730

Portugal – também um país de analfabetos

Que os portugueses não gostam de livros, isso é ponto assente. A célebre ideia de Cícero (Uma casa sem livros é um corpo sem alma) não é por aqui muito cultivada. Quando vivi em Vila Franca de Xira a pessoa mais reconhecida da família Redol era a D. Inocência que tinha um colégio de meninas. O escritor seu irmão era em 1961 (e é ainda hoje) outra coisa. Algo distante e pouco valioso – logo pouco importante. Os livros são desprezados.

Somos o país onde Camões morreu de fome mas muita gente enche a barriga com o Camões – disse Jorge de Sena – com razão. Sei de uma viúva de um escritor que manda para o lixo (sem abrir) todas as cartas que ele pressente tratarem de assunto literários ou correlativos.

Sei de uma senhora que quando o marido morreu se dirigiu a um café e convidou os seus (dele) amigos a irem buscar sacos de plástico ao Mini Preço para lhe limparem a casa. Assim mesmo. Mas o caso não é de agora embora pareça. No livro «Loja, contra-loja e armazém» de Carlos Garcia der Castro se recorda um caso passado com um professor do Liceu de Portalegre. A história reza assim:

«A singeleza não se dava com o Dr. Apolino Marques. Quando por aqui passou, teria aí uns quarenta anos. Era malcriado e muito dado ao sujo. Desmazelado e sebento, alto e magrizela, fumador excessivo, usava com a barbicha bigode transversal e ralo, mal aparado. Cultivado nos clássicos, de que era leitor repetitivo e detentor de biblioteca considerável, a irmã com quem viva na Rua Sousa Larcher, quando ele se foi embora deu os livros ao desbarato a merceeiros e peixeiras, que os desmancharam das folhas para os embrulhos. José Régio, pouco depois, ainda salvou alguns». Conclusão a tirar – a coisa é antiga e veio para ficar.

9 thoughts on “Vinte Linhas 730”

  1. Nada de confusões. Isto não é para rir.
    Eu por acaso até gosto muito de livros. Ou são para enfeitar a estante ou para matar barata.
    Gosto de livros e de selos. Já escrevi uma catrefada de livros. Antigamente, que agora já se usam pouco, escrevi bastantes livros de cheques. Escrevi também o livro-me da minha sogra. Quanto aos selos, por enquanto só tenho o selo das cuecas.
    A propósito: sabem qual é o indivíduo que mais gosta da sua profissão? Pois é precisamente o carteiro porque é o que mais gosta de sê-lo.

  2. Quem disse primeiro que Portugal é o país onde Camões morreu de fome e todos enchem a barriga de Camões, foi Almada-Negreiros na Cena do ódio. Peço que me desculpe a correcção do lapso.

  3. portugal é o único país onde um anal fa beto teima escrever diáriamente resmungos incompreensíveis sobre hipotéticos pensamentos alheios, trocando o que não foi dito pela justificação das suas frustrações. nunca vendeste um único livro, umzinho dos que editaste e em homenagem ao director do ccb dizes que a culpa é dos portugueses. ora nem mais, nunca estive tanto de acordo contigo, e até diria mais, o problema só não é universal e sistémico porque ainda não arranjaste um patrocinador para a internacionalização da tua obra. mas quem sabe se não haverá praí um investidor chinês interessado em importar paletes dessa merda para embalagem de coloreto ou castanhas assadas em países fora da alçada du nunes da asae. deixa lá quando fores para o hospício ou se entretanto bateres a bota, haverá um senhorio ou herdeiro que requisitará um contentor a pagantes para recolher o lixo que tens acumulado em casa para poder voltar a alugar ou vender o armazém de sucata onde viveste ou pensas que alguém iria fazer o trabalho à pala da lei do mecenato? bem te podes compar à casa de putas da dona reincidência, aos sacos do mini-preço, ao oleoso marques ou mesmo à sena do ódio de almada, que ninguém pagará mais que um manguito, o teu valor de mercado à data da operação de despejo.

  4. Pois, Fernanda Leitão, aceito. Peço desculpa pelo lapso mas isto de frases é mesmo assim. Julgo ter lido em Jorge de Sena (em «Um país de sacanas») essa frase e posso não ter percebido a citação. Já agora como memória viva do Almada aqui fica uma dele (mesmo) – «Quando nasci todas as frases para salvar a Humanidade já estavam escritas; só faltava uma coisa – salvar a Humanidade».

  5. fui medeitar sobre o assumpto e acho que tenho soluções para o imbróglio em epigrafre, cuja solução poderá ser uma ou um mix das seguintes alternativas:

    a) fazeres uma fundação para depositares o teu espólio literário, deixo-te os links para as empresas de escavações, cofragem e betão caso queiras fazer por ajuste directo.

    http://codigopostal.ciberforma.pt/dir/empresa.asp?emp=83500
    http://www.concretex.pt/?gclid=CMuO8_vjhq4CFaEntAod-gJb3w
    http://betaoliz.pai.pt/

    nota: o acervo deve ser depositado antes dos senhores do betão começarem a bombar. se seguires os procedimentos acima o assumpto fica definitivamente enterrado e não se fala mais nisso.

    b) contratas o carlos coelho e fazes uma joint venture com aquele senhor da renova que é amigo do professor martelo, pintam as tuas obras com diversas cores e distruibuem pelos sanitários gourmet das capitais europeidas. o coelho esgalha-te uma assinatura estilo du carmo um alívio no cagar & um prazer no limpar e é só exportar.

    tinha mais mas já estou atrasado para a volta a portugal em ciclostemo. xau

  6. Breve nota que já não coube no texto: no tempo de Camilo Castelo Branco no Porto havia dois livreiros por junto. Era o Moré e o Cruz Coutinho. O primeiro, na Praça Nova, como o comércio de livros não lhe dava sustento, vendia perfumes e quinquilharias. O segundo, nos Caldeireiros, vendia reportórios, folhinhas e folhetos populares. O povo que lia ficava pelos feitos de Carlos Magno, de João de Calais ou da Bela Magalona. Os mais letrados eram poucos e liam Eugene Sue e Paulo de Kock. Era assim nesse tempo em que Camilo, nascido em Lisboa na Rua da Rosa foi preso no Porto acusado de adultério.

  7. a ti ninguém te acusa de adultério, mas adulterar não te livras. olha que não má ideia essa porra das quinquilharias em prosa & rimas de pechisbeque, monta uma banca no metro do chiado, poupas em deslocações, não apanhas chuva e lá te vais babando com a tranca das gajas que passam. se quiseres cartão de indigente cultural, com direito a uma refeição quente e lugar de estacionamento no bairro alto, passa pela câmara e fala com a catarina, diz que vais da minha parte.

  8. Esta é a secção mais humorística que há na net. Este jcm põe-se a jeito e, então, vá de malhar no sujeito. Ele também não se importa. É daqueles que acha que devem falar de mim nem que seja para dizer mal. E depois, realmente, se pensasse um pouco ou os seus amigos escrevinhadores do blog lhe dessem uns conselhos o homem desistia e tornava o Aspirina um blog sério.
    Assim não. Logo aparece o carmo e a trindade (anónimo) um atrás do outro e vai de rachar lenha que se faz tarde. E ele é persistente. Não desiste. Ou há-de ser com a sua (dele) mania de que é escritor ou há-de ser com a defesa dos lagartos. E não tem emenda. Não melhora nada com o tempo, antes pelo contrário. E finalmente deve ser daqueles que dizem: quanto mais me bates mais gosto de ti.

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