A fotografia e o retrato

Tenho condições para sair do exercício deste cargo com consciência tranquila, de quem pôs sempre o interesse do país acima do interesse pessoal. Se eu quisesse ficar bem na fotografia, já não estaria aqui. Mas nem sempre o mais importante na vida é uma fotografia. O mais importante para mim foi servir o país, foi ocupar este cargo com sentido de responsabilidade, enfrentando condições de grande dificuldade.

Teixeira dos Santos

*

Aqueles que têm o desplante de apontar falhas a Teixeira dos Santos a partir do começo das sucessivas crises económicas e financeiras, por isso também fiscais e orçamentais – cuja dimensão afectou gravemente todos os países do Mundo, e depois ainda mais a Zona Euro, de forma inescapável e desvairada – teriam feito melhor ou sabem de alguém que tivesse feito melhor? E a redução do défice, enquanto o Governo lançava um ambicioso programa de reformas e ainda se mantinha a racionalidade dos mercados, pode ser de boa-fé ignorada na sua avaliação?

Acima e antes de tudo, o exemplo de Teixeira dos Santos é magnífico – uma magnífica lealdade a Sócrates, e a todos os restantes colegas de Governo, quando teria sido tão mais fácil, cómodo e proveitoso fugir.

Que belo retrato de carácter.

23 thoughts on “A fotografia e o retrato”

  1. chiça p’ró lisboa. é chato com’a potassa. a tentar promover-se por parasitismo, qual louçã nas manifs do pc.

  2. relativamente ao teixeira, gostaria de ver era esses comentadores encartados (alguns ex-ministros) a lidarem com uma quebra da receita fiscal acima dos 10% num ano. isso é que gostaria.

  3. “Ó João porque é que não deixa aqui o link real do FT?”

    Estão lá todos os links, de 2007 a 2010, para os artigos do “Público” referentes aos rankings do “FT”. O link (“real”?) para o “FT” é só para assinantes.

    Mas imagina que o “Público” inventou aquilo tudo, é?

    “está com medo das comparações durante todo o período da governação?”

    É isso, é. Agora é que fui apanhado.

  4. Ou você não sabe, ou não quer saber?
    O FT tem várias classificações para os ministros aquilo que o Público deitou cá para fora foi apenas uma delas, conveniente, não?

  5. “O FT tem várias classificações para os ministros”

    Por exemplo?

    “aquilo que o Público deitou cá para fora foi apenas uma delas”

    Que eu tenha reparado, nunca foi desmentida, relativizada, contestada por ninguém.

  6. Exactamente Val,

    Este homem, Teixeira dos Santos, também é merecedor duma pagina de reconhecimento. O bom trabalho de Sócrates também se deve aos seus bons ministros, para mais quando uma certa CS tentou leva-lo à loucura, conforme estamos recordados.

  7. Excelente «post», Teixeira dos Santos merece reconhecimento pelos muitos sapos que teve de engolir.
    Um abraço solidário para ele.
    Já, Luís Campos e Cunha (LCC), mais que um abraço merece uma vénia.
    Um homem que tem a coragem de ser quem é, de dizer o que diz e de afrontar a maior teia de compadrios e influências, jamais tecida, mais que um abraço merece um imerrodoiro reconhecimento.
    «o Executivo cedeu a uma série de interesses – médicos, enfermeiros ou professores – que receberam amplas benesses.
    Depois, o primeiro Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), de Março de 2010, era muito fraco e não atacou o problema a sério»
    LCC, avisou-nos com muita antecedência o passo em frente que o PS, socrático, à beira do abismo, daria… e deu.

  8. pedro oliveira
    em 2010 até eu diria umas merdas sobre a crise que atingiu portugal;
    até lá, que me lembre, gajos com tomates foram António Campos e Maria de Lurdes;
    mas aí, o PSD, CDS e restantes (incluindo LCC) estavam todos na rua; eram os tempos dos santos populares;

  9. Fotografia e retrato é como comparar lembrança e memória. Teixeira dos Santos vai ficar, os outros vão desaparecer…

  10. Alguém é capaz de me esclarecer se já ilegalizaram alguns partidos? É que acabei de ver a locutora da SIC agradecer, atenta e veneranda, uma sessão de propaganda política protagonizada por dois responsáveis da nova maioria.

  11. Lealdade que Sócrates não soube retribuir.Teixeira dos Santos é competente e deviam-no ter ouvido quado disse que quando os juros chegassem a sete por cento era necessária ajuda externa.O que é que Sócrtes fez ouvdos de mercador e agora somos lixados pelos mercados

  12. se bem entendi quando os juros chegaram aos 7 % deveriamos ter pedido ajuda externa a 9% ou será que emprestavam mais barato se o pedido fosse acompanhado de uma fotografia do engenheiro financeiro moedas.

  13. Tomara o Coelho arranjar um Ministro das Finanças que chegue aos calcanhares do anterior. Como em quase todos os Ministérios, aliás (por poucos que sejam agora…).

    Teixeira dos Santos difícilmente será ultrapassado pelos próximos Ministros da sua Pasta, não apenas o próximo.

    Ó Lixbuna, e não se arranjam umas classificativas também para os líderes da Oposição? Presumo que te interessem particularmente as classificações do Louçã e do Jerónimo. Tão bom gosto musical que tu tinhas e afinal, o bom gosto não é sinónimo de inteligência. Tu deixas isso bem claro de cada vez que por aqui te expões. Siga a Música…

  14. João Lisboa,
    os ministros são analisados em diversas vertentes tais como, desempenho, competência técnica, capacidade política, popularidade entre congéneres, etc. no fim misturam tudo, metem umas ponderações e atribuem-lhes uma classificação final.
    “o ministro português surge na última posição do teste político” no Público que referiu referente ao ano 2008.
    Logo, o Público fez mau jornalismo, do mesmo modo que ainda há pouco quando os telejornais disseram que o OPSS afirmou no seu relatório de Primavera que as consultas na região norte demoravam mais de 1000 dias, se esqueceram de dizer que esses 1.137 dias de espera na cirurgia vascular do HSJ foram o tempo máximo de resposta, sendo que o médio variava entre 32 dias(muito prioritário), 86,9 dias (prioritário) e 301,5 dias o normal!
    Para quem entenda um pouco de estatística e o tratamento de dados poderá ver-se que a notícia para além de tendenciosa é falsa por omissão.
    Talvez assim entenda melhor os famosos rankings.
    Há que estar atento e não engolir a primeira coisa que lhe chega aos olhos e agrada ao paladar.

  15. “os ministros são analisados em diversas vertentes tais como, desempenho, competência técnica, capacidade política, popularidade entre congéneres, etc. no fim misturam tudo, metem umas ponderações e atribuem-lhes uma classificação final”

    E foi a divulgação dessa classificação final que o “Público” fez. No ano de 2008 e nos outros de 2007 a 2010. Onde o resultado nunca foi propriamente brilhante. Porque é mau jornalismo? Se houver alguma coisa a recriminar a essa técnica das “ponderações” é o facto de poder ser demasiado parecida com a da “avaliação” de professores que a ML Rodrigues pretendia pôr em prática.

  16. Não, não foi, no que se refere a 2008 foi na análise política que ficou em último e não no conjunto, por isso é que a informação é deturpada, porque se fosse igual e ponderada sobre a média em todos os anos, já cá não estava quem falou.

  17. Creio que, neste momento, o Prof. Teixeira dos Santos, é credor de uma palavra de reconhecimento pela competencia, seriedade e sentido de serviço que ao longo dos tempos dificeis atravessados sempre demonstrou.
    E, sem esquecer, naturalmente, a lealdade para com José Socrates.

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