-1=+10=100

A redução do IVA em 1% serviu para cada um ver nela o que lhe apetecesse. E podemos recolher dois ensinamentos:

A economia é uma ciência que deve mais à psicologia do que à matemática.

A economia, como o desejo sexual, começa na cabeça. O que leva a um corolário: a economia, como o desejo sexual, pede cabeças arejadas.

A redução de 1% poderá ser insignificante para alguns políticos e industriais, mesmo para o consumidor, mas para o cidadão é uma boa notícia. Aumenta em 10% a sua confiança. E se há coisinha onde todos estarão de acordo é no valor da confiança, seja para a economia, a política ou o sexo: 100%.

37 thoughts on “-1=+10=100”

  1. Dois comentários, só um para este post.

    hoje, enquanto almoçava, fui buscar um dos “Albuns de Memórias” do José Hermano Saraiva, que quando almoço sozinha gosto de ler à mesa. Neste vinha a transcrição de uma entrevista que lhe tinha sido feita para as Selecções do R.D. e, a certa altura, falaram-lhe no irmão António e no facto de ele ser comunista. Perguntaram-lhe se não teriam discussões “acaloradas”. A isto, o JHS, respondeu com um daqueles chavões populares – ” A concórdia é a união dos corações, não das opiniões”.

    acredita que me lembrei imediatamente das caixas de comentários do Aspirina e da pouca sabedoria, mesmo que popular, que andou por aqui nos últimos tempos…

    e agora o resto.

    Não concordo contigo na questão da confiança do cidadão. Para o pequeno consumidor, o tal cidadão, os grandes números, aqueles com muitos zeros, são tão abstractos como os pequenos. 1% de redução no IVA é tido como uma brincadeira, como um “estão a gozar connosco” . Claro que no OGE vai reflectir-se com força, e nos grandes negócios também. mas para o nós, os eus e tus, é quase converssa de treta e não sei se não fará mais mal que bem…

  2. A união dos corações acabou por dar em união das opiniões, uma vez que o AJS deu em salazarista também, com a senilidade a avançar pela pinha acima.

    O AJS tinha sido comunista até meados da década de 50. Depois disso ainda viveu mais de 40 anos. Há que desconfiar das opiniães de morcãos como o Hermano.

  3. Bem visto, o Velmiro é isso mesmo: um “político e industrial”.

    O sonho dele sempre foi mandar no governo através dum primeiro ministro fraco. Com o Sócrates, f****-se. O Amnezes faz mais o seu género, mas o tipo não chega lá. Capitalista sofre.

    Gostei de saber que 13% da massa do IVA é paga por este taicun. E se ele não fugisse maciçamente ao fisco, pagaria quanto? 25%? E do IRC?

    O Velmiro acha que deve ser ouvido em pelo menos 13% das decisões do governo. É justo. Já agora que pague também 13% do déficit.

    A ideia que o Velmiro faz dos políticos: uns ladrões de IVA e uns ingratos que não lhe dão nada em troca.

    O déficit acumulado do Público será quanto? E os accionistas do grupo estão pelos ajustes? Grande economia capitalista esta, de facto.

  4. teresa, as caixas dos blogues – em especial num que se reclame antianalgésico, pirético e inflamatório – não são os melhores locais para se encontrar sabedoria. Mas talvez concordes com esta ideia: tudo o que acontece num blogue tem o peso do seu html.

    Quanto ao IVA, estou contigo em parte: nós, humildes cidadãos, não conseguimos dar sentido aos grandes números por falta de amparo teórico e técnico (ou damos, que sei eu dos outros?), mas conseguimos dar sentido às palavras. É por aqui que divirjo do teu pessimismo (se pessimismo for, que talvez seja é lucidez) e vejo na redução um sinal de que se está a compensar a racionalidade do cidadão com esta mensagem: o cinto tem estado muito apertado, mas o objectivo é conseguir dar-lhe folga.

    Lembro que Sócrates subiu o IVA de 19 para 21, e que foi também com isso que as contas começaram a ser equilibradas e o défice reduzido. Portanto, estamos a falar na reposição de metade desse aumento, não podendo ser questão de somenos, mesmo que o pareça. Aliás, se nem se nota, então também não se terá notado especialmente o aumento de 2% há 3 anos…
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    shark, não te fazia tão calculista.
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    z, bem visto e bem trazido.
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    Vladimir, o Belmiro está a mostrar que ainda não lhe passou a dor de corno e que tudo o que o Zé Manel anda a fazer tem a bênção do homem Sonae. Se o António Borges avançar para o PSD, leva a Sonae com ele (entre outros, claro).

  5. Há até uns caras que ganharam um Nobel ao associar a psicologia à economia…
    mas a redução do IVA em 1% (um por cento)… escrevo para não haver confusão é de um populismo …
    acredito que, para mt poucos, esse 1% é relevante….talvez para 1% da população portuguesa…ora, se esse 1% que anda para ai a ser descutido fosse aplicado em….qualquer coisa que se visse paraa comunidade….ganhavam todos…
    1% de ambulâncias…
    1% em jardins infantis
    1% para lares de idosos…
    1% para qualquer coisa, foda-se

    o que me assusta é que vai ser 1% de votos para o PS…. não que eu tenha pena do Santana e do seu filho d Norte… mas….

  6. valupi,

    se comparaste a economia ao sexo tens de saber que as contas sãp feitas de maneira diferente.. está tudo na cabeça, lembras-te? portanto metade de dois nunca é um…. se piora, é o descalabro… se melhora um bocadinho, mal se nota….

  7. João/Joni, não te assustes com o PS, assusta-te é com a oposição.
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    susana, depois de as vermos até nos questionamos se não deveriam ter sido sempre assim. Mas a verdade é a de que o Acordo Ortográfico permite alterações que o próprio Acordo desconhece…
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    teresa, essa ideia da metade de dois não ser um é poderosa… não queres desenvolver?… (atenção, não te equivoques: falei de sexo, não de amor)

  8. (Se é conforme queiramos ver a coisa, prefiro ver sexo.)
    E não Valupi, não sou calculista. Apenas nunca consegui ter notas decentes na escola a tudo quanto envolva números e detesto fazer má figura no Aspirina. :)

  9. fica a fazer setinhas para dentro, como vectores, né? Não tinha reparado, é bom partilhar notícias

    eu acho o 1% simbólico, excepto para os grandes, mas se fosse mesmo aplicado em cadeia desde a origem daria para baixar os preços, e portanto a inflacção, em 0,5% para aí, usando a lei de Lotka como instrumento

    isso da confiança no sexo deu-me que pensar. Mas estás a falar numa relação ou em sexo fortuito? Seja como fôr cá para mim é a atracção é que conta, e depois logo se vê – embora se fôr uma relação continuada aí sim, não há como mentirinhas para derrubar a coisa

  10. shark, e que dizes da relação entre sexo, economia e publicidade? Não sei, mas isto parece que anda tudo ligado…
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    z, se para ti a atracção (mas do quê?…) é que conta, então, é aí que depositas a tua confiança.

  11. Valupi, voltando ao que disseste há uns tempos, não só colaboro com um anti-Menezes como com um anti-Rui Rio e companhia. Vou defender o que eles parecem desconhecer: a cultura.

  12. hum,

    «Mas, apesar de todas as bancadas da oposição terem insistentemente tentado que o ministro se comprometesse a fazer chegar essa informação à Assembleia da República, Teixeira dos Santos recusou, adiantando que só o fará se detectar “irregularidades ou ilicitudes”.

    “Não sou arauto de princípios morais ou éticos” frisou o titular das Finanças depois de Patinha Antão, vice-presidente da bancada do PSD ter sustentado que mesmo que em causa estejam offshores legais – ou seja, dos que não constam da listas negra do FMI para os que procedem a branqueamento de capitais e pactuam com a actividade terrorista – o Estado “deve abster-se de recorrer a estes paraísos fiscais”.

    Patinha Antão lembrou, ainda, que existe “comunicação electrónica entre o Banco de Portugal e o Ministério das Finanças, não se entendendo a dificuldade de se recolher os dados”.

    O ministro das Finanças, na resposta, adiantou que “compete ao Estado assegurar que os fins são lícitos e não obscuros” recusando a ideia de que qualquer entidade pública “possa estar envolvida em irregularidades”.

    Também Francisco Louçã, líder do Bloco, escolheu o tema para lembrar ao ministro que “ao Estado se exige transparência”. O deputado bloquista deixou claro que quando se fala de instituições públicas ” se trata do dinheiro de todos os contribuintes, pelo que o cidadão tem direito a saber quem fez essas aplicações, em que offshores e quais as razões da opção”.

    Para Francisco Louçã depois da denúncia do FMI de que no perímetro do Estado português existiam 151 milhões de euros aplicados em offshores, o ministro das Finanças “tinha a obrigação de recolher a informação dentro do universo das próprias entidades públicas”. Face à resposta de que o executivo aguardava os dados desagregados por parte do Banco de Portugal Louçã foi peremptório: “não acredito que ainda não tenha obtido esses dados”.» in DN hoje

  13. A relação entre sexo, economia e publicidade? A minha é fácil: a publicidade que outros fazem não me impressiona pois na hora da verdade dou o litro e a malta gosta, o que implica que não me furto ao investimento precisamente porque o risco é quase nulo nas minhas aplicações e, regra geral, ainda sobra para distribuir dividendos pela massa accionista. E quanto ao sexo é para mim muito apelativo, já que a taxa de retorno é mais do que satisfatória e por isso posso considerar-me another satisfied customer…

    Por isso, acho que sim, está tudo relacionado. Até porque eu consigo ver sexo em qualquer entrelinha.

  14. Mas há mais paralelos. Quando as acções sobem a liquidez aumenta e a publicidade não descura a divulgação dessas vitórias empresariais.

  15. claudia, muito bem e boa sorte. De facto, o Menezes não honra o PSD.
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    z, podes postar o que te der na real gana. É o que eu faço, pelo menos.
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    shark, a fazer fé na tua publicidade, não há crise na tua economia sexual. Ou seja, não tens problemas de défice. Ainda vais chegar a ministro de qualquer coisa, talvez da blogosfera, é o que isso quer dizer. Prepara-te!

  16. eu se tivesse escrito esse post teria feito assim, por vectores de transformação:

    -1-> 10->100

    não posso ser cúmplice de trocar a cabeça aos miúdos com o uso do sinal de igual, já bem basta que eles saibam seguir em igualdades sucessivas por passos válidos, o que era raro, feito direito até ao fim

    mas tu não tens esta limitação curricular e de consciência, por isso és livre

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