110 thoughts on “contemporização”

  1. jcfrancisco, as ruas, se fores a pé, nunca têm sentidos únicos. mas vá: gosto de articulações conexas de antinomias.
    porque haveria/teria que ter a ver com algum post anterior?

  2. daniel, não vale a pena repetir, posto que estando escrito podes ler as vezes que te aprouver.
    e bem entendido. todavia, se o digo de um ponto de vista feminino, falo dos homens. mas qualquer um está à vontade para se apropriar da frase invertendo-lhe o género.

  3. elypse, interrogo-me se tu serias capaz de reconhecer um post de jeito. mas por ti mais não faria que chamar o 112, se tal fosse necessário.

  4. Contigo só mesmo um post de geito. Tens cá um sentido de humor que faz favor – com este tipo de “investida” és prova de um resumo de ti mesma.

  5. obrigada. eu também acho que o meu sentido de humor faz favor. e fico feliz por ver reconhecido esse feito extraordinário que é ser prova de um resumo de mim mesma.

  6. Mas voltando ao post: “Os homens cobardes deveriam ter a coragem de assumir a sua cobardia”. Isto não é um contra-senso? Um tipo que assume a sua cobardia, deixaria de ser cobarde, não?

  7. Susana, desculpe, mas essa é daquelas frases tão banais que não dá para comentar. É como dizer:as mulheres frívolas deveriam ter a coragem de assumir a sua frivolidade. Ou o sexo dos anjos está tão batido que deviam ter a coragem de o assumir. E por aí fora…

  8. como costuma acontecer com os falsos paradoxos, a frase é mesmo uma contradição nos termos. mas é perfeitamente aplicável, se tomarmos exemplos. o uso das palavras é deliberado, pela antinomia, mas não forçosamente correcto. começa pela assunção: não é preciso coragem para assumir a cobardia, apenas honestidade, ou um momento de lucidez; é no uso de «coragem» que está o erro da proposição. além disso, se falamos de actos, há uma cronologia entre o acto e a sua admissão, que não o anula. por outro lado, pode não se ser cobarde, ou corajoso, o tempo todo. e há ainda o que se considera ser cobardia, que tanto pode ter o fundo do medo como o da prepotência.
    nas relações amorosas, só para circunscrever um campo profícuo às cobardias, encontramos inúmeros exemplos em que a admissão é compatível com a sua não eliminação: um caso de violência doméstica – quem exerce a violência pode ser capaz de reconhecer os seus actos como actos cobardes, e no entanto não conseguir deixar de os executar. aquele que se despede de uma relação sem nada dizer também pode considerar a sua atitude cobarde, e no entanto repeti-la em relações posteriores. e etc.

    lia, concordo consigo, mas a verdade é que, paradoxalmente?, a comentou. chamo, todavia, a sua atenção para o facto de as frases que elenca não conterem em si qualquer antinomia, que foi aquilo que me divertiu na minha. o sexo dos anjos está muito batido…? hum…

    volto aqui porque o seu comentário trouxe-me à memória uma quadrinha inglesa, de autor desconhecido, com essa temática:

    There’s more to the sex of angels
    Than it simply meets the eye
    Having biased information
    They promptly fall from the sky.

  9. Bem… eu fiz a pergunta porque sou um «sem-abrigo» informático e às vezes um bocado distraído mas pronto, já passou.Não foi nada de mal. Quanto a cobardias lembro-me bem das cobardias da instrução pimaria: «Posso ficar a tomar conta? Aquele menino guinchou!»

  10. jcfrancisco, excelente exemplo, o do delator, que muitas vezes até mentia nos seus relatórios.

    joao/joni, estás desculpado. e vai ser difícil explicar mais do que já fiz…

  11. Susana, eu sabia que você ia dizer que eu comentei a frase e, foi mesmo por isso que o fiz.Estava curiosa em relação à resposta.Mas a sua explicação é areia de mais para a minha cabeça.Mas também já era previsível.Mas uma coisa é certa: é preciso coragem para dissertar filosoficamente sobre uma metaproposição assertiva.

  12. lia, agora pergunto-lhe eu porquê a minha explicação é areia demais e porquê diz que isso era previsível.
    quanto à coragem, nenhuma. até a lógica da batata pode suscitar dissertação.

  13. é um problema o enunciado susana, pois que se visa alguém em particular é ele próprio cobarde, pois não nomeia, quando muito insinua

    enunciado feminino?

  14. z, se assim fosse seria, claro. mesmo que alguma experiência possa motivar uma reflexão, ou uma brincadeira, ou uma catarse (como já me aconteceu), o enunciado num blog jamais visaria, para mim, alguém em particular. isto é: uma coisa é a origem, outra será o destino. o destinatário, numa coisa pública, é sempre para mim uma massa anónima. seja qual for a proveniência, há esvaziamento de sentido para além do potencial interpretativo das palavras, ou de eu lhes ter encontrado uma graça qualquer, na sua autonomia.
    surpreende-me a tua questão, pois ela mesma parece uma insinuação…

    luis eme, lembro-me de um amigo que, em tempos, me justificou uma incompreensão minha dizendo «pois, mas eu sou cobarde» – e achei graça. alguém dizê-lo de si mesmo, e a rir, aceitando-se. e até achei corajoso, mas ele não deixou de ser como era.

  15. «luis eme, lembro-me de um amigo que, em tempos, me justificou uma incompreensão minha dizendo «pois, mas eu sou cobarde» – e achei graça. alguém dizê-lo de si mesmo, e a rir, aceitando-se. e até achei corajoso, mas ele não deixou de ser como era.»

    não há pior cobarde do que aquele que se assume como tal

  16. se é em abstracto como então colocas, estás a lidar com o teu conceito genérico de coragem e cobardia, que pode não ser consensual. Exemplifico com esse caso hipotético de violência doméstica que invocas – são casos tristes, sempre, – mas se o homem abandona a relação para não cometer violência física sobre a parceira quando não aguenta mais a sua violência psicológica, está ser cobarde ou corajoso?

    Como sabes só a violência física é criminalizada mas há violência psicológica sempre associada.

    Felizmente não sou juiz

  17. ana, não leves a mal, mas editei o teu comentário para lhe acrescentar as aspas…

    achas que assim é? porquê?

    volto à natureza da cobardia, ou daquilo a que se chama cobardia. alguém pode dizer cobarde daquele que tem medo do confronto emocional, ou da agressão física. a definição é bem subjectiva, pois deste se poderia dizer apenas medroso.

  18. coloquei a questão com os sexos na ordem corrente, ou seja: na ordem mais frequente, modal, mas poderiam inverter-se os termos que o problema ficava igual

  19. exacto, z, acabei de referir isso, como já tinha feito mais genericamente acima: saber-se o que é a cobardia. no entanto eu referi aquele que exerce violência e, embora admitindo que o faz, continua a exercê-la. no caso que apresentas, em que o homem deixa a relação, talvez se possa falar de coragem, presumindo que haja “amor” (vai entre aspas por não ter uma leitura consensual e querer significar exactamente aquilo que cada um considera ser o seu modo ou sentimento), pois estará a prescindir do amor por amor, porque lhes faz mal.
    e sim, falei em violência doméstica no sentido lato, mas implicava essa vertente, também. por vezes bem mais grave, porque as dores da alma não têm um tempo de cicatrização. ao mesmo tempo não matam (enfim, excluindo casos em que levem ao suicídio, mas isto que começou com humor está a ficar um bocado lúgubre…)

  20. sim, sim. conheci uma mulher cuja filha, muito pequena, batia no meu filho por ter o nome do seu pai. como a mãe me explicou, pedindo desculpa, ela imitava o que via lá em casa…
    de qualquer modo chamo a tua atenção para o facto de muitas vezes a violência ter só um sentido. não direi só uma vítima, pois quem a exerce foi quase sempre vítima numa relação anterior.

  21. e a violência psicológica pode provocar ataques cardíacos e suicídios

    num certo sentido o suicídio de alguém pode ser o crime perfeito de outrém

    estou a lembrar-me de um gajo que conheci, muito rico, bonito, bom futuro profissional, tudo

    meteu um tiro nos cornos, quando a mulher chegou a casa, para não meter nela, porque tinha sabido comprovadamente que ela andava com outro às escondidas em paralelo e decidiu que o puto de 2 anos precisava mais dela que dele

    foi cobarde? foi corajoso?

    eu retiro-me desses juízos de valor absolutos sobre os outros, excepto quando não posso

    foi assim

  22. sim, susana, desculpa o lado negro, mas os valores extremos que levantaste não se compadecem com essa omissão

    e claro o suicídio como crime perfeito existe, como sabes

    no entanto eu às vezes também tenho dúvidas se não estou a relaxar demais os meus conceitos, tento compensar sendo muito vigilante em relação a mim próprio, aí é território onde não me posso escusar e onde me policio alguma coisa

    no entanto o problema é interessante embora abissal

  23. z, repara na tua sequência, agora constatei: falas no suicídio de alguém poder ser o crime perfeito de outrem e a propósito lembras-te desse. de repente, pela associação, aparentas a emissão de um juízo sobre a mulher adúltera. já viste como o potencial interpretativo brinca com a deriva do pensamento…?

    bom e se lhe tivesse dado um tiro o puto teria ficado sem os dois, certo?
    não arriscaria um juízo desses, mas arriscaria dizer que se precipitou. dor de corno todos já tivemos, mas o desgosto amoroso ultrapassa-se, com mais ou menos tempo… lá está, uma pena que tivesse a arma por perto.

  24. ah, mas atenção o suícidio que referi acima não foi o crime perfeito da mulher, que eu saiba, ela estava apenas a curtir uma relação dupla, não queria nada que o marido morresse, aliás ficou desfeita

    cá para mim foram os dois vítimas nesse caso, em qualquer caso do seu ego, ela porque pensou que podia ter sol na eira e chuva no nabal, e ele que era o máximo tinha afinal sido substituído por outro e um enorme narciso de pés de barro descambou

    ——–

    o verdadeiro amor é incondicional como sabes, é muito difícil por causa do(s) ap_ego(s), e tem a sua dimensão geral na compaixão, dizem os budistas e eu concordo, embora a compaixão para eles é um conceito activo

  25. hehehe, reparámos em simultâneo no eventual equívoco…

    e mais precipitação, se dizes que ficou desfeita. o amor sobrevive às paixões adúlteras, problema é quando o ap_ego (copio, gostei) se mete de permeio.

  26. estava a tentar dizer amis alguma coisa mas já estou a ficar com um olho banzo e um nevoeiro neuronal, amanhã falamos mais, dorme bem

    quádrica: multiplica-te por zero

  27. claro que sim, o amor sobrevive às paixões adúlteras e até pode ficar retemperado, convém é que fiquem mais ou menos quites

    para não falar de mim, ou de outros, lembro-me de um filme com a Jacqueline Bisset há muitos anos que gostei muito: secrets

  28. nestas ultimas semanas devo ter dito esta frase de tantas maneiras, que já lhes perdi a conta. deviam, pois deviam. o pior é que alguns vão anunciando mas a gente nem ouve, e depois reclama que eles deviam ser diferentes do que são. não se mudam as riscas a um tigre.

  29. claro: há alturas que eu gosto de perceber nada. E nada é o som do silêncio.

    amanhã logo vejo, agora multiplico-me eu

  30. olhe susana,
    li os primeiros comentários e amanhã lerei os restantes (um telefonema espera-me!!).
    só para lhe dizer que
    caramba
    será que ninguém percebeu a ironia? será que ninguém percebeu a profunda verdade dela?
    isto é
    para além de mim?

    beijos muitos. e tem vª exª toda a razão: deveriam, sim.

    (amanhã afinal não prometo que volte, vou de fds e sem cpt. mas voltarei, claro.)

  31. z, o meu conceito de cobardia é elástico, porque não consigo circunscrevê-lo a uma descrição. cobardia será o oposto de coragem, falta de ousadia, medo desajustado (porque também há o medo da cautela). mas como eu a uso, geralmente, será mais como uma deslealdade. uma falta de coragem que se sobreponha a um compromisso, à honra, talvez. nestas coisas, para mim, é sempre mais fácil recorrer a exemplos do que construir definições. limitação minha.

    há pouco o meu filho chamou-me e eu ia a pensar nisto. lembrei-me de uma historinha com eles, fica agora à laia de anedota. o mais velho contava que tinha visto um rapaz que sabia ter-lhe roubado um brinquedo de que gostava muito. e disse «o que lhe valeu foi ele ter a perna partida e eu não ser cobarde, se não tinha-lhe dado um pontapé». o pequeno, na altura bem pequeno, retorquiu «então…?! tinhas-lho dado na outra perna!»
    obrigada e espero que entretanto estejas a dormir bem.

    no baile da d. ester, mistura-se o prazer de te encontrar aqui com a tristeza de te “ouvir” dizer isso. mas que coisa.
    e não se muda, pois não. mas olha que podem dar um belo tapete.

    sem-se-ver, eu não sei o que é que cada um percebeu (porque o significado é livre),… incluindo a sem-se ver! :)
    ah, belo! bom fim-de-semana.

    teresa, pode ser, ou também muitas outras coisas. mas sim, nos casos que intuo enquadrarem a tua observação, é isso mesmo. sem tirar nem pôr. ou será a tirar e a dispor?

  32. Mind games, que estimulante!
    Eu acho que um cobarde deve ser coerente e jamais assumir aquilo que todos os outros lhe reconhecem nos actos ou nas omissões. Sim, porque a cobardia intrínseca só se revela quando testada, quando confrontada com as situações extremas que nos forçam uma reacção imediata.
    Claro que tudo isto é psicologia de algibeira e mais vale um cobarde vivo do que um herói morto, blá blá blá, e todos temos direito a 5 minutos de imbecilidade diária e a outros tantos de cobardia e, de resto, a coragem pode não passar de um mero instante desesperado e motivado pelo medo que sempre associamos à cobardia na sua definição mais corriqueira.

    Eu, por exemplo, estou cheio de medo de estar aqui a encher chouriço só para arranjar o que dizer acerca do post da Susana mas não me acobardei no silêncio e com isso já desminto a lógica da última frase do parágrafo anterior e podia estar aqui um dia inteiro a falar do que nem sei bem do que se trata sem chegar a qualquer conclusão.

    Mas entretanto os tais 5 minutos esgotaram-se e eu preciso de interpretar o que disse para me certificar de qual das quotas usufruí nesta ocasião.

    Tudo isto para vos desejar um excelente fim-de-semana. Há maneiras piores.

  33. ‘Não ter medo é ser idiota. Ser cobarde é natural. admitir a cobardia é ultrapassar a mesma.’

    Isto é bem verdade, só que tu não a ultrapassaste ainda…

    Correcção: Onde eu disse Os homens cobardes é um pleunasmo, deve ler-se os homens cobardes é um pleonasmo, ou redundância…

  34. São voltas, tantas, que numa delas até podem ter a “sorte” de se encontrarem. O que não quer dizer que, após o hipotético encontro, o problema de base não persista. É que depois de tantas voltas, vão estar de tal maneira embrulhados, que duvido que se reconheçam.

  35. “Os homens cobardes deveriam ter a coragem de assumir a sua cobardia.” (Susana)

    “Não há pior cobarde que aquele que se assume como tal.” (Ana Leonardo)

    Lendo, assim, há qualquer coisa que não bate bem… mas claro que são apenas definições…

    também posso escrever:

    “Um cobarde, bufo ou mudo, será sempre cobarde…”

    ou

    “Todos somos cobardes e corajosos, temos dias…”

    entre milhentas coisas…

  36. Para o Z.: raramente o suicídio (e mais ainda nesse caso) será um acto solitário. Ele é no fundo (muitas vezes) virado contra quem o suicida quer castigar. Nesse caso ele foi cometido contra a mulher, sob pretexto de que o filho precisava mais dela. Não só a castigou terrivelmente (porque ela viverá para sempre com o peso dessa culpa em cima) como ainda deu a tacada de pessoa generosa e beneplácita, de grande pai (como se alguma criança não tivesse tanta falta de um pai como de uma mãe). Foi cobarde e mesquinho, se quisesse ter coragem virava costas à coisa e tratava de ser um pai presente. A maior cobardia de todas foi ter privado o seu próprio filho de ter um pai.

  37. Carmo da Rosa…todos percebemos…pleonasmo, pleunasmo, redundância, redundancia… lemos a frase… se de frase se trata…mas não entenedemos o seu sentido. Tem algum…ou é apenas um mero (não se trata de peixe) exercício de palavras cruzadas em que nada liga com nada.

    Não quero retirar a autora da discusão… mas a tua interpretação…meu deus

  38. ‘todos percebemos…pleonasmo, pleunasmo, redundância,’

    Então já perceberam 50%! Muito bem… Vou explicar o resto.

    Dizer homem cobarde, é precisamente a mesma coisa do que dizer vinagre azedo; mar salgado; água molhada et cetera, et cetera.

    O homem é por definição cobarde, sobretudo em Portugal. Valentia, só no hino nacional e nas pegas de touro… tirando estas duas situações, os homens são uns maricas… Voilá

  39. ehehe, essa é absolutamente redentora, Carmo da Rosa, podemos ficar cobardemente descansados por uns tempos ao Sol, a fazer olhinhos logo se vê para onde, gracias hombre

  40. shark, bom fim-de-semana também para ti.

    cabeça, talvez, mas talvez.

    carmo da rosa, eu percebi (e ainda hesitei em corrigir a gralha, mas achei melhor não abrir o precedente, tornando-me eventual revisora dos comentários…) o que dizias, e acho que até tens razão. de cobardia, uma ou outra (e por serem as definições tão elásticas, sobretudo quando transpostas para situações reais), todos sofremos um pouco.

    a. m., querias provar também um bocadinho, era?

    elypse, ten que ser mais recto, assim não se percebe.

    luis eme, escreve tu o que quiseres.

    clara, pois, eu também veria a coisa assim. mas há que ver que quando se cai cai-se. e lá no fundo ninguém sabe.

    joao/joni, não percebi bem qual a tua dúvida/crítica.

    z, é não é? então hoje, com um verão destes.

  41. Também concordo com a clara. Mas com esta ressalva: quem se mata, está doente. Nesse sentido, o juízo moral sobre a sua acção é sempre inferior à compaixão.

  42. Susana… não é dúvida…nem crítica…apenas …,.não te quero colocar entre a Carmo da Rosa e os Homens… acho que nem vale a pena…
    vou deixá-la com os seus pleonasmos, pleunasmos…e com os seus asnos… desculpa… com as suas ideias

  43. joao/joni, é o carmo da rosa, não a. de qualquer modo, colocar-me entre ela e os homens, como?
    e que mal tem a ideia dele? não te esqueças que está a falar em causa própria, pois trata-se de um homem na emissão do juízo.

  44. pois, Valupi, mas esse conceito de que os suicidas são doentes é da nossa sociedade ocidental, onde a depressão é classificada como uma doença mental, se fores ver nos japoneses por certo que aqueles suícidios de honra, hara-kiri, terão outra conotação.

    Estou de acordo que quem se mata, em qualquer caso, não aguenta mais o sofrimento mental, os cavalos desembestados da mente cavalgando sobre estilhaços de ego

    um exemplo clássico é o de Uriel da Costa, teu primo, que disparou um arcabuz porque não aguentou, nas suas próprias palavras, a vergonha ligada ao seu nome, depois de ter sido expulso pela segunda vez da sinagoga – tinha defendido que a alma não era imortal. E no entanto foi nele que Spinoza se inspirou,

  45. « e lá no fundo ninguém sabe», tens toda a razão Susana, daí eu preferir inibir-me de fazer juízos de valor cerrados sobre assuntos morais.

    Na política é que faço, porque senão é demissão de cidadão, mesmo que me engane ou seja injusto – de facto num país em que não houve UM único politico condenado por corrupção nos últimos trinta anos, dá para ver o enlace sistémico da corrupção dos poderes, à conta do dispositivo do ónus da prova e da cultura dos juízes no equilíbrio do bloco central. Tramado, contrato fiduciário o tanas.

    De vez em quando falo nisto não só para rosnar, como para avisar alguns incautos e idealistas pouco precavidos, não vá confundirem coragem e temeridade

  46. Vamos lá a ver, eu fiz juizos sim.
    Se o homem se queria matar pois sim, grande sofrimento e tal (como se o resto de nós também já não tivesse levado com merdas dessas e piores e aguentado à bomboca, mas sim, concedo que tinha o direito de acabar com o sofrimento dele da maneira como entendesse), se estava doente não sei, tinha sido diagnosticado? Estava triste, com depressão ou sofria de uma doença mental?
    A única coisa que ajuizei foi o facto de ter largado a criança. Tenho para mim que nenhum pai tem o direito de abandonar um filho. Mas isso sou eu, cá para mim podem continuar a achar que ele era generosíssimo por se ter morto e evitado que a criança perdesse a mãe.

  47. Como uma linha apenas de post dá esta porrada de comentários!E cá vai o meu:
    Eu acho que os homens – e as mulheres? – cobardes, se assumem que o são, é só porque são cobardolas. Até nessa situação, não passam de uns cobardezitos. Porque algo de seu interesse os leva a confessar que o são. É porque têm algo na manga. Um cobarde, cobardola ou cobardezito se confessa que o é, é sempre por cobardia e nunca como um acto de coragem. Os cobardes têm sempre outros defeitos…

  48. eu não faço um juízo definitivo, Clara, era só um exemplo extremo de uma situação real

    aqueles lá em cima que têm medo de denunciar os concursos do ICN porque têm medo de perder o emprego estarão a ser cobardes ou a pensar nos filhos?

  49. Ganda filosofia masturbatória aqui vai. Até parece que não estão a falar de alguém em particular. E se pusessem os nomes nos bois? Ou não há coragem?

  50. Eu acho que se trata do Venâncio. Mas não tenho a certeza, porque não frequento os bastidores do Aspirina. Com a saída dele, nem a Susana nem o Valupi se pronunciaram…Para ser franco, acho, até, que os 22 comentáros ao post dele a anunciar a saída, foram muito poucos, ou quase nada. Até nos habituais comentadores deste blogue, notei falta de solidariedade, de interesse, de amizade, por uma pessoa a quem sempre enalteceram e diziam apreciar. A ingratidão também costuma ser defeito dos cobardes, não lhe parece, Nik?

  51. Vai-te lixar, Z. As tuas filosofices nem sequer têm nexo. Tenho pouca pachorra para as politiquices de trazer por casa. Voltei ao post do Venâncio e verifiquei a existência de 25 comentários. Se tinha dùvidas, acho que já não tenho. É mesmo do Venâncio que se trata. Como a Susana e o Valupi sabem aquilo que escrevem, naturalmente, a razão estará do seu lado. Aprecio ambos. Daqui lhes envio uma palavra de apreço. Aliás, sobre a questão dos professores – se foi este o motivo -estou inteiramente ao lado do Valupi. Assim todos tivessem a coragem dele ao emitir a sua opinião sobre o assunto. Força, Valupi!

  52. eu acho que estou mesmo lixado com a tarde que tenho pela frente, com uma reunião. Obrigado por me teres libertado da prisão do nexo, acho

  53. Nik:
    Faltou-lhe coragem para escrever o nome Venâncio? Esperou que fosse eu ou outro qualquer a fazê-lo? Está feito, amigo!

    Z:
    Já agora, acrescento: essa dos que «têm medo de perder o emprego estarão a ser cobardes ou a pensar nos filhos», contradiz o que tem defendido e vem dar-me razão. como escrevi, um «cobarde, cobardola ou cobardezito, tem sempre algo na manga. Qualquer coisa de seu interesse a defender». Mesmo que seja o seu emprego, se cala, não deixa de ser uma atitude cobarde. Só os que dão a cara correndo riscos são corajosos. E íntegros. E solidários. Coisas que não fazem parte do carácter dos cobardes. Eu acho…
    E não seja péssimista. Pode ser que a reunião desta tarde lhe corra bem. Faço votos!

  54. clara, creio que quem se mata não estará bem, psicologicamente. independentemente de ter dado sinais de depressão antes disso. a dor de corno facilmente dá vontade de morrer, as descrições até incluem a sensação de se estar a morrer, a definhar, etc. mas daqui aos actos já é outra coisa. a doença mental é tramada. e uma das facetas da trama é precisamente a dificuldade no diagnóstico. aquilo que o z conta, de o tal amigo ser um grande narciso, alguém insuperável aos seus próprios olhos, é já sinal de grande distorção na percepção da realidade, o que pode ser uma forma de perturbação mental. concordo que seja cobardia, se tiver que escolher (coragem nunca seria!), mas dou esse desconto, o do desvario, nem que seja uma insanidade temporária (tornada definitiva, no caso…).

    nik, nunca poderia estar a falar de alguém em particular. cruzo-me com cobardes todos os dias, directamente ou através de relatos alheios. é um epíteto com que prontamente apodamos alguém, mesmo sem termos pensado no que é, para nós, a cobardia. aquele exemplo do z é óptimo, dos que têm medo de denunciar os concursos do ICN porque têm medo de perder o emprego – estarão a ser cobardes ou a pensar nos filhos?
    em conversa de café faço uso da maledicência au fur et a mesure. coisas como a que constitui este post, raramente têm origem num caso isolado, mas na reflexão, que até pode ser suscitada por um exemplo, mas depois se alarga ao campo alargado das experiências. descontextualiza-se, perde o sentido original, ganha outro; no exemplo é brincalhão, basicamente, enquanto ao mesmo tempo interroga (e por aí deve ter ficado satisfeito, porque obteve muitas respostas…).

    eu acho, a tua surpresa é igual à minha.se me tivessem pedido uma estimativa, o número de comentários a este post não ultrapassaria os 5. mas olha que por vezes ser só uma linha provoca o contrário: é sabido que a malta muitas vezes não tem paciência para textos longos. este é um post cómodo: dá ampla converseta, que é o que o pessoal muitas vezes curte, e dá trabalho nenhum.
    estavas distraído/a quando viste os comentários à saída do fernando: eu comentei a sua saída (para além de o ter feito em privado, o que é privado), dizendo que para mim o aspirina será uma parte certa dele. fiquei triste com a sua saída, embora ao mesmo tempo tenha que respeitar a sua decisão. agradeço o comentário que fazes acerca de mim, mas não recomendo a adesão detalhada à razão de alguém só por causa do apreço genérico. espero que quando concordares comigo seja por concordares comigo on the spot, e não pela simpatia.

    z, boa reunião. e quem te libertou de que nexo?

  55. O suicídio também pode ser visto como uma questão de dignidade – se um dia o cometer será mesmo por esse prisma. Depois, nunca entendi como absurdo o acto suicidário. Que há de absurdo em um tipo se mandar de um 20º andar em direcção ao solo/liberdade? Absurdo seria o gajo ao embater no chão sobreviver ou melhor saltar e voltar ao 20º piso :)

  56. a morte e a liberdade são incompatíveis, elypse. a liberdade é do ser, logo, dos vivos. o suicídio é uma condenação de si mesmo à negação de tudo o que faz de si mesmo alguém, e que é dependente da vida.

  57. Compreendo Susana, mas agora observa estes pontos de vista: escrevi há muitos anos a seguinte frase – estou preso à liberdade de pensar.

    Não vejo a vida como liberdade, mas sim um fim em si mesma. E não me suicido porque sou cobarde. Depois, resulto dessa rejeição que é o acto de procriação – por isso, num outro contexto, escrevi em relação à mulher: quero muito encontrar um fim para além do que me deste. (isto tem que se lhe diga)

    Vejo em todos os progenitores, assassinos. Somos cúmplices um dos outros, é um facto – sabemos, nós pais, que ao colocar aqui um ser estamos a dar-lhe um fim/morte. Vejo o acto de criação como um egoísmo. (este deu uma polémica quando lancei na rádio em Coimbra nos anos 90)

    Também tracei um paralelo curioso com o olhar e aquilo que poetas disseram: “Os olhos são o espelho da alma”.

    Numa das minhas masturbações imaginárias confrontei-me com o seguinte: aqui não encontramos no verdadeiro sentido que é encontrar. A prova está no olhar. Se quando encontramos paramos, porque é que os olhos estão sempre à procura? Porque no fundo, sabem melhor que nós que aqui só encontramos momentâneos, do que é suposto ser o encontro. Nesse sentido, também reflecti e cheguei a outra conclusão: a vida não é o encontro, quando muito serve para ele. Só ao morrer os nossos olhos serenam, tornam-se extáticos… Neste sentido a vida é um desencontro que serve para o encontro. Mas será necessário existir-se para tal?!

    São apenas perspectivas, que não tem que ser mais verdadeiras que outras. Apenas procuro dar pontos de vista, por mais ingénuos que possam ser. (Isto está um pouco truncado, atropelo-me imenso por dentro do que há mais dentro, e já não tenho pachorra para expor as ideias – lamento pelo facto ;)

  58. eu acho: eu perdi o meu emprego exactamente por não me negar a afrontar lóbis de interesses, em nome da minha noção de bem comum, que inclui os vossos filhos. E não estou sequer arrependido, embora tenha esperança que os tribunais me façam justiça um dia, porque senão fica uma mácula tramada no Estado de Direito.

    E até lá tenho que mudar de vida, e até de poiso, mas tudo bem. Agora eu não tenho filhos (que eu saiba, mas pelo menos não tenho essa preocupação directa), se tivesse se calhar teria sido bem mais comedido e ter-me-ia obrigado a calar, não sei, mas sei que não posso cobrar aos outros que têm filhos pequenos em pé de igualdade, a não ser que tivessem recursos extraordinários.

    a reunião correu bem, obrigado, e até já acabou o que é o melhor sinal e um alívio para a minha moleirinha

    ———-

    Sobre o suicídio, é uma questão bem difícil, para Camus era mesmo a única questão, depois de ter escrito O Estrangeiro e antes de ter morrido no acidente de viação. Em A Obra ao Negro da Yourcenar está contado o caso de Zenão que bem dá que pensar, em qualquer caso é sempre uma nova triste para mim, mas respeito e até posso compreender e, se necessário, até defender o direito da pessoa, embora prefira que a questão nem se ponha. Se a pus, foi porque a Susana colocou um enunciado radical (radical vem de raiz) que me levou até aí, a pensar em voz alta, digamos

  59. foi o ‘eu acho’ Susana, mas gostei, afrontou-me directamente e não foi sacana nem encomendou a terceiros. Também não sei se é homem, mas pensei que sim.

    Seja como fôr conversa-se com muita liberdade aqui, o que é sempre saudável.

  60. isto já o meu pai dizia pouco antes do 25 Abril: os melhores empregos são os de ex-ministro

    susana, já fiquei com umas comichões nos olhos a olhar o danadinho, bem equipadinho, mas achei piada ao olho straight

    vou ler para o lit

  61. Z: ora ainda bem que tens a moleirinha aliviada. Eu tinha um pressentimento que a reunião havia de correr óptimamente.
    Pela tua «noção de bem comum» e por não «te teres negado a afrontar lóbis», parabéns!
    Dizes «que te afrontei, mas não fui sacana nem encomendei a terceiros». Gostei, pá, porreiro. De cobarde não tenho nada, acredita.
    Um dia destes talvez volte à conversa contigo, aqui no Aspirina, Z.

  62. eu acho: sim, acredito que sejas corajoso pela maneira como falas, interpelando directamente sem subterfúgios, e olha que se eu não tivesse gostado não teria sido nada meigo.

    Imagino que sejas um gajo jovem, gostava de te dizer uma coisa: a coragem tem muito poucas vantagens, então num país tão corrompidozinho como Portugal – a maior vantagem que tem é que é bonito, mas isso só os corajosos e idealistas é que acham, e associado a isso tem outra, que é a nossa desforra, não sei lá se é do cheiro mas dá bons engates e romances.

    De resto é só desvantagens, porque os gajos corajosos não lhes passa pela cabeça a safadeza que os cobardolas, eles e elas, são capazes de fazer, a trama urdida durante anos na sombra disfarçada de sorrisos pela frente, a hipocrisia. Conta só contigo, o que vier a mais é bónus, porque quando a casa cai até descobres que só tens muito poucos amigos, se é que, e embora isso já seja sabido, custa sempre a constatar.

    Olha aqui um corajoso:

    «Eu desafiei as autoridades e paguei caro. Fui impedido de trabalhar. Eu era cirurgião no Hospital Universitário de Havana e senti-me injustiçado pelo sistema cubano», lamentou Miguel Pinto, referindo que encontrou abrigo em Portugal nos anos 1990.

  63. eu acho e z, sim, a coragem. no entanto naquele exemplo que o z deu dos que engolem porque têm filhos para sustentar há também alguma coragem. dependendo do que engolem, claro. uma coisa é, por exemplo, estar numa instituição em que se passam algumas irregularidades e continuar lá, impoluto e crítico. (bom, e de outro ponto de vista só de dentro é que se pode fazer alguma coisa a favor da boa mudança.) outra será compactuar com elas, ou mesmo permitirmo-nos fazer parte da corrupção. aí já não contemporizaria. fui uma vez pressionada, com ameaças de processo disciplinar e eventual despedimento. agradeci os amáveis avisos e não cedi. surpresa: por lá continuei, nada aconteceu. mas bem que penei enquanto pensei que ia perder o trabalho que sempre quis ter e que tanto me tinha custado alcançar. há quem ceda a ameaças que nunca seriam concretizadas e fique para sempre preso, por ter aberto o precedente. é preciso confiança na justiça, mesmo se a realidade muitas vezes nos diz que não dá para confiar, como a tua experiência nos conta, z.

  64. sim, Susana, e seguir em frente. Nós que gostamos da coragem não gostaríamos de nós próprios se nos sentíssemos cobardes. É verdade que também é preciso coragem para engolir umas coisas em nome da salvaguarda do bem de entes mais frágeis e sobre os quais temos responsabilidade.

    Depois também é verdade que se consegue mesmo mudar o rumo a certas coisas.

    Agora não vale a pena iludir que pode ter um preço, e mais vale estar algo prevenido.

    Depois também se pode dizer que a vida tem mistérios, não fora porem-me na rua e não teria o projecto que agora estou a alinhavar, e que se se vier a concretizar terá sido uma volta feliz. Olha o exemplo desse médico cubano.

    Quanto à justiça, vamos a ver, não faço idéia como conseguem dar a volta a um despedimento inconstitucional, mas sei lá, num país em que não houve um único político julgado culpado por corrupção nos últimos trinta anos…

    Eu só meti a acção porque o meu sindicato me convenceu, com um argumento relevante, de que a minha omissão seria pactuar com o que me fizeram e poderiam fazer a outros. Foi esse ‘outros’ que foi determinante, porque eu estava enojado com aquilo.

    Uma vez acompanhei de muito perto um caso de herança de que a minha mãe seria herdeira, de um tio bisavô. Não havia dúvidas sobre o que ele queria dizer no testamento, mas como era uma deixa condicional houve que esperar pela concretização da condição, que só aconteceu 50 anos depois de ele morrer. Entretanto outra parte da família abarbatou-se com as coisas. Muita coisa, muitos papéis, pareceres, etc., e a Relação deu-nos razão, mas obrigou a prova extrínseca para esgotar os mecanismos. O ónus da prova impendia sobre a minha mãe, e fazer prova extrínseca sobre algo que tinha sido escrito mais de 50 anos é um absurdo, quando já nem eram vivas as pessoas que poderiam testemunhar. O tribunal de primeira instância considerou que não foi feita prova e pimba, lá ficou tudo para os abarbatadores, com o pormenor de que não ouviram os testemunhos que tinham sido produzidos noutro tribunal porque a gravação tinha ficado inaudível! O Supremo passou ao lado disto tudo, quase que se lamentando que não tivesse sido produzida a tal ‘prova’.

    Não tem nada a ver, mas muitas vezes o ‘crime’ compensa. Mesmo assim decerto que somos pessoas mais felizes que os outros, porque lhes fica a pesar na moleirinha, quando a coisa dá para o torto, lá mais à frente.

    E pela parte que me toca, como eu quero envelhecer com as minhas filosofices a aprofundarem-se, já se sabe que um filósofo tem que ser pobrezinho senão não dá, portanto(s) …

  65. Gostei de vos ler, susana e Z.
    Mas nada do que me dizem, nem os conselhos do Z, são novidade para mim. Já sofri na pele represálias bastantes por assumir a «minha coragem».
    Há uns anos atrás, num determinado congresso, nomeei, na minha comunicação, um nome que não agradou a dois ou três dos presentes. A sala estava cheia, não só de portugueses, e várias pessoas vieram felicitar-me e pedir-me uma cópia do texto, que foi publicado pelo director de uma revista literária. No entanto, logo no dia seguinte, a jornalista que fazia a reportagem, como punição, anunciava no seu jornal que «eu estava lá, mas fora do congresso»! Mentira: havia sido convidado pelos organizadores! É claro que pedi ao jornal, «ao abrigo da lei de imprensa» a rectificação, que foi feita.
    Noutra ocasião, fui convidado a escrever uma série de episódios para a RTP – nessa altura o único canal existente. A dada altura, achei por bem parar. Fui chamado ao director de programas, a quem transmiti a minha opinião – em vez de me “abotoar” com os honorários. Resultado: a pessoa responsável pelo Departamento que me havia convidado – e que guardava, ao que parece, os textos na gaveta, sem se incomodar com os custos –, não gostou e disse abertamente: «Enquanto eu cá estiver, ele nunca mais cá entra»! E assim aconteceu. Só lá entrei muitos anos depois, quando «ela» atingiu a reforma.
    De outra vez, devido a duas páginas centrais que escrevi num conceituado jornal diário, fui chamado à Assembleia da República. Queriam saber mais pormenores sobre o assunto, importante e grave que abordara. Foi instaurado um inquérito a um determinado organismo do Estado. Com efeito, alguma coisa mudou. Mas não tanto. Eu? Fiquei na «lista negra»! As pessoas visadas no tal organismo, não mais me perdoaram a «coragem».
    Outro organismo, particular, do qual sou membro, encomendou-me um determinado trabalho, que me obrigava a várias deslocações. Passado mais de um ano, ainda não tinha recebido um chavo, conquanto o trabalho fosse pago, antecipadamente, ao tal organismo, por uma certa Câmara Municipal. Exigi, junto do presidente do organismo o pagamento. Passaram oito anos. Não voltei a ser convidado.
    Muito mais teria a dizer, mas creio que basta. A coragem de tomarmos certas atitudes tem quase sempre um preço. Às vezes bem alto. Mas sinto-me optimamente com a minha consciência. Provavelmente, já nasci assim. Com a mania de querer endireitar o Mundo com a minha «coragem». Como diz o Z, custa um pouco, mas já estou vacinado.
    Como já reparaste, «gajo jovem», não tanto. Mas tento!
    Abraço para a susana e para ti, Z. Foi um prazer, acreditem, esta longa conversa.

  66. eu acho: desculpa lá, deve ser porque os corajosos têm uma certa jovialidade que eu pensei que eras macho jovem. Assim, com o teu cv, quem pedia conselho era eu.

    Desejo-te felicidades. Tenho esperança que a geração da Susana consiga ajudar a endireitar o país, realmente ficar direito mesmo é uma utopia, mas pronto ficar um pouco mais direito não é pedir demais.

    eu também acho que nasci assim, provavelmente, como dizes, abraço para ti

    susana: já escreveste sobre a paisagem e eu não dei conta? Ou ficou para um momento de inspiração posterior?

  67. eu acho, um abraço também para ti.

    z, não respondi, desculpa lá. é que entretanto fiquei a pensar se não seria coisa para post, acrescentada pela expressão que usaste: «o valor da paisagem», que me deixou aqui a pensar numa data de coisas. não me esqueci e lá irei, isto tem é andado demasiado tumultuoso para matérias tão apolíneas.

  68. TRÁFICO DE SOLOS (A Opinião de Paulo Morais, Professor universitário)

    «A gestão do Urbanismo nas câmaras municipais transformou-se na mais rentável fonte de corrupção. Constitui o maior cancro da democracia. As práticas mais comuns e perversas consistem na alteração, sem regra e contra o interesse público, da capacidade construtiva de terrenos. Áreas agrícolas que apenas permitiam uma actividade de subsistência a pobres agricultores mudam de mãos (e para que mãos!) e, como que por milagre, aí nascem edifícios de vinte andares. São as alterações aos planos directores municipais, feitas a pedido ou por ordem de quem domina o poder político. Mas há mais. Quantas vezes são licenciados edifícios de seis ou mais andares, onde os instrumentos de planeamento apenas permitiriam a construção de vivendas. Tudo graças a uma conivência promíscua entre promotores imobiliários e vereadores do Urbanismo; também devido a um caldo legislativo confuso que incita a arbitrariedades; e a uma burocracia que ajuda ao descontrolo. Com estas práticas conjugadas, terrenos de cem mil euros podem passar a valer dois milhões. O ‘negócio’ do Urbanismo gera assim margens de lucro de dois a três mil por cento, só comparáveis em Portugal às do tráfico de droga. Não é de admirar que se instale, na política local, o mesmo tipo de mecanismos perversos, as mesmas máfias.Traficando a capacidade construtiva excessiva, os vereadores do Urbanismo convertem-se em dealers, sequazes dos hábeis promotores imobiliários – são os artífices de todas as burlas, dominam os partidos e financiam-nos. Ou, mesmo que não sejam convictamente corruptos, são cúmplices, fecham os olhos – são os medrosos, muitos e muito baratos. Há excepções: os resistentes, que combatem esta vergonhosa permeabilidade da gestão da coisa pública a interesses privados. Inconformados, acabam por sair, desiludidos ou saneados.»

  69. E perdeu tempo com sms??? 200 ???? Que desperdício, não admira que os latinos sejam tão populares por aquelas bandas entre a populaça feminina. Pelo menos costumavam ser…. Há por aí alguém actualizado nesta matéria?

  70. Parei nesta página (não tive sorte em encontrar o que estava a pesquisar no google, pelo menos até agora).

    Perdoem-me por escrever mal. Fiz 17 anos há pouco tempo e pouco leio e escrevo.(“Esta juventude…”)

    Uns 30 minutos (ou mais) perdidos a ler (só a passar os olhos nalgumas partes) opiniões e ideias, com muitas palavras que desconheço (nem quero saber). Muitos de vós são muito inteligentes (mas isso já sabem), parabéns (o “parabéns” é só para agradar). No entanto, são pessoas como outras (conclusão brilhante). Independentemente de se acharem superiores (Em algumas coisas são certamente. Mas pessoas que escrevem coisas assim acham-se superiores em mais do que deviam. (Bom era que ninguém se achasse superior)), são, tenho este palpite, piores pessoas ( a susana é de certeza absoluta (ri-te)) do que a maior parte das pessoas.

    Por isso, o que vos sugiro, é uma boa dose de humildade (não daquela falsa). Em vez de escreverem sobre coisas que acham que vos interessam (sentem, na verdade, uma simples necessidade de expressar opiniões sobre coisas sobre as quais acham(e bem) que sabem mais que a média (porque é giro)) – que para nada servem – vão produzir alguma coisa de útil… É só sugestão.

    E sim, sou um puto frustrado.

  71. Alguma coisa de útil a quem??? Aí é que bate o ponto. Parece-me que quando referes «qualquer coisa de útil» estás a colocar-te no centro da questão; logo – ítul para ti. Não será?

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