O SOL QUANDO BRILHA È PARA TODOS

Ontem, assim que me levantei, vi logo que se iria ter um bonito dia de sol na Londónia Blairo-trabalhosa, uma coisa que cada vez surpreende menos mesmo em fevereiros pós-dickensianos. Global (war)mings, pois então, para assustar as pessoas e arranjar uns quantos tachos a ecologistas desempregados.

Dei uma olhadela rápida ao que tinha agendado para o dia e notei que me seria possivel levar a cabo três salutares actividades, se o solinho se mantivesse: a) apanhar uma banho de vitamina D através das vidraças; b) ir ao newsagent e comprar um jornal às cegas e lê-lo sem sequer me incomodar em saber quem é o seu dono porque já sei disso há muito tempo, e c) ir aviar-me ao supermercado duma cadeia deles que abarbata a bagatela de um terço do dinheiro que se gasta em comida neste país. Os nomes dos donos não são para aqui chamados.

E assim fiz. Com o sol a bater-me no peito e o adjunto da hormona a entrar-me na pele, fui lendo as notícias. Mas só duas me espicaçaram a atenção. O resto era o merdismo jornaleiro do costume. Numa delas dizia-se que o Tony Trabalhista comprou a sua quinta propriedade residencial que juntou às que já tinha para tudo ficar a valer cinco milhões de estrelinas. Pensei: a sua clique de amigos irá certamente lamentar a dificuldade que agora terá em pagar as amortizações dos cinco empréstimos – um encargo mensal da ordem das 20 mil mocas. Eu fico com pena dele porque sei que o seu amigo Berlusconi costuma dar isso de gorgeta em restaurantes em Roma ou Milão.. Se não dá é porque não quer (50 bilhões de eurodemocráticos bruxelenses de fortuna). Estas disparidades injustas entre antigos e presentes cabeças de governo da Comunidade Europeia não se admitem. Um dia destes ainda vai haver por aí uma revolução, se os comunistas venderem a patente. Mais que não seja nas lojas pequenas porque as grandes estão-se cagando.

A outra notícia que me fez piscar o olho da indignação foi uma à volta dum juiz que condenou um pedófilo a dar uma bicicleta ao rapazinho que molestou. Estas coisas têm que progredir aos poucos. Que ninguem se admire que daqui a uns anos as penas baixem para um triciclo com cromados ou um pacote com duas dúzias de fraldas.

Depois fui ao tal supermercado, e quando de lá voltei carrregado com vários quilos de bananas sul-americanas que tenciono transformar numa sopa potássica para me fortalecer os nervos até o comandante Sócrates decidir voltar ao seio dos homens normais, fui ao computador e carreguei no botão do Aspirina, levando de seguida com várias coisas na tromba, entre elas os 25 tostões de prosa tavariana de coçar na pila ao Sim e no grelo à Nova Ordem Mundial – outra surpresa que contribuiu para animar um dia cheio de sol que não foi para brincadeiras, graças a Deus.

TT

4 thoughts on “O SOL QUANDO BRILHA È PARA TODOS”

  1. Monday morning tu ru ru…
    Brilha, brilha para todos os que o conseguem ver. Hoje também brilhou para ti. Que bom! Aqui no meu reino brilha mais uns quantos dias.
    Não, não me digas que a chuva também é muito boa, no meio do alcatrão, para regar as ervas-daninhas.
    (Hoje o almoço é creme de ervilhas com batata doce. Humm!!)

    Gosto mais sem o itálico. É mais agradável de ler, embora seja sempre um prazer ler-te, com ou sem itálico, com ou sem Berlusconi, com ou sem Sol.
    Sim ou Não?… Talvez!

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