um deus para todo o serviço

Há dias recebi um telefonema. O Isaías é empreteiro e imigrante em Portugal. Fez umas pequenas obras em minha casa há uns anos e criou-se uma relação especial. Ele aceitava a minha sopinha e conversávamos sobre a vida, a religião, a ética e as pessoas. Quando lhe paguei disse-me que era o primeiro dinheiro do qual poderia dispor, mandando uma parcela para a sua mãe, e que iria poder declarar, facilitando a sua legalização laboral. No Natal seguinte enviei-lhe uma mensagem de conforto e encorajamento e ligou-me para dizer que tinha sido a única recebida dentre os portugueses que conhecia. Entre a gratidão e o reconhecimento de estar diante duma pessoa boa e correcta, ficámos a gostar um do outro. Ao longo dos anos tivemos contactos esporádicos e dentro do mesmo registo.
Quando atendi o telefone pensei que me ligava por motivos de trabalho. Não era. Quis falar comigo porque era dia 8 de Março, o dia internacional da mulher, e se tinha lembrado de mim. Queria dizer-me que me admirava, como mulher, mãe e pessoa. E ainda informar-me que Deus tem um plano para mim. Tivesse eu fé, pois o perdão não tem que ser uma amnésia e o caminho está em aberto. Sensibilizou-me e enterneceu-me. Fiquei-lhe, eu, grata.
Sou daquelas pessoas que se lembram de Deus para lhe agradecer a sorte, sempre que ela parece desmedida em relação ao merecimento. Também lhe peço atenção perante um grande temor relativo àqueles que amo. Mas, de modo geral, não acredito nele. No entanto, no fim-de-semana passado, um amigo que trabalha por conta própria contou que a rapariga das limpezas lhe faz rezas no escritório. Aparece, então, mais trabalho e os clientes em dívida começam a pagar em massa. Outra pessoa tem-me contado que nas vindas a minha casa, onde é difícil estacionar, sempre que se lembra de pedir a deus arranja lugar.
Compreendo o deus que une uma comunidade em torno de um ritual, mesmo que apenas se amem uns aos outros nessa duração. Compreendo o deus que se alberga num lugar de culto e de quem sinto uma presença empática se ali procuro recolhimento. Mas tenho uma enorme dificuldade em compreender este deus cobrador de fraque ou aqueloutro deus nosso senhor arrumador.

134 thoughts on “um deus para todo o serviço”

  1. Ah, que céptica. A fé faz milagres. Depois se o milagre é arranjar lugar para estacionar, arranjar mais negócio, inventar a cura para o cancro ou para a sida, isso já depende do que com fé acredita (pois será mais pelo acredita do que pelo pede, digo eu).

  2. Também tenho uma mulher-a-dias que é imigrante. É da Moldávia, ou lá o que é… Não sei pronunciar o nome dela, por isso chamo-lhe Maria. Não sei se ela é religiosa… mas até que se ajoelha direitinho!…

  3. Tens que te aproximar mais Rodrigo, para saber se ela reza bem. As que passaram lá por casa, disseram-me que nem Deus as tinha abençoado tão bem

  4. pois Susana, é essa humanidade de pequenas e tocantes solidariedades que também faz o meu deus, junto com uns sinais mais

  5. Muito bom. No entanto, adentro da concepção de uma divindade omnipotente, ubíqua e omnisciente, não escandaliza que ainda conseguisse sacar uns cobres a caloteiros e condutores.

  6. Susana, parece-me que a beleza e a honestidade com que escreveste este texto mereciam algo mais sério da parte dos comentadores.
    Deus não será um “deus ex machina” que resolva os problemas do guião da nossa vida a torto e a direito, mas talvez seja algo mais do que a negação de uns ou a vaga ideia de outros.

  7. Daniel, depreende-se do que dizes que só textos feios e desonestos é que se coadunam com comentários bem humorados. Queres explicar melhor a tua posição?

  8. DE facto o texto da Susana não merecia dois dos comentários porque o registo é outro. Eu fui amigo do Orlando Neves que escreveu o «dicionário do palavrão» e sei muito bem o que quer dizer «ajoelhou; rezou» mas o contexto daqui não é o da brincadeira. E também sei o que quer dizer «after eight». Mas é outra coisa.

  9. nik, obrigada.

    clara, acredito. acredito em ti…

    rodrigo, isso de andar a limpar o chão a pano é coisa de antigamente. tens que arranjar uma esfregona para poupar as cruzes da velhota.

    elypse, com quem te ler estás tramado: para mulher que se preze, a auto-publicidade tem sempre um efeito oposto, para mais tratando-se de joelharia.

    z, exactamente, e suspeito que contigo o deslumbramento com a natureza será também parte dele.

    vieira do mar, obrigada. e beijinhos.

    valupi, obrigada. e bem visto…

    daniel, agradeço a gentil apreciação.
    mas não te preocupes com esse tipo de coisa, uma das graças disto e dos comentários é mesmo as coisas poderem ir parar a sítios diferentes, o lado coloquial e imprevisível.

    jcfrancisco, toda a gente com mais de 14 anos sabe o que quer dizer esse «ajoelhar». mas trazes uma coisa nova: after eight…?

    rodrigo, são todos bem-vindos. nunca foi coisa que me preocupasse. a não ser que fosse particularmente ofensivo ou revelador da privacidade de alguém, mesmo que seja uma coisa terrível (não é o caso, obviamente), eu tendo a achar que só ofende a proveniência.

  10. Era natural que alguns homens (sérios, e provavelmente monótonos :), se sentissem incomodados.

    Qual tramado? Quem me dera que elas me dessem descanso.

    Depois, quanto mais lhes ”bato” mais rejubilam…

    Voltando – colei-me à “provocação” do Rodrigo (um amigo de longa data), a qual, tenho a certeza, não teve por objectivo agastar, mas sim promover alguns sorrisos.

  11. Susana,

    Acredito que, não sendos tu crente (permite-me esta fabulosa morfologia), as coisas se simplifiquem muito. Tudo se reduz, então, a perguntas para que se sabe não haver resposta. É, de facto, um alívio. A crença é um peso.

    Mas faz toda a diferença do mundo ter tido um dia esse peso, ou não. Tu tiveste-o?

  12. Rodrigo
    Eu entendo que a cada coisa o seu lugar. Essa conclusão de que só registos feios e desonestos mereceriam comentários humorísticos não é correcta. Se alguém falasse aqui de uma pessoa que respeites muito decerto não te soariam bem certas piadas. Só isso.

  13. Susana, agora a sério. Estou cá com uma preocupação com a minha imagem aqui. Realmente estaria, como alguns, se tivesse essa eventual pretensão de ser bem sucedido. Ando nisto vai para 5 anos, e nos dois primeiros anos até me servi disto ou serviram-se (nem sei bem se fui eu que engatei umas poucas ou se foram elas – até acho que foram elas, que nós nunca engatamos nada). Saturei-me da blogosfera nesse aspecto, ainda por cima foi sempre uma desilusão.

    No entanto, uma coisa te confesso – se um dia precisar de sopinha, já sei a que porta ir bater ;)

    (espero que percebam o registo da brincadeira)

    A questão do FMV está muito interessante…

  14. “Oh Susana, vês aqui o comento acima?

    A parte a negrito, envolve-me a mim.

    Foi devido a essa “indirecta”, que comentei o que comentei – que fique claro.

  15. Outra coisa:

    Superstição não é crença. Este “caso de vida à Côncio” fala de superstições, supostamente dirigidas a Deus o que nunca vi nem imagino como se possa fazer. Não existem rezas as Deus. Não há em todo o catolicismo qualquer indicação para se rezar a Deus em nome de superstições, para dar sorte.

    Nada disto é catolicismo nem protestantismo. Pode dar-se o caso de ser macumba.

  16. Gosto da sua sua referência ao silêncio e acolhimento que os lugares de culto (normalmente belos em arquitectura e obras de arte) podem possibilitar-nos. Lugares de pensar. Procuro-os muito, nesse seu isolamento e silêncio reparador. Deus, para mim, é, acima de tudo, a resposta a uma necessidade de transcendência que sempre caracterizou os meus dias, ocupados, estes, de maneira e com gostos muito terrenos. Há um lado meu que só o inexplicável da fé (vivida de forma muito interior e pessoal),pode preencher mas, quantas vezes, discordante de tantas normas da igreja. Ainda assim, Fé.

  17. Citando Elypse:
    “Daniel, num certo contexto não aprecio ironias nem cinismos…”
    Tal como eu, meu caro.

  18. Daniel:

    Eu nem aprecio serralho, quanto mais o acompanhamento dele. Sempre me pareceu um tanto degradante pagar a alguém para limpar o que sujo. Ainda que tenha sido criada com todo esse séquito. Por mim não consigo. Donde estas bocas também não fazem o meu género.

    Ainda por cima vindas de ateus, quando o post é de macumba. Ora, na macumba não se ajoelham, costumam é espojar-se todos em conjunto no chão.

  19. Daí a vantagem de todo o animal em não ter problemas de estacionamento.

    Salvo as tais macumbas. Na zona Jota conta-se que se pode assistir a rebanhos inteiros a subirem as escadas dos prédios e, ao que consta, nunca ninguém deu pela saída dos mesmos.

    É um modo de resolver o problema de estacionamento à posteriori.

  20. Se for macumba não é exemplo de catolicismo nem cristianismo, como foi lido.

    As seitas e as superstições nada têm a ver com o catolicismo ou com a mensagem de Cristo.

    Se é macumba na bolsa, até tem piada. Imagino um yuppie a fazer bonequinhos de dólars de bancos rivais e a espetar agulhas nos gráficos do Tio Patinhas.

    Ainda sou capaz de imaginar um grupo de macumba a espojar-se nos tapetes de forma a evitar o mau-olhado do polícia de estacionamento que vá a passar lá em baixo.

    Agora o que não imagino é nenhum católico nem nenhum cristão a fazer isto.

  21. Ah e, em sendo macumba, o arroz de cabidela era o mais indicado. Pode comer-se no chão, acompanhdo das beberagens alucinogéneas para evitar que o polícia dê com o carro mal estacionado.

    Mas repito. nada disto tem a ver com cristianismo.

    Ainda que, na versão do catolicismo badalhoco, seja muito bem-vinda a reza por bem dos parentes ou casamentos pela igreja mesmo que depois se digam ateus.

    Por mim, nada contra. Apenas não gosto muito de automóveis nem de serralho.

  22. Só que pedir a Deus pelo bem dos seus, não é fazer jogo de sorte e azar para se ganhar dinheiro ou para se encontrar lugar para estacionar o carro.

    Em ambos os casos só se pode estar perante uma magia-negra supersticiosa e de todo fora da Bíblia.

    Foi apenas para repor esta questão. Já que reparei que todos leram como exemplo católico ou bíblico.

    O Jesus Camp, por exemplo- é macumba de reverendo-coisos em forma de rap, transe e aeróbica, com mensangem neocon à mistura.

  23. A Bíblia também diz que não se pode rezar a Mamon e a Deus ao mesmo tempo. Toda a reza por lucro de bens é anti-cristã. Foi Cristo quem correu com os vendilhões do templo.

    Este Tio Patinhas da história deve ser feiticeiro.

  24. Shiiii, baixou o santo – quis dizer: a santa :)

    Agora não vai só haver um estalar de dedos – as línguas vão chicotear

    Fustiga. fustigaaaa

  25. (excerto de um romance que estou a escrever, ainda em revisão)

    (…) Do quotidiano brasileiro fazem parte o futebol, o carnaval, o samba, a capoeira e as macumbas. Com frequência podiam observar-se os “trabalhos” feitos pelas ruas e encruzilhadas, a sua maioria constituídos por velas de cor vermelha, uma garrafa de cachaça – a pinga – e uma imagem associada ao culto: Iemanjá, Pomba Gira, Satã. A religiosidade é fervorosa. Respeitam os cultos: por norma evitam tocar nos “trabalhos”, por recearem que o mal, neles desejado, lhes seja transmitido.
    Alex gostava de desafiar o perigo, fosse ele de que natureza fosse – no que diz respeito à transcendência, achava-a uma forma de manter ardilosamente a superstição e a submissão. Por isso era rara a ocasião que perdia para desfeitear, através de um pontapé, uma macumba. Assim que avistava uma, dizia para consigo: “Esta porra visa o mal, há que ceifá-lo!” – e desferia, de imediato, um pontapé, julgando anular o mal. Uma das razões que potenciavam Alex nesta sua atitude era a de ter tido na sua infância aquela passagem pela mãe cigana. Uma macumbeira havia-lhe dito que ele tinha o corpo-fechado (estava imune a qualquer feitiçaria), pois tinha sido abençoado no passado por alguém muito poderoso.
    Os seus amigos, mais ou menos circunstanciais, achavam-no doido. No entanto, entre eles, havia um que suplantava, em muito, a loucura de Alex em relação às tão respeitadas e temidas macumbas. Este singular indivíduo, que dava pela alcunha de Mané-Barata, por ter um desejo algo mórbido pelos execráveis insectos, não destruía os “trabalhos”, consumia-os. Quanto maiores e mais elaborados melhor. Sentava-se no chão e punha-se a beber a cachaça para as Pombas Giras e Exús, e a comer as oferendas, que por vezes eram bolos, para os Ibêjis. No entanto, em casa, fazia culto ao Zé Pelintra (mestre catimbozeiro), o patrono da noite, que zelava pelas prostitutas e restantes marginais. Tinha tanta admiração por esta entidade que no lugar da habitual cachaça lhe colocava whisky. O Mané Já tinha presenciado várias sessões em terreiros de Umbanda, local onde alguns médiuns incorporavam as várias entidades: Exús, Pombas Giras, Caboclos, Pretos Velhos e Ibêjis (as crianças). (…)

  26. eu não percebo nada disso nem procuro, mas acho bonito capoeira

    as coisas ficam com quem as faz, é uma frase a puxar para o sagrado

  27. É muito engraçado, muito típico mas não tem nada a ver com catolicismo, repito.

    Já os sacrifícios dos animais não vejo onde esteja a piada. E no mau-olhado dirigido aos outros, de forma a provocar doenças e maleitas também não.
    Até andei a postar uma série de macacadas dessas, condenadas pelo Burcardo de Worms, na Alta Idade Média.

    Mas o exemplo do post não me pareceu medieval. E não se explicou que afinal o deus para todo o serviço era capoeira.

  28. Elypse:

    Por acaso, entre os meus “ódios de estimação” incluem-se a porcaria dos suja-paredes a que chamam grafittis; as cavalgaduras do volante e o serralho.

    Lembra-me sempre uma mistura entre invalidez e do Tomás da Cabana.

    Mas imagino que seja a forma mais fácil para qualquer manco se sentir patrão. Se mandar ajoelhar então… há-de ser variante de chulo por conta da limpeza da toca.

  29. O que até podia dar um conto com muita piada. Um morgadinho da porcalhota com problemas na coluna e a ucrâniana a fazer a ménage enquanto o papagaio fazia o rascunho para o romance.

    Que pico de oro!

  30. “:OP

    Tu queres era papagaia para te bater o romance qje este Paco já deve andar de k7 avariada.

    Se calhar foi oferta de contrabando no Al-Garve e ofereceste-lhe um gravador pirata para pendurar na gaiola, enquanto faz o registo neo-realista do romance do morgadinho da Porcalhota com as ucranianas.

  31. Não que aquilo é um romance sério, Zazie! Depois de publicado, o cânone, de Bloom, perderá todo e qualquer significado.

    E jamais poderia entrar um urso pujante como o do teu blog. Mas compreendo-te: só mesmo com um “red top” daqueles, para dar cabo das ursas ;)

  32. Os meus tempos verbais é que saíram errados

    ehehehe

    “:OP

    Sou péssima a rever o que quer que seja. Por acaso até costumo pedir a um pinguim o favor de me fazer esse trabalho.

    Por isso já vês, só se o teu Paco achar piada a pinguins suspeitos.

  33. Caraças, ainda bem que me falaste nas ursas que vou ver se tiro um bocadinho de tempo ao fim da tarde para chegar aos sobrinhos do pato Donald e à pederastia lobita

    “:OP

    É que depois vou laurear a pevide em risus pascalis

  34. Estás a brincar, mas, em relação à revisão, já pensei em recorrer ao Daniel ou ao Venâncio. À Susana não, que poderiam pensar coisas.

    Estou mais inclinado para o Daniel – ele mandou, salvo o erro, uma “boca” que me fez lembrar o Shaw no belíssimo Pigmaleão.

    E também ando aqui para aprender português…

  35. Isso sim. Aprender português com o Venâncio aprende-se. Agora o resto não sei que não tenho AdSense no blogue. Mas um dia destes penso nisso.

  36. Cala-te lá que já assisti a uam revisão de português a uma tese de doutoramento de um amigo meu que foi de chorar a rir.

    O colega riscou-lhe 300 páginas de alto a baixo. Nem uma linha escapou. Foi tudo para o lixo

    ahahahahaha

    Matei-me a rir porque foi mais ou menos assim: “ai atiras-me aí com a tua tese de doc e já vais ver o tesão que te dou de português”

    “:O))))))
    Ele ficou tão fulo que deitou para o caixote de lixo e depois acrescentou os agredecimentos na tese.

    ehehehehe

  37. E sabem qual é a razão disto tudo? Sabem? É o desemprego. Portanto, se souberem de alguma vaga, num qualquer partido político, digam que sirvirei com zelo qualquer “entidade”.

    Adiantando parte da proposta:

    Jovem polivalente, misteriosamente desempregado há meio ano, de versatilidade ímpar e sobredotado de esperteza parola, com grande motivação e vocação para a corrupção, oferece-se para exercer funções na Assembleia da República.

    Se não tiver sucesso desta vez desisto

  38. Elypse, pelo amor de Deus não me peças revisão seja do que for. Se soubesses quanto me carregam com encomendas dessas! E já revi uma tese de mestrado a que deveria ter feito o que o amigo da Zazie fez. Palavra de honra.
    Mas até que não és grande pecador sob esse ponto de vista.
    Desculpa ter-te interrompido a conversa com a Zazie.
    Um abraço.
    Daniel

  39. Bem Zazie antes que tenhas tu juízo: estamos a ser uns mal-educadões. Daqui a pouco ainda nos dizem para ir namorar outra vez. E se calhar era o melhor que fazíamos ;)

  40. Daniel – não tem mal nenhum. E acredito que ande para aí muita tese que mereça isso mesmo: o lixo. No meu caso, também não posso afiançar que não deva suceder o mesmo – temos sempre dificuldade em sermos críticos de nós próprios. Daí a necessidade de um revisor imparcial e com real capacidade de crítica.

    (não quis dizer, com isto, que não seja o teu caso)

  41. Susana. Conforme combinado aqui vai a definição de «after eight» conforme consta do dicionário do Orlando Neves: «Diz-se de um felácio praticado pela parceira como sobremesa após um jantar galante. «After eight» são tabletes de chocolate recheadas de menta que se deixam desfazer na boca, habitualmente depois do jantar.» está conforme a página 16 do dito cujo dicionário.

  42. Susana,

    Texto simples,com aquela interrogação inquietante que está sempre dentro de nós:-Mas afinal onde está Deus? Quem é Deus?Como pode Deus cobrar de fraque e arrumar com esmola?
    Há muito que ultrapassei essas interrogações. Acredito num ser supremo de espiritualidade profunda que mora onde ninguém sabe, mas que é bom. Os homens dividiram-se e querem que Deus lhes dê uma explicação. Mas são os homens que têm que explicar e não Deus.
    Mas é sempre bom saber que no Dia Internacional da Mulher Deus se lembrou de si, com a voz da simplicidade que lhe é própria.

  43. Daniel de Sá: “Se alguém falasse aqui de uma pessoa que respeites muito decerto não te soariam bem certas piadas. Só isso.”

    Oh, Daniel. Em primeiro lugar, descupa. Não sabia que também tinhas intimidade com a minha empregada. Mas agora a sério: vocês aqui são muito sérios!!! Não concordo nada com isso de que “se eu conheço a pessoa não gosto que brinquem com ela”. Isso é muito típico do humor do português – e eu sei do que estou a falar. Quando a piada envolve os meus, não tem graça, devia ser proibida. Se a mesma tiver por alvo os meus adversários, então é bem feita, tem muita graça.

    Acordem esses cérebros, minha gente! Vamo-nos rir todos juntos, de tudo e de todos, uns dos outros e das mães dos outros. E que os outros também se riam de nós e das nossas. Rir é a melhor invenção da humanidade. Sejam felizes que a vida é curta…

  44. Por favor, deixem-me postar somente uma vez no Aspirina, mesmo que eu tenha nascido com genes PSD, só para ter o alívio bondoso de dizer aberta e publicamente que a zazie… é maluca.

  45. Lembramo-nos de Deus, quando dá jeito ou estamos aflitos, Susana…

    mesmo quando assinamos “ateus”…

    Mas o tempo dos acasos serem transformados em milagres, já era, mesmo que se trate de uma simples vaga no parque de estacionamento…

    gosto de te ler…

  46. zazie, nem de propósito, hoje saiu uma revista de História por aqui que conta que a ‘capoeira’ vem de uma dança a imitar a zebra em Angola. Nunca pensei que este meu nick tivesse tantas valências

  47. Rodrigo
    Não sei se te dou razão ou não. Simplesmente porque não sei como reagirias e uma piada a respeito da tua mãe semelhante à que atiraste a uma talvez suposta empregada.
    Quanto ao humor no Aspirina, estás enganado. Aqui é do que mais há, apesar da seriedade de muitos dos textos. E capacidade de encaixe. Mas, se pusermos tudo a render humor somente, ele deixará de o ser. Penso que se deve poupá-lo para não perder o efeito. Se não me fiz entender, desculpa. Tentarei provar-te que tenho sentido de humor.
    Um abraço.
    Daniel

  48. fernando, concordo. gosto que haja tantas perguntas sem resposta, é também o que nos mantém a andar. e já tive esse peso, embora não o considere pesado. o mais pesado na prática católica, sendo eu pequena, era ter que inventar pecados para o momento da confissão. que aquilo não ia lá se não houvesse uma qualquer penitência. mas já se sabe, uma coisa é deus, ou a fé, outra é a igreja e os seus ministros.

    isabel, também achei. saiu-me bem, essa. :D

    clara, não te esqueças que nós também somos mais desconfiadas…

    zazie, mesmo tendo em conta que não estás a falar comigo e que o post nem sequer é meu: é evidente que o texto fala de crenças diferenciadas e põe em causa essas últimas. no entanto não terei a petulância de questionar a fé dos outros. por outro lado, para o ateu, e até para o agnóstico, qualquer fé em deus será uma forma de superstição.
    seja como for, ninguém te disse que as ditas rezas teriam como objectivo as vantagens materiais, apenas que o “beneficiário”, chamemos-lhe assim, diz verificar essa consequência. a rapariga pode estar apenas a cumprir um ritual privado, a chamar deus para junto de si. como sabemos, em alguns países a fé cristã está imbuída de pensamento mágico e, tal como nos rituais católicos o pagão está presente, é natural esta permeabilidade entre culturas.
    louvo a tua ginástica flexivel, até aqui conseguiste trazer o neocon à baila.

    z, também acho bonito a capoeira. lá está uma prática com uma história bem interessante.

    jcfrancisco, dos chocolates eu sabia, agora a correlação entre a modalidade e os ditos surge-me um pouco forçada e até inadequada (não vou entrar em pormenores sobre alguma coisa a amolecer na boca). parece-me é que não resististe a fazer o mesmo que os outros, aqueles que criticaste (o que vai sem crítica alguma, a mim não me choca qualquer tipo de comentário).

    lia, não tenho essa inquietação. mas trata-se disso mesmo que refere: o que aconteceu foi alguém, por causa do amor ao próximo que lhe dita a fé (e também pela gratidão que lhe associa) ter tido um gesto bonito e que me comoveu. posso dizer, sin embargo, como dizem os espanhóis, que nestas alturas ficamos todos mais próximos de deus, porque próximos uns dos outros.

    luis eme, eu não assinaria tal, porque tenho uma fé difusa. no fim de contas todos temos um pensamento religioso, divergimos naquilo a que o dirigimos.

  49. http://pt.wikipedia.org/wiki/Superstição

    As supertições nada têm a ver com uma crença religiosa. Existem pessoas supersticiosas que tanto podem ser ateias como crentes.

    Há mesmo uma qualificação na psicologia para os rituais supersticiosos.

    È comum no ateísmo militante denegrir-se o sentimento religioso chamando-lhe superstição. È um erro que qualquer simples estudo de filosofia corrige.

  50. Por outro lado, bastaria conhecer-se as determinações mais antigas dos Concílios da Igreja Católica para se saber que partiu dela o combate às centenas de superstições que existiam e que vinha do Império Romano.

    Nenhum católico pode negociar um dádiva divina e muito menos invocar o nome de Deus em vão.

    Os exemplos dados são charlatanice ou profunda ignorância já que, mesmo entre pessoas absolutamente incultas, nunca conheci nenhum caso de rezar a Deus para obter lugar livre para estacionar o carro.

  51. A palavra superstição deriva de superstitióne, do latim- cujo sentido significa “resto de velhas crenças.

    As superstições consistem num desvio do sentimento religioso ao atribuir a certas práticas uma espécie de poder mágico, ou eficácia sem razão. São crendices.

    Religião significa ligar- voltar a ligar o que se separou. O ser humano com Deus. Não existe nenhum ramo da filosofia que estude as crendices. Essas fazem parte da etnologia. Mas existe a Teologia que é o estudo do que respeita a Deus.

  52. Daniel, não leves demasiado a sério tudo o que eu digo. Na verdade, é melhor não levares nada do que eu digo a sério! Já nem eu acredito nas minhas brincadeiras… Isto era a brincar. Mas, olha, podes gozar com a minha mãe à vontade que não me ofendo. Estou acima disso.

    Já agora, aproveito para revelar: não tenho empregada nenhuma. A dona Maria é invenção minha. E agora? Isto é a sério ou a brincar? Quem adivinha?…

  53. zazie, foi isso o que eu disse. que para um ateu até a crença religiosa é uma superstição. voltando ao exemplo do lugar de estacionamento, também não sabes as circunstâncias. imagina que se trata de alguém profundamente perturbado pela situação, por exemplo na eventualidade de ter medo de percorrer a noite escura por não ter arranjado um lugar próximo (não estou a dizer que é o caso, nem que não é). nessa altura pedir a deus um lugar seria o mesmo que pedir protecção.

    eu concordo contigo, como podes verificar se leres o post. mas não me indigna, antes acho graça. um lado pragmático e utilitário, bem entendido, mas ao mesmo tempo uma fé que anima e alegra. será mais fezada que fé, mas não tem mal.

    rodrigo, eu adivinho que é a sério.

  54. Eu não sabia que ainda hoje no século XXI estreante ainda se discutia religião. Muito obsoletas no Aspirina. E falam de política. E falam de futebol. Não há mais nada para contar? Que seca…

  55. Não. Não é que para um ateu até a crença religiosa é supersticiosa. O que acontece é que existe a mania de se chamar superstição à religião.

    Mas existem superstições com qualquer coisa, e aí sim, nesses rituais é que até pode existir patologia sem que a pessoa precise de ser crente.

    Um ateu pode ser supersticioso. E não é supersticioso com questões religiosas mas apenas pelo facto de atribuir sentidos mágicos de cariz positivo ou negativo a qualquer coisa.

    Por exemplo- entrar com o pé direito. É superstição tão antiga que até os nos templos gregos existiam 3 degraus e dava-se o nome de crepido ou crepidine ao do meio- no qual se apoiava a sapata do pé esquerdo, de forma a entrar-se sempre com o pé direito.

  56. Por outro lado, nehum ateu, apenas por o ser, precisa de chamar supertição às religiões. Que são coisas muito diferentes das seitas ou das magias.

  57. Outro dos mais antigos objectos relacionado com as superstições são os espelhos. Os espelhos curvos chamavam-se “sorcières”= feiticeiras. Precisamente pela magia de espalharem a visão para lá do campo do obervador.

    Para não parecer chata, deixo aqui um link sobre o assunto.

  58. claudia, não te tinha visto no meio da multidão. quanto ao teu pedido, pelo que vi foi atendido: trataste tu do teu milagre. é assim no aspirina: milagres para toda a gente.

  59. E agora vou tratar de outros espelhos mais engraçados. Há aqueles de onde saem os tigres do Borges e os que serviam para capturar as crias das tigresas. Acabaram por se tornar uma forma de representação circular do mundo.

  60. Rodrigo, vai à missa e deixa-me em paz.
    Susana, tu és sensata :-) A zazie dá-me vontade de me tornar escritora. Inspira-me até às amígdalas que não tenho. Ou então será do cheirinho apetitoso que lhe sai das peúgas… Ela tem um efeito sobre mim que receio insónias e ressacas por bons e largos anos.
    zazie, quem era o Miguel Lombarda? ( eh eh eh) Ai não te trates, não. A religião é para o meu vizinho Mohammed, a política para mim mas daqui a uns anos que quero gozar a vida e o futebol é para o português mediano sem outro assunto para abordar.
    zazie, pelas tuas palavras denoto que és feia, mas de uma fealdade que nem o Umberto Eco resgataria na sua História do Feio. És sui generis, querida.

  61. os espelhos na arte têm uma longa tradição e esse é um tema fascinante. não só pela mitologia da feitiçaria da visão, associada ao mito da medusa, mas pelas sucessivas possibilidades do quadro dentro do quadro, que acabam muitas vezes por perverter o tema.

  62. É mas tu é que foste obrigada a tirar aquela carantonha do blogue que até metia medo ao susto.

    Bem vou indo. Isto com bruxaria a bordo é demasiado forte para o meu gosto.

  63. LOL. A tua afirmação é o cúmulo da sensatez.
    Eu denoto, através de estudos antropológicos avançados, tendo eu pesquisado e chafurdado nas últimas descobertas dos zimbabués de África, que a zazie é um ser único em vias de exterminação. Devido aos distúrbios que sofre, este causados pelas alterações climáticas, entre outros, zazie manifesta desequilíbrios hormonais e também a nível dos neurotransmissores. Veredicto do Dr.Felismino Triste: Está condenada.
    Ainda por cima é tão bruxa que nem sabe escrever “sorcière”, mas eu sei onde está a causa desta inversão de letras… O sinal “voluminoso” que ela traz no nariz! Pois é! Não viu lá muito bem o que escrevia.

  64. A minha caratonha é infinitamente mais apresentável do que um escrópulo medonho no nariz, oh bruxa. Eu não gosto de bruxas! Quando era miúda sonhava que elas me mandavam para a sanita e puxavam o autoclismo para me matarem!

  65. “Quando era miúda sonhava que elas me mandavam para a sanita e puxavam o autoclismo para me matarem!”

    Depreende-se que te imaginavas a ir como merda por um autoclismo abaixo, na perspectiva de ceifares a frustração da tua própria existência. E que te revoltaste contra elas porque não te ajudaram a concretizar o “sonho”.

    (Não deixa de ser dramático observar-te a chamar sonho a um pesadelo.)

  66. Susana: não é bem assim. Eu apenas sublinhei o desproposito dos dois comentários dizendo que não era este o registo. Só podia provar que sabia as diferenças depois de explicar o «outro» registo. O facto de ter amigo do Orlando Neves colocu-me no cerne do dicinário do palavrão. Apenas isso, nada mais.

  67. Eu anuncio oficialmente no Aspirina B – e para grande contentamento da zazie – que vou expor a minha caratonha no Berço do Sharkinho amanhã! A não perder!

  68. Rodrigo, também te mando um beijo porque ainda podes ser meu primo sendo eu de apelido Rodrigues…
    Elypse, se o feio é belo, um pesadelo também pode ser sonho.

  69. Tão “doce” que vieste Cláudia… De facto, tudo pode ser nada, e vice-versa. Porém, atenção: o que julgas certo está errado. Pensa, portanto, nisto, e refaz a tua forma de estar (aqui).

    Tens sorte que te dirijam palavra…

  70. Eh pá, não tinha reparado nisto:

    “Eu anuncio oficialmente no Aspirina B – e para grande contentamento da zazie – que vou expor a minha caratonha no Berço do Sharkinho amanhã! A não perder!”

    Isto cheira-me a rasteira – bem, sempre teria a sua graça…

  71. elypse, suscitas-me uma curiosidade, já que diriges um imperativo ao estar dos outros: e tu, tens sorte que te dirijam a palavra? mais sorte que a claudia? menos…?

  72. Susana, perante uam pessoa como tu é preciso ter mais que sorte.

    Se quiseres até te passo a agradecer por cada vez que o faças.

    Até agora julguei (exceptuando um dois comentários menos felizes) que estava a contribuir positivamente para este espaço. Acho algo estranho, para não dizer bizarro vires com isso para aqui a esta altura – alguma coisa me terá escapado.

    Até te pedi desculpa, pelo assalto – vou ficar à espera que a Cláudia tenha a mesma dignidade (Agora, até deve ser fácil)

  73. Claro que o convite para o Rodrigo é extensível a qualquer pessoa que bloga.
    E aproveito para referir que a Susana está feita uma blogger de mão-cheia, ninguém a agarra.

  74. elypse, não tens razão, posto que respondo a todos. digamos que a sorte, por aí, é democrática…
    estranhas não sei porquê, dado que apenas te interroguei acerca de uma afirmação tua que me pareceu – essa sim – bizarra.
    quanto às desculpas e à dignidade da claudia não faço ideia do que estejas a falar.

    shark, exagero teu, deve ser coisa de padrinho… ;)

  75. Susana, disse o que disse por esta entrada da Cláudia (visa tudo e todos)

    claudia
    Mar 13th, 2008 at 0:30
    “Eu não sabia que ainda hoje no século XXI estreante ainda se discutia religião. Muito obsoletas no Aspirina. E falam de política. E falam de futebol. Não há mais nada para contar? Que seca…”

    Começa por colocar tudo no mesmo saco, alegando a nulidade de todo e qualquer assunto. Pergunto-te: onde reside a honestidade “intelectual”, num contexto destes. A partir disto, todo e qualquer diálogo tornou-se bizarro.

    Mas mais: ela tem um objectivo que tu sabes melhor que ninguém qual é.

    Fico por aqui neste assunto, porque não sou dado a tricas.

    “quanto às desculpas e à dignidade da claudia não faço ideia do que estejas a falar”

    sem comentários – até porque também sou ingénuo quando me convém

  76. jcfrancisco, não te respondi, desculpa-me. eu compreendi o teu propósito, discordo de ti quanto à existência de «um registo» pré-definido. uma das graças disto é mesmo o lado selvagem e aleatório que as direcções assumem nos comentários.

    elypse, se achas que que a política, a religião e o futebol constituem «todo e qualquer assunto», se falamos de temáticas, és um bocadito limitado. e pareces-me bastante dado a tricas, com essas afirmações entre o dito e o não-dito.
    quanto à claudia ela é uma habituée da casa. levas um tpc: vais ao google e procuras «boutade». depois voltas a ler a claudia. repete as vezes que forem necessárias, até tirares daí algum sentido.

  77. Susana: tenho mais que fazer que procurar sentido no que não tem sentido.

    Realmente devo andar um bocado limitado para perder tempo contigo.

    O que me vale é que não é recíproco.

  78. elypse, parece que é o contrário: quem perdeu tempo fui eu. a ti só vi perderes tempo… contigo.

    onde deves reconhecer a tua limitação é na primeira frase, que revela a presunção de saberes a priori o sentido de tudo.

    claudia, um abraço para ti também.

    sílvia, sim, se entenderes solidão como a solidão de todos, inevitável, o solipsismo relativo de cada um, não o medo. pois penso que deus, para os crentes, está na abundância, e na ligação entre tudo e todos.

  79. Susana, isto está-se a tornar ridículo, mas ok:

    “elypse, parece que é o contrário: quem perdeu tempo fui eu. a ti só vi perderes tempo… contigo.”

    Do parecer ao ser tens tanto a percorrer – não tenhas tu a presunção/pretensão de ver para além do que te querem mostrar (isto, também, serve para a tua limitação)

    E não fazia mesmo sentido nenhum: Já tinha reparado, antes de me mandares fazer aquela busca ridícula no “google”, no pormenor da Cláudia ser da “casa”, daí ter dito o que disse.

  80. elypse, tu dizes saber o que eu sei muito bem, e quando te explico que estás enganado (eu não sei de que objectivo falavas) continuas sem o dizer. o que tu mostras é da tua responsabilidade, mas hás-de convir que só posso dirigir-me a essa aparência.

    deixo-te aqui uma informação da qual farás a utilidade que entenderes: ninguém me obriga a ser indelicada.

  81. E pelo que vejo, muito menos delicada

    Já tou como o outro: “O que tu queres sei eu”, ainda que não saiba nada, é um facto.

    Olha, tu, a esta altura, já mereces um poema (de minha autoria)

    Dedicatória

    o longe e o perto limitam-te

    vejo num olhar o esvaziar de desejos
    que grande destino se revela em teu horizonte
    por estes caminhos que passas – em abandono

    teus lamentos escondem-se!
    já dissimulados na ausência da verdade
    expulsos… a felicidade fragmentou-se ela mesma em ti

    tantos são os pedaços esquecidos que te envolvem…
    brisas ásperas terra inocente grande suspiro
    rastejando – no vazio de orgulho – suplicando

    esbarras com um espelho
    vens olhar-te nos olhos, nos teus olhos que te olham
    para que haja, para que exista compaixão da boca que te canta!

    Luís F. Simões

  82. A relação que existe entre Deus, e o diabo é para mim, a perfeita unidade entre, o mal, e o bem. Nenhum deles poderia existir sem o outro, são por isso complementares. Até mesmo o padre Fernando que estava em linha directa com o céu, sabia disso, quando zarpava no maralhal, era sempre em nome de Deus. Portanto Deus e o Diabo, são,…. um só?. Em nome de Deus lá se foram uma quantidade razoável de almas, umas más, outras boas. Matar é pecado mortal. Talvez se mate por essa mesma razão. As interpretações bíblicas não são muito acessíveis a qualquer um. Errarem humanum és, ma no troppo!

  83. C. peço desculpa, o seu comentário escapou-me no meio da multidão. gostei de o ler, revejo-me nessa experiência do religioso, do sagrado e da atmosfera dos lugares de culto. fala da arquitectura – e como é importante: o som, a luz e a sombra, os volumes em volta. o modo como a experiência do corpo se articula com a do espírito. lá está: ao que parece a experiência religiosa surge, sob a forma de uma reacção de grande intensidade, numa área cerebral dedicada às emoções. mas a hipótese de resposta ao que desconhecemos é matéria do espírito, do (des)conhecimento. em qualquer religião o sagrado não pode estar desligado do profano; a haver um deus, tem que ser tudo e tem que ser imanência e transcendência. o princípio da criação e da criatividade.

    cabeça, parece-te? essa será mais a definição do homem. deus teria mesmo que ser um ideal, uma perfeição. deve ser por isso que ele supostamente está em tudo, mas não é tudo.

  84. Olá Susana,

    Gostei muito da sua história. Vou precisar dum empreiteiro, e o Isaías parece-me ideal, será que me poderia enviar o contacto para o mail?

  85. Concluir um trabalho é uma tarefa difícil. O ponto final não tem fim. O que cria vem do nada para elaborar um perfeito resultado, a suposta conclusão do mesmo, é sempre acompanhada com um, já chega, ou até mesmo, já estou cansado desta merda vamos mas é acabar com isto, “ponto”. Pessoalmente quando acabo um trabalho, procuro sempre esconder a acabada obra o mais longe possível do meu raio visual. Não seria a primeira vez que (se não escondo os trabalhos) naturezas mortas se transformam em vivas, nus ficam vestidos, árvores viram bananas, etc,….e tal, as pinceladas não acabam. O grande criador, que desde pequeninos, aprendemos a chamar de DEUS continua a pincelar por este e outros universos na procura do infinito ponto final. Espero que o não encontre, acabar é morrer, sem fim, mas se assim não for muito mais merda teremos. Com DEUS e o DIABO não estamos nada mal. Acreditar na vida enquanto se vive, não é religião(?!), sabendo que sempre se morre. Depois veremos, ESPERO!.

  86. Ah, mas eu também lhe telefono no Natal, e nos anos, e no meu próprio aniversário…bem como outras pessoas que eu conheço e que o conhecem. Graissas a Deuxes que a solidariedade não é só de uns poucos!

  87. smo, bem sei. aliás mesmo naquele primeiro natal eu estranhei ele ter-me dito aquilo. pelo que tenho visto, ele é alguém com quem muitos ficam solidários e ele grato a todos. e também pensei que teria telefonado também a ti neste dia recente. :)

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