quando a escola nos dá lições

O dia das meninas já tinha acontecido. As crianças agruparam-se de acordo com as amizades e o interesse pelos temas, e ninguém as obrigou ao conceito unissexo. Havia, então, grupos de meninas e grupos de meninos.
Nas cadeiras, dispostas em C ao fundo da sala, acomodaram-se os pais, e os meninos no chão, ao meio. Um painel de pequenos professores ordenou-se em frente do quadro. O primeiro contou que iam apresentar os seus projectos. À vez, foram avançando na explicação da metodologia, mostrando páginas A4 com campos detalhados onde iam organizando os objectivos, a informação obtida, os critérios a considerar, as apreciações sucessivas e faseadas, as dificuldades e soluções encontradas.
Depois, cada grupo apresentou o seu tema, iniciando-se sempre o título, pelos autores, num coro impecável. Cada grupo tinha um cartaz, com colagens de imagem e texto. Explicaram-nos diferentes funções do corpo humano. O aparelho digestivo foi complementado com uma representação “transparente” do tronco. Sobre esta iam colando fichas rectangulares, com massa adesiva, primeiro com a legenda das partes e, retiradas estas, com os nomes das várias triturações que vão acontecendo desde a comida às fezes. O aparelho respiratório foi ilustrado com uma experiência, utilizando alguidares e garrafas de litro e meio, cheios de água, e palhinhas. As mães participantes revelaram excelente capacidade respiratória. O sistema sanguíneo e o excretório foram outros projectos.

Mas também o Japão, este em livro. Esta é uma carica japonesa, anunciou-se com solenidade, quando uma tampa da cerveja Sapporo foi retirada de uma bolsa numa das páginas e posta a circular entre a plateia. E ainda uma personalidade local, pouco conhecida, que além da Internet exigiu cartas enviadas à Câmara Municipal e à Junta de Freguesia, para a conclusão do trabalho. Pelo meio, um grupo de laboriosas meninas, munidas de papeis e esfregona, limpavam, e traziam ou arrumavam os materiais. Terminou com a Electricidade, coadjuvada com uma demonstração de jogos de sombras projectadas sobre um ecrã.
Na conclusão de cada tema apresentado referiam as fontes: os livros, a net, os contactos efectuados. Fizeram perguntas aos pais sobre aquilo que tinham acabado de ensinar. Quando os pais não sabiam eles esperavam, e davam dicas: vá, eu dou uma ajuda, são quatro, ou posso dizer que foi no sec. XVII, mais para o fim. Os pais portaram-se bem, mas mostraram o que qualquer pessoa que assista a uma conferência já sabe: que os adultos também falam uns com os outros quando é suposto estarem a aprender.
No fim de cada etapa, os merecidos aplausos. Houve ainda um slide-show com fotografias de momentos importantes: o S. Martinho, as provas de atletismo, o dia da canoagem. Destaco, daqui, a recepção ao 1º ano, distribuídas as crianças caloiras por todas as salas, onde foram recebidas, por grupos organizados, para diferentes experiências. No fim do fim, os parabéns à professora. Perfeito. Enquanto houver escola assim, podemos guardar esperança.

5 thoughts on “quando a escola nos dá lições”

  1. tem graça, dina, que ao assistir àquilo me lembrei do que aqui tens deixado. a professora deste meu filho está nessa linha que faz da escola um local divertido e afectivo, onde se aprende de muitas maneiras.
    por exemplo, os textos nos trabalhos de casa, muitas vezes, são textos escritos por eles, depois trabalhados em grupo e finalmente com a professora. e podem ser textos de diferentes tipos. um dos trabalhos de férias foi construir um livro, a partir das receitas elaboradas por dois meninos, em que numa receita eles tinham que calcular as quantidades para números diferentes de pessoas, noutra secção descrever os processos, ou procurar os ingredientes de uma determinada classe de alimentos que apareciam nas instruções e não nos ingredientes. variado, abrangente nas matérias e sempre a valorizar a iniciativa individual e a cooperação. é um contraste tremendo e os resultados vêem-se bem. não se pense que por haver liberdade não há autoridade: basta ela fazer cara de desagrado para eles entrarem na linha. porque olham a professora como alguém que lhes acrescenta a vida.

  2. O Blog Cogitare em Enfermagem encerra hoje portas e abre um novo capitulo, ou seja um NOVO Blog que o convido a ver, comentar e participar.

    Neste novo espaço teremos agora uma nova rubrica que será assegurada por comentadores externos que iremos convidar para que assegurem a sua opinião sobre determinados assuntos que todos queremos ver esclarecidos.

    Em destaque Temos o artigo de Opinião da autoria da Enfermeira Lucília Nunes, sendo já certo que mais e de diversos autores se seguirão preferencialmente um por mês, no entanto se assim for possível ou necessário, colocaremos mais artigos de forma mais frequente.

    Estendemos a passadeira Vermelha para que nos possam visitar no novo Espaço agora criado e cujo nome será:COGITARE EM SAUDE.

    Pediamos era para actualizar o Link para o novo blog.

    Abraços e bom fim de semana.

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