Dona Viola Minha Dama

Viola da Terra, menina
Nas mãos de Hélio Beirão
Cria uma voz divina
Na humana condição

Viola de cinco parcelas
Nas mãos de José Elmiro
Traz a luz das estrelas
Até ao ar que eu respiro

Volta o som das trindades
Júlia, David, José Beirão
Um ciclone de saudades
Sai de dentro do violão

Viola regional Terceirense
Por ela a Terra tem voz
Assim a morte se vence
Nas festas de todos nós

A morte não mata Lira
A Lira fugiu na canção
A sua vida ainda respira
Nas mãos de Hélio Beirão

Entre Angra e Monte Brasil
O cicerone é uma viola
Sai uma música gentil
Que não precisa de escola

Olhos pretos numa esquina
O Sol perguntou à Lua
Por onde foi a menina
Que vinha por esta rua

Está na viola da Terra
Escondida na madeira
O amor em pé de guerra
Perdura uma vida inteira

Sapateia e chamarrita
Chegou no sabor a beijo
Casa dos Açores, visita
Debruçada sobre o Tejo

José do Carmo Francisco

8 thoughts on “Dona Viola Minha Dama”

  1. Bela letra para um fado, sim senhor.
    Permita-me uma pergunta relacionada com o último verso: vocês aí pronunciam “Teijo”?

  2. Só uma pergunta: letra para um fado de quem?! Mais valia que o “poeta” fosse até à esquina ver se chove. Pior, tenho lido pouco. Quem disse a este tipo que sabe fazer quadras ou essa coisa que escreve? Uma verdadeira vergonha poética. Não sei como o Aspirina publica esta desgraça. Haja respeito por quem lê!

  3. Só quem nasceu nos Açores ou lá viveu, poderá entender melhor estes versos. Já agora, esta poesia faz referência à viola da terra terceirense que tem, de facto, cinco parcelas (ré-si-sol-ré-lá)com um total de quinze cordas: dois bordões com duas cordas primas cada (ré-lá) e mais nove cordas de aço (três por afinação ré-si-sol). Na caixa de ressonância a admissão do som é de forma semelhante à guirarra comum (boca de roseta). A viola da terra micaelense tem 12 cordas com o mesmo numero de parcelas e a mesma afinação (apenas duas cordas em ré-si-sol) e a da boca da roseta é transformada numa entrada de dois corações envoltos num embutido que desenha uma lira (muitas vezes atrás do cavalete). Curiosamente, na cabeça, ambas têm um pequeno espelho embutido.
    Tive o prazer de confraternizar com alguns dos protagonistas dos versos e as modinhas descritas, conheço-as a todas, daí o facto de poder fazer uma melhor apreciação. Também já naveguei no Tejo e posso assegurar não é pronumciado com i em qualquer das nove ilhas dos Açores.
    Parabéns e um abraço açoriano ao autor destes versos.

  4. Muito agradecdo pela lição de música. Mas o assunto era Poesia, que deve ser escrita com maíúscula. As quadras são de pé-quebrado. Não há unidade temática. Quanto à palavra «Teijo», que não pertence ao meu comentário, é apenas ironia. Repare que «beijo» deveria rimar com «Teijo» e não com Tejo!
    Senhor Alfredo da Câmara, o senhor é açoriano, parece. Como tal, só lhe fica bem defender os seus interesses e os seus amigos, em particular aqueles que enaltecem os Açores. Também tenho vários amigos açorianos. Mas, neste caso, apenas defendo a Poesia, nada mais.

  5. jcf,
    cá está então a tal paixão pela viola da terra de que falámos durante o minuete do fernando. Embora esteja longe (muito longe) da dureza crítica que já experimentaste por aqui, reconheço que já li coisas melhores da tua autoria. Mas, que diabo, estas quadras não envergonham ninguém, não se apresentam pretensiosas, antes deixam antever delicadeza e carinho na evocação que faz das nossas gentes e costumes. A bem da poesia, não era caso para tanto, na minha modesta opinião. Cheira-me a raivinhas antigas, estarei enganado? Eu cá gostei, no geral. E não precisei recorrer à minha costela açoriana para gostar, bastou-me o amor às palavras que nos une a todos (?) aqui no aspirina.

    alfredo,
    pois e mais pois. Vieste ao embalo da viola da terra, não? Fica a tua bela explicação como razão mais que suficiente para valorizar estes comentários, se outras não aparecerem. Toma lá abraço, naião.

  6. Amigo Alfredo Gago da Camara já o conhecia dum disco notável de Piedade Rego Costa e que referenciei no Jornal «Sporting» – que Deus haja. Quem anda à chuva molha-se mas por cada porrada aparece um «rvn» que coloca tudo em pratos limpos. É mesmo assim. Como diz o outro «Quem viu, viu; quma não viu não sabe o que perdeu.» Anda aí muita gentinha que não quer ver. E teima…

  7. Estive sem conseguir entrar no aspirina não sei porquê. Agora que consegui e após ler estes comentários tenho de confessar que de música, de facto, percebo um bocadinho, principalmente de fado. Mas, longe de mim em querer impingir qualquer lição. Pretendi apenas matar a curiosidade possivelmente a alguém que acredita que o saber não ocupa espaço e, é claro, com uma pontinha de orgulho da minha Viola da Terra açoriana que, já agora, também se pode chamar viola de arame ou viola de dois corações (no caso da de São Miguel). De poesia é claro que percebo muito menos, mas já li e ouvi o suficiente para saber que grandes poetas portugueses já rimaram dezenas de vezes beijo com tejo, assim como Alentejo, desejo com beijo, que é a mesma coisa, porque tejo e beijo terminam exactamente iguais na última sílaba. Poderia dar mais exemplos mas, para não me prolongar muito e, a demonstrar que não quero com isto defender os meus interessos de açoriano que orgulhosamente sou, darei com exemplo um dos melhores poemas descritivos da cidade de Lisboa, que também é minha e de todos os portugueses.

    “Lisboa à noite”.
    Lisboa adormeçeu já se acenderam
    mil velas nos altares das colinas
    guitarras pouco a pouco emudeceram
    cerraram-se as janelas pequeninas

    Lisboa dorme um sono repousado
    nos braços voluptuosos do seu Tejo
    cobrio-a a colcha azul do céu estrelado
    e a brisa veio a medo dar-lhe um beijo

    Lisboa andou de lado em lado…

    Aproveitem para cantar, que é tão bonito, alivia o espírito e faz bem à saúde.

    Para o RVN, envio também um abraço a este laião açoriano desnaturado que está sempre desaparecido em combate.

    Para o JC Francisco, que penso não conhecer peço-lhe que aceite os meus cumprimentos. Fiquei a saber que já escreveu sobre um dos trabalhos discográficos que fiz com a minha cara metade Piedade Rêgo-Costa e teceu elogios. Palavra de honra que não foi troca de mimos mas pura casualidade. Recordo que na altura alguém nos arranjou o jornal do Sporting com este artigo que agradecemos.

    Cumprimentos a todos

  8. Obrigado amigo; não nos cohecemos mas é como se fôssemos conhecidos. O que conta é a emoção límpida quando se ouve música que entar pela alma da gente. O resto é treta, temos que seguir em frente e perder pouco tempo…

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