Um bom livro

Cleopatra – A Life

Cleópatra chamou aos seus filhos gémeos (de Marco António) Alexandre Hélio (Sol, em grego) e Cleópatra Selénia (Lua). Alexandre – em homenagem a Alexandre da Macedónia, do qual se considerava descendente. E Cleópatra, porque em toda a dinastia ptolemaica os nomes das mulheres distribuíam-se por quatro variantes, uma das quais esta. Apesar de ser rainha do Egipto, as divindades gregas, romanas e egípcias eram aceites com alguma facilidade, pelo menos a nível superior da pirâmide social. O livro é fascinante. O inglês magnífico. Ganhou o prémio Pulitzer deste ano.
Cleópatra e todos os outros protagonistas – Júlio César, Marco António, Octávio, generais vários – viveram nos anos imediatamente anteriores ao nosso ano zero (um), embora, evidentemente, nem suspeitassem o que isso fosse. Foram, portanto, contemporâneos de Herodes (e da temível sogra), amplamente descrito no livro – o que remete para a temática ali mais abaixo de J. Cristo pedreiro, que já devia andar por ali.
Mas o que interessa também é a história dos países do Mediterrâneo naquela altura, o império romano e o preço de o manter/alargar, as longas ausências de Roma, a inconcebível violência de tudo aquilo, a beleza de Alexandria…

22 thoughts on “Um bom livro”

  1. Ano 1, sim, visto do lado de cá, do lado de lá, do lado de cima, do lado de baixo, do lado esquerdo/direito/supra/inferior do universo paralelo nº 32-b, etc, etc. Sim.

  2. A informação de que só teve relações sexuais com dois homens é surpreendente, tendo em conta a sua regular inclusão nas listas das “devoradoras de homens” mais famosas da História. Apesar disso, pode fazer todo o sentido, não passando o mito da sua ninfomania de mais uma fantasia masculina.

  3. Val, mas o livro sugere, embora sem qualquer prova, outras aventuras, nomeadamente uma tentativa de sedução de Herodes. As fontes são escassas, como calculas.

  4. Muito obrigado pela referência e sugestão. Neste nosso pequeno e mediatizado mundo actual, tão colonizado pela cultura, pela língua, pela mentalidade e pela narrativa histórica anglo-saxónicas (mais de Oxford ao Texas, e não própriamente da Saxónia…), retornar por um livro que seja às realidades mundiais anteriores à derrota da “nossa” Invencível Armada, isto é, ao fulgor da Civilização mediterrânica – a qual, queiramos ou não, é (ainda?) muito mais a nossa do que a de Shakespeare e de Washington -, é sempre um oásis de serenidade e de encantamento para as nossas marteladas meninges. Ainda que (presumo eu) só possamos ler esta pérola, por ora, em… Inglês?…

  5. Não se trata de conseguir ler em Inglês. Numa boa tradução para Português, à qualidade da escrita da Autora somar-se-á o prazer, inigualável, de poder ler o livro na minha Língua materna.

  6. também concordo, Odisseus – pensar em português é outra coisa. :-) além disso, se a ela lhe fosse possível conhecer um português, de alheiras e bolinhos de bacalhau, teria resistido ao incesto e à pedofilia. :-)

  7. Disseste agora algo de grande valia e importância, Sinhãzinha: ler em Português faz pensar em Português!

    E é incalculável o prejuízo acumulado devido ao défice de pensar em Português em Portugal, onde já tantos lêem mais em Inglês do que em Português…

  8. :-) é tudo uma questão de se darem ao trabalho de pensar em português sobre o meu bom português para encontrarem grandes valias e importância no que eu digo depois de pensar em português, Odisseusinho. :-)

  9. Sinhã, segundo o livro, não era bem incesto. Havia a prática, na dinastia ptolemaica, de casar os irmãos para manter a riqueza sob o controlo da família. Estou em crer que esses casamentos não se consumavam. Cleópatra foi “mandada casar” com o irmão Ptolemeu quando este tinha apenas 12 ou 13 anos. De qualquer modo, bem depressa arranjou mais que fazer do que aturar imberbes….

  10. Sinhã, tudo é possível… Vá lá que não houve frutos (Biac!). Aliás, tudo era possível naquela época. A morte era tão certa que tudo começava mais cedo. Olha o Alexandre o Grande. O próprio Octávio era um mocinho de 18 anos quando Júlio César praticamente lhe depositou o poder nas mãos…

  11. Penélope, estarmos abertos ao Mundo é positivo, sim, mas desde que isso não nos feche a nossa própria identidade! Que, infelizmente, é o que me parece estar a acontecer em Portugal, onde a par de uma saudável abertura ao Mundo, medra uma assustadora perda de autenticidade e pujança linguística, mental e cultural. Sobretudo nos meios académicos e universitários, o que considero deveras preocupante.

    Caricaturando, só vale a pena quanto a mim aprender uma Língua estrangeira, se isso não nos fizer, em consequência directa, “enferrujar” a nossa Língua materna.

  12. ora aí está – cada vez menos se aposta menos no artesanato que é o Português. a grande maioria escreve mal – porque pensa e lê igualmente mal. interessa é trabalhar a Língua, e a língua, a Portuguesa, vernaculamente, todos os dias. e todas as outras são primas afastadas que se encontram nas festas. :-)

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