Para já, guerra de estudos

Num oportuno contraponto (dir-se-ia) a quem contesta o estudo de dois economistas de Harvard sobre a relação da dívida com o crescimento dos países, que esteve na base das políticas de austeridade, estudo com erros fundamentais que foram agora denunciados pondo toda uma estratégia em causa, um estudo recente do BCE vem dizer-nos que a média de ativos das famílias portuguesas, gregas, espanholas, italianas ou cipriotas é bastante superior à das alemãs. Ou seja, os países em dificuldades financeiras serão mais ricos do que a Alemanha. Esta conclusão é escarrapachada em capas de jornais e revistas do eixo norte da Europa, para grande gáudio dos leitores/eleitores e dos contribuintes para a nossa “salvação”, em tudo muito mais parecida com desgraça, mas enfim. O artigo da Spiegel tem até um subtítulo de choque – “Como os países europeus em crise escondem a riqueza”.
Conclui o estudo do BCE que, sendo assim, havendo tanto dinheiro nos países em dificuldades, esteja ele onde estiver, e beneficiando eles de empréstimos generosos de países dadores como a Alemanha, a ajuda não se justifica e os próprios países devem encontrar internamente meios para ultrapassar as dificuldades financeiras. Terá sido talvez já com base neste maravilhoso estudo que as contas bancárias dos cipriotas foram sugadas e, pior ainda, se anunciou que a solução poderia ser futuramente adotada noutros países?

In light of the new ECB study, a new discussion of the Euro Group’s bailout strategy is indeed necessary. So far taxpayers have born the risks of this strategy, by guaranteeing all loans the ESM has paid out to needy countries. Greece, Ireland, Portugal and Spain are already part of this group, and now Cyprus has been added to the mix.
Germany is already guaranteeing about €100 billion in loans. If even more countries request aid and can then no longer serve as donors, the amount of money guaranteed by the Germans could rise to €509 billion, according to an estimate by the German Taxpayers’ Association. This figure doesn’t even include the latent risks in the balance sheet of the European Central Bank (ECB).

[…]In other words, taxpayers and ordinary savers are paying for the euro rescue efforts, which are primarily benefiting the rich in Europe’s most troubled economies. Their assets remain largely untouched, while the assets of their rescuers are melting away.

Não sei se o Excel do BCE também tem erros ou se há ali uma manipulação de dados em favor de um certo objetivo. Convém ler o artigo da Spiegel, que, apesar do título, mostra as várias perspetivas do problema e tem o cuidado de referir algumas das deficiências deste estudo, nomeadamente a desconsideração de dados como a percentagem de proprietários de habitações nos países do sul em comparação com a Alemanha – 80% para 44%-, o número de filhos por família, os anos a que se referem os dados, as razões para o acumular de poupanças nalguns países, o facto de se tratar de valores médios ou, enfim, a triste realidade nos países do sul que choca os olhos de qualquer um que os visite.

Como é óbvio, estudos destes, tanto um como outro, não contribuem o que quer que seja para acalmar as hostes nem para resolver sensatamente os problemas. Duvido que sejam os estudos económicos a causa direta de uma guerra, mas podem ser uma munição importante. Parece-me que começa a estar declarada.

30 thoughts on “Para já, guerra de estudos”

  1. Há uma grande verdade que subjaz a tudo isto: a riqueza dos Países do Norte é mais uma riqueza colectiva, uma riqueza em termos de funcionamento do Estado, da Economia e da Sociedade em geral e não tanto uma riqueza de valores materiais de nível individual e familiar.

    Nesse aspecto, os Contribuintes do Norte têm alguma razão: não querem pôr o seu nível de vida e o seu modelo de Sociedade em causa para salvar os nababos do Sul, que andam de Porsche Cayenne e fazem férias de Inverno nos Alpes e de Verão nas Maldivas.

    O problema dos Povos do Sul é que, em vez de seguirem o caminho dos Países nórdicos e optarem por um Estado Social mais rico e um Povo com menos pobres e menos milionários, optam por virar a raiva contra quem já resolveu essas desigualdades na sua casa!

    Nós temos de olhar é para dentro, para nossa casa, e ver se pomos os Ulricos todos na ordem, os que corrompem, os que não pagam Impostos, nem Salários, nem Segurança Social, os que negoceiam por baixo da mesa com os dinheiros do Estado, os que herdaram os bens, os palácios, as propriedades, os bons relacionamentos e até certos modos de falar, mas são um peso morto na Economia. Temos de resolver ESTE problema magno, o das DESIGUALDADES, antes que tenham que vir os nórdicos, que pagam as nossas sopas, tratar-lhes da saúde.

    Temos que tentar ser mais parecidos com a Suécia e a Holanda do que com o Brasil e Angola. Senão acabamos pior do que a Grécia: acabamos como Marrocos, ou a Turquia.

    E tenho a sensação de que um dos poucos que tem uma noção apurada deste problema é José Sócrates.

  2. Interessante. Não li o estudo e, como é evidente, seria ingénuo excluirmos que ele introduza um ou varios vieses. No entanto, eu não vejo na noticia nenhuma razão de sermos pessimistas, muito pelo contrario.

    O que interessa – e o que é logico e de encorajar – é precisamente que os problemas economicos dos Europeus sejam abordados no sentido do estudo alemão : de forma transversal, com vista a aferir se ha de facto repartição da riqueza e assegurar que os recursos de todos sejam aplicados por forma a aproximar de facto, não apenas formalmente mas na realidade, os beneficios e as oportunidades de todos.

    Portanto pessoalmente, eu não tenho nenhuma dificuldade em aceitar debater da questão objecto do estudo, e acho que é de aplaudir a iniciativa. E julgo que ninguém, de esquerda, devia ter a minima apreensão a esse respeito. Muito menos ainda nos paises mais penalizados pela crise… Que eu veja, estes ultimos parecem-me mais ser os paises do sul, mas se os autores do estudo pretendem estar em condições de provar o contrario, com certeza que vou ver !

    Boas

  3. Pouco importa que os estudos cheguem a tais conclusões. O que se constata é que temos uma classe média quase desgraçadinha. E que, contraditóriamente (ou não?), nas ruas das nossas cidades, se constata também fartura de “sinais exteriores de riqueza”, nomeadamente carros topo de gama. O que nos leva à pergunta: onde vai esta gente buscar dinheiro para tais luxos. Economia paralela, será talvez a resposta.

  4. Pois, parece ser um facto que as desigualdades são grandes em Portugal, assim como parece ser um facto que a receita aplicada atualmente não as está a esbater, pelo contrário. Aliás, invocar os patos-bravos ou a centena de ricaços que s pavoneiam em PT com Porsches e Mercedes para reforçar a punição parece-me de mau gosto. Na Alemanha tb há ricaços pirosos a pavonearem-se com correntes de ouro e outros sinais de riqueza e com a vida extremamente facilitada graças à contratação de escravos da Bulgária e da Roménia sem salário mínimo e sem quaisquer direitos. Mas, enfim, a classe média existe, é numerosa e tem um bom nível de vida.
    A questão aqui não é essa. A atitude punitiva com que os alemães e outros nórdicos partem para os empréstimos (e, hey, são empréstimos!) não visa restabelecer justiça social nenhuma e muito menos corrigir desigualdades. Visa recuperar e ganhar dinheiro, ponto. Aliás, as políticas impostas impedem mesmo os investimentos que visariam colmatar essas lacunas. Querem lá os credores saber de que forma se podem tirar pessoas da miséria agora causada e da ignorância.

  5. isso serás tu a dizer. o aumento dos impostos ao consumo, por exemplo, é uma das medidas do PEC em que cabe o ir buscar dinheiro aos depositantes.

  6. “… o aumento dos impostos ao consumo, por exemplo, é uma das medidas do PEC em que cabe o ir buscar dinheiro aos depositantes.”

    exemplo!!!… só se for da tua capacidade de dizeres asneiras.

  7. Eu só gostava de recordar aos contribuintes do Norte que ninguém lhes aumentou os impostos a eles para nos emprestarem dinheiro, nem o empréstimo é feito sem juros, aliás bastante aliciantes para os seus governos.
    Reclamam do quê, para sermos exactos? De estarem a ganhar dinheiro á custa da nossa aflição, causada sobretudo por um euro mal desenhado, como agora anda em voga dizer?
    Tenham santa paciencia.

  8. “Eu só gostava de recordar aos contribuintes do Norte que ninguém lhes aumentou os impostos a eles para nos emprestarem dinheiro, nem o empréstimo é feito sem juros, aliás bastante aliciantes para os seus governos.”

    nem o dinheiro que nos emprestam é deles, parece que vem da ásia e os gajos fazem cenas de ciúmes quando algum dos endividados tenta furar o esquema.

  9. Sim Penélope. Tem inteira razão. E sobre a economia paralela, também não é exclusividade nossa. Quanto à atitude punitiva, trata-se tão somente de uma espécie de chantagem em que supostas superioridades são lançadas sobre culpabilidades para as quais, creio, temos um jeitinho especial. E, principalmente, temos um poder político desavergonhadamente conivente com interesses alemães, incapaz de defender aqueles que deveria representar.

  10. “Esqueceram-se” de dizer que os activos das famílias portuguesas (essencialmente imobiliário) estão hipotecados a bancos nacionais, que por sua vez se financiaram no mercado inter-bancário e no BCE. Assim sendo, os “amigos” alemães já recebem rendas q.b.

    Esta nova tentativa de saque, através de um aumento incomportável do IMI, não é mais do que uma tentativa de roubo da propriedade privada alheia. Que os alemães têm um jeito especial para o saque, isso já se sabe desde o tempo dos romanos; recordo que os Vândalos eram germânicos. Já só falta fazerem como os Vândalos, que raptavam as filhas de pessoas com bens para ficarem com tudo.

    O germano que nos brindou com essa prosa sai aos Vândalos seus antepassados: audaz, bem treinado nas artes do saque, mas com um empreendedorismo pouco sofisticado. Pois deveria ter lido que, em 1975, os rapazes do PREC (alguns dos quais generosamente apoiados por Berlim-Leste) ficaram em inferioridade numérica mal se gerou o pânico da invasão ou confisco da sua propriedade privada… É que falta muito pouco para todo o português do centrão político querer sair da Zona Euro e para poder invocar justa-causa quando deixar os amigos do Gaspar (os nossos credores) pendurados.

  11. Eis como já preparam o segundo resgate.

    Só que Gaspar vai ter que explicar muito bem às pessoas que votaram no PSD — designadamente aos proprietários de imóveis e terrenos do norte e centro de Portugal — a mando de quem vai saquear as propriedades dos votantes que o puseram no poleiro…

  12. Não misturemos os assuntos. Não são os nórdicos e os germânicos que têm de vir fazer a justiça social no Sul, ou serão?

    Bem lhes basta terem de a manter lá no Norte e no Centro, que já não é fácil.

    Também não vale equiparar o Contribuinte médio alemão ao patrão mafioso que contrata “escravos romenos e búlgaros”. Se olharmos bem, se calhar há mais patrões mafiosos em Portugal do que na Alemanha, mesmo sem ser “per capita”!

    E não vale a pena argumentar que não aumentaram os impostos aos alemães, porque isso é mentira, ponto. Aumentaram os impostos, reduziram subsídios e abonos, aumentaram a idade da reforma e muito mais e não foi só para emprestar o graveto, foi também para PERDOAR dívida, pelo menos à Grécia, em montantes astronómicos.

    Tratar assuntos destes desta maneira, desculpem lá, mas está ao nível dos correios das manhas.

    Mas se querem continuar a chafurdar na impotência e a culpar a Merkel, os vândalos, o Hitler (pois, já cá faltava…) e todos os Povos europeus desenvolvidos pela incapacidade de os Povos do Sul resolverem os seus verdadeiros problemas estruturais, que não são as regalias nem os salários dos trabalhadores, mas sobretudo as DESIGUALDADES SOCIAIS atávicas e ancestrais, que impedem o País de utilizar o que de melhor cá tem – a massa cinzenta dos seus Cidadãos -, então desistam de vez, vão partir montras, queixar-se da “troika”, injuriar o Sócrates e deixem o Passos e o Gaspar a rir-se de vocês todos e os ulricos de hoje e de sempre a gozar o prato e a colocarem os seus rebentos nos bons cargos – governativos, sociais e profissionais – e a lambuzarem-se com os dinheiros dos nossos impostos. E ainda a dar-nos música nas têvês.

    E já agora saiam do Euro e mudem o nome do País. Pode ser Magrebe do Norte, ou Portugall. Para o que interessa, é indiferente.

  13. Ola de novo.

    Concordo com a maior parte das afirmações aqui em cima, mas continuo a encontrar-lhes, como ao post, um sabor esquisito. Da mesma maneira, quando oiço os gritos escandalizados acerca de determinado erro de excel num estudo economico, fico, como dizer… preocupado.

    Compreendo que todos nos não tenhamos na mesa de cabeceira os ultimos estudos do BCE, nem o habito de verificar a idoneidade dos dados enquanto tomamos o pequeno almoço. Mas ainda assim supreende-me a velocidade com a qual caimos logo em cima do erro, como se não tivéssemos nenhuma outra responsabilidade do que a de gritar aqui del rei que me enganaram.

    Vamos la ver uma coisa, meus caros, se amanhã o Passos Coelho tomar determinadas medidas fiscais baseadas no pressuposto de que 2 + 2 = 5 (ja faltou mais), vamos bradar ao céu que ELE nos tem andado a enganar ? E’ isso ?

    Vejo um levantar geral de escudos contra o autor teutonico da analise resumida no post. Ja ha aqui em cima quem tenha avistado o Atila a cavalgar em direcção ao Tejo. Ainda ninguém referiu os nazis, mas isso é porque ainda não chegamos ao 15° comentario (foda-se, acabamos mesmo agora de la chegar…).

    Mas não haveria uma maneira mais simples, e talvez mais eficaz, de contestar o estudo, deixando momentaneamente de lado o chuço do Viriato, e pegando por instantes, no lapis e na maquina de calcular ? Não é suposto ser assim que as coisas funcionam. E senão fôr assim, temos alguma coisa a esperar da politica que não seja o regresso de dom Sebastião ?

    Boas

  14. Caro Anel de Soturno,

    O seu comentario ainda não tinha sido publicado quando escrevi o meu. Deve haver um deus, ou qualquer coisa, porque o penultimo paragrafo do seu comentario transformou, como por magia, o que digo no penultimo do meu, em um pouco mais do que um truque retorico, como era na altura em que o estava escrevendo.

    Boas

  15. :-)

    Ok, João Viegas. Bon appétit, se for o caso, que agora também vou “almoçá-lo”, aqui algures a Leste de Amadora City, a cerca de 2 000 km de Paris (e a menos de 1 000 km de Rabat)…

  16. Caro Anel de Soturno:

    Deixando a ironia de lado, por ora…

    O artigo errado de Reinhart e Rogoff foi usado para sustentar a INVERSÃO da relação causal entre privação de crescimento e aumento da dívida, consagrada em diversos tratados europeus por insistência do colosso germânico. Como escreve — com alguma ironia — Paul Krugman:

    «O que se vê [nos dados empíricos] é que um aumento da dívida de 50% para 150% do PIB, mantendo tudo o resto constante, reduz o crescimento económico em cerca de 0,1% nos próximos três anos. Esta é a consequência terrível que nos impede de fazer algo contra o desemprego em massa.»

    Andrajit Dube explica os erros do artigo de Reinhart e Rogoff, em:

    http://www.nextnewdeal.net/rortybomb/guest-post-reinhartrogoff-and-growth-time-debt

    Como os nosso parceiros do norte não são idiotas, é razoável suspeitarmos que houve má-fé na redacção dos tratados. O próprio povo alemão também é vítima dessa má-fé; é isso que obriga os demagogos alemães a engendrar manobras propagandísticas de extraordinário mau gosto e falta de imaginação. No entanto, a agitação das massas baseada no mito da superioridade alemã é uma faca de dois gumes; pois há inúmeros exemplos históricos que mostram que tal agitação nem sempre conduziu o povo germânico a actos edificantes. Isso não nos dá o direito (e o dever) de lhes assestar a arma da ironia?

    Os pressupostos dos tratados europeus sobre a dívida — começando pelo pacto de estabilidade — foram, neste Abril de 2013, refutados pela ciência económica. E é precisamente isso que os alemães têm que resolver, se querem ser levados a sério.

  17. João Viegas: Faço basicamente dois comentários ao estudo (que apenas conheço do relato feito na revista citada):
    1. Que tem as deficiências apontadas pelo jornalista e não são poucas (a ponto de o próprio Schauble o desvalorizar);
    2. Que se presta e de que maneira a alimentar a argumentação populista e preconceituosa, possivelmente com base em dados incorretos. Além disso, explicações para os dados apurados há muitas.

    Lembro-te entretanto, noutra esfera, que há países em crise que tinham dívidas públicas bem inferiores às dos Estados que agora os acusam de despesismo e lembro-te sobretudo que, quando se admitiram países do sul na então CEE, era totalmente conhecido o seu nível de desenvolvimento, assim como era conhecido o esquema de falsificação de dados para a entrada no euro, com a conivência de importantes instituições financeiras. Alguma vantagem viu a Alemanha na admissão de mais países, não vale a pena pretender que foram estes países a forçar seja o que seja. Que as vantagens se tenham transformado, por força de uma crise financeira, em fardos é uma questão a que eventualmente somos alheios.

    Anel de Soturno: A questão não é deverem ser os alemães a fazer a justiça social no sul. É claro que não devem, ainda que muitas das exigências impostas pela política europeia, de orientação alemã, e francesa na altura, prejudicaram a situação produtiva e económica de Portugal, o que agora sobressai, pois parece que está obrigado a desenvencilhar-se de forma autónoma como se não fizesse parte de uma união tendencialmente política e que muito influiu nas nossas condições de desenvolvimento. A questão é que as opções atuais só agravam a situação. E não é só em Portugal, é por todo o mundo ocidental que as desigualdades estão a acentuar-se.

    As reformas feitas na Alemanha datam de há uma década, quando não havia recessão nem crise no horizonte. Não é o caso hoje, o que tem efeitos contraproducentes. Mesmo assim, o nível de reformas e de cortes na Alemanha não tem ponta de comparação com o dos que estão a ser impostos nalguns países em crise. O Estado social deles mantém-se intacto.
    social deles mantém-se intacto.

  18. Caro Anel de Soturno : como toda a gente sabe, eu nunca almoço, contento-me com aspirinas.

    Cara Penélope : Not (quite) my point. Suponho que se alguém nos apresenta medidas que afirma justificarem-se porque 2 + 2 = 5, a resposta mais apropriada não consiste necessariamente em atirar-lhe à cara que ele é um mentiroso, muito menos ainda em gritar que a matematica é uma intrujice, mas antes, pelo menos num primeiro tempo, em fazer-lhe notar que 2 + 2 = 4.

    Boas

  19. há duzentos anos já não havia analfabetos na alemanha,e há mais de 40 anos já havia em muitas empresas refeitorio,depositos de agua e cafe por todas as oficinas da fabrica.este atraso dos paises do sul , por força da ditaduras( Portugal espanha e grecia ),não tem sido considerado pela alemanha,e seus apoiantes no nosso pais como gaspar e passos coelho.argumentos para justificar a divida não faltam.este pais antes de abril, não tinha hospitais decentes e em quantidade,tinha escolas secundarias só nas capitais de distrito,o tecido empresarial era curto,e o analfabetismo ultrapassava quase os 40 %. auto-estradas tinhamos 20 km de lisboa a vila franca. perante esta triste realidade, obviamente que tinhamos que nos endividar para recuperar este atraso.agora estamos mais endividados do que há dois anos e nada se fez neste pais.o que anda a ser inaugurado é obra do governo socrates.

  20. “… pelo menos num primeiro tempo, em fazer-lhe notar que 2 + 2 = 4.”

    o primeiro tempo já lá vai há bués, agora resta-te pagar €5 de impostos com uma nota de €4 para ver se o gajo entende.

  21. Penélope querida, tudo bem, mas uma coisa são as políticas atuais muito discutíveis do BCE, da Merkel e da CE (liderada por um português…), mais os interesses do FMI, e outra, muito diferente, são as desconsiderações preconceituosas ao Povo alemão, que nos pagou as sopas durante trinta anos e cujo Estado Social e nível de desenvolvimento é, quanto a mim, não só de elogiar, como de procurar imitar.

    Ou só agora é que tomámos consciência de que os milhões diários da CEE que entraram em Portugal nos tempos áureos do cavaquismo não eram destinados a subsidiar o corte de plantações subsidiadas, ou a comprar jipes, nem sequer para tornar apenas a Economia “competitiva” (outro mito urbano da narrativa neo-liberal), mas sim, principalmente, a robustecer um Estado Social equiparável aos do Norte desenvolvido? Com uma Justiça eficaz, uma Saúde confiável e uma Educação frutífera?

    Ou agora, como diz o João Viegas, é que nos damos conta de que andámos, anos a fio, a ter fé de que 2+2 pudessem dar 5?

    “Trabalho de casa”, cara Penélope, é aquilo que nunca fizémos até 2005, nem com o santinho Guterres, e que, estúpidamente, resolvemos interromper em 2011. Até ver, para todo o sempre…

  22. anel de soturno,a alemanha não nos deu nada. o que dá tem retorno e por isso é o pais que mais lucrou com a ue.

  23. anel de soturno.por vezes somos injustos na nossa avaliaçao.como temos o essencial,esquecemos os que nada têm,e para minorar esse estado de coisas é preciso muito dinheiro. alem dos apoios economicos não podemos esquecer as infraestruras de apoio social como lares, infantarios, creches centros de dia que foram criados.guterres foi um pm que pensava nas pessoas.depois em minoria aconteceu-lhe o mesmo que a socrates.lembras-te do queijo limiano que ele aliciou para conseguir passar determinadas propostas? faltava-lhe um deputado para ter a maioria.a extrema esquerda não sabia quem vinha a seguir? depois queixam-se da alternancia.

  24. Paul De Grauwe e Yuemei Ji já fizeram uma análise crítica aos dados divulgados pelo BCE e imprensa.
    e concluem:
    From this analysis it follows that it is misplaced to conclude from the ECB study that Germany is poor compared to some southern European countries and that therefore it is not reasonable to ask German taxpayers to financially support ‘richer’ southern countries (see e.g. Wall Street Journal 2013). The facts are that Germany is significantly richer than southern Eurozone countries like Spain, Greece and Portugal.

    There does seem to be a problem of the distribution of wealth in Germany:

    First, wealth in Germany is highly concentrated in the upper part of the household-income distribution.
    Second, a large part of German wealth is not held by households and therefore must be held by the corporate sector or the government.
    Thus while it is may not be reasonable to ask the ‘poor’ median German household to transfer resources to southern European countries, it may be more reasonable to make such demands on the richer part of the German households and the corporate sector. Put differently, the opposition in Germany to making transfers to the south finds its origin not in the low wealth of the country. The facts are that Germany is one of the wealthiest countries of the Eurozone. The problem is that this wealth is very unequally distributed in Germany, creating a perception among less wealthy Germans that these transfers are unfair.

    este é o link para o artigo completo:
    http://www.voxeu.org/article/are-germans-really-poorer-spaniards-italians-and-greeks

  25. comando dos revoltosos, se_soubesses,

    “The problem is that this wealth is very unequally distributed in Germany, creating a perception among less wealthy Germans that these transfers are unfair.”

    Ms não é isso que a ideologia pretende? Ricos contra pobres (“menos ricos”, vá), e estes contra os mais pobres. Ganham sempre os primeiros. Mas a curto prazo, porque não aprenderam a História. E os “pobres” também não. O velho enleio em que nos encontramos: dividir para reinar. E não temos ninguém com um sonho de abalar esta ordem das coisas, e as pessoas pedem isso, pedem de forma desordenada, mas é isso que querem. Tem riscos, como antes aconteceu, pode surgir alguém que tem o sonho errado, mas tem-no. E aí vamos nós. On and on and on.

    http://www.youtube.com/watch?v=MCbhSBNZCsg

  26. O argumento expendido por “se_soubesses” é muito interessante e merecia ser “traduzido”, não só para Português corrente, mas sobretudo para o espaço de debate público generalista. Infelizmente o não é, nem nunca o será…

    Básicamente, o tal Estudo que inflama, contra os “preguiçosos” Países do Sul, os leitores dos correios das manhas alemães (que também os há, pasquins e leitores de pasquins, na Alemanha…) defende que os portugueses médios são mais ricos que os alemães médios e o problema com este aparente paradoxo é que (obrigado, “se_soubesses”) a riqueza alemã está “mal distribuída”, concentrando-se mais nas Empresas, Instituições e no próprio Estado do que nos Particulares (ou Contribuintes individuais).

    Será. Mas então teremos de concluir que, ao contrário do que concluem P. de Grauwe e Y. Ji, se não é ao Contribuinte médio alemão que se devem ir pedir mais sacrifícios para “salvar” os aíses do Sul, mas sim aos ricos Bancos alemães e ao rico Estado alemão – parece-me lógico -, também não serão os contribuintes portugueses que deverão beneficiar dessa ajuda, mas sim sobretudo as Instituições, as Empresas portuguesas E O ESTADO portugueses.

    Mas isso só prova que os alemães sempre têm alguma razão: foi para isso, para fortalecer o Estado Social português, a Justiça, a Saúde, a Educação, o Empreendedorismo e o funcionamento da Administração Pública que a U. E. nos enviou os fundos estruturais. Só que o resultado foi perverso: as Instituições e o Estado continuaram pobres e deficientes e os particulares compraram casas, jipes e iates!

    Assim, de facto, é difícil convencer alguém de que mais dinheiro nos ajudaria em alguma coisa.

    Quando é que se começa a falar disto a sério?

  27. A paphos car hire firm highlighted in Guardian Money two weeks ago.
    When it comes to media syncing, you’re in the zone, take a taxi there. Budget even has a program when you can save on your next holiday trip to North Paphos Car Hire.

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